14 de janeiro de 2015

Quem é a Babilônia do Apocalipse?



INTRODUÇÃO

“Mistério: Babilônia, a grande; a mãe das prostitutas e das práticas repugnantes da terra” (Apocalipse 17:5)

“Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela” (Apocalipse 18:4-5)

Há muito que o debate sobre a identidade da “Babilônia” do Apocalipse tem se tornado popular. Papistas tem tradicionalmente interpretado como se tratando de Jerusalém. Evangélicos, pelo menos desde Lutero, tem identificado como se referindo à igreja papal. O principal reformador protestante repetiu, por diversas vezes, que a identidade da Babilônia nada mais era senão a Igreja Romana:

“Sabendo que o papa é o anticristo, considero-o um diabo encarnado (…) Realmente, o reinado do papa é um enorme desafio ao poder de Deus e é contra a humanidade (…) É uma blasfêmia monstruosa uma criatura humana presumir e exaltar-se na Igreja acima de Deus”[1]

“Não consigo imaginar como possa haver paz entre nós e os papistas, pois em nada concordamos. É uma guerra eterna, exatamente como a que existe entre a semente da mulher e a velha serpente. Quando os reis temporais estão exaustos da guerra, eles fazem uma trégua mais ou menos suportável. Em nosso caso, porém, não pode haver concessões. Não podemos nos afastar do Evangelho, assim como eles não desistem da sua idolatria e blasfêmia. O diabo não tolera que os seus pés sejam desviados, assim como Cristo não permite que a pregação de Sua Palavra seja impedida. Desse modo, não posso ver possibilidade alguma de trégua ou paz entre Cristo e Belial”[2]

“Se você não lutar de todo coração contra o ímpio governo do papado, não poderá ser salvo. Quem encontra prazer na religião e culto do papado vai se perder eternamente para o mundo futuro. Se você rejeita o papado, tem que estar preparado para aceitar todos os perigos e até mesmo a perder sua vida. Mas é muito melhor aqui nesta terra estar exposto a tais perigos do que permanecer calado. Enquanto eu viver, eu quero expor a meus irmãos a ferida e a praga babilônica, temendo que, se eu não o fizer, muitos de nós, como os demais, caiam em apostasia”[3]

Em uma das confissões de fé mais importantes da teologia reformada, a famosa Confissão de Westminster, é dito explicitamente:

“Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus”[4]

Assim, era ponto de fé consensual entre os reformadores que há uma ligação estreita entre a Igreja Romana e a Babilônia, e entre o papa e o anticristo. Foi o ecumenismo religioso, que veio tempos mais tarde, que tratou de acalmar os ânimos e fazer de conta que a Igreja papal não tem nada a ver com a Babilônia e com o anticristo. Mas o que nos importa aqui não é o que os reformadores pensavam, mas o que a Bíblia tem a nos dizer sobre isso. Será que os reformadores não estavam apenas magoados demais com as aberrações do papismo e decidiram exagerar um pouco? Ou eles extraíram esta crença diretamente da Escritura?


IDENTIFICANDO A “MULHER” E O “FALSO PROFETA”

“Então o anjo me levou no Espírito para um deserto. Ali vi uma mulher montada numa besta vermelha, que estava coberta de nomes blasfemos e que tinha sete cabeças e dez chifres” (Apocalipse 17:3)

A primeira coisa que nos ajuda a identificar a “Babilônia” é o fato de ela ser retratada como uma “mulher”. Antes de prosseguirmos, convém mencionar, para os menos entendidos, que o Apocalipse é um livro fundamentalmente alegórico. Ele não retrata a verdade na lata. Ele retrata a verdade por meio de alegorias que tem algum significado que seria familiar ao leitor mais atento. Não precisa ler mais do que seis capítulos apocalípticos para ver Jesus com sete estrelas na mão (Ap.1:16) e uma espada na boca (Ap.1:16), estando no Céu em forma de cordeiro ensanguentado (Ap.5:6) enquanto criaturas dentro do mar falam e louvam a Deus (Ap.5:13) e estrelas caem sobre a terra (Ap.6:13). A natureza do livro é alegórica, enigmática, não literal.

Assim, não devemos esperar que a “mulher” fosse uma mulher mesmo. A mulher representava alguma outra coisa. Mas essa coisa também não poderia ser qualquer coisa. João não usaria uma linguagem tão enigmática ao ponto de seus leitores não entenderem nada do que ele está falando. O termo “mulher” tinha que ser identificado pelos leitores do livro, e isso só seria possível se houvesse algum paralelo bíblico, lógico ou histórico que mostrasse isso.

Ao lermos as cartas do Novo Testamento, vemos que absolutamente sempre quando a palavra “mulher” é usada alegoricamente é para falar da Igreja. Paulo faz uso desta analogia entre a mulher e a Igreja ao escrever aos efésios:

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito” (Efésios 5:25-33)

A figura da mulher com relação à Igreja também é frequentemente associado ao papel da “noiva” de Cristo:

“O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura” (2ª Coríntios 11:2)

“A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa” (João 3:29)

“O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida”(Apocalipse 22:17)

“Um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas aproximou-se e me disse: ‘Venha, eu lhe mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro’” (Apocalipse 21:9)

Isso também é representado pelo casamento entre a noiva (Igreja) e o noivo (Jesus), nas “bodas do Cordeiro”:

“Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou” (Apocalipse 19:7)

Portanto, os cristãos já sabiam perfeitamente bem o que a figura alegórica da mulher representava. Eles já estavam familiarizados com a linguagem paulina, onde a “mulher” é usada em sentido metafórico. Essa é a parte mais fácil da profecia: a “mulher”, figurativamente, representa uma igreja. O que corrobora ainda mais com esta conclusão é a figura do “falso profeta”, que está sempre presente no Apocalipse ao lado da besta (anticristo) e do dragão (Satanás). O que ocorre é que a besta (anticristo) ficou mais conhecida e muitos sequer sabem que existe um “falso profeta” com tanta relevância e notoriedade no Apocalipse quanto a besta:

“E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs”(Apocalipse 16:13)

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Apocalipse 20:10)

“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Apocalipse 19:20)

Note que o falso profeta sempre aparece em conjunto com Satanás, que é representado pela figura do “dragão” (veja Apocalipse 20:2) e com o anticristo, que é representado pela figura da “besta”. Consequentemente, este falso profeta não pode ser nem a besta (anticristo), nem o dragão (Satanás). O dragão, sendo o próprio Satanás, atua através de seus dois principais agentes no mundo: o anticristo (falso sistema político), e o falso profeta (falso sistema religioso). A figura do “profeta” está sempre ligada à religião na Bíblia. O falso profeta é, portanto, um falso sistema de cunho religioso (uma igreja falsa), e não um falso sistema de cunho político, o qual já é representado pela besta.

Vemos, assim, que a figura da “mulher”, assim como a figura do “falso profeta”, está representando a mesma coisa: uma igreja apóstata, um sistema religioso caído, que se unirá temporariamente a este falso sistema político representado pela besta, até que a própria besta o destruirá (Ap.17:16). Sabemos, então, que a “mulher” e o “falso profeta” representam uma igreja falsa. Agora basta saber qual é.


IDENTIFICANDO A “PROSTITUTA”

“Em sua testa havia esta inscrição: MISTÉRIO: BABILÔNIA, A GRANDE; A MÃE DAS PROSTITUTAS E DAS PRÁTICAS REPUGNANTES DA TERRA” (Apocalipse 17:5)

A Babilônia, além de ser representada pela figura da “mulher” e do “falso profeta”, também é frequentemente associada à figura da “prostituta” (Ap.17:1,5,15,16; 19:2). A figura da “prostituta” na Bíblia, quando usada em sentido alegórico, está sempre relacionada à apostasia. Assim sendo, se por um lado a figura da “mulher” representa uma igreja, o fato de esta mulher ser uma “prostituta” representa uma igreja apóstata. É essa a razão pela qual nós nunca vemos o termo “prostituta” sendo usado na Bíblia para qualquer nação ímpia, mas apenas para Israel (ex: Os.6:10; Jr.13:27; Mq.1:7; Jr.3:8).

A razão pela qual havia tantos povos ímpios, mas somente Israel era chamado de “prostituta”, é porque os outros povos não apostataram. Para haver a apostasia é preciso “renegar à fé”, e ninguém renega a algo que não estivesse dentro antes. Apostasia, no sentido bíblico, é um afastamento em relação à fé, mas para se afastar da fé é necessário que estivesse na fé antes. Apostasia (αποστασια), de acordo com a Concordância de Strong, significa “deserção”[5]. Mas nenhum soldado deserta do resto do exército se ele nunca chegou a ser um soldado e estar no exército. Neste caso, não há “deserção”, não há “apostasia”.

A “prostituição” espiritual envolve sempre alguém que uma vez esteve na fé, mas depois se desviou dela. Foi assim com Israel, por exemplo, nos tempos da antiga aliança:

“E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu. E sucedeu que pela fama da sua prostituição, contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com a madeira. E, contudo, apesar de tudo isso a sua aleivosa irmã Judá não voltou para mim de todo o seu coração, mas falsamente, diz o Senhor” (Jeremias 3:8-10)

Mas no Apocalipse não estamos mais na antiga aliança, mas na nova aliança (Hb.12:24; 8:13; 8:8; 9:15; 2Co.3:6). A “prostituição” (apostasia) aqui não se refere mais ao antigo Israel, que já havia tido o Reino tirado deles e dado à Igreja, no mesmo momento em que condenaram Jesus à morte (Mt.21:43). A partir da morte e ressurreição de Jesus, inicia-se a era da Igreja, que é simbolizada pela figura da “mulher”, como vimos anteriormente.

Portanto, a figura da “prostituta”, uma mulher (igreja) prostituída (apóstata), refere-se não mais ao antigo Israel, mas à igreja. João já estava escrevendo nesta nova era, nesta nova aliança, onde o vínculo de Deus já não estava mais com o Israel segundo a carne, mas com o “Israel de Deus” (Gl.6:16), i.e, a Igreja. Dali em diante, se há apostasia, esta apostasia não é mais de Israel, que já não tem mais o Reino, mas sim daqueles que tem o Reino, i.e, da Igreja.

A prostituta, portanto, não se refere mais a Israel (a “prostituta” da antigaaliança), mas a alguma igreja (a “prostituta” da nova aliança). Esta igreja, por sua vez, também não pode ser qualquer religião pagã do mundo, pela mesma razão que a prostituta da antiga aliança não poderia ser uma nação que não fosse Israel, porque essas outras nunca tiveram um tempo em que estiveram na fé, pois só assim é possível haver a apostasia (“prostituição”). Por isso, embora haja milhares de religiões falsas no mundo (islamismo, budismo, hinduísmo, espiritismo, etc), nenhuma delas pode ser a “prostituta”, i.e, a “apóstata”, a não ser alguma que um dia já esteve na fé.

Budistas, hindus, islâmicos, etc, nunca estiveram “dentro”, e portanto nunca podem “sair”. Eles sempre estiveram fora, e desta forma o termo “apostasia” (prostituição espiritual) não lhes cabe, da mesma forma que não cabia à Síria, Egito, Edom, Moabe, Assíria, etc, no tempo da antiga aliança, porque elas nunca estiveram “dentro” para que pudessem “sair fora”. Curiosamente, e talvez não tão coincidentemente assim, Paulo escreveu à comunidade de Roma de sua época:

“Se alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem, foste enxertada em seu lugar e agora recebes seiva da raiz da oliveira, não te envaideças nem menosprezes os ramos. Pois, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, talvez: Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertada. Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado (Romanos 11:17-22)

Assim, vemos que:

Paulo reconhecia que a igreja de Roma, naquele momento, estava firme na fé (“dentro”).

Paulo também reconhecia que não era ela que sustentava a raiz, mas a raiz a ela. Isso significa que ela estava muito longe de ser “infalível”, de não poder errar e de não poder cair em apostasia, como os romanistas alegam arrogantemente.

Paulo, ao invés de garantir que eles estariam sempre firmes na fé, disse para eles temerem, porque não seriam poupados por Deus.

Paulo reiterou essa ameaça, ao terminar dizendo que eles também poderiam ser cortados do Reino (“fora”).

Portanto, temos aqui uma igreja que perfaz todas as características e premissas necessárias para ser a “prostituta”:

É uma igreja que um dia esteve na fé.

É uma igreja que se desviou da fé, caindo em apostasia.

Essa apostasia, biblicamente, é chamada de “prostituição”.

Essa igreja é, portanto, uma “prostituta” em sentido espiritual.

Isso se junta ao fato de que a “mulher”, que representa uma igreja, estava coberta de nomes da blasfêmia (Ap.17:3), representando uma igreja apóstata, e não uma igreja fiel. Essa apostasia é a prostituição espiritual que não podemos encontrar em nenhuma igreja do mundo a não ser em uma que já foi cristã, mas que se desviou ao longo dos séculos. Sim, Lutero sabia do que estava falando.


OS NOMES DE BLASFÊMIA

“Então o anjo me levou no Espírito para um deserto. Ali vi uma mulher montada numa besta vermelha, que estava coberta de nomes blasfemos e que tinha sete cabeças e dez chifres” (Apocalipse 17:3)

Até aqui já vimos que a Babilônia representa uma igreja que um dia já esteve na fé, mas que se desviou dela com o passar do tempo, caindo em apostasia. Mas o Apocalipse dá mais pistas sobre qual igreja ela é. Ele diz que ela estava coberta de nomes blasfemos. Se há uma igreja que está “coberta de nomes de blasfêmia”, esta certamente é a Igreja de Roma. Nenhuma a supera. Nem de longe. Vejamos algumas das insanidades blasfemas já proferidas pelos papas, que começam com a insanidade de que "o papa é Deus".

Sim, por incrível que pareça, é isso o que aparece explicitamente na Encíclica promulgada pelo papa Leão XIII em 20 de Junho de 1894, dizendo:

"Nós detemos nesta terra o lugar de Deus Todo-Poderoso" (Papa Leão XIII, em Praeclara Gratulationis Publicae)

O leitor que duvida da autenticidade do texto pode conferir no link abaixo todo o discurso do papa Leão XIII em toda a Encíclica sobre a reunião da cristandade:


A citação está no início do quinto parágrafo:



O Quinto Concílio de Latrão, ocorrido entre os anos de 1512-1517 e convocado pelo papa Júlio II, declara exatamente as mesmas coisas expressas pelo papa Leão XIII séculos mais tarde: de que o papa é Deus. Foi com essas palavras que Christopher Marcellus se referiu ao papa durante o Concílio recém-mencionado:

"Cuidemos não perder aquela salvação, aquela vida e fôlego os quais tu nos tem dado, pois tu és nosso pastor, tu és nosso médico, tu és nosso governador, tu és nosso esposo, finalmente tu és outro Deus, sobre a terra" (Quinto Concílio de Latrão, ano 1512; Do Latim em Mansi SC, Vol. 32, col. 761)



Este outro antigo documento católico, denominado O Brilho dos Extravagantes (do papa João XXII), se refere ao papa como: “Nosso Senhor Deus o papa” – no latim: “Dominum Deum Nostrum Papam”:

“Crer que nosso Senhor Deus, o papa, não tem poder para decretar assim como ele tem decretado, deve ser considerado heresia” (O Brilho dos Extravagantes do papa João XXII, Inter, título 14, capítulo 4, "Ad Callem Sexti Decretalium", Coluna 140, Paris, 1685)


Aqui está um close do mesmo documento, impresso em 1543:


Outra forte evidência de que os papas jamais rejeitaram tais títulos de blasfêmia está no fato de que eles mesmos proclamam que a sujeição ao Pontífice Romano é absolutamente necessária para a salvação de toda criatura. Foi isso o que disse o papa Bonifácio VIII em 1302 em uma carta à Igreja Católica:

“Além disso, nós declaramos e definimos que é absolutamente necessária para a salvação que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano” (Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, Rome: 1302)


Para ver mais de perto e analisar todo o documento, acesse por esse link:


O interessante é que biblicamente o único pré-requisito à salvação é se submeter a Jesus, nunca a Bíblia diz que é necessário se submeter a Pedro para ser salvo, o próprio Pedro negou isso em Atos 4:12, dizendo que há um único nome pelo qual devemos ser salvos e em momento algum fazendo qualquer alusão a ele próprio (mesmo considerando a lenda católica de que Pedro foi o “primeiro papa”!).

Em Cruzando o Limiar da Esperança, o papa João Paulo II declara que nomes como “Santo Padre” são aplicáveis ao papa, ainda que chamá-lo assim seja contra o evangelho:

“Não tenha medo quando as pessoas me chamam de ‘Vigário de Cristo’, quando dizem a mim ‘Santo Padre’ ou ‘Sua Santidade’, ou usam títulos semelhantes a estes, que pareçam até mesmos hostis ao evangelho (Papa João Paulo II, “Cruzando o Limiar da Esperança”: New York, 1995)

Isso quando não dizem que o papa tem todo o poder no Céu e na terra assim como Deus:

“Cristo confiou sua Igreja para o Sumo Pontífice (Mat 16:18; Mat 24:45), e todo o poder no Céu e na terra foi dado a Cristo (Mat 28:18). Portanto, o Sumo Pontífice, que é o seu vigário, tem esse poder” (Extravagantes, Decretal. Greg. IX. de Transl. lib. i. tit. 7. c. 3. 'Quanto personam,' Pope Innocent III)


Essa tese, de que o papa tem todo o poder no Céu e na terra, provém de outra tese, a de que o papa é o vigário de Cristo. Vigário significa substituto. Portanto, quando dizem que o papa é o vigário de Cristo, nada a mais estão dizendo senão que o papa substitui Cristo aqui na terra, ou, como disse o papa Leão XIII: “ocupa o lugar de Deus Todo-Poderoso”, porque Jesus é o Deus Todo-Poderoso! Sendo assim, os próprios papas escrevem várias vezes, como constatamos acima, que Sumo Pontífice romano detém todos os poderes de Cristo sobre o Céu e a terra, pois é o substituto (vigário) dele. Isso é biblicamente uma blasfêmia, pois o único verdadeiro substituto que Cristo nos deixou foi o Espírito Santo (Jo.16:7), e não o papa. Desta forma, o papa não pode ser considerado “vigário” , mas sim um usurpador de um título que não lhe foi confiado.

E, para terminar em grande estilo, uma famosa citação que está incluída no Corpus Juris Canonici, do papa Inocêncio II declarando que o pontífice romano “detém o lugar na terra, não de um mero homem, mas do verdadeiro Deus”. Os documentos que formaram os Decretos foram reunidos por Graciano, que lecionava na Universidade de Bolonha no ano de 1140. Seu trabalho foi acrescentado e reeditado pelo papa Gregório IX em uma edição publicada em 1234. Outros documentos apareceram nos anos seguintes, incluindo os Extravagantes (que já conferimos aqui), que foram acrescentados ao final do século XV.

Todos estes, com o Decretum de Graciano, foram publicados como o Corpus Juris Canonici, em 1582. O papa Pio X autorizou a codificação em Direito Canônico, em 1904, entrando em vigor em 1918. A citação abaixo é de quando Inocêncio III era papa e pode ser vista nos Decretales Domini Gregorii Papae IX (Decretos do Senhor Papa Gregório IX), liber 1, de translatione Episcoporum (na transferência dos bispos), título 7, cap. 3; Corpus Juris Canonici (2ª edição Leipzig, 1881.), col. 99, (Paris, 1612), tom. 2, Decretales, col. 205:

"Aqueles quem o papa de Roma separou, não foi um homem que os separou, mas Deus. Pois o Papa detém um lugar na terra, não simplesmente de um homem mas do verdadeiro Deus...  ele dissolve, não por autoridade humana, mas também por autoridade divina... Eu sou em todos e sobre todos, logo o próprio Deus e eu, o sacerdote de Deus, temos ambos uma essência, e eu sou capaz de fazer quase tudo o que Deus pode fazer... portanto, se estas coisas que eu digo não são realizadas por um homem, mas por Deus, o que vocês fazem de mim senão Deus? Novamente, se aos cardeais da Igreja, Constantino os chama de deuses, eu então estou acima de todos os cardeais, visto por esta razão que estou acima de todos os deuses"

Há ainda títulos oficialmente declarados pelo bispo romano que nada mais são senão blasfêmia. Um deles é o de “bispo universal”, ou “bispo dos bispos”. Quem chamou este título, que hoje a Igreja Romana orgulhosamente arroga para si, como um “título de blasfêmia”, foi ninguém menos que Gregório Magno, que disse:

“Os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e ostensiva frase, que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o alargamento do teu reinado (...) O meu companheiro sacerdote João, pretende ser chamado bispo universal. Estou forçado a gritar e dizer: Oh tempos, oh costumes! (...) Os sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, buscam para si nomes de vanglória, e se gloriam em títulos novos e profanos (...) Quem é este que, contra as ordenanças evangélicas, contra os decretos dos cânones, ousa usurpar para si um novo nome? O teria se realmente por si mesmo fosse, se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros – ele que cobiça ser universal (...) Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai. Mas longe dos corações cristãos esteja esse nome de blasfêmia, no qual é tirada a honra de todos os sacerdotes, no momento em que é loucamente arrogado para si por um só[6]

Nestas linhas vemos o bispo romano Gregório Magno (540-604 d.C) afirmando que o título de “bispo universal”, que hoje é comumente usado pelos católicos para o papa, é na verdade:

Uma invenção orgulhosa.

Uma frase ostensiva.

Um alargamento do reinado, além daquilo que realmente possui.

Um nome de vanglória.

Um título novo e profano.

Uma usurpação.

Uma diminuição da autoridade dos outros bispos.

Um nome que faz com que toda a Igreja caia se esse “bispo universal” cair.

Um nome de blasfêmia.

10º Um nome que tira a honra dos outros sacerdotes.

O mais engraçado disso tudo é que, na época, quem estava tomando para si este “nome de blasfêmia” era o bispo de Constantinopla. Quem diria que, séculos mais tarde, seriam os próprios bispos de Roma que tomariam para si este título blasfemo! Para Gregório, quem usasse este título seria o precursor do anticristo, o que também muito nos ajuda a identificar a “Babilônia”:

“Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. E pelo orgulho ele é levado ao erro, pois como perverso deseja aparecer acima de todos os homens. Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes[7]

O próprio fato do papa se considerar “Sumo Pontífice”, que é um equivalente a “Sumo Sacerdote”, é uma arrogância e blasfêmia sem tamanho, pois biblicamente Jesus é o nosso único Sumo Sacerdote! O autor de Hebreus, por exemplo, escreve:

“Onde Jesus entrou por nós como precursor, Pontífice eterno, segundo a ordem de Melquisedec” (Hebreus 6:20)

“O ponto essencial do que acabamos de dizer é este: temos um Sumo Sacerdote, que está sentado à direita do trono da Majestade divina nos céus” (Hebreus 8:1)

“Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé” (Hebreus 4:14)

“Porém, já veio Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas {isto é, não deste mundo}” (Hebreus 9:11)

“E dado que temos um Sumo Sacerdote estabelecido sobre a casa de Deus” (Hebreus 10:21)

“Tal é, com efeito, o Pontífice que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado além dos céus (Hebreus 7:26)

“E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer. Mas este, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, pois vive para sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:23-25)

O verso mais claro de que Cristo é o nosso único Sumo Pontífice na Nova Aliança é o de Hebreus 7:28, onde ele diz:

“Pois a Lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas; mas o juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho, perfeito para sempre” (Hebreus 7:28)

Este versículo é um verdadeiro golpe de morte na tese católica de que Pedro e os bispos romanos são sumos pontífices, pois o autor de Hebreus fala que na Lei existiam vários sumos sacerdotes, coloca o termo no plural e diz que eram “homens” com fraquezas, mas logo em seguida afirma que na Nova Aliança nós temos Jesus. A partícula grega de é o que marca o contraste entre um e outro, pois ela significa: “mas; porém; contudo”. Ela ressalta um nítido contraste entre um grupo (sumos sacerdotes da Antiga Aliança) e outro (sumo sacerdote da Nova Aliança).

Com este contraste que é aqui estabelecido, o escritor de Hebreus nada mais está dizendo senão que o Sumo Sacerdote da Nova Aliança é diferente do que foi apresentado anteriormente na Antiga. Lá, eram “sumos sacerdotes” (plural para várias pessoas, pois se refere a um cargo que era transmitido de geração em geração) e “homens com fraquezas”, mas na Nova Aliança é apenas Cristo, que difere de tudo isso. Ora, os sumos pontífices romanos são exatamente como no Antigo Testamento: já se passaram vários, é um cargo transmitido de geração em geração e é detido por homens que têm fraquezas. Assim sendo, o texto deveria estar escrito assim:

“Pois a Lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas; e o juramento que veio depois da Lei também!”

É evidente que o autor de Hebreus está deixando claro que não existe mais transferência de sumo sacerdócio entre humanos na Nova Aliança como havia na Antiga, mas que este cargo é ocupado unicamente por Jesus Cristo, aquele que venceu a morte e ressuscitou, que adentrou os céus e que é imaculado, e que por isso pode exercer essa função de Sumo Pontífice na Nova Aliança.

Isso significa que, com a Nova Aliança, chegou ao fim o tempo de sumos sacerdotes humanos aqui na terra, transmitindo esse cargo de geração a geração, por homens que têm fraquezas, pois ele hoje é ocupação exclusiva de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que deu a Sua vida por nós exatamente para este fim: se tornar o Sumo Sacerdote da fé que professamos (Hb.3:1).

Quando os católicos dizem que o papa é o Sumo Pontífice, eles estão simplesmente blasfemando contra a obra de Cristo. Este se deu por amor para se tornar o Sumo Sacerdote, botando um fim no sumo sacerdócio terreno por pessoas humanas, mas os católicos permanecem com sumos pontífices terrenos, tomando o lugar que é de Cristo. O título de “Sumo Pontífice” e sua condição de bispo dos bispos (i.e, de pontífice dos pontífices) é uma usurpação daquilo que é somente de Jesus Cristo, que a Bíblia diz que é o nosso Supremo Pastor (1Pe.5:4), único Sumo Pontífice (Hb.5:10; 4:14; 8:1; 3:1; 5:1; 5:5; 10:21; 6:20; 4:15; 9:11; 2:17; 7:26), Rei dos reis (Ap.19:16; 1Tm.6:15) e Senhor dos senhores (1Tm.6:15; Ap.19:16).

O Sumo Pontífice Romano não é uma autoridade que provém de Deus, é uma usurpação de Satanás, que sempre quis tomar o lugar que é de Deus (veja: Is.14:13; 2Ts.2:4). Além de levar essa religião à apostasia, Satanás decidiu criar também um cargo na Igreja que, além de nunca ter existido no Cristianismo primitivo, ainda usurpa o lugar que é de Jesus, o nosso único e verdadeiro Sumo Pontífice. Trata-se de um título de blasfêmia, uma usurpação, apoderando-se daquilo que pertence a Cristo, se colocando como um deus na terra, e se dizendo “vigário” (que significa substituto) dele.

Por fim, o próprio dogma da infalibilidade papal é a maior blasfêmia, arrogância e soberba que algum ser humano é capaz de chegar. O Neilom Soares fez um comentário muito oportuno neste artigo do blog, dizendo:

“Lucas, você foi muito feliz nos seus comentários, é a mais pura verdade, o dogma da infalibilidade papal não permite que os papistas venham a público reconhecer os erros teológicos e doutrinários aplicados paulatinamente no decorrer dos séculos. Lucas, na história do povo de Deus, desde os tempos muitos remotos, desde quando se buscam a Deus, desde os tempos do povo hebreu, seja mestres, escribas, etc, não houve ninguém, nem mesmo aqueles cuja a pena de um escritor registrou dizendo: ‘A terra não era dignos deles’, nenhum sequer teve a audácia e a petulância de se auto promover ‘infalível’ na questão doutrinária e teológica, não houve um sequer. Saindo do campo da religião, houve na história grandes pensadores, grandes filósofos, homens letrados em todos os sentidos, mas nenhumdeles teve tamanha ousadia de se intitular infalível. Sinceramente, eu não sei como em pleno século XXI possa existir tanta gente a dar crédito em tamanho embuste. Não sei como se deixam levar por um engano, há algo tão primitivo, arcaico e extremo, como esse dogma. Isso é prova de que a religião romanista monopoliza extremamente a fé dos desavisados”

Na ocasião eu comentei:

“Eu também não consigo me lembrar de nenhum outro na história que tenha se declarado ‘infalível’. A coisa que mais chega próxima disso são os ditadores de regimes totalitários, como a Coreia do Sul e Cuba (ou da antiga União Soviética), mas nem eles chegaram a tal ponto, de declarar isso (a infalibilidade) de forma oficial. Embora não haja naturalmente nenhuma passagem bíblica que mostre que um papa seja infalível, há uma passagem onde alguém diz algo próximo a isso, sustentando com altivez que: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo’ (Isaías 14:13,14). Bem, você já sabe quem é ele, e já sabe qual fim ele teve”

Já sabemos, portanto, qual igreja que tem os “nomes de blasfêmia”.


ADORNADA DE OURO

“A mulher estava vestida de azul e vermelho, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Segurava um cálice de ouro, cheio de coisas repugnantes e da impureza da sua prostituição” (Apocalipse 17:4)

Até aqui já vimos que a Babilônia é uma igreja apóstata e blasfema. Mas João nos dá outra pista importante na sua identificação: ela é muito, muito rica! Não é novidade para ninguém que a Igreja Romana é a instituição religiosa mais rica do mundo, cuja riqueza supera enormemente toda a riqueza de Macedos e Valdemiros da vida, e de qualquer outra religião cristã ou não-cristã. Na Idade Média, a coisa mais comum era a venda de indulgências, que foi o ponto de partida para a Reforma Protestante de Lutero. Era colocado um preço ao perdão dos pecados e à salvação, e muitíssimas “relíquias” eram vendidas a preços exorbitantes.

Os historiadores calculam que, durante o período medieval, a quantidade de pedaços de madeira da cruz de Cristo que foram vendidos era tanto que seria possível construir um navio de 22 pés de comprimento. Havia em igrejas católicas mais de 17 fêmures de jumentos que teriam ajudado Jesus, Maria e José na fuga para o Egito, e, acredite, oito crânios de João Batista na Alemanha! Isso ainda era pouco comparado com as regiões da Itália e Suíça, onde havia onze pernas de André e nove braços de Estêvão.

Na Catedral de Colônia (Alemanha), em 1164, o Arcebispo Reinaldo de Dassel expôs os corpos dos três reis magos. Eles também “encontraram” os corpos de Tiago (na Espanha), o manto que Jesus usava antes da crucificação, a túnica de Maria (na Catedral de Chartres), vários pedaços de pano que Jesus supostamente utilizava, garrafinhas com água do rio Jordão em que Jesus foi batizado, saquinhos com o pó no qual Adão foi criado(!) e, é claro, mais de 700 pregos da cruz de Cristo. Erasmo de Roterdã afirmou que com os pedaços da cruz de Cristo poderiam construir um navio.

O pior era que os trouxas acreditavam na veracidade destas relíquias, porque achavam que a Igreja era infalível, e nem ousavam contestá-la. Afinal de contas, como que uma Igreja tão piedosa, tão caridosa, tão amável, tão verdadeira, tão do bem, tão, tão... (fiquei sem palavras)... poderia fazer uma coisa dessas? Assim, os papas lucraram muito em cima da ingenuidade do povo. Até hoje a Igreja papal lucra milhões anualmente com as visitas aos santuários onde “apareceram” as Virgens de Lourdes, Fátima, Guadalupe e outros.

A Basílica da Aparecida e outros vários santuários espalhados pelo mundo rendem bilhões à Igreja. A cada peregrinação em massa se leva pelo menos duzentos milhões de dólares. E nós nem estamos mencionando a venda das “medalhas milagrosas”, dos quadros, das fotos do papa, do que eles cobram pelo batismo (sim, eles cobram para batizar, acredite!), das imagens e de tantas outras fontes de renda.

Mas nenhuma aberração já rendeu tanta grana à Igreja papal quanto a invenção do purgatório. Milhares e mais milhares pagavam enormes quantias para ver seus entes queridos “livres” do fogo do purgatório, para que suas almas migrassem ao Céu no momento em que o dinheiro fosse depositado. Isso irritou tanto a Lutero que o levou a escrever suas famosas 95 teses, onde ele argumenta:

“Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório. Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro, e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus”(Teses 27 e 28)

“Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante insignificante?” (Tese 82)

“Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto ser injusto continuar a rezar pelos já resgatados?” (Tese 83)

“Que nova piedade de Deus e do papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?” (Tese 84)

“Por que os cânones de penitencia, que, de fato, há muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?” (Tese 85)

“Por que o papa, cuja fortuna hoje é muito maior do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fieis pobres?” (Tese 86)

Só nas doações recebidas já podemos ter alguma ideia do que arrecada os cofres da Igreja papal. Se somente 500 milhões de católicos forem à missa no próximo domingo, e cada um deles der apenas 1 real (e sabemos que a maioria dá bem mais que isso), no fim do ano a Igreja teria arrecadado mais de 26 bilhões de reais. E se ao invés de 1 real dessem 10 reais, no fim do ano teria arrecadado nada a menos que 265 bilhões, e isso somente com ofertas, e somente em um ano!

Bem, acho que já sabemos quem é essa igreja apóstata muito, muito rica. Mas ainda há um detalhe na profecia: essa mulher (igreja) segurava um cálice de ouro:

“A mulher estava vestida de azul e vermelho, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Segurava um cálice de ouro, cheio de coisas repugnantes e da impureza da sua prostituição”(Apocalipse 17:4)

 
 
 

Nada a declarar.


O SANGUE DOS MÁRTIRES

“Vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus. Quando a vi, fiquei muito admirado” (Apocalipse 17:6)

João prossegue seu relato com mais pistas. Já sabemos que a Babilônia se trata de uma igreja apóstata que é extremamente rica, mas agora também ficamos sabendo que esta igreja tem o sangue dos santos, das testemunhas de Jesus. Portanto, é uma igreja que matou muita gente no passado. Será mesmo que eu preciso continuar escrevendo? Só há uma igreja que se enquadra nesta descrição, e você já sabe qual é. Você pode até ver os instrumentos de tortura que ela usava, clicando aqui ou assistindo a estes vídeos (se tiver estômago para isso):



Embora alguns romanistas mais doentes já tenham proposto que houve uma “inquisição” (sic) protestante (e Elisson Freire já os refutou tintim por tintim nestee nesteartigo, onde ele detona o embusteiro Fakenando Nascimento), a verdadeira inquisição, que matou milhões de pessoas, foi a católica, como todos sabemos, como dizem os historiadores e como mostram os livros de história (que os papistas detestam ler).

O pastor Airton Evangelista da Costa tem também um ótimo artigo sobre a inquisição, que você pode ler clicando aqui. É difícil definir ao certo o número de mártires da inquisição, mas os historiadores e estudiosos em geral chegam a um tanto mais aproximado de 5 milhões de mortos. A fonte é a Oxford World Christian Encyclopedia, cujas referências são aceitas na academia:


O estudo completo, com centenas de referências bibliográficas, pode ser conferido clicando aqui. Os católicos romanos só mataram menos que os ateus e os muçulmanos, mas nenhum destes dois podem ser a “mulher” do Apocalipse, porque, como vimos, a profecia diz respeito a uma igreja apóstata, o que exclui o ateísmo (que não é igreja) e o islamismo (que não é apóstata, pois para cair em apostasia é necessário que tenha estado na fé em algum momento). Portanto, o catolicismo romano é a primeira opção dentre as possíveis, quando o assunto é o assassinato e a carnificina. Note que todas as outras confissões de fé cristãs não-católicas mataram, no total, 35 vezes menos que os católicos romanos, em toda a história da humanidade. Acho que já podemos identificar que igreja tem o sangue dos mártires!


AS SETE COLINAS

“Aqui se requer mente sábia. As sete cabeças são sete colinas sobre as quais está sentada a mulher” (Apocalipse 17:9)

João prossegue nos deixando mais pistas pelo caminho, e desta vez é fatal: esta mulher (igreja) apóstata (prostituída), que é muito rica e matou muita gente, está assentada sob sete colinas. Isso, ainda mais para um leitor do primeiro século, era extraordinariamente conclusivo, pois só havia na época uma única cidade mundialmente reconhecida como estando rodeada por sete colinas: Roma. Embora houvesse outras cidades que também ficassem em sete colinas (como Lisboa, por exemplo), Roma era, de longe, a mais famosa: era a cidade das sete colinas.

Falar da “cidade das sete colinas”, para aquela época, era uma identificação tão fácil e simples quanto seria hoje falar da “cidade do Cristo Redentor” (Rio de Janeiro), ou da “terra santa” (Jerusalém). Era um jeito fácil de identificar a cidade de Roma, cujas sete colinas são:

Capitólio.
Quirinal.
Viminal.
Esquilino.
Célio.
Aventino.
Palatino.

Alguns papistas contestam isso afirmando que o Vaticano não fica em nenhum dos sete montes, e que, portanto, não pode ser a referência profética. Contra isso, há o fato de que o Vaticano, como Estado, existe apenas desde 1929. Antes disso, por milênios foi apenas mais uma região romana, que é a cidade das sete colinas. A referência de João à “cidade das sete colinas” não é ao Vaticano em particular, mas à cidade de Roma como um todo, o que inclui o Vaticano, mas não se limita ao Vaticano. A ligação principal da Igreja papal não é com o Vaticano em sentido particular, mas com Roma em sentido mais amplo. É por isso que se chama “Igreja Católica Apostólica Romana”, ao invés de “Igreja Católica Apostólica Vaticana”.

A ligação histórica sempre foi com Roma. A igreja era e ainda é conhecida como a “Igreja de Roma”, ou “Igreja Romana”. O seu pontífice, por sua vez, é até hoje conhecido como “Pontífice Romano”. A ligação entre Roma e o papado está no próprio nome oficial da igreja deles. Não tem como disfarçar! A própria Enciclopédia Católica afirma com todas as letras que “é dentro da cidade de Roma, chamada a cidade das sete colinas, que a área completa do Vaticano está agora confinada”, e o papa Pio XI afirmou explicitamente que o trono do “vigário” de Cristo é a cidade de Roma:

“A mão de Deus, que guia o curso da história, colocou o trono de seu vigário na terra, na cidade de Roma a qual, a qual alem de ser capital do império romano, foi feita por Ele capital do mundo inteiro, porque Ele a tornou o assento de uma soberania que se estende além dos confins das nações e estados, abraça dentro de si mesmo todos os povos do mundo inteiro. A mesma origem e natureza divina desta soberania exigem, os direitos invioláveis de consciência de milhões de crentes de todo o mundo e que esta soberania sagrada não deve ser, nem tem que estar, sujeita a qualquer autoridade humana ou lei , embora aquela lei seja a que proclama certas fianças para a liberdade do Pontífice romano”[8]

Assim, nada anula o fato de que a profecia faz referência à “mulher” (igreja) que se encontra em Roma, cada vez mais confirmando a ideia de que se trata da Igreja de Roma, ou Igreja Romana, como queiram. O fato de que estas sete colinas sobre as quais a mulher está assentada tratam-se de Roma fica ainda mais óbvio quando lemos:

“A mulher que você viu é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”(Apocalipse 17:18)

Qual cidade que reinava sobre os reis da terra na época em que João escrevia o Apocalipse? Roma. Qualquer resposta que não seja isso é vomitar desconhecimento histórico. João escreveu na época próxima ao auge do império romano, que dominava boa parte do mundo da época. Torna-se simplesmente ridículo, para não dizer estúpido, alegar que Jerusalém era a cidade que reinava sobre os reis da terra enquanto era esmagada e feita em pedaços pelos soldados romanos que cercavam a cidade e a destruíam por completo. Tem que ser um demente, ou pior ainda, um macabeu, para crer numa aberração dessas.

Poderíamos acrescentar ainda, para terminar, a menção de João, de que “as águas que você viu, onde está sentada a prostituta, são povos, multidões, nações e línguas” (Ap.17:15). Isso transmite vividamente a noção de que grandes multidões no mundo seguem a “prostituta” (igreja apóstata). Não é pouca coisa. Não é uma igreja de fundo de quintal, uma de âmbito regional ou nacional, mas sim uma que atrai para si multidões de muitos povos, nações e línguas diferentes. Talvez não seja inútil dizer que o catolicismo romano é a facção do Cristianismo que mais se enquadra nisso também, pois é a que mais possui adeptos (um bilhão e duzentos milhões no mundo), e em mais regiões do globo terrestre.


CONCLUSÃO

Muitíssimo mais poderia ter sido dito, o que me levaria a escrever um livro inteiro apenas aprofundando o assunto e abordando mais textos e mais pistas, mas só do que vimos até aqui podemos concluir que a Babilônia é:

1º) Uma igreja.

2º) Essa igreja um dia já esteve na fé, mas caiu na apostasia.

3º) Essa igreja apóstata é extremamente rica.

4º) Essa igreja apóstata, além de rica, possui nomes de blasfêmia, como “vigário”, “bispo universal”, “bispo dos bispos” e até mesmo o de “sumo pontífice”, título este que só pertence a Cristo. Ela até chega ao ponto de se considerar “infalível”.

5º) Essa igreja apóstata, além de muito rica e blasfema, matou muita gente no passado.

6º) Essa igreja apóstata, rica, blasfema e assassina fica em Roma, cidade com a qual ela tem uma fortíssima ligação.

7º) Essa igreja romana, rica, blasfema, assassina e apóstata tem multidões de fieis em todas as partes do mundo.

Alguém consegue pensar em alguma igreja? Alguém tem alguma dica?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1] Martinho Lutero, Talk Table, p. 195.
[2] Martinho Lutero, Talk Table, p. 201-202.
[3] Martinho Lutero, citado em History of the Reformation of the 16th Century, Bd. 15, S. 208.
[4]Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXV, VI. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm
[5]Concordância de Strong, 646.
[6] Epístola XX a Maurício César (NPNF 2 12:170-171).
[7] Gregório Magno, a Maurícius Augustus.
[8] Pope Pius XI, Encyclical Letter “UBI ARCANO DEI CONSILIO” (On the Peace of Christ in the Kingdom of Christ), December 23, 1922. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/pius-xi/en/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_23121922_ubi-arcano-dei-consilio.html

37 comentários:

  1. Lucas vc viu o video que te mandei do padre Paulo ricardo ?

    A Babilônia do Apocalipse não é só a ICAR, mas toda igreja que tb perdeu o foco como a Universal por exemplo..
    ,
    T+++
    Matheus.

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    1. Leia o artigo. Há mais pontos de identificação da Babilônia do que apenas a apostasia. Há elementos que não se encaixam em uma igreja como a Universal, como por exemplo o sangue dos mártires. Quantos que o Edir Macedo matou? rs

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    2. A Universal ou as igrejas evangélicas apostatadas são as “filhas da prostituta”, Já que ela é “Mãe” ela deve ter “filhos”... Essas denominações aí tudo são controladas pela maçonaria.

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  2. Caríssimo irmão Lucas!

    Sua interpretação é excelente! Eu só gostaria que você desse uma opinião a respeito das interpretações deste outro blog (www.apocalipsetotal.wordpress.com), - não sei se você já o conhece - que colocam os EUA como a Babilônia (econômica) de Ap 17 e o papa como o falso profeta, o qual lidera o movimento ecumênico global, preparando o mundo para a chegada do executivo mundial (vulgo anticristo) e do verdadeiro anticristo (a besta que sobe do abismo). Se você tiver tempo de fazer uma leitura dinâmica do site seria interessante, pois as revelações deste autor são muito consistentes, com respaldo bíblico e com notícias atualizadas dos acontecimentos que nos levam rumo à Nova Ordem Mundial.

    Um abraço e fique na paz de Cristo!

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    1. Olá, Rodrigo, a paz.

      Eu ainda não conheço este site que você me passou, mas considero a interpretação de que os Estados Unidos é a besta (ou a Babilônia, ou o que quer que seja) uma patifaria criada por comunistas que detestam tudo aquilo que está relacionado com os Estados Unidos, por se tratar da nação mais cristã do mundo e do maior símbolo do capitalismo e do desenvolvimento econômico e militar. Eu nem levo essa gente a sério, eles fazem um enorme desserviço à fé. Os Estados Unidos são o maior celeiro de missionários no mundo inteiro, graças a ele que muitos milhões de pessoas conhecem o evangelho hoje. É simplesmente ridículo e totalmente absurdo colocar o país mais cristão, missionário e evangelizador do planeta como sendo a "Babilônia", ainda mais quando existem centenas de países muitíssimo piores. Se eu tivesse que escolher um país para ser a besta, o ÚLTIMO seria os Estados Unidos.

      Repito: essa tese é invenção da cabeça de comunistas pseudo-cristãos que detestam tudo aquilo que se relaciona aos Estados Unidos e a a Israel. Na minha opinião a besta tem de tudo para ser o próprio regime marxista/comunista (algo que eu pretendo escrever outro dia), que nasce essencialmente da tese de que Deus não existe e que a religião é uma droga, o "ópio" do povo. Os socialistas assassinaram mais de 100 milhões de inocentes só no século passado (a maioria cristãos) e representam tudo aquilo que há de atraso social, econômico e moral no mundo (basta dar uma olhada em Cuba ou na Coreia do Norte, por exemplo). Se a "besta" não é comunista, vai demorar até conseguirem inventar um sistema pior. Eu duvido.

      Abraços.

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    2. Lucas se a igreja Romana é a prostituta como explicar o fato de que ela construiu a civilização ocidental?

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    3. Não construiu coisa nenhuma, quem crê nisso são os abestalhados ignorantes que seguem o mentiroso Thomas Woods, um propagandista católico que já foi refutado milhares de vezes por historiadores sérios e competentes.

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    4. O que dizer sobre ela ser a instituição mais caridosa do mundo?

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    5. Nunca vi nenhuma fonte oficial ou neutra afirmando isso, só vejo em sites de apologética católica, e olha que eu pesquisei bastante...

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    6. Outra coisa, quem disse que boas obras por si só salvam alguém? alegar que por ser a instituição mais caridosa do mundo a livra de qualquer erro é desconhecer os ensinamentos da Bíblia.

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  3. Lucas seu herege, filho de Lutero e filho da serpente.KKKKKKKKK. Como ousa falar assim da igreja "Santa" de Cristo, que escreveu a Bíblia? Se não fosse ela, como você a teria debaixo do braço? De graças a Igreja Católica, que você a tem hoje.

    Que Maria (a mulher do livro de Cantares, kkkkk) abra os seus olhos como o fel do peixe que o "santo" anjo Rafael(que não é mentiroso, KKKKKK) curou Tobit de sua cegueira. Mas saiba que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja Católica.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

    Quantas vezes tu já viu e ouviu isso, né irmão Lucas? E eu também depois que comecei a debater e fazer os artigos para o site, passei por isso e hoje dou risada de monte.KKKK. É incrível mesmo, como é sempre assim. Deus te abençoe.

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    1. Hahahaha pior que eu já li isso umas trezentas vezes mesmo =)

      Deus te abençoe!

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  4. Conheci um cidadão romano que escreveu com propriedade de maluco onde apresenta a cidade que reinava sobre os reis da terra, vista em Apocalipse, como sendo Jerusalém. Para tal proeza ele recorreu às muitas referências no V Testamento onde realmente mostra Jerusalém reinando sobre os reis da terra. O problema é que uma das passagens apresentadas por ele remonta a Josué. A citação mais recente dele é de quase 1000 anos (se não me engano) de distância para o tempo da redação do Livro de Apocalipse.
    .
    Nada pode ser encontrado sobe ter sido Jerusalém a cidade que dominava sobre os reis da terra na ocasião do exílio de João. Muito pelo contrário, Jerusalém é que estava subjugada ao governo romano, escravizada com todos os seus habitantes, ao ponto das autoridades judaicas conclamarem Cesar como Rei (João 19:15); a moeda corrente da Judéia tinha a figura do próprio Cesar (Lucas 20:24). Sem contar que foi feito um censo, e diz-se que ele aconteceu numa certa região... Veja onde:
    .
    “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população DO IMPÉRIO recensear-se”, Lucas 2:1.
    .
    População do império? Qual? Obviamente aquele que reinava sobre os reis da terra, o ROMANO. Logo, o que Jerusalém era? ERA UMA PROVINCIA DO IMPERIO ROMANO!
    .
    Mas não para aqui não. Tem uma passagem nas Escrituras onde diz que a Grande Cidade é chamada de Sodoma e Egito. Evidentemente você pode achar referências onde alguns profetas do V Testamento comparam Jerusalém a Sodoma, mas jamais vai encontrar referência alguma a ser ela chamada de Egito. Jerusalém/Israel é a figura principal da libertação do cativeiro egípcio, sendo, portanto, inadmissível aplicar o contexto de Egito para o povo Israelita.
    .
    Porém, e por incrível que possa parecer, o cidadão romano Macabeus "conseguiu" igualar Jerusalém ao Egito usando as Escrituras.
    .
    A interpretação textual dele foi dose pra elefante!
    .
    http://www.crismacabeus.com/index.php?pagina=1622666378_02

    ResponderExcluir
  5. O Macabeus teima em afirmar que João foi aprisionado no governo de Nero. Queria saber se ele concorda também que João foi liberto no governo do mesmo Nero, pois Clemente diz que João voltou a Éfeso depois da morte do Tirano. Ele acredita que esse tirano era Nero? Se acredita, então o problema ficou enorme. Na história de Clemente, ele afirmou que João era um homem muito velho e fraco quando foi liberto do cativeiro. Considerando que João era bem jovem quando Jesus o chamou, logo, não seria possível ser ele um homem velho e fraco no fim da década de 60 dC. Nessa época provavelmente ele não teria mais que 58 anos. A menção da idade avançada demostra claramente que João foi condenado no governo de Domiciano.
    .
    Outra coisa, por que Nero enviou João para a ilha de Patmos, mas manteve Pedro e Paulo em Roma na mesma ocasião? Nero foi conhecido por executar os cristãos por decapitação, crucificações, jogá-los às feras ou queimá-los.
    .
    De acordo com a tradição cristã o apóstolo Paulo foi decapitado por Nero em meados dos anos 60. Esta mesma tradição cristã afirma que o Apóstolo Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. A razão para Paulo ser decapitado é que era contra a lei romana torturar um cidadão romano. Pedro não era um cidadão romano, e foi torturado até a morte, como foram todos os cidadãos não-romanos executados. Se os preteristas estão corretos em afirmar que Nero exilou João na ilha de Patmos devem explicar porque o poupou enquanto executava todos os outros prisioneiros. Que expliquem também porque aceitam a tradição cristã sobre o destino de Paulo e Pedro, mas rejeitam totalmente a mesma tradição a respeito do destino de João.

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    1. E veja só, Alon, quem que Eusébio costumava chamar do "tirano":

      “Escuta uma historieta, que não é uma historieta, mas uma tradição existente sobre o apóstolo João, transmitida e guardada na memória. Efetivamente, DEPOIS QUE MORREU O TIRANO, João mudou-se da ilha de Patmos a Éfeso. Daqui costumava partir, quando o chamavam, até as regiões pagãs vizinhas, com o fim de, em alguns lugares, estabelecer bispos; em outros, erguer igrejas inteiras, e em outros ainda, ordenar a algum dos que haviam sido designados pelo Espírito” (História Eclesiástica, Livro III, 23:6)

      Eusébio diz que João saiu de Patmos DEPOIS QUE O TIRANO MORREU. Em outra parte ele explica que João só saiu de Patmos no final do reinado de Domiciano, que morreu em 96 d.C:

      “É tradição que, neste tempo, o apóstolo e evangelista João, que ainda vivia, foi condenado a habitar a ilha de Patmos por ter dado testemunho do Verbo de Deus. Pelo menos Irineu, quando escreve acerca do número do nome aplicado ao anticristo no chamado Apocalipse de João, diz no livro V Contra as heresias, textualmente sobre João o que segue: ‘Mas se fosse necessário atualmente proclamar abertamente seu nome, seria feito por meio daquele que também viu o Apocalipse, já que não faz muito tempo que foi visto, mas quase em nossa geração, AO FINAL DO IMPÉRIO DE DOMICIANO’” (História Eclesiástica, Livro III, 18:1-3)

      Portanto, Domiciano era o "tirano" de Eusébio. Agora pense como as coisas ficam complicadas para a cabeça do preterista. Ele se vê obrigado a sustentar que Nero prendeu João em Patmos, depois o liberou para ir a Éfeso, depois alguém o prendeu de novo, depois ele foi solto de novo quando Domiciano morreu.... é, parece mesmo um malabarismo mental. A verdade é que eles tem que contrariar toda a tradição da Igreja para sustentar o preterismo, algo que, convenhamos, fica feio para um católico romano, cujo único alicerce em que se assenta é a "tradição".

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    2. Exatamente, Lucas, suas citações acima desmontam
      toda a trama do Macabeus. Só tem duas maneiras pra ele sair dessa: negar ou torcer tudo! Nota 1000 pra você e zero pra ele.

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  6. Envia esse outro recado ao Macabeus, Lucas. Ele continua na teimosia de que Jerusalém era a cidade que reinava sobre os reis da terra na ocasião do exílio de João. Não tem como, pois Jerusalém era governada por procuradores nomeados de Roma. Sobre quem Jerusalém exercia autoridade nessa época? Como pode uma cidade sob o domínio de Roma dominar sobre reis?

    Roma manteve firmemente o seu calcanhar de ferro no pescoço de Jerusalém e me aparece o Macabeus afirmando que ela governava sobre os reis da terra!!!
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    Jerusalém não reinava sobre ninguém desde a queda da cidade nas mãos de Nabucodonosor.
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    É melhor ele ler meu site todo outra vez
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    Agrandecidade.com

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    1. O Macabeus não passaria nem no vestibular da faculdade Anhanguera interpretando que "a cidade que REINA [tempo no presente] sobre os reis da terra", no momento em que João escrevia, era JERUSALÉM, sim, aquela mesma cidade que, segundo ele, já estava cercada por exércitos romanos, subjugada por Roma e prestes a ser totalmente destruída. Alguém precisa urgentemente avisar ao tridentino que, se João quisesse dar a entender o que ele diz, teria simplesmente afirmado que era a "cidade que REINAVA [tempo no passado] sobre os reis da terra", e não a que REINA [presente] sobre os reis da terra. Macabeus não sabe o que é tempo verbal. Ele nunca deve ter tido uma aula de português, ou era daqueles alunos que jogavam papel nos outros alunos ao invés de ouvir o que professora falava. Se tivesse prestado atenção às aulas não cometeria essa gafe pitoresca. Na cabeça do cidadão o apóstolo João cometeu um ERRO ORTOGRÁFICO ao colocar o verbo no tempo verbal PRESENTE e não no PASSADO, como ele diz que é. Que vergonha. Cada dia mais ele dá um novo atestado de demência. Daqui a pouco a Apae leva ele.

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  7. Lucas, como responder a esse argumento chato que eles repetem que nem uma mandra:

    "Como ousa falar assim da igreja "Santa" de Cristo, que escreveu a Bíblia? Se não fosse ela, como você a teria debaixo do braço? De graças a Igreja Católica, que você a tem hoje"

    Isso é realmente patético e sem lógica alguma. É como dizer que Jesus e seus apóstolos foram romanos. rsrsrs...

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    1. Eu escrevi bastante sobre isso no meu livro "Em Defesa da Sola Scriptura", há uma opção de download gratuito do e-book, veja neste link:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/06/novo-livro-em-defesa-da-sola-scriptura.html

      Se a Igreja Católica Romana escreveu a Bíblia, então devemos presumir que Moisés (que escreveu pelo menos os cinco primeiros livros) era um romanista, fiel ao papa, que ia direitinho nas missas e até subia de joelhos as escadas do senhor do Bonfim. E que ele rezava o terço também.

      Cada vez que eu vejo algum romanista fanático dizendo que são eles que guardaram a Bíblia, eu sinto pena dos irmãos ortodoxos. Mas, por outro lado, é verdade que a Igreja Romana "guardou" a Bíblia: ela a guardou do povo, impedindo que ele lesse uma versão que não fosse em latim.

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  8. Lucas, dar uma olhada nessa postagem. Dar pra acreditar nisso?

    https://www.facebook.com/222467361213659/photos/a.242893972504331.58186.222467361213659/621514821308909/?type=1

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    1. É a mesma coisa que já foi comentada/refutada no artigo. Eles insistem no Vaticano, quando a profecia tem ligação com ROMA (ou seja, uma igreja romana), e não com o Vaticano em exclusividade.

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  9. Lucas, no verso 5 diz que ela é a "mãe das meretrizes e abominações da terra", e realmente a ICAR sempre se considerou a mãe igreja, a ela credita-se o sangue dos santos, porém ela evoca a um retorno ao arredio das igrejas cristãs que dela sairam e busca nas doutrinas semelhantes como imortalidade da alma, santidade do domingo, falsos dons espirituais, falsa graça para esse retorno ecumênico. logo existe sim um sistema liderado pela Icar que irá aglomerá o mundo em uma só religião. isso é Babilônia.

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    1. Uma só religião comandada pelo Anticristo. E as filhas vão junto com a mãe: "A Grande Prostituta, mãe das Meretrizes" Ap 17:5.

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  10. Excelente analise! Per-fei-ta!
    Essa coisa da ICAR ser a meretriz é muito obvio, como no comentário acima, ela mesma se diz mãe, e segundo o leitão disse “voz de deus”,

    E esse obelisco aí bem no centro do vaticano? Sempre o deus sol. Símbolo mais que satânico/maçon, e como se não bastasse, há uma roda de oito etapas para a iluminação? Embaixo do obelisco? (porque sempre pode ficar mais satânico...) Mas eles sempre tem a resposta na ponta de língua.

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  11. Lucas, você sabe da insistência do Macabeus em afirmar que João esteve no exílio em Patmos no início da década de 60 dC. Com isso ele transformou Jerusalém na grande Babilônia de Apocalipse, julgada e destruída por Deus através do exército romano em 70 dC. Agora, veja você que detalhe curiosíssimo encontramos na citação de um pai da Igreja chamado Eusébio Pamphilio, que nasceu em cerca de 260 e morreu antes de 341, e foi Bispo de Cesaréia na Palestina. No capítulo 18, Livro 3 de sua História da Igreja, ele diz:
    “… o apóstolo e evangelista João, que ainda estava vivo, foi condenado a morar na ilha de Patmos, em consequência de seu testemunho à palavra divina…”. Percebeu alguma coisa? Veja o detalhe: "João, que AINDA ESTAVA vivo, foi condenado a morar na ilha de Patmos...". Observe a ênfase em maiúsculas. Neste contexto de João a ênfase foi usada porque o escritor que fazer referência a uma pessoa já idosa. Isso pode ser aplicado em vários exemplos. Se Eusébio tivesse falando de um João entre 50 e 55 anos, provável idade do apóstolo em 60 dC, ele não precisaria citar o detalhe. Ademais, até 67 dC somente um apóstolo havia morrido, Tiago irmão de João. Por que Eusebio diria que João "ainda estava vivo" se outros 11 também estavam? Isso significa que podemos concluir sem sombra de dúvida: quando Eusébio escreveu ele viu um João com mais de 80 anos - AINDA VIVO - sendo levado para seu cativeiro em Patmos. Muito fácil para quem quer entender.

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    1. Alon, o Macabeus é uma vergonha. Ele cospe e pisa em cima da patrística quando vai deturpar grosseiramente o livro do Apocalipse com as suas pseudo-interpretações cabulosas e totalmente desprovidas de cérebro, mas quando o tema muda e o assunto não é mais o preterismo ele faz questão de usar passagens dos Pais da Igreja! Veja como esse cidadão é cínico. Essa é a consequencia lógica de se crer que os Pais da Igreja eram "católicos romanos": você se vê obrigado a ser extremamente seletivo no uso dos escritos patrísticos, pegando aquilo que lhe favorece e excluindo aquilo que desfavorece, e é isso o que os católicos sempre fizeram e ainda continuam fazendo distorcendo a patrística e a interpretando seletivamente de forma implacavelmente arbitrária.

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  12. Mas me diga uma coisa, Lucas. Será que os leitores dele não percebem o erro interpretativo e as aberrações doutrinárias que ele faz com as Escrituras e a Patristica?

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    1. São zumbis, Alon. Não percebem, porque não estão programados para perceber. Não podem pensar por si mesmos, por isso deixam que o papa pense no lugar deles, são um exército de zumbis.

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Muito bom seu texto:

    Mostrando sinais para saber quem é a MÃE das prostitutas.
    pelos sinais informado podemos apontar a MÃE sem medo de errar.

    MÃE (((DAS PROSTITUTAS)
    Deixa claro que ela possui FILHAS
    Ou seja temos de analisar os sinas para TAMBÉM identificar as suas Filhas.
    Ou seja TODAS outras são filhas.
    Basta ver sinais.
    Uma única seria a verdadeira.

    E mais "facil identificar" qual seria a MÃE do que identificar as filhas e aceitar que podemos estar participando delas sem saber, pois estamos SOMENTE PREOCUPADOS com a Identificação da MÃE.

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  15. Amei o artigo. Meus parabéns irmão, que Deus continue te abençoando mais e mais. Fiquei chocada com a maldição que é a igreja católica. Ela precisa ser destruída e já.

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  16. Muita heresias protestantes sobre esse asusto um blog que fala de uma igrega e as igregolas de fundo de quintal pregando o que bem intendente vcom fica

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    1. "Asusto"?
      "Igrega"?
      "Igregolas"?
      "Intendente"?
      "Vcom fica"?

      Acho melhor eu nem responder, vai que é contagioso...

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