21 de março de 2017

As Constituições Apostólicas sobre Pedro, diaconisas, celibato e o terceiro Tiago

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Estive lendo as Constituições Apostólicas, um documento cristão datado do século IV d.C., mas que alega ter sido escrito pelos doze apóstolos. Farei aqui algumas breves considerações de ensinos ali expostos que seriam considerados inaceitáveis na Igreja Romana dos dias de hoje. Comecemos com a questão do episcopado de Pedro em Roma, que já foi abordada por mim mais detalhadamente neste artigo. A obra em questão tem um tópico chamado “Quem eram aqueles que os apóstolos enviaram e ordenaram?”, e faz uma lista de várias antigas dioceses cristãs, dentre as quais seleciono as seguintes:

De Antioquia, Evódio, ordenado por mim Pedro; e Inácio por Paulo. De Alexandria, Aniano foi o primeiro, ordenado por Marcos o evangelista; o segundo foi Abílio, por Lucas, que também era um evangelista. Da igreja de Roma, Lino, filho de Cláudia, foi o primeiro, ordenado por Paulo; e Clemente, depois da morte de Lino, o segundo, ordenado por mim, Pedro (Livro VII, XLVI)

Observe, em primeiro lugar, que é dito que Lino foi o primeiro bispo de Roma, e pior, ordenado por Paulo e não por Pedro(!), e ainda é dito que Pedro ordenou Evódio como bispo de Antioquia (ou seja, Pedro ordenou o primeiro bispo antioqueno, mas não ordenou o primeiro bispo romano, sendo ele bispo de Roma!). Em vez disso, é dito que Paulo que ordenou Lino, o que é bastante estranho, já que para os apologistas católicos Pedro era um papa reinando de forma soberana em Roma já fazia 25 anos, quando Lino foi ordenado depois dele. E Paulo teria sido apenas um apóstolo que chegou a Roma nos últimos anos de vida como um prisioneiro, e sob a liderança do próprio Pedro, seu superior hierárquico. E mesmo assim, não é o papa Pedro que ordena Lino, mas Paulo! Não é preciso mais que um cérebro na cabeça para perceber que tem algo errado na tese católica.

Claro que os papistas poderão alegar que na continuação é dito que Pedro ordenou o segundo bispo de Roma, Clemente. Mas isso só cria um novo problema, além de não resolver nada do anterior. Isso porque na lista oficial de papas da Igreja Católica (disponível aqui) o bispo que vem depois de Lino não é Clemente, mas Anacleto. Clemente é o que aparece depois de Anacleto na lista de sucessão. Ou seja, as Constituições Apostólicas passam por cima de Anacleto como se o mesmo não existisse, o que só prova que a lista católica não tem qualquer credibilidade histórica, o que já foi comprovado por mim neste artigo mais amplo sobre o tema. Na lista oficial da Igreja Católica Clemente só é ordenado em 88 d.C., ou seja, mais de vinte anos depois da morte de Pedro!

Para piorar, na Igreja Romana um papa só é ordenado por cardeais depois que o anterior morre, ou seja, não é o próprio papa que escolhe o seu sucessor. Mas nas Constituições Apostólicas é dito claramente que Paulo ordenou Lino e Pedro ordenou Clemente. Ou seja, além de provar que quem ordenava não era um papa (senão Paulo seria papa antes mesmo de Pedro), ainda prova que a ordenação ocorria pelos próprios apóstolos enquanto os mesmos ainda estavam vivos, e não por um grupo de cardeais depois que um bispo morria.

Outro detalhe interessante está no Livro 8, quando é mostrada a forma de oração para a ordenação de uma diaconisa:

“Oh Deus eterno, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Criador do homem e da mulher, que encheu com o Espírito Miriã, e Débora, e Ana, e Hulda; que não desprezou que Seu filho unigênito nascesse de uma mulher; que também no tabernáculo do testemunho e no templo ordenou que as mulheres fossem guardiãs dos teus santos portões – agora tu também olhe a esta tua serva, que deve ser ordenada para o ofício de diaconisa, e conceda-lhe o Seu Espírito Santo, e purifique-a de toda a imundície da carne e do espírito, para que ela possa exercer dignamente o trabalho ao qual ela está comprometida...” (Livro VIII, XX)

Interessante notar que nessa oração é feita alusão a grandes mulheres dos tempos bíblicos que exerceram altas funções; todavia, não é citado o exemplo de Maria, mas somente o de Miriã, Débora, Ana e Hulda. Quando Maria é citada, não é nem mencionada por nome, mas é dito apenas que Deus não desprezou que Seu filho nascesse “de uma mulher”. Sem falar que a própria ordenação de diaconisas é algo proibido na Igreja Romana. No ano passado o papa Francisco pretendeu criar uma comissão de estudo para ordenar diaconisas (veja aqui), mas a ideia não foi levada a efeito e dificilmente será, já que encontra forte resistência e grande oposição entre os católicos mais tradicionalistas e ultraconservadores.

As Constituições deixam claro ainda que os sacerdotes podiam se casar, proibindo apenas o relacionamento com certos tipos de mulheres, como segue abaixo:

“Aquele que tomou uma viúva ou uma mulher divorciada, ou uma prostituta, ou uma escrava, ou uma pertencente ao teatro, não pode ser um bispo, padre ou diácono, ou mesmo exercer qualquer um dos cargos sacerdotais” (Livro VIII, XLVII, 18)

Note que as restrições diziam respeito apenas a mulheres malvistas na sociedade, como prostitutas ou divorciadas, o que implica que os sacerdotes (inclusive os bispos, como diz o texto) estavam livres para se casarem com mulheres que não se encontrassem nessas condições. A proibição não dizia respeito a um conceito divinizado da virgindade e da castidade como ocorre hoje na Igreja Romana, mas sim com o exemplo de caráter, pois um bispo que se relacionasse com uma prostituta (por exemplo) estaria perdendo o exemplo e assim não poderia continuar no cargo. A coisa não tinha nada a ver com um ideal monástico de celibato obrigatório.

As Constituições falam ainda do terceiro Tiago, o irmão de Jesus, em termos que deixam bem difícil de entendê-lo como apenas um “primo” de Jesus entre os doze apóstolos. Vejamos:

Eu, Tiago, o irmão de Cristo segundo a carne, mas seu servo como o unigênito de Deus, e nomeado bispo de Jerusalém pelo próprio Senhor e pelos apóstolos...” (Livro VIII, XXXV)

Note que Tiago não se diz “primo” (anepsios) de Jesus, mas seu irmão (adelphos) segundo a carne. E diz ainda que foi nomeado bispo de Jerusalém “pelo Senhor e pelos apóstolos”, dando a entender que não era nem o Senhor, nem fazia parte do grupo dos doze apóstolos que o elegeram, pois se coloca à parte de ambos. Mesmo que isso não tenha sido escrito pelo próprio Tiago como diz ser (o que é altamente improvável mesmo), ainda assim mostraria que os autores do século IV d.C. que escreveram isso não tinham a crença que os católicos romanos têm hoje.

Essas são apenas algumas breves considerações da obra, e eu ainda irei abordar mais trechos dela em artigos futuros, mas o que já foi exposto parece o suficiente para mostrar que os ensinos da Igreja Romana não encontram base nem nos documentos históricos que ela sustenta para si como a “autora” e “dona”(!), com toda pretensão, orgulho e soberba característicos. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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50 comentários:

  1. Mais uma! E essa doeu, católicos!

    Está aí o motivo do porque a apologética católica fala tão mau de Lucas Banzoli.

    Vou dar um conselho aos leigos que acreditam nos seus apologetas e julgam esse rapaz sem ao menos ler seus artigos: leiam tudo que o Lucas escreve para depois fazerem seus próprios julgamentos, pois a intenção da apologética catolica é que voce e não leia nada, pois eles sabem que descobrirão a verdade.

    Por esse motivo eles julgam antecipadamente. Eles fazem isso por voces, caros amigos leigos e ignorantes, pois tem inteteresse que passem longe desse site.Experimentem ler antes de ouvi-los.

    Como se diz aqui na lingua inglesa:They are a bunch of liars!

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    1. Eu sou católico e de vez em quando dou uma passada não só por aki mas em diversos sites protestantes em busca de mais conhecimento. É evidente que para qualquer apologista Católico e qualquer católico comum(como eu), vocês já estão errados de Antemão. Porém isso não quer dizer que eu não possa mais aprender nada lendo artigos protestantes, tanto a favor quanto contra.

      Eu acho que as pessoas precisam primeiro aprender a ser cautelosas com cada leitura. Aprender a não desprezar certas posições, mesmo sabendo que segue um pensamento que não está em conformidade com o que você crê. Até porquê, quem busca a verdade sabe enxergar onde está o certo e o errado.
      Eu posso ler as obras de Karl Marx que eu tenho certeza que não me tornarei Comunista/Socialista, da mesma forma que eu tenho certeza que não me tornarei protestante lendo os artigos do Banzoli.

      Eu respeito os posicionamentos de cada um e estou disposto a mudar sempre de opinião diante da verdade, o que não me torna um fanático. O que converte realmente uma pessoa ao Protestantismo ou ao Catolicismo, não é apenas a apologética em geral, mas a mudança de mentalidade e da abertura do coração de cada pessoa para saber discernir as coisas.

      Nós cristãos em geral somos como uma conta de matemática:
      Os Católicos Creem que fizeram a conta certa, os protestantes tbm, porém o resultado final é diferente pra cada um.
      Em matemática se sabe que se mudar uma vírgula ou um número, a conta inteira sairá errada, como um efeito dominó.
      A grande disputa é saber qual é o ponto chave que fez tudo isso desandar e para entrar num acordo, é preciso refazer a conta diversas vezes. Mudar números no meio da conta só irá piorar as coisas.

      Enquanto não unificarmos a mentalidade, nada irá mudar. Sempre existirá apenas ataque, defesa, réplica, tréplica.... Um looping infinito de nada que não levará a nada.

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  2. Mas Pedro ou Evódio foi o primeiro bispo de antioquia? eu ja vi vc dizer que foi Pedro.Creio que nenhum apostolo foi bispo de igreja alguma.alias as comunidades dos primeiros seculos tinham um liderança colegiada.

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    1. O que eu disse é que a mesma tradição tardia que alega ter sido Pedro o primeiro bispo de Roma é também a que alega que Pedro foi o primeiro bispo de Antioquia e antes mesmo de ter (supostamente) se tornado bispo de Roma. Ou seja, o católico que quiser se basear nessa tradição tardia para fundamentar o papado por meio de Pedro teria que fazer a mesma consessão à Igreja Antioquena também (o que é óbvio que eles não fazem). Inclusive no site da Igreja Ortodoxa de Antioquia está lá Pedro liderando a lista de sucessão, da mesma forma que faz a Igreja Romana na lista dela. Mas é lógico que eu pessoalmente não dou credibilidade a estas listas, apenas exijo critério de quem as crê piamente por conta da tradição que diz seguir.

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  3. Pelo que li o documento é considerado apócrifo há muito tempo. Então, qual seria seu objetivo usa um documento que sempre foi controverso como prova infalível para qualquer coisa? Sendo assim, quais provas você possui da autenticidade histórica dele? Alguma bibliografia?

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    1. Ou você não leu o texto, ou é muito burro, ou é mal intencionado mesmo. Desde quando eu disse que estava usando isso como "PROVA INFALÍVEL"? Me mostre onde eu disse isso no texto. É inacreditável o quanto vocês conseguem ser desonestos no desespero em refutar qualquer coisa. Em segundo lugar, caso você ainda não tenha percebido, eu mesmo escrevo no texto que esta obra é datada de IV d.C, embora alegue ter sido escrita pelos apóstolos. Ou seja, eu mesmo disse que não era uma obra literalmente escrita pelos apóstolos. Isso eu disse logo no primeiro parágrafo, sério mesmo que nem isso você leu? Engraçado que os apologistas católicos citam este documento à vontade nos sites deles e vocês não reclamam (é claro), mas quando um protestante faz a mesma coisa, aí não pode, claro que não pode...

      E pra deixar claro de uma vez por todas: o uso de fontes patrísticas, seja as Constituições Apostólicas ou qualquer outro documento antigo, NÃO É usado como "prova infalível" de algo (tal como a Bíblia), mas apenas para mostrar qual era a crença dos cristãos em determinada época ou em determinado lugar. Essa crença pode estar errada? É claro que pode. Mas já seria o suficiente para desmistificar a falácia romanista de que a doutrina que eles seguem hoje é exatamente a mesma que todos os cristãos sempre creram na história da Igreja. A patrologia inteira está aí para negar isso explicitamente. As Constituições Apostólicas é só mais um desses vários documentos que provam isso. Eu não preciso ter que provar que sempre a Igreja creu de tal forma, porque minha crença vem da Bíblia e não da tradição. Mas quem crê na tradição e a remete aos escritos patrísticos tem a obrigação de dar satisfação, por exemplo, refutando esse artigo aqui, mas de uma forma decente e não com os seus "argumentos".

      E por fim, as Constituições não eram mera "obra apócrifa", como os apócrifos gnósticos por exemplo (de Tomé, Maria Madalena, etc). Elas podiam não ter sido escritas pelos apóstolos, mas eram muito respeitadas pelos cristãos do século IV em diante e refletem em boa parte as crenças e a liturgia da Igreja até aquele tempo. Não tem nada a ver com os evangelhos gnósticos ou falsificações do tipo. Está no mesmo patamar de qualquer outra obra patrística, que embora não seja infalível, serve como fonte histórica de referência.

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    2. Vamos há algumas considerações, afinal o texto vc contrapõe a quem é quais fontes? Isso vc não deixa claro no texto. Não precisa ficar tão melindrado. Já que é uma fonte histórica precisa de confrontações para afirmar algo. Todo trabalho de historiador precisa de confrontos de fontes. Assumir q UEM se vc não faz esse confrontamento declara, impricitamente, que está fazendo a leitura de forma dogmática.

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    3. Honestamente, não entendi bulhufas do que você disse.

      UEM? O que é UEM? Universidade Estadual de Maringá? O que ela tem a ver com o texto?

      Você fala como se isso fosse um trabalho acadêmico ou científico, e NÃO É. É apenas um texto resumido para um blog pessoal e informal. Você quer que todo blog seja acadêmico e científico agora? Não dá pra entender aonde você quer chegar com isso.

      A quem estou contrapondo? Acho que deixei isso bem claro no artigo, aliás, no próprio título deste blog: ao CATOLICISMO!!! Achei que isso já fosse óbvio demais pra ficar afirmando a toda hora. Eu não preciso ficar a todo artigo fazendo citações do catecismo católico ou de apologistas católicos para coisas ÓBVIAS que TODO MUNDO do meio sabe, como por exemplo que a Igreja Romana defende as coisas contrárias ao que foi aqui abordado (ex: que o padre pode se casar, que existiu um Tiago irmão carnal de Jesus, que Lino foi o primeiro bispo de Roma e não Pedro, ordenação de diaconisas, etc). Se eu estivesse fazendo um trabalho acadêmico para o mestrado eu teria que pegar todas as fontes e gastar um tempão com isso para mostrar uma coisa óbvia que todo mundo conhece, mas é o que se tem que fazer em trabalhos acadêmicos, não tem jeito, precisa de fonte pra tudo. Mas em um BLOG, eu não preciso referenciar informações que são de conhecimento geral de todo o público, apenas aquelas das quais se há dúvidas ou polêmica.

      Por exemplo, se eu afirmasse que a ICAR é a favor da macumbaria, aí sim eu precisaria de fontes provando isso, porque nenhum apologista católico iria aceitar, e meus próprios leitores iriam ficar duvidosos em relação a isso, afinal não é uma informação universalmente conhecida, nem sequer aceita. Mas afirmar por exemplo que a Igreja Romana sustenta que Pedro foi o primeiro papa, isso não precisa de fonte alguma em BLOGS, porque é algo que todo mundo sabe que a ICAR sustenta e que não há a mínima possibilidade de confrontação da parte de alguém. Mesmo assim, seria necessário em um trabalho acadêmico (o que isso aqui NÃO é).

      Se não ficou claro agora, acho que da próxima vez terei que desenhar.

      Por que será que eu tenho a leve impressão de que você não é tão rigoroso assim com os artigos dos apologistas católicos, mas só com os meus? Mistério...

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    4. "impricitamente"

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    5. Tem mais essa também, havia esquecido dessa kkkkk

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    6. Calma Lucas. cuide bem de suas coronárias. Queremos você ainda por um tempo. :)

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    7. O citado documento concatena as tradições orais provenientes dos ensinamentos dos Apóstolos e de seus seguidores e fora escrito, inicialmente, pelo quarto bispo de Roma -- Clemente I. As constituições apostólicas não são impressas nos livros de patrística do ocidente, mas em países ortodoxos o são (geralmente no volume I e II da coleção "Bibliotecas dos Padres Gregos e Escritores Eclesiásticos" juntamente com as duas cartas de Clemente que são bem conhecidas por todos nós, além de outras obras atribuídas ao autor em questão). A obra também é impressa no livro "Pedalion" [Leme] que reúne textos de direito canônico ortodoxo comentados por Nicodemos da Montanha Sagrada.

      Obras Impressas no Volume 1 da coleção de Patrística Ortodoxa:

      - Epístola aos Coríntios A
      - Epístola aos Coríntios B
      - Clementia

      Obras impressas no Volume 2 da coleção de Patrística Ortodoxa:

      - Constituições Apostólicas
      - Cânones Apostólicos
      - Martírio de Clemente
      - Didachê
      - Inácio de Antioquia

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  4. Olá Lucas, eu sei que não é o assunto do texto, mas estou precisando de ajuda. Por favor, me ajude.
    Eu ultimamente tenho pensado em sair da igreja a qual pertenço. É uma igreja neopentecostal, a Igreja Internacional da Graça de Deus, do R.R. Soares. Durante anos eu frequentei a igreja, e desde um bom tempo eu não concordo com muitas coisas que é ensinado lá, como por exemplo Teologia da Prosperidade, Confissão Positiva, objetos ungidos, e outras heresias do tipo. Eu pensava que até poderia continuar frequentando essa denominação sem precisar concordar com tudo que ensinado e praticado lá, mas está se tornando cada vez mais inadmissível para mim, justamente porque não quero consentir com tais práticas.
    Eu estava pensando em ficar por causa das amizades que fiz lá, mas vejo que não vale o risco. Foi nessa igreja que conheci o Evangelho, mas desde cedo de forma distorcida em muitos aspectos. Um tempo atrás eu tinha me afastado da igreja, e fiquei um bom tempo sem frequenta-la; mas graças a Deus, Deus teve misericórdia de mim, e começou a me atrair de novo para o caminho dele. Então tinha voltado a congregar nela, mas logo em seguida pensei em sair dela e congregar em outra. Acabei congregando em uma Assembleia de Deus, mas logo em seguida decidi sair, e mais uma voltei a outra igreja, mais pelas amizades, apesar das discordâncias doutrinarias. Mas não da mais para ficar consentido com os erros.
    Na bairro onde eu moro não conheço muitas igrejas, mas estou pensando ir frequentar em outra. Não pretendo voltar a frequentar uma neopentecostal, nem em alguma pentecostal, embora eu creia que muitas que frequentam essas denominações sejam de Cristo, mas é por causa de doutrina e liturgia mesmo.
    O que me resta ao meu ver são as mais tradicionais, como por exeplo a Batista, Metodista, Presbiteriana, a Luterana, embora não sei se a Luterana seja Protestante. Ese há alguma outra não sei. Embora haja divergências Teologicas, não aberrações como as que na neopentecostais e em muitas pentecostais.
    Então querido irmão, o que você me aconselha fazer, e qual igreja você acha mais apropriado eu frequentar? Caso lhe interesse, eu moro em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
    Fique na paz de Jesus Cristo amado irmão.

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    1. Olá, acho que não foi coincidência você entrar em contato comigo, porque aconteceu praticamente a mesma coisa aqui. Só que no meu caso foi pior, porque eu já era obreiro naquela altura (isso há vários anos atrás). Mais um pouco e eu me tornaria aquilo que eles chamam de "evangelista", um meio-termo entre o obreiro e o pastor. E aí, teria que ensinar tudo conforme a cartilha deles, o que seria impossível, e eu tinha consciência disso. É simplesmente ignorância e ilusão pensar que podemos mudar toda a doutrina da igreja, ou que eles vão deixar a gente pregar da forma bíblica e contraditoriamente aos ensinos "extras" deles. Então por mais que eu gostasse do pessoal de lá, que reconhecesse que lá havia muita gente de Deus, e que respeitasse a igreja (e continuo respeitando até hoje), quando houve esse choque de valores eu fiz a única coisa que podia fazer: sair. Voltei pra minha antiga igreja.

      Sobre a igreja que você deveria frequentar, sinceramente eu não acho tão boa ideia procurar por nome, como se uma igreja fosse boa simplesmente por ser histórica. Tudo depende da qualidade (ou a falta da mesma) do pastor da congregação, às vezes é de uma igreja histórica mas mesmo assim o cara não tem conhecimento e ensina bobeira, hoje em dia não dá pra confiar totalmente em placa de igreja. E ao mesmo tempo, há igrejas sem "nome", sem tradição histórica, mas que pregam o evangelho muito bem. Atualmente eu frequento duas igrejas, cujos nomes são desconhecidos por quase todo mundo. Uma se chama Alcance e a outra Vineyard. São igrejas relativamente novas, fundadas há poucas décadas ou nem isso. Não tem "tradição". Mas o evangelho ensinado nelas é bem limpo, e é isso o que realmente importa. Entre uma igreja histórica de centenas de anos mas pregando um evangelho distorcido ou uma igreja que nasceu ontem e que ninguém conhece mas que prega um evangelho genuíno, eu fico mil vezes com a segunda opção. É lógico que eu não estou dizendo que todas as tradicionais são ruins, óbvio que existem muitas boas, só estou dizendo pra tomar cuidado com esse critério de achar que só pode ser boa se for histórica. A Presbiteriana dos EUA é "histórica" e aceita o casamento gay, por exemplo.

      Digo isso para evitar que você se decepcione mais uma vez com uma igreja que pensa ser necessariamente boa apenas por ser histórica, mas que na verdade a coisa pode não ser bem assim. O único critério que você deve buscar é uma igreja que ensine um evangelho puro, ao menos dentro do nível de tolerância. Isso já é mais que o suficiente, e, de fato, é tudo o que importa. É pela ânsia de querer uma igreja mais velha que tem gente se tornando católico, ou ortodoxo, sem se importar com o evangelho em si.

      Abs!

      P.S: e a Luterana é protestante sim. Talvez seja a mais protestante de todas, já que foi a primeira...

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    2. Mas qualquer um pode fundar uma igreja? Como esse pastor vai saber o que é certo ou errado no ensino? Vc funda uma igreja e ensina o aniquilacionismo, daí vem outro e funda outra igreja e ensina o oposto. Isso acaba virando uma bagunça. Tem igreja pra todos os gostos e ensinando qq coisa. Você concorda com isso de homens ficarem fundando igrejas em cada esquina?

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    3. "Mas qualquer um pode fundar uma igreja?"

      Qualquer um que seja capacitado, instruído e dentro das qualificações e requisitos necessários expostos por Paulo a Timóteo:

      “Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo” (1ª Timóteo 3:1-7)

      "Como esse pastor vai saber o que é certo ou errado no ensino?"

      Pela Bíblia.

      "Vc funda uma igreja e ensina o aniquilacionismo, daí vem outro e funda outra igreja e ensina o oposto"

      Certo. Eeeeeeee daí?

      "Isso acaba virando uma bagunça"

      Então a Igreja primitiva também era uma "bagunça". Acho que você não deve ter lido a minha lista de vinte divergências teológicas entre os Pais da Igreja no meu livro sobre a Sola Scriptura (que são apenas um breve resumo de um todo bem maior). Ou então você é ingênuo demais e acredita naquela lenda papista toda enfeitada e bonitinha de que na Igreja antiga não existiam divergências e era tudo paz e amor. Ou pior: acha que a Igreja primitiva não era coisa de Deus, por causa dessas divergências.

      "Tem igreja pra todos os gostos e ensinando qq coisa"

      Se alguém ensina "qualquer coisa", tem que ser repreendido à luz da Bíblia, e a solução é simples: NÃO CONGREGUE ALI!!! Mas se ensina a Bíblia, então a idade da igreja não importa absolutamente nada. Ninguém vai ser salvo ou condenado por placa de igreja, cartão de membresia ou por estar numa igreja mais nova ou mais velha. Vai ser salvo pela sua fé em Cristo e comprometimento com Ele.

      “Você concorda com isso de homens ficarem fundando igrejas em cada esquina?”

      Infelizmente não existe (ainda) igrejas “em cada esquina”, mas queira Deus que um dia as coisas sejam assim. Já dizia João Crisóstomo:

      “Cada crente, individualmente, não deve edificar uma igreja, obter um Professor, cooperar (com ele), fazendo com que o seu maior objetivo seja que todos possam se tornar cristãos?” (CAA, 18.220)

      E Tertuliano:

      “A este teste, portanto, serão submetidos pelas igrejas que, embora não derivem a sua fundação de apóstolos ou homens apostólicos (sendo de data muito posterior, pois, na realidade, são fundadas diariamente), uma vez que concordam na mesma fé, são consideradas como não menos apostólicas, porque são semelhantes em doutrina” (Prescription against Heretics, 32)

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    4. Obrigado Lucas pelos conselhos, me ajudou bastante. Que Deus te abençoe ainda mais.

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  5. Lucas, sou cristão, congrego em uma igreja ortodoxa, mas acredito na justificação somente pela fé, pois há passagens na bíblia que deixam bem claro essa questão.
    Ao mesmo tempo, também acredito (ou quero acreditar) que a Igreja Ortodoxa é a verdadeira, fundada pelos apostolos.
    O que acha?

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    1. Bom, você já deve conhecer minha posição sobre isso. Tanto a Igreja Romana como a Igreja Ortodoxa foram construções pós-cisma de 1054 d.C. Antes disso ninguém falava da Igreja universal (católica) como sendo "Igreja Romana" ou "Igreja Ortodoxa". E a verdadeira Igreja de Cristo é a Igreja invisível, a comunidade de todos os verdadeiros cristãos em qualquer época ou lugar. As igrejas visíveis (entre as quais a ortodoxa, a romana e as protestantes) são apenas comunidades eclesiásticas fundadas por homens que podem estar mais certas ou mais erradas dependendo do nível de proximidade delas com a Escritura, mas nenhuma delas é perfeita, infalível ou inerrante, nem tampouco a salvação está particularmente condicionada à participação nelas. Claro que este é um tema bastante amplo e complexo o suficiente para não poder ser tratado em tão poucas linhas, por isso se quiser entender melhor este pensamento recomendo estes artigos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/02/a-igreja-invisivel-perfeita-e-igreja.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/05/o-que-significa-parte-1.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/um-pequeno-resumo-da-historia-da-igreja_8.html

      E sobre as doutrinas da Igreja Ortodoxa, no que eu concordo e no que eu discordo, escrevi este artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/09/semelhancas-e-diferencas-entre.html

      Abs.

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    2. Oi Lucas.
      Onde é que está escrito que uma igreja para ser verdadeira deve ter sido fundada por alguma apóstolo? E após a morte deles não se fundava mais igrejas?

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    3. Em lugar nenhum está escrito isso. Quem afirma isso são os apologistas católicos. Numerosas igrejas nos primeiros séculos, tidas como autenticamente cristãs, não haviam sido fundadas por apóstolo nenhum. A cidade de Constantinopla só foi fundada na época de Constantino (séc. IV), não remetia ao primeiro século e nem havia sido fundada por um apóstolo, e mesmo assim era tida em alta estima pelos cristãos da época, uma das sedes consideradas mais importantes. É como eu respondi lá em cima para uma outra pessoa: uma igreja ser mais antiga ou mais nova, possuir tradição histórica ou não possuir, é completamente irrelevante. O que vale é se a doutrina ali ensinada é pura ou se é corrompida.

      Imagine se um apóstolo como Paulo ressuscitasse nos dias de hoje e se deparasse com uma igreja X bastante antiga, supostamente fundada por um apóstolo, mas descobrisse que os ensinos daquela igreja não tinham nada a ver com os ensinos de sua época. E que depois descobrisse uma outra igreja Y fundada na semana passada, com meia dúzia de membros, em uma garagem, mas ensinando um evangelho puro compatível com o que era pregado por ele. Sejamos francos: qual das duas o apóstolo iria compactuar, e qual delas ele iria repreender? Qualquer pessoa honesta intelectualmente já tem a resposta.

      De certa forma, Jesus se defrontou com este mesmo problema em sua época, só que dentro do Judaísmo. Qual grupo judaico era mais antigo e com mais tradição histórica que os fariseus, que inclusive sustentavam guardar a tradição oral de Moisés e sentar em sua cadeira (cáthedra)? Ninguém. E mesmo assim, veja como Jesus os tratava, e como condenou suas falsas tradições por contrariar as Escrituras da época. A verdade não estava com o mais antigo, nem com o mais tradicional, mas com uma seita de nazarenos que começou com uma dúzia de pessoas e que havia "nascido ontem". O tempo passa, mas as pessoas cometem os mesmos erros de antigamente.

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  6. Lucas tem lógica orar para a conversão de uma pessoa? Como que Deus age nisso? Se eu não vejo a pessoa pessoalmente mas fico em casa orando por sua conversão, como Deus agirá? Deus vai mostrar s verdade pra ela como?

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    1. Eu respondi isso um dia desses a uma outra pessoa. Oração de conversão tem sentido sim, mas atua de forma diferente de outros tipos de oração porque depende também (e bastante) da outra pessoa, porque ela não é um objeto, ela é um ser humano com seu próprio livre-arbítrio e que pode aceitar ou rejeitar a fé. O que Deus faz através desse tipo de oração é tornar o coração da pessoa mais aceitável para com o evangelho, quebrar aquela dureza dos corações mais rígidos, deixar a porta aberta para ela atravessar, mas mesmo assim, ainda existem pessoas que resistem de tal forma que mesmo assim não aceitam a Cristo. Então em síntese, a oração por conversão é sim importante, ela pode sim trazer a Cristo pessoas que de outra forma (sem a oração) não se converteriam, mas isso não significa que todo mundo vai se converter. De certa forma, isso é semelhante à própria pregação do evangelho: por meio dela falamos a pessoas que podem se converter e que de outra forma não se converteriam, mas isso não implica que todo mundo que ouve aceita. Mas fazemos a nossa parte, que é o mais importante.

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  7. Pq uma mulher do teatro não poderia se relacionar com um bispo? ...
    Aproveitando o gancho, você acha possível um cristão se relacionar com uma mulher do teatro, inclui-se novelas e filmes (sabendo que ela pode interpretar cenas de sexo, homossexualismo, etc)? Pq eles falam que é só uma interpretação, que muitos deles não são assim (e podem até não gostar, por exemplo, de homossexualismo, mas interpretam pq deram esse personagem a eles...)

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    1. Por alguma razão, os cristãos dos primeiros séculos viam com muito maus olhos essa questão do teatro. Eu me lembro de ter lido algo a este respeito em Justino ou em Tertuliano também, descendo o pau no teatro. Isso é realmente estranho para os padrões atuais, onde ninguém acha isso uma afronta contra Deus. Mas não sabemos como exatamente eram os teatros daquela época, talvez incluíssem cerimîmônias de sacrifícios a deuses pagãos, ou fosse em homenagem a eles, e não apenas uma peça teatral normal e comum tal como nos dias de hoje. De todo modo, eu não acho que alguém está em pecado por representar algo, embora eu não me sentiria à vontade em interpretar alguém vestido de mulher ou algo do tipo.

      Eu acho que se a representação em questão é para estimular esse tipo de coisa, é pecado sim, mas se apenas faz parte de algo maior, como entretenimento, ou se está ali para ensinar alguma coisa útil, não é pecado. É por isso que eu considero a grande maioria das novelas como pecado, porque elas não são instrumentos educativos e nem de mero passatempo, mas na maior parte das vezes incentivam os valores mundanos e tentam inculcar isso aos telespectadores. Já nos filmes eu não vejo muito isso, então depende mais do que a representação quer dizer do que da própria representação em si.

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  8. O que acha do canal do Nando Moura?

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    1. Embora concorde com uns 80% ou mais do que ele diz, não consigo sentir empatia por ele. Ele me soa arrogante, fanático, radical e de mente fechada, além de muito mal-educado e boca suja, não é um bom exemplo para os cristãos em geral, é só mais um olavete, só que com fama.

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    2. Nos EUA os cristãos protestantes têm desprezo por quem fala palavrões. Em geral, quem fica xingando, ofendendo e falando palavras de baixo calão lá são esquerdistas. Mas aqui no Brasil tudo é diferente, né...

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    3. É exatamente isso que você disse. Isso sempre foi assim em qualquer parte do mundo. Os conservadores consistindo em um grupo de cristãos educados e civilizados mantendo uma moral cristã e bons costumes, contra os "progressistas" seculares e irreligiosos em grande parte sem educação e civilidade. Mas como é o Brasil, tudo tinha que ser diferente, é claro. Desde que certo mestre da Virgínia se levantou como o "representante" dos conservadores fumando compulsivamente e falando mais palavrões do que todos os esquerdistas juntos, seus seguidores (como o sujeito que você citou) pensam que este é o padrão no comportamento de um bom "conservador". Eles são como crianças que só sabem imitar o comportamento dos outros. É triste.

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    4. Desde o princípio da fundação dos EUA, os cristãos eram rígidos na moral e costume. Aqui por conta do catolicismo, a maioria conservadora nunca aderiu oficialmente ao código moral bíblico, tanto que era comum na época do Brasil Império padres terem filhos e estarem envolvidos em atividades de caráter duvidoso. No YouTube, eu vejo os vídeos do Mario Persona. É uma alternativa ao Nando Moura.

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    5. Os EUA foram fundados por dissidentes ingleses do século 17, homens cujo caráter era exemplar e cristão. Já o Brasil, sabemos quem colonizou esse vasto território. Só tivemos sorte quando o Maurício de Nassau administrou com maestria e empreendimento o Nordeste.

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    6. Em qual país do mundo boa parte das pessoas gostariam de viver? No maior país protestante ou no católico?!! Diferença colossal de moral, estabilidade e desenvolvimento econômico.

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  9. Com tantas controvérsias sobre quem foi o primeiro bispo de Roma, quem ordenou quem, listas de Papas, etc. O que é que podemos afirmar com maior grau de certeza?

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    1. Eu sigo sempre o princípio de que as fontes mais antigas são as mais confiáveis, por estarem elas mais próximas aos acontecimentos. Neste sentido, entendo que em Roma não havia um bispo único até pelo menos meados do século II, como expliquei no começo deste artigo, onde mostro as evidências (ao meu ver incontestáveis) em Inácio e em Hermas:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/a-lista-oficial-de-papas-da-igreja.html

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  10. Paz irmãos, o que gosto desse blog, com certeza são as matérias, mas os comentários também não fica atrás. Aproveitando o gancho: No livro do Apocalipse 14:12 diz "Aqui esta a perseverança dos santos, daqueles que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fieis a Jesus" - Como o irmão interpreta esse versículo (sendo mais especifico: Quais mandamentos teremos que obedecer já que alguns foram "revogados") Espero ter-me expressado bem.
    Saúde e Paz pra todos
    Ricardo Soares

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    1. Eu não entendo "mandamento" como sendo uma referência sempre aos "Dez Mandamentos". Mandamento é qualquer coisa que Deus manda. Se Deus manda a gente amar ao próximo, é um mandamento. Se manda sermos santos, é um mandamento. Se manda praticarmos boas obras, é um mandamento. E assim por diante. Ou seja, mandamento engloba todos os aspectos principais da vida cristã, os mais importantes.

      Prova disso é que os "mandamentos" já existiam antes mesmo de Moisés existir, e antes mesmo das duas tábuas. Deus disse sobre Abraão ainda no Gênesis:

      "Porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, MEUS MANDAMENTOS, meus decretos e minhas leis" (Gênesis 26:5)

      Abs!

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  11. Boa tarde, Lucas! Mudando um pouco de assunto, queria saber sobre a questão sobre a esposa de Pedro. você sabe alguma coisa a esse respeito? como por ex: se na época do Apóstolo Pedro convertido , ela já teria falecido, algumas fontes falam que ela foi morta por ter sido convertida ao Cristianismo, isso procede? e seu nome se chamava Priscila e que Pedro tinha filhos.e a outra pergunta é sobre denominações se Deus faz presente em denominação religiosa, mesmo sendo séria, ou seja, enquanto nós estivermos na congregação ,ele está...porém, quando não tem nenhum Cristão na denominação ,Deus não faz presente espiritualmente.E se Deus só habita e sobrevive dentro de nós e por que precisamos de "Igreja", ou seja, de denominação se Jesus não autorizou...são conceitos meramente humanos e fico aqui pensando se no primeiro século os Apóstolos não construíram Igrejas , não foi por causa da perseguição do Império Romano? por que a Bíblia fala de Presbíteros e Pastores eram pra ficar em que local?será que os desigrejados não tá com à razão? precisamos seguir a Cristo sem precisarmos ir a denominação? ou isso será um perigo, no sentido esfriarmos na fé e naufragar ao ponto de morrer espiritualmente.Fica na Paz do nosso Salvador Jesus!

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    1. Olá, sobre a esposa de Pedro a única fonte histórica que conheço e que fala sobre isso é de Clemente de Alexandria, no final do século II, escrevendo algo que foi mais tarde registrado por Eusébio de Cesareia na sua “História Eclesiástica”:

      “Ou também vão desaprovar os apóstolos? Porque Pedro Felipe criaram filhos... conta-se, pois, que o bem-aventurado Pedro, quando viu que sua própria mulher era conduzida ao suplício, alegrou-se por seu chamamento e seu retorno para casa, e gritou forte para animá-la e consolá-la, chamando-a por seu nome e dizendo: ‘Oh, tu, lembra-te do Senhor!’” (História Eclesiástica, Livro III, 30:1-2)

      Se dizem algo a mais além disso, é de tradições e contos tardios com pouca confiabilidade e segurança histórica.

      Sua outra questão é muito ampla e complexa, necessitaria de pelo menos um artigo inteiro para tratá-la adequadamente, mas vou resumir meu pensamento aqui em poucas linhas. Em primeiro lugar, os apóstolos se reuniam em igrejas sim, mas essas igrejas eram as casas dos cristãos e não templos como ocorre hoje:

      “Saúdem os irmãos de Laodiceia, bem como Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa” (Colossenses 4:15)

      “À irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa” (Filemom 1:2)

      “As igrejas da província da Ásia enviam-lhes saudações. Áqüila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles” (1ª Coríntios 16:19)

      “...Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles” (Romanos 16:3-5)

      Para algo ser uma igreja visível não precisa necessariamente de um templo, pode ser em qualquer lugar que reúna as pessoas para adorarem a Deus, inclusive uma casa. Mas a razão maior pela qual os primeiros cristãos não se reuniam em templos é porque o Cristianismo era uma religião proibida que atuava na “ilegalidade”, por isso não podia se expor deste jeito. Tanto é que antes de os cristãos serem perseguidos, eles costumavam se reunir no templo também, e não somente nas casas:

      “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo” (Atos 5:42)

      O princípio básico por detrás disso tudo é que devemos nos reunir como igreja para adorar a Deus, por isso o autor de Hebreus escreve:

      “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia” (Hebreus 10:25)

      Note no texto que alguns já estavam deixando de se reunir como igreja, e são admoestados pelo autor de Hebreus. A razão pela qual essa reunião é importante é porque nela cristãos com diferentes dons podem se edificar mutuamente, como diz Paulo:

      “Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja” (1ª Coríntios 14:26)

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    2. Isso porque nós somos apenas membros de um corpo maior, que só funciona bem quando tem o complemento das outras partes, atuando juntas:

      1ª Coríntios 12
      12 Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo.
      13 Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito.
      14 O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos.
      15 Se o pé disser: "Porque não sou mão, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
      16 E se o ouvido disser: "Porque não sou olho, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
      17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
      18 De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.
      19 Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
      20 Assim, há muitos membros, mas um só corpo.
      21 O olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você! " Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês! "
      22 Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis,
      23 e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial,
      24 enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta,
      25 a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.
      26 Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele.
      27 Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.
      28 Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dom de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas.

      É por isso que é importante congregar em uma igreja, independentemente se essa igreja é em uma casa ou em um templo, com um pastor devidamente qualificado cumprindo os requisitos básicos que Paulo expõe em 1ª Timóteo 3:1-7.

      Abs!

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    3. Prezado Sr Cleysteni, faz o download do livro Cristianismo Pagão, de Frank Viola.

      Voce disse: "... se Deus faz presente em denominação religiosa, mesmo sendo séria, ou seja, enquanto nós estivermos na congregação ,ele está...porém, quando não tem nenhum Cristão na denominação ,Deus não faz presente espiritualmente.E se Deus só habita e sobrevive dentro de nós e por que precisamos de "Igreja", ou seja, de denominação"

      Jesus, na conversa com a mulher Samaritana, lhe disse que o Lugar de adoração não era mais no templo e nem em montes. JOÃO capitulo 4.

      A coisa mudou de forma drástica. A construção da Igreja não é mais feita de tijolos:

      1 Pedro 2:5

      Vòs também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdòcio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo

      Alon

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  12. Lucas, meu querido irmão você tirou minhas dúvidas que estava tirando meu "sono", por que meus colegas...diziam que estava caminho para perdição.você disse tudo explicou de forma didática e clareou minha mente com relação aos desigrejados , agora me sinto mais fortalecido, por que irmão tá uma febre desses desigrejados se alastrando no Brasil que veio da Europa querida dos Reformados e estão espiritualmente mortas. que Deus tenha misericórdia do nosso Brasil,aviva o Deus a tua Igreja!Obrigado mesmo Lucas , cada dia me aprecio dos seus conselhos e sabedoria , que o Senhor continue te iluminando.Fica na Paz de Cristo.

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    1. Obrigado, Deus lhe abençoe igualmente!

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    2. Tem muita gente com inveja dos desigrejados. E não é pequena - É o pessoal que adora no monte Gerizim e em Jerusalém, quartel general dos grandes teólogos.

      Curioso é que Paulo, em todo seu ministério, foi a Jerusalém apenas três vezes e numa delas o Senhor lhe disse:

      "Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim",Atos 22:18.

      Jerusalém, hoje representada pelas milhares de denominações por esse mundo todo, não recebe o testemunho da graça de Deus, o testemunho do Novo Pacto, firmado em melhores promessas. São odres velhos que não podem conter o vinho novo (doutrina). Representam o Velho Concerto com seus sacerdotes e templos. Homens que nao têm o direito de comer do altar da graça, pois ainda servem no tabernáculo, como diz o escritor aos hebreus:

      "Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo", hebreus 13:10.

      A Jerusalém dos nossos dias (as denominações), apenas geram escravos e os coloca debaixo de leis terríveis, como guardar dias de festa, ungir objetos, participar de cultos especiais num dia especial com roupas especiais para receber uma benção especial da mão dos sacerdotes. Oração e adoração deve ser só no templo. Tem culto pra tudo, até para perdão dos pecados e, se a coisa for mais grave, então o infeliz deve fazer três finas de semana de vigilias até de manhã, de preferência num monte bem alto, pra andar bastante. Quanto mais andar, maior a benção.

      Continua...

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    3. Fazem correntes de tudo quanto é tipo, escravizam as pessoas com sacrificios diversos. Alguns são tão ousados que encorajam fiéis dizendo que a solução para os problemas seria beber a água no Rio Jordão. isso são leis. Paulo disse que a lei nao foi feita para o justo.

      A maioria das denominações de nossos dias conservam tudo que diz respeito ao Velho Concerto.

      Hebreus 9:8-10, diz: "... o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo,

      Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço;

      Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da reforma."

      Essas leis impostas por muitas denominações apóstatas nao aperfeiçoam ninguém. Veja o verso novamente: "... se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço".

      A pessoa está sempre com a consciência pesada. Jejua uma semana, mais ainda não deu. Ai resolve e fazer igual a Jesus: "vou jejuar 40 dias!"

      Por isso é que depois de muito tempo não são poucos os que ficam piores (Mat 23:15). Incluindo aqueles que vivem com os nervos a flor da pele. Não foi a toa que Paulo disse que a lei irrita:

      "A lei suscita a ira", Rm 4:15.

      Leis, nada mais que leis. Essa é a Jerusalém que gera para a escravidão:

      Gálatas 4:22-25

      "Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre.

      Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa,

      O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos; um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar;

      Ora esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos."

      É tudo gerado segundo a carne!

      Nunca vi desigrejado se dar bem com a curia denominacional. Eles não podem viver juntos:

      "Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre", Gal 4:30.

      Jerusalém ainda persegue os desigrejados:

      "Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que era segundo o Espírito, assim é também agora", Gal 4:29.

      Porém, meu prezado Clay, se a sua denominação te segura, nao se mete com desigrejados. Isso e coisa para gente de coragem. Sua denominação é sua muleta. Se não for a hora de andar sem elas, não saia de lá. Já chega aqueles que sairam das denominações para a vida da Igreja, mas resolveram voltar. Gostam mesmo é do vinho velho:

      Lucas 5:38-39

      "Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho."

      Acredito que ficou fácil agora entender o que Jesus disse:

      "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", Joao 8:32






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    4. Alon meu querido que palavra poderosa, sua sabedoria não envelhece. oro para que Deus proteja sua vida. abraços de uma amiga.

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  13. Olá, Lucas! Lucas me tira uma dúvida irmão.Inácio em 107 d.c disse:aos Romanos, falou eu não vos dou ordens como Pedro e Paulo, isso não dar ideia de que Pedro era líder em Roma?o que ele quis dizer com isso, Inácio?já que Paulo em janeiro de 67 d.c e em fevereiro de 68 d.c foi pedro...que até Dionísio de Corinto disse: que eles ensinavam na Itália e Irineu de Lyon disse o mesmo. O que você me diz Lucas? fica com Deus!

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    1. Olá, a crença desses Pais da Igreja era de que Pedro, assim como Paulo, chegou a Roma no final da vida, para ser martirizado. Presume-se que neste breve período ele deve ter ensinado alguma coisa aos cristãos dali com a sua autoridade apostólica, assim como Paulo que, mesmo preso, escrevia até cartas às igrejas. Sobre isso eu escrevi aqui:

      http://apologiacrista.com/pedro-nunca-foi-bispo-de-roma

      Isso não tem a ver com ser "líder" ou "papa", porque se fosse assim, então Paulo também exerceria essa liderança ou papado, já que é citado por Inácio junto com Pedro, e no mesmo contexto. Mas os católicos não sustentam nem que Paulo tenha sido bispo de Roma, muito menos que tenha sido papa. E se ele deu "ordens" sem nunca ter sido bispo nem papa, então idem pra Pedro, citado junto com Paulo no mesmo contexto, o que exige uma mesma interpretação, a não ser que se seja tendencioso e aplique a Pedro algo totalmente diferente do que é aplicado a Paulo. Aí já seria desonestidade mesmo.

      Nem Dionísio nem Irineu afirmam que Pedro foi bispo de Roma ou papa. Eles apenas afirmam basicamente o mesmo que Inácio, nada a mais. Aliás em Irineu Lino é considerado o primeiro bispo de Roma, ordenado por Paulo e Pedro. Note que Paulo é citado antes mesmo que Pedro por Irineu, o que seria muito estranho se Pedro fosse o líder supremo reinando há décadas em Roma como dizem os católicos, e Paulo apenas um prisioneiro que chegou lá no final da vida. Essas descrições deixam implícito que a passagem de Pedro em Roma não foi muito diferente da de Paulo, ou nada diferente.

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  14. Isso aqui, pra mim, não é apenas relato de história antiga, mas uma fotografia de Maria quando esperava seu segundo filho, filho também de José.

    Podemos ver nitidamente a imagem dela andando grávida de Tiago pelas vizinhanças de Nazaré. Prova mais clara, impossível!

    A foto está bem legível


    “Eu, Tiago, o irmão de Cristo segundo a carne, mas seu servo como o unigênito de Deus, e nomeado bispo de Jerusalém pelo próprio Senhor e pelos apóstolos...” (Livro VIII, XXXV)

    Alon

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