26 de março de 2017

O livre exame de Barnabé que enterra o magistério infalível

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O livre exame é um dos ensinos protestantes mais atacados pelos papistas, ou talvez o mais atacado. Todo mundo já conhece a lenga-lenga de sempre: nós evangélicos não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”, e a mesma só pode ser interpretada através da interpretação infalível do magistério católico. Ou seja, ninguém é realmente livre para ler e interpretar as Escrituras, o único livre de fato é o papa, e o resto que se lasque, vai ter que concordar com a interpretação do papa querendo ou não, sendo ela boa ou não.

E inacreditavelmente existem apologistas católicos que acham que na era patrística as coisas funcionavam assim (pasme!), quando basta uma breve leitura nos escritos dos Pais para perceber o quão óbvio era que eles interpretavam a Bíblia com total liberdade tal como um evangélico faz nos dias de hoje, sem condicionar essa interpretação a um “magistério infalível” romano. Como citar toda a patrística aqui seria impossível, mencionarei aqui apenas um autor, mas se necessário for publicarei mais outros artigos com outros autores. Trata-se de Barnabé de Alexandria, um cristão do segundo século que escreveu uma carta conhecida pelo nome de “Epístola de Barnabé”. As citações podem ser conferidas neste famoso site católico para ninguém acusar adulteração.

Vejamos, portanto, algumas interpretações de Barnabé, para concluirmos se ele seguia à risca um magistério infalível ou se interpretava as Escrituras livremente. Comecemos com essa interpretação dele dos 318 homens circuncidados por Abraão:

“Com efeito, ele diz: ‘E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens’. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos” (Epístola de Barnabé, 9)

Bom, eu particularmente nunca vi um católico sustentando essa interpretação como legítima, muito menos vi algo do tipo constando no Denzinger, o compêndio oficial dos ensinamentos da Igreja Católica. É, parece que Barnabé estava interpretando a Bíblia livremente...

E tem mais essa interpretação que ele faz sobre as proibições de certos tipos de alimentos importas por Moisés:

“Moisés disse: ‘Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas’. Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: ‘Exporei a esse povo as minhas decisões’. A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz sobre o ‘porco’. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido, volta a se calar. Ele diz: ‘Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo’. Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade. Ele continua: ‘Não comerás moreia, nem polvo, nem molusco’. Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo” (Epístola de Barnabé, 10)

Também nunca vi um católico interpretar desta maneira. Aliás, me parece ousado demais para um católico interpretar deste jeito. Como já disse certo apologista católico, “católico não tem interpretação pessoal da Bíblia; católico segue a interpretação da Igreja”. Mas não há nada que indique que a Igreja assumia a interpretação de Barnabé neste e nos outros pontos. Portanto, Barnabé interpretava a Bíblia livremente, tal como um protestante faz hoje.

Por meio de interpretação pessoal, Barnabé também concluiu que o mundo acabaria em seis mil anos:

“Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: ‘Santificai o sábado do Senhor com mãos puras e coração puro’. Em outro lugar, ele diz: ‘Se meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha misericórdia’. Ele menciona o sábado no princípio da criação: ‘Em seis dias, Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o santificou’. Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: ‘terminou no sétimo dia’. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: ‘Eis que um dia do Senhor será como mil anos’. Portanto, filhos, em ‘seis dias’, que são seis mil anos, o universo será consumado. ‘E ele descansou no sétimo dia’. Isso quer dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no sétimo dia” (Epístola de Barnabé, 15)

Eu procurei no catecismo católico e não achei uma afirmação dessa natureza (que pena). Parece que Barnabé estava fazendo livre interpretação de novo. Se ele vivesse nos dias de hoje, não seria considerado pelos papistas mais do que um “protestante rebelado” e “filho da serpente”, lamentavelmente.

Ou então imagine que isso tenha sido um ensinamento oficial do infalível magistério da Igreja Romana:

“E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira – de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate – e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaac e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor” (Epístola de Barnabé, 8)

Não, acho que não!

Que conclusão podemos tirar da Epístola de Barnabé? Aqui vão algumas dicas:

Primeiro, que Barnabé não precisava de um magistério romano para porcaria nenhuma. Ele não reconhecia a existência de um. Se reconhecia, o ignorava sumariamente e o tratava como se não existisse.

Segundo, que as interpretações dele eram livres e não meramente uma repetição de ensinos oficiais de uma instituição religiosa em particular. Suas interpretações não têm paralelo nem em outros Pais da Igreja, embora os outros Pais também tivessem suas próprias interpretações pessoais de outros trechos da Escritura.

Terceiro, ninguém da época se levantou contra a livre interpretação de Barnabé. Não houve papas, ou bispos romanos, ou cardeais ou quem quer que seja chamando Barnabé de herege ou o excomungando pelo simples fato de ter interpretado a Bíblia livremente. Barnabé seria herege para os padrões atuais e modernos da Igreja Romana, mas a Igreja antiga, que não tinha nada de Romana, o aceitava com naturalidade. O livre exame em si não era um problema. O problema é quando a interpretação debandava para uma heresia. É o mesmo conceito que os protestantes têm, e não o conceito católico onde o próprio livre exame já é condenado per se.

Quarto, se Barnabé não praticava livre exame, mas apenas seguia as interpretações oficiais da Igreja Romana, então por que a Igreja Romana atual não segue nenhuma das análises de Barnabé sobre as questões acima levantadas? Teria ela aderido a estes ensinos e depois mudado de opinião sem ninguém ficar sabendo? E se é assim, como ficaria a infalibilidade da Igreja? Ou a Igreja Romana de antes era totalmente diferente da atual, ou os apologistas católicos mentem sobre existir magistério infalível na época de Barnabé.

Imagine se Barnabé vivesse nos dias de hoje, e escrevesse tudo isso sem constar em parte nenhuma do catecismo, das bulas, das encíclicas, dos concílios e de outros documentos tidos como oficiais. Imagine ele ignorando totalmente a existência de um suposto papa infalível com um suposto magistério infalível interpretando a Bíblia infalivelmente, e em vez disso fizesse livres interpretações pessoais da Escritura, como ele fazia. Como ele seria tratado? Certamente, seria taxado como um “herege rebelado” que se insurge contra a autoridade papal. Se o lema católico de que católico não interpreta por si mesmo está certo, então Barnabé não era católico, mas qualquer coisa bem longe disso.

Vale ressaltar que eu não estou aqui dizendo que as interpretações de Barnabé estavam certas ou erradas. Isso é o de menos. O ponto realmente importante nesta questão era a sua liberdade de interpretar as Escrituras por conta própria, princípio este condenado da forma mais atroz e selvagem pelos nossos amigos papistas. E se algum apologista católico realmente imagina que Barnabé era uma exceção e que os outros Pais da Igreja não praticavam o livre exame, precisa voltar urgentemente ao planeta Terra – ou melhor, precisa começar a estudar um pouco.

Barnabé era apenas o reflexo do consenso de todos os cristãos primitivos, e Pais da Igreja como Clemente de Alexandria e Orígenes foram ainda muito mais longe na criatividade interpretativa. E mesmo que se alegue que certos concílios regionais condenaram certas crenças de Orígenes, isso só reforça o argumento protestante, visto que Orígenes nunca foi condenado pelo ato de interpretar a Bíblia livremente, mas sim por aderir a certos ensinos antibíblicos. Ou seja, a liberdade de interpretar a Bíblia nunca esteve em xeque, em momento nenhum. O problema sempre foi a interpretação errada que culminasse em heresias, que é o mesmo rejeitado por protestantes como o autor deste blog. Uma coisa é poder interpretar a Bíblia, outra coisa é essa interpretação estar certa. Protestantes não creem que qualquer interpretação esteja certa, da mesma forma que a Igreja antiga não cria, mas também não proíbem a livre interpretação, da mesma forma que a Igreja antiga não proibia.

Mesmo assim, acredite: ainda haverá indivíduos que insistirão que todos os Pais da Igreja, inclusive Barnabé, não praticavam livre exame algum, mas em vez disso se limitavam apenas a seguir a interpretação oficial de um extraordinário magistério romano infalível, na pessoa de um extraordinário papa romano infalível – e tudo isso numa época em que papa e magistério sequer existiam. É rir pra não chorar. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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72 comentários:

  1. Essa epístola é considerada gnóstica. Não creio que seja aceita por católicos como pensamento da época.

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    1. Quem considera ela gnóstica? Onde você leu isso? Esse Barnabé não era gnóstico e nunca foi rejeitado pelos cristãos antigos, tanto é que sua obra está incluída no famoso Códice Sinaítico (século IV) junto a outros livros considerados muito importantes pelos cristãos da época, o que inclui todos os livros do Novo Testamento. Não é por aderir a um método de interpretação alegórico da Bíblia que se torna "gnóstico", se fosse assim todos os cristãos da escola de Alexandria (Clemente, Orígenes, Cirilo, etc) também seriam "gnósticos" como Barnabé. A escola de Alexandria aderia a um método de interpretação diferente da de Antioquia (mais literal), mas nem por isso era gnóstica, o gnosticismo é uma coisa totalmente diferente, me mostre onde tem gnosticismo em Barnabé.

      E de qualquer forma, o propósito deste artigo não é dizer que isso era o "pensamento da época" e por isso "os católicos tem que aceitar". Ninguém que leia o artigo até o final chegaria a essa conclusão. Aliás, eu nego isso expressamente no artigo, quando digo:

      "Vale ressaltar que eu NÃO estou aqui dizendo que as interpretações de Barnabé estavam certas ou erradas. Isso é o de menos. O ponto realmente importante nesta questão era a sua LIBERDADE de interpretar as Escrituras por conta própria, princípio este condenado da forma mais atroz e selvagem pelos nossos amigos papistas"

      Ou seja, a finalidade era simplesmente mostrar que Barnabé interpretava a Bíblia de forma pessoal e livre, da mesma forma que os protestantes fazem hoje.

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    2. Lucas,qual sua opinião sobre o dois dedos de teologia?

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    3. Eles falam bem e demonstram ter conhecimento das coisas que dizem, mas são fortemente calvinistas e antipentecostais, então se eu dissesse que sou um admirador deles estaria mentindo. Mas isso não significa que o trabalho deles de uma forma geral seja ruim, ou que eu gostaria que não existissem.

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    4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Lucas,como vai? Preciso tirar essa dúvida , eu sei que não tem nada haver com o tema...mas preciso que você me responda, mesmo que seja de forma resumida ontem mandei pelo seu outro artigo e você não me respondeu!É sobre Inácio , no ano 107 d.c ele disse: Eu não vos dou ordem como Pedro e Paulo(cartas aos Romanos, 107 d.c) Lucas não dá a ideia que Pedro era líder em Roma , mesmo por pouco tempo.Por que foi ele foi morto em fevereiro de 68 d.c e Paulo em janeiro de 67 d.c, até Dionísio de Corinto disse: que Pedro e Paulo ensinavam na Itália e Irineu também disse, segundo algumas fontes históricas.O que você pensa a esse respeito? Abs, fique com Deus!

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    1. Eu respondi sim, você não deve ter visto a resposta, confira neste link:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/03/as-constituicoes-apostolicas-sobre.html?showComment=1490513639186#c6905644349126138888

      Recomendo que marque a opção "NOTIFIQUE-ME", ali embaixo no canto direito da caixa de comentários, que aí a minha resposta chega direto por email tão logo eu a responda.

      Abs!

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  3. Olá, Lucas! Em se tratando de infalibilidade chega a ser hilário , já que os papas anteriores como Inocêncio primeiro até o quarto foi radicalmente a favor que o papa tem poder de mandar quem era de Deus ou não bastava crer em tudo em que o papa diz...como se no céu tivesse uma placa aqui só entra a Igreja Apostólica Romana, vê se pode isso irmão! contrariando até o papa atua o tal de Francisco que disse: que a salvação fora da ICAR, isso pra atrair os fiéis para o seu rebanho corrompido.Se os papas sanguinários da época que mencionei fora outros que não me lembro...se esses papas tivessem vivos mandava ex-commungar o Francisco e quem sabe até queimá-lo, é uma piada essa igreja romana, são medíocres teologicamente e desonestos.Isso prova que o papa não é infalível em questão de fé e moral.Esses bitolados fajutos apologista católicos querem que todos se submetam a ele como se fosse "Deus".são idólatras e apóstatas...não tem moral nenhuma pra falar dos reformados ou de querer refutar ao protestantismo.Tanto é que estudando um pouco o catecismo católico me deparei com surpresa que eles por detrás admitem que os 3 princípios, os pilares da reforma é: a fé inabalável em Cristo, as escrituras como regra de fé e conduta e a oração, mas infelizmente publicamente não tem coragem de falar que Deus está também no meio protestante.Esses católicos são mesmo hipócrita da pior espécie não é Lucas?Que Deus dê mais entendimento aos católicos sinceros que buscam a salvação...muitos lá não crer nos ditos "dogmas" por serem a maioria nominal em sua fé vazia,morta e sem transformação mesmo.Infalíveis mesmo só as escrituras por que o autor é o própio Cristo e fim de papo como está escrito( Hb 7.22,Mt 5.18, 2Tm 3.15-17Jo 1o.35,Is 8.20), ou seja, Lucas as pessoas devem ser guiados , determinando a verdade não por quem disse, mas comparando-a com o evangelho recebido pela Igreja Primitiva como está em (At 20.30-32).Lucas se quiser complementar pra enriquecer mais o assunto eu agradeço.Abs e fica com Deus

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    1. Você disse uma coisa muito importante e muito verdadeira: que se o atual papa Francisco vivesse naquela época, seria certamente perseguido e queimado pela própria Igreja Romana. Isso é 100% verdade. Eu não achava que a coisa fosse tão feia assim ate começar a estudar a fundo a Inquisição e perceber como que qualquer pessoa que não andasse completamente alinhada com os ensinos tradicionais da Igreja era "inquirida" e podia ser torturada e morta. Qualquer coisa mesmo, até as mais mínimas como sustentar que Adão não tinha umbigo. Sim, acredite, um homem foi condenado por causa disso. Imagine se Francisco vivesse naqueles tempos afirmando todas as coisas que afirma hoje, não passaria nem por inquirição, iria direto pra fogueira. Se o que ele diz hoje já incomoda tanto os setores mais conservadores e tradicionalistas da Igreja, que o chamam de "antipapa" e "herege", imagine naquela época, onde TODA a Igreja era infinitamente mais tradicionalista do que os tradicionalistas atuais mais radicais. E sabemos muito bem como ela lidava com aqueles que considerava "hereges". As fogueiras estavam sempre acesas para esse tipo de gente.

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  4. Tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja.26 de março de 2017 10:37

    Mas Barnabé errou quando disse isso. Nós não cremos que os bispos são infaliveis, apenas o papa. Até porque existem diferenças naquilo que os pais da igreja acreditavam, como por exemplo Agostinho (predestinação) e os pais da igreja anteriores a ele.
    Abraço. Apesar das nossas diferenças, que Deus tenha misericórdia e nos salve.

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    1. Exato, isso o que você acabou de dizer é exatamente o que os protestantes creem!

      Existem diferenças naquilo que os Pais da Igreja acreditavam? EXATO! Por quê? Porque todos eles aderiam ao livre exame, e assim naturalmente surgiriam divergências, como ocorre hoje com o protestantismo que vocês tanto condenam. Os bispos não são infalíveis? EXATO! E nem o de Roma era, que aliás na época de Barnabé nem mesmo era chamado de "papa", papa era um nome dado a partir do século III, inicialmente a Heraclas (bispo de Alexandria) e a Cipriano (bispo de Cartago). Os bispos de Roma tardariam a recebê-lo.

      E você sabe perfeitamente bem que essa coisa de "infalibilidade papal" NÃO EXISTIA na Igreja antiga. Todo mundo discordava dos papas a todo tempo e isso nunca foi tomado como uma desobediência ou insubordinação. A infalibilidade papal nunca constou em qualquer escrito patrístico primitivo ou em cânones dos concílios ecumênicos ou regionais, como pode ser visto neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/06/os-concilios-da-igreja-primitiva.html

      Portanto, é meramente uma invenção posterior e tardia, dada por Roma a ela mesma, e aplicá-la à época de Barnabé é simplesmente um anacronismo.

      Deus lhe abençoe.

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  5. Alguém acredita que TODOS católicos (mesmo sinceros) não se utiliza de algum método anticoncepcional? Alguém acredita que TODOS os católicos (mesmo os mais conservadores) não irão se divorciar de suas esposas após um adultério? ... Portanto, essa ideia que todos os católicos seguem um magistério infalível é só retórica, uma miragem, algo inexistente. Sem contar a polêmica entre o clero sobre o uso constante da batina, entre outros que se formos enumerar a lista é grande.

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  6. Se o catolicismo se julga inerrante, primogênito e exclusivo, qual interesse do dele em querer que somente sua hermenêutica prevaleça? Será exclusivamente a salvação dos pecadores e a defesa da verdade? Orgulho? Disputa por aprovação?

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  7. A resposta da maioria dos apologistas cristãos para a existência do mal no mundo é: livre-arbítrio.
    Qual é a resposta calvinista para a existência do mal no mundo?

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    1. Geralmente, afirmam que fazem parte do decreto divino e que isso é um "mistério".

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  8. A Igreja nunca proibiu interpretar a Bíblia. Há muitas passagens nela que o Magistério não definiu o sentido e então é permitido apresentar interpretação. Há muitas passagens que são controvertidas entre os teólogos católicos.. O que é proibido é interpretar a Bíblia contra o ensinamento do Magistério.

    "Por esta ley, llena de prudencia, la Iglesia no detiene ni coarta las investigaciones de la ciencia bíblica, sino más bien las mantiene al abrigo de todo error y contribuye poderosamente a su verdadero progreso. Queda abierto al doctor un vasto campo en el que con paso seguro pueda ejercitar su celo de intérprete de manera notable y con provecho para la Iglesia. Porque en aquellos pasajes de la Sagrada Escritura que todavía esperan una explicación cierta y bien definida, puede acontecer, por benévolo designio de la providencia de Dios, que con este estudio preparatorio llegue a madurar; y, en los puntos ya definidos, el doctor privado puede también desempeñar un papel útil si los explica con más claridad a la muchedumbre de los fieles o más científicamente a los doctos, o si los defiende con energía contra los adversarios de la fe. El intérprete católico debe, pues, mirar como un deber importantísimo y sagrado explicar en el sentido declarado los textos de la Escritura cuya significación haya sido declarada auténticamente, sea por los autores sagrados, a quienes les ha guiado la inspiración del Espíritu Santo —como sucede en muchos pasajes del Nuevo Testamento—, sea por la Iglesia, asistida también por el mismo Espíritu Santo «en juicio solemne o por su magisterio universal y ordinario»[36], y llevar al convencimiento de que esta interpretación es la única que, conforme a las leyes de una sana hermenéutica, puede aceptarse. En los demás puntos deberá seguir la analogía de la fe y tomar como norma suprema la doctrina católica tal como está decidida por la autoridad de la Iglesia; porque, siendo el mismo Dios el autor de los libros santos y de la doctrina que la Iglesia tiene en depósito, no puede suceder que proceda de una legítima interpretación de aquéllos un sentido que discrepe en alguna manera de ésta. De donde resulta que se debe rechazar como insensata y falsa toda explicación que ponga a los autores sagrados en contradicción entre sí o que sea opuesta a la enseñanza de la Iglesia". (Leão XIII, Providentissimus Deus)

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    1. Esse é o discurso que vocês têm depois de serem refutados, não o discurso que vocês têm antes. Qualquer um que entrar em sites de apologética católica ou em comunidades de debates percebe mais claro que a luz do dia que vocês rejeitam o próprio livre exame em si, e não apenas o livre exame que não entre em contradição com algo afirmado pelo magistério. Poderia ficar o dia todo mostrando provas de todos os cantos, mas isso seria por demais tedioso, então mostrarei apenas alguns exemplos rápidos. Quando se digita “livre exame” no Google, um dos primeiros artigos que aparece em se tratando de religião é esse aqui de um site católico chamado “Paraclitos”:

      http://www.paraclitus.com.br/2012/apologetica/protestantismo/a-falsidade-do-livre-exame/

      O que eles dizem logo no segundo parágrafo? Vejamos:

      “Liberdade de interpretar a Bíblia, cada qual por si mesmo, contando com a iluminação pessoal e direta do Espírito Santo. Nada de Papa ou de palavra definitiva do Magistério, o que configura uma suma subjetividade. Inventor de tal absurdo, Martinho Lutero, (1483-1546)”

      O que eles estão dizendo aí? Que todo mundo é realmente livre para interpretar a Bíblia e praticar livre exame DESDE QUE esta interpretação não confronte a do magistério? Não. Eles condenam A PRÓPRIA prática do livre exame em si mesma, por considerar algo “subjetivo”, e que só a palavra definitiva do papa ou do magistério é que pode ser levada em consideração. O que me lembra um debate que tive há tempos atrás com certo católico que tentava desmerecer a minha interpretação a priori, pelo simples fato de ser “apenas” a minha interpretação e eu não ser “infalível” (os prints estão no artigo):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/como-desmascarar-e-destruir-o-argumento.html

      E na famosíssima “Rádio Macabeus”, o “locutor” afirmava em alto e bom som: “Jamais o católico seguirá suas opiniões próprias sobre religião. Católico segue a Igreja [Romana]”. Ou seja, está claro que para eles o problema não é ter uma opinião que contradiga o magistério. O problema é TER opinião. O único que pode tê-la é o magistério, porque supostamente é o único “infalível”, e só podemos seguir algo se for afirmado “infalivelmente”. Por incrível que pareça, é essa a lógica dos apologistas católicos, como os do Veritatis, visível claramente neste artigo:

      http://www.veritatis.com.br/livre-exame/

      Eles já descartam a interpretação protestante de antemão, pelo simples fato de não ser “infalível”, por não ser do magistério católico (que o católico considera infalível). Mas Barnabé também não era infalível, também não era o magistério, também não estava seguindo as orientações de algum papa ou Igreja infalível. Pela lógica, o que Barnabé diz seria tão descartável de antemão quanto o que os protestantes dizem.

      E aliás, foi bom você ter mencionado o fato de que a Igreja Romana não possui interpretação para todas as passagens da Bíblia. De fato, o muito conhecido apologista católico americano Dave Armstrong afirma em seu site que a Igreja tem interpretação oficial para – acredite – SETE textos bíblicos. Mas mesmo se um protestante interpretar por conta própria qualquer outro texto que não faça parte desse seleto “grupo infalível dos sete”, ele já é rechaçado a priori pelos apologistas católicos, por não ser a interpretação do magistério mas apenas a interpretação pessoal e “subjetiva” dele.

      Em resumo: se os apologistas católicos passarem a seguir a linha argumentativa que você propõe, eles teriam que reformular TUDO o que argumentam em TODO lugar contra os protestantes acerca desta questão. O que seria um avanço sem sombra de dúvidas, mas não creio que eles estariam dispostos a tanto.

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  9. Oi Lucas.
    Esse Barnabé é o mesmo de At 13,1 que a bíblia atesta como profeta e doutor? Esse Barnabé foi canonizado pela igreja? A ICAR o tem como santo ou herege?

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    1. Não, trata-se de um Pai apostólico conhecido como Barnabé de Alexandria, cuja carta é datada entre os anos 70-131 d.C., sendo portanto bem antiga. Não consta que tenha sido canonizado pela ICAR, mas também não era um herege, nenhum Pai da Igreja é considerado um "herege".

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    2. Oi Lucas. Me tire uma dúvida: Pelo que li Barnabé, esse Pai da Igreja (do I século) defendia dogmas marianos e você, em outra postagem, informou que a mariologia começou a partir do III século!

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    3. Isso é totalmente falso. Que dogmas marianos ele defendia? Me mostre onde Barnabé cita um dogma mariano em algum trecho da sua carta. Eu a li várias vezes e Maria nem mesmo é mencionada, muito menos algum dogma. Seja lá quem lhe informou isso, está mentindo. Busque a informação em fontes primárias, não se deixe ser enganado pelos outros.

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  10. Lucas Banzoli, quantas Bíblias e Bíblias Comentadas você tem?

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    1. Pelo jeito são várias. :D

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    2. Em impresso comigo eu não tenho muitas, se eu tivesse dinheiro teria. Mas tenho outras várias no computador e outras uso como estudo na biblioteca da faculdade, que tem Bíblias de Estudo e Comentários de todos os tipos que você possa imaginar.

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    3. uma pergunta aleatória, a biblioteca de uma faculdade ou universidade é acessível a todos, ou só aos alunos e professores?

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    4. Para entrar e estudar ali dentro é acessível a todos, mas para pegar um livro emprestado para ler em casa é só pra quem é aluno ou professor. Pelo menos é assim nas faculdades que eu já estudei, se é assim em todo lugar não posso garantir.

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  11. Ótimo texto e ótima "interpretação" Lucas rsrsrsrs.
    Alguma vez, lendo alguma das falácias "chatólicas", você já sentiu vontade de bater em algum apologistinha da vida? Confesso que eu daria uma surra na condessa! Rsrsrsrs.

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    1. Bater não, já basta a surra que vida lhes dá. Eu imagino a agonia terrível que deve ser ter que defender uma mentira com unhas e dentes mesmo sabendo que é uma mentira, tentando convencer a si mesmo e aos outros e apelando a toda tendenciosidade e desonestidade possível para fazer valer sua interpretação condicionada e não-livre. Deve ser muito triste. Não sinto raiva de gente assim, apenas pena.

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  12. Lucas, já que vc não é teonomista, gostaria que vc desse sua opinião sobre este texto de Rushdoony, se possível. Vc e o Rushdoony são duas pessoas que argumentam bem, por isso queria sua opinião.

    " First of all, law in every culture, in every civilization is religious in origin. There is no place in the world where we can go where we can find law that is not religious. Law reflects what men believe to be is basically right and wrong in a society. It reflects the ideas of culture, of justice, of ultimacy.

    As a result, law is inescapably religious because your idea of justice, your idea of morality is a religious idea. Now, this does not mean that these various concepts of law are congenial to scripture. The religion they represent may be Buddhism, Mohamedenism, Animism, Hinduism, and increasingly today, humanism, but law is, in every culture without exception, inescapably religious.
    Second, in any and every society, the source of law is the god of that society. The easiest place to locate the god of any system is to look to the source of law. If the courts are the source of law and there is no higher law beyond the courts, the courts have made themselves god, as is increasingly the case in our society. If the monarch rules absolutely and makes himself the ultimate lawgiver, then he is a god. If it is the people according to the theory of democracy, who are the source of law, then the people are the god of that system. In Marxism, it is the people as they find voice in the state. Mao Tse Tung has said our god is none other than the masses of the Chinese people, but the voice of this god can only be the communist party. In any and every law system, the source of law is the god of that society.

    Third, it follows from this that any change of law, any change of law that affects the basic law structure of society is a change of religion, and this is exactly what we have been undergoing for the past generation or more in this country, a change of religion, and very steadily, our law system has been changed in order to provide us with another religion while we are assured that there is total toleration for all religions, but humanism is now the religion and provides the law system of our American society as it does of virtually every country in the world.

    Fourth, it follows from this that there can be no disestablishment of religion in any society. You can disestablish a church, but you cannot disestablish religion. A society must either have the Christian religion established, or it will have a humanistic religion, or Buddhism, or Mohammedenism, or something else, because it must have a basic faith to provide the concept of justice, the moral code, the law system for that society. The attacks you find today in our courts on capital punishment, on restitution, on the idea that the criminal is guilty, or that the alcoholic is guilty, all these constitute an attack upon the biblical law system, and the biblical law system is being disestablished, together with Christianity, as the religion and law basis of American society as well as English, Canadian, French, German, all Western society.
    Fifth, it follows from this that there can be no toleration in any law system for another religion. You can tolerate various churches of a particular religion, various interpretations, but you cannot tolerate another religion, because then you are saying that you are tolerating total revolution. You are tolerating the overthrow of your law system, of your political order, of everything. By tolerating humanism, this is exactly what we have done. Humanism is, at present, in the mopping up stages of its revolution against Christianity.

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    1. Olha, com todo o respeito, mas eu achei o texto de uma grosseria enorme, um atentado à razão e ao bom senso. Não cabe aqui externar cada um dos erros do autor, basta ressaltar que este é EXATAMENTE O MESMO PENSAMENTO que dominava a cabeça dos inquisidores da Idade Média e Moderna, e que domina até hoje a mentalidade dos muçulmanos radicais: o terrível parecer de que as leis humanas devem apoiar e defender a sua religião em particular, e não tolerar nenhuma outra – o que sempre, SEMPRE resulta em perseguição e discriminação das minorias religiosas, pelo Estado e também pelo povo que muitas vezes é um reflexo do Estado.

      É pensando assim que o regime ateu da Coreia do Norte persegue cristãos naquele país, é pensando assim que regimes muçulmanos perseguem cristãos no Oriente Médio, é pensando assim que a Inquisição católica perseguia cristãos na Europa e no Novo Mundo, e se todo mundo pensasse assim o mundo seria um completo caos repleto de discriminação, preconceito, perseguição e intolerância religiosa pra todos os lados. Todos iriam impor a sua religião (ou a falta dela, ou seja, o ateísmo) como a única admissível pelo Estado, e isso SEMPRE resultou em catástrofe ao longo da história, é surpreendente e assustador que existam pessoas em pleno século XXI defendendo esse tipo de atrocidade, um violento atentado ao Estado laico que, pode reclamar o quanto quiser, é a melhor opção de todas que já inventaram.

      Aliás, um dos maiores orgulhos que tenho como protestante é ver que os evangélicos foram os únicos que não adotaram esse tipo de regime ditatorial e intolerante que todos os outros grupos religiosos ou não-religiosos adotaram quando conquistaram o poder. Diferentemente de católicos, muçulmanos e ateus, os protestantes quando conquistaram a maioria em territórios como o Reino Unido e os Estados Unidos foram tolerantes com as minorias religiosas e lhes deram tanta liberdade que até hoje desfrutam e se aproveitam dela. Esse cara aí representa uma minoria autoritária que personifica tudo o que eu mais repudio. Não adianta nada nós reclamarmos da intolerância católica, muçulmana ou ateia, se nós mesmos fizermos a mesma coisa com eles quando o poder estiver em nossas mãos. Nós temos que ser o exemplo. E esse sujeito é o exemplo sim, mas infelizmente o exemplo do atraso, da intolerância, do fanatismo e do retrocesso.

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    2. Lucas, o Rushdoony não defende que outras religiões devem ser censuradas...

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    3. Defendeu sim, leia o texto outra vez:

      "Fifth, it follows from this that there can be no toleration in any law system for another religion"

      =

      "Quinto, segue-se que não pode haver tolerância em qualquer sistema jurídico a outra religião"

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  13. Resposta ao Gledson: agradeço o seu comentário e a sua educação em lidar com os meus argumentos, mas me desculpe não poder publicar aqui porque contém links de sites católicos, o que é proibido pelas regras. No dia em que os apologistas católicos passarem a divulgar sites protestantes eu também permitirei que postem livremente links católicos aqui, mas por enquanto não. Mas para não deixar sem resposta, eu comentei no seu artigo, o comentário ficou um pouco longo e então eu tive que dividir em duas partes. A aprovação ou não do meu comentário fica a seu critério, bem como uma eventual resposta aos mesmos. A minha resposta é basicamente a mesma que eu dei a outro católico que postou aqui (sem links), porque o argumento também é o mesmo. Deus lhe abençoe.

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  14. Oi Lucas, de onde você retirou magistério IINFAlÍVEL, já que no catolicismo infalível é só num momento é ex cathedra? Pelo que sei, existe diferença entre magistério ordinário e extraordinário (ex cathedra). Então, minha pergunta é onde você retirou que todo magistério tem caráter infalível? Já que nem os católicos acreditam que esse conceito é monolítico.

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    1. Eu uso o termo "magistério infalível" no mesmo sentido que uso o termo "papa infalível", ainda que não seja infalível sempre mas sob determinadas situações sim (para o católico, evidentemente). E essa mesma terminologia ("magistério infalível") também é usada em sites de apologética católica, como por exemplo:

      http://apologeticacatolicablog.blogspot.com.br/2009/05/ideias-claras-sobre-o-magisterio.html

      http://zelozelatussum.blogspot.com.br/2015/02/o-magisterio-infalivel-e-o-magisterio.html

      http://associacaosantoatanasio.blogspot.com.br/2013/08/uma-vez-mais-voz-do-magisterio.html

      http://www.veritatis.com.br/teologia/teologia-dogmatica/magisterio-infalivel-extraordinario-e-ordinario/

      Então se é usada por eles, eu não estou inventando nada de novo. E vale lembrar que mesmo em relação ao magistério "não-infalível" eles alegam que o católico deve seguir as orientações da Igreja, e que não é porque algo não foi dito em ex cathedra que deve ser rejeitado (se fosse assim o católico não seguiria quase nada do que os papas dizem já que eles quase nunca falam em ex cathedra). Na prática, isso não se difere muito da infalibilidade, o católico é constrangido a aceitar mesmo contra a sua consciência em ambos os casos.

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    2. Oi Lucas.
      Você começou o texto "O livre exame é (...) não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”,". Aí te pergunto: se a nossa hermenêutica é pessoal e subjetiva, Quem me garante que o entendimento romanista é impessoal e objetivo? De onde o magistério católico tirou essa certeza?

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    3. O magistério católico tem que admitir que é infalível senão vai se deparar com seguinte problema: algum postulado seu pode está errado.

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    4. Ou seja, você é livre pra interpretar, desde que sua interpretação SEJA A MESMA do magistério.

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    5. "Você começou o texto "O livre exame é (...) não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”,". Aí te pergunto: se a nossa hermenêutica é pessoal e subjetiva, Quem me garante que o entendimento romanista é impessoal e objetivo? De onde o magistério católico tirou essa certeza?"

      Eles acham que é "objetivo" por ser supostamente "infalível", esquecendo-se de que essa infalibilidade é uma petição de princípio e argumentação em círculos que não pode ser provada infalivelmente (basicamente porque a razão pela qual a Igreja Romana é infalível é porque a própria Igreja Romana diz que ela mesma é infalível...), e desconsiderando também de que a tal "objetividade" que o clero impõe aos leigos nasceu da "subjetividade" do próprio clero. Ou seja, são argumentos 100% falaciosos do início ao fim.

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    6. "O magistério católico tem que admitir que é infalível senão vai se deparar com seguinte problema: algum postulado seu pode está errado"

      Sim. E o que nessa vida não pode estar errado? Seguindo essa lógica, todos os sistemas religiosos, políticos, filosóficos ou de qualquer natureza deveriam sustentar serem eles próprios "infalíveis", caindo na mesma petição de princípio que eu denunciei acima. Quem prova que quem se diz infalível é mesmo infalível, a não ser a própria pessoa ou instituição que arroga isso para si própria? Uma vez que a própria afirmação "A Igreja Romana é Infalível" não pode ser provada infalivelmente sem cair em um argumento circular e autorefutante, a alegação romana é desprovida de qualquer fundamento.

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    7. "Ou seja, você é livre pra interpretar, desde que sua interpretação SEJA A MESMA do magistério"

      Exatamente. E isso não é liberdade nem aqui nem na China. Dizer que alguém é “livre” sendo livre só para agir de determinada maneira não é liberdade real. Na Alemanha nazista, os alemães eram “livres” para aceitar o regime nazista (e nunca para condená-lo). Na Coreia do Norte atual, os cidadãos também são “livres”: livres para aceitar o regime comunista, senão vão para os campos de concentração. E no catolicismo romano as pessoas também são “livres” para interpretar a Bíblia: mas só se for para concordar com a interpretação do magistério. É claro que isso não é liberdade real, mas um mero trocadilho ou jogo de palavras para o oposto a isso.

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  15. Olá Lucas.
    Eu sou católico e gostaria de propor um tema post para que possa tirar algumas dúvidas minhas e acredito que de muitos outros católicos tbm:

    Eu gostaria que você fizesse um ou mais posts tentando explicar como um católico deve avaliar um protestante raiz, que realmente seja uma avaliação que não tenha preconceitos. Vou tentar explicar melhor.

    Por exemplo, nós católicos temos as nossas divisões internas, porém, a NATA do catolicismo é quem segue os documentos Papais, o Catecismo da Igreja, crê nos dogmas... Ou seja, qualquer católico com quem você esteja discutindo discordar dessas coisas, vocês pode jogar na cara dele que ele é um falso católico.

    O problema porém é que nós católico não conseguimos fazer isso do lado protestante. Evidente que existem seitas "protestantes" extremamente loucas, tipo as que promovem casamento gay, mas não é disso que eu estou falando. O que eu quero é que você tente expor qual a fé protestante que realmente une vocês, apesar das divisões, e que faça nós católicos entender isso a ponto de amenizar os preconceitos gerados em debates.

    Eu sei que é uma pergunta que não é simples de responder, mas ajuda a entender onde eu quero chegar:
    Qual a denominação ou seguimento protestante da Sola Scriptura que se encaixa melhor com a verdade bíblica pregada por vocês, a ponto de nós católico podermos dizer: "Isso sim é o verdadeiro protestantismo"?

    Não sei o quão claro eu fui, mas espero que você tenha entendido.
    Meu objetivo é apenas tentar diminuir o preconceito, onde eu possa apontar o dedo para uma pessoa e afirmar "Você sim é um falso protestante", da mesma forma como é possível se fazer no meio católico.

    A Paz de Cristo!

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    1. Olá, a paz.

      Os princípios básicos para alguém ser considerado um “protestante” são os cinco pilares da Reforma, conhecidos como:

      • Sola Scriptura
      • Sola Christus
      • Sola Gratia
      • Sola Fide
      • Soli Deo Gloria

      Isso basicamente implica que para ser protestante deve se ter a Escritura como autoridade máxima e final, perante a qual todas as doutrinas devem ser provadas (o que elimina religiões como os mórmons por exemplo, que adicionam o “Livro de Mórmon” como inspirado em acréscimo à Escritura), que Cristo tem que ser o foco de tudo (o que elimina qualquer seita supostamente protestante que tire o foco de Cristo e o direcione a coisas materiais ou a outras entidades), que aceita a salvação unicamente pela graça através da fé (i.e, que obras não salvam, mas são uma consequência ou fruto dessa salvação já alcançada), e que toda a glória deve ser dada a Deus e em circunstância alguma tirada dEle e dividida com os homens.

      Mas de forma geral, a fé protestante é bastante flexível, isto é, dá ao fiel bastante liberdade de crença, liberdade esta que não se vê em outros círculos religiosos. Isso eu vejo como uma das maiores vantagens, embora os católicos entendam como uma desvantagem em função de que tal liberdade pode desmandar a “divisão”, a qual é um ônus necessário e decorrente naturalmente de um bônus superior, em conformidade com o que já ocorria na própria Igreja primitiva e na Igreja antiga, que também possuíam muitas divergências internas, como já demonstrei em vários artigos. Por isso, embora eu nunca tenha escondido de ninguém que sou pentecostal, arminiano, mortalista, etc, eu jamais iria dizer que ser essas coisas é necessário para ser protestante (pelo contrário, no início a maioria não cria em nada disso, e muitos continuam não crendo, e nem por isso deixam de ser protestantes).

      O que eu vejo sim com bastante relutância ao ponto de questionar fortemente o “protestantismo” das mesmas são algumas igrejas neopentecostais que ignoram o Sola Christus e que se focam nos seus cultos em teologia da prosperidade, confissão positiva, objetos ungidos, ofertas de todos os tipos e pregações focadas apenas no bem estar material do ser humano, tal como ocorre por exemplo em igrejas como a Universal (Edir Macedo) e Mundial (Valdemiro). Isso é simplesmente “outro” evangelho, aquilo que Paulo condenou em Gálatas 1:6-9. É um Cristianismo tão “modificado geneticamente” que já não pode mais ser identificado como tal sem precauções e advertências prévias.

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    2. Por outro lado, não entendo que essa mesma questão no lado católico seja muito mais simples. Em tese seria: basta aceitar os documentos oficiais da Igreja e pronto. Mas na prática são outros quinhentos. Diferentes vertentes dentro da Igreja Romana sustentam seguir os “documentos oficiais” e denunciam os outros por não segui-los. Por exemplo, os sedevacantistas geralmente são tidos pelos outros católicos como “não-católicos” por não aceitarem a legitimidade do papa atual, e no entanto eles estão totalmente cobertos de documentos oficiais históricos do catolicismo bastante claros naquilo que eles defendem. A rigor, seria os “não-sedevacantistas” que não seguiriam os “documentos oficiais” (embora essa opinião seja de pouco valor vindo de um protestante, mas recomendo estudar essa questão por si mesmo).

      Algo semelhante pode ser visto na briga interna entre tradicionalistas vs modernistas. Não sei se você se lembra do confronto antigo ocorrido pelos idos de 2009, quando eu mal estava entrando para a apologética e os dois maiores e mais conhecidos sites de apologética católica eram a Montfort (do Orlando Fedeli) e o Veritatis (do Alessandro Lima), os quais viviam em pé de guerra o tempo todo, se digladiando e até se ofendendo mutuamente por causa de divergências internas, especialmente em relação ao Concílio Vaticano II, que o primeiro considerava um concílio herético e falível, e o segundo considerava infalível e ortodoxo. E o interessante é que os dois estavam repletos de “documentos da Igreja” para usar em seu favor e para condenar o outro. Ou seja, parece que os documentos oficiais não ajudavam muito a chegar a uma conclusão pacífica, ou então eram contraditórios mesmo.

      Então essa questão não é tão simples assim no catolicismo. As diversas representações internas dentro da Igreja Romana alegam possuir a “verdadeira interpretação” do magistério da mesma forma que as diversas representações internas no protestantismo alegam possuir a “verdadeira interpretação” da Bíblia. Os católicos só trocaram a Bíblia pelo magistério, mas a polêmica continua. Ela poderia ser exaurida caso o papa se manifestasse abertamente sobre essas questões, mas aí está outro problema: o próprio papa também é frequentemente contrariado e criticado por esses mesmos grupos católicos, porque afinal de contas ninguém pode determinar com precisão quando um papa falou em ex cathedra e quando não falou (e o mesmo vale para os concílios), perpetuando o debate e o tornando longe de um consenso ou um fim.

      No fim das contas, de uma forma externa (a um protestante, como eu) o termo “católico” acaba sendo passível de ser inferido aos tradicionalistas, modernistas, carismáticos, sedevacantistas, libertacionistas, veterocatólicos, ortodoxos e de outras vertentes por igual, não obstante entre os membros desses grupos em particular haja a exclusão de alguns deles, ou de todos eles à exceção de si mesmo.

      Abs!

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    3. Eu me lembro desses desentendimentos entre esses apologistas, vi alguns artigos de ambos comentando sobre o assunto.
      Mas o grande ponto importante é exatamente o fato de que precisamos saber quem somos. Entender qual é a verdadeira identidade e que, apesar das brigas internas, a pessoa que está vendo de fora conseguir enxergar qual dos dois está com a razão dentro do âmbito da religião que eles pregam.
      Por exemplo, você saberia me responder qual dos dois está mais certo em relação ao Concílio Vaticano II?

      Eu acho que é importante para nós não apenas apontar o dedo e atacar as divisões, entende? Eu penso que ajudaria bastante se nós tentássemos discernir quais dessas diferenças batem melhor com a verdade da religião discutida.
      Um exemplo é o Islamismo. Eu não conheço muito o Islã, mas poderia muito bem pregar que eles estão divididos entre pacíficos e extremistas e que não há unidade na religião deles.
      Ora, mas qual deles realmente está seguindo o verdadeiro islamismo? Antes de pregar a divisão de forma leviana, eu deveria saber qual é o verdadeiro islã. Concorda?

      Em relação ao Vaticano II, é possível compreender muitas contradições aparentes, pois o que os tradicionalistas costumam fazer, é pegar documentos de Papas antigos e contrapor aos Papas pós conciliares. Caso algum católico, como Orlando, creia que o concílio foi inválido, então é de se afirmar que os documentos Ex Chatedra não guardam o depósito da fé que a Igreja Católica tanto preza, porém, isso fere imensamente ao que a Igreja também prega de que a Igreja não erra, ou seja, é infalível. No caso, o Orlando está crendo que a Igreja é infalível e erra ao mesmo tempo. Não faz sentido nenhum isso.
      Como saber quem está certo?
      Evidente que vocês não concordam com essa nossa crença, mas eu acho necessário tentar filtrar essas diferenças internas com seu olhar externo se colocando no lugar de um católico que está tentando descobrir quem está com a razão.

      Aquele seu post "UFC Católico" é uma demostração de como você procura expor essa nossa divisão como uma resposta ao que muitas vezes nós fazemos com vocês também. Ou seja, está faltando aí um acordo maior e mais profundo. Penso que você deveria saber se posicionar em relação a cada exemplo citado por você no seu post. Tipo: Padre Paulo vs Paulo Leitão. Você discorda dos dois, mas quem tem razão dentro do que professa a Igreja Católica? Qual dos dois tem uma vida realmente piedosa que faça jus ao Catolicismo de fato?
      Entende?

      Então, o que eu gostaria era que isso diminuísse tanto do lado católico quanto do lado protestante.
      Segundo o que você me respondeu, aparentemente parece um pouco mais simples compreender as divisões protestantes, ao contrário do catolicismo que muitas vezes é confuso até para nós mesmos.

      Eu fiz essa pergunta num grupo do facebook para alguns protestantes tentarem me responder, mas a sua de longe foi a mais elaborada. Porém, um outro irmão católico também fez o um comentário e eu gostaria de saber o que você teria a dizer a respeito do que ele falou:

      "Não tem como eles responderem sem que assumam uma "autoridade" para excluir certos grupos e confirmarem outros....

      Pois para excluir a teologia da prosperidade, os pentecostais, os TJ e os que negam a Trindade, enfim, seja lá quem for, terão que assumir uma interpretação infalível e exclusiva das escrituras (e da história) coisa que eles mesmos rejeitam e não só rejeitam, é a alma de toda pregação protestante.

      Todavia, pela explosão de seitas e dos ditos "evangélicos" são testados dia e noite sobre este problema e não duvido que um dia assumirão terem a verdadeira tradição e o verdadeiro magistério... não terão como fingir não terem autoridade por muito tempo.

      Veja que os luteranos são mais genuínos protestantes, mais fieis aos primeiros ideais que os quadrangulares (1922).... ou seja, grupos novos, tem o direito de excluir os mais antigos e vice-versa, no mínimo, uma verdadeira bagunça."

      A Paz de Cristo!

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    4. Cara, a diferença principal é a importância dada à Bíblia. O que importa para um protestante é o que a Bíblia ensina. Se alguma igreja "protestante" não segue a Bíblia, tchau, apostatou e ponto final. Não importa se é histórica, como a presbiteriana americana que apostatou. Os católicos não dão essa importância á Bíblia. Além disso, qualquer instituição humana é falha. Qualquer. Seja protestante, católica, atéia, qualquer uma. Por isso Jesus foi bem claro em João 4:19-24. Isso significa que não devemos congregar em nenhuma igreja? Claro que não, signifca apenas que não podemos tornar algo humano em santo. Não há santa igreja instituída na terra. Há apenas a igreja invisível, esta sim santa, pois é de outra natureza, distinta de quem vive na Terra.

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    5. O que une os protestantes é a autoridade da Bíblia, e o que decorre dela.

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    6. Olá, tudo bem?

      A razão pela qual eu não dei o meu parecer nas discussões do artigo do “UFC Católico” é porque a minha opinião particular teria pouco ou nenhum valor em se tratando de um debate entre católico e católico. Quer dizer: se um católico seguidor do Paulo Ricardo já não concorda com a opinião de um outro católico seguidor do Paulo Leitão (e vice-versa), muito menos concordaria com a minha opinião (como protestante). Então achei melhor deixar de lado. Mas acho interessante você querer a minha opinião, então a minha opinião é essa: os dois estão “certos” e “errados” ao mesmo tempo, sob o ângulo que analisam a questão.

      Eu explico. Estudando os dois lados da moeda no que tange às declarações papais e conciliares com um olhar imparcial e neutro (pois não sou nem tradicionalista e nem modernista), vejo que os tradicionalistas e sedevacantistas tem razão quando afirmam que tal documento diz tal coisa em contradição com o que afirma em tempos mais recentes tal papa. Na minha análise, as declarações são autoevidentes e falam por si mesmas. Por outro lado, isso que você disse e que os não-tradicionalistas afirmam também é verdadeiro, ou seja, que em tese se trata de documentos oficiais da Igreja em caráter de infalibiliudade, e que, portanto, não poderiam errar.

      Então eu entendo o porquê que o tradicionalista e o sedevacantista tem essa posição, e entendo também o porquê que os outros católicos pensam diferente. O problema não está neles em si, está nos próprios documentos católicos, que por serem contraditórios e ensinarem coisas diferentes ao longo dos séculos acabam causando toda essa confusão. Eu não costumo entrar no âmbito dessas contradições, mas explorei uma delas (a questão da salvação de não-católicos) neste artigo, onde mostro que a posição da Igreja Romana antiga se alterou ao longo dos séculos, se tornando cada vez mais tolerante aos não-católicos, tolerância essa que seria impensável antes:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/12/afinal-ha-salvacao-fora-da-igreja.html

      O único jeito desses debates terminarem será no dia em que ambas as partes admitirem que a Igreja que seguem é mesmo “mutável”, ou seja, que seus ensinos mudam ao longo dos séculos às vezes até de forma radical, e que portanto não é infalível. Assim um poderia preferir a “Igreja Católica antiga”, enquanto outro poderia gostar mais da “Igreja Católica moderna”, e não haveria nenhuma briga por isso. Essa é a minha opinião, mas isso nenhum dos dois lados estaria disposto a admitir, pois ambos creem na imutabilidade e infalibilidade da Igreja (é por isso que uns reinterpretam tudo o que foi dito pelos papas mais antigos, enquanto os outros chamam de “antipapas” os papas modernos, porque não podem admitir que um papa de verdade erre).

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    7. Sobre o que o seu amigo falou, ele incorre no erro de pensar que uma posição só pode ser verdadeira se for infalível. Ou seja, que é preciso ter alguém infalível determinando uma questão, para então os outros estarem “errados”. É uma falácia que eu não canso de refutar. Em primeiro lugar, antes do século XIX nem a própria Igreja Romana arrogava o dogma da infalibilidade para si própria, isso só veio a acontecer em 1870. Este ensino causou tanta estranheza à época que uma parte da Igreja se separou das demais e assim surgiram os “veterocatólicos”, e o maior historiador católico da época, Johann Joseph Ignaz Von Döllinger, lutou contra a aprovação deste dogma no Vaticano I por saber que ele era historicamente absurdo, e escreveu um livro inteiro mostrando como não havia a mínima noção da infalibilidade na Igreja antiga.

      Ou seja: por pelo menos mais de um milênio a Igreja não tinha a noção de infalibilidade, e mesmo assim eles não tomavam isso como um problema. Além disso, se não se pode chegar à verdade por causa de opiniões divergentes a não ser que haja alguém infalível para decidir a questão, onde está a autoridade infalível da ciência? Onde está a autoridade infalível da matemática? Onde está a autoridade infalível em história? Onde está a autoridade infalível da política? Onde está a autoridade infalível da física? Onde está a autoridade infalível da astronomia? Onde está a autoridade infalível do direito? Onde está a autoridade infalível em economia?

      Se em todas as áreas do saber humano não há uma autoridade infalível em cada questão mas mesmo assim os católicos creem que podemos chegar à verdade nestes campos, por que com a religião seria diferente? Por que deveríamos precisar de uma autoridade infalível? Por que não poderíamos chegar à verdade sem ela? Por que as divergentes opiniões nas outras áreas não afetam em nada a capacidade do indivíduo em chegar à verdade sem a necessidade de uma instituição infalível, mas na religião sim? O pressuposto que ele exige do protestantismo é interessante, mas ele é completamente inexistente na vida real em qualquer área do saber humano, áreas essas em que até ele mesmo deve ter opiniões que não crê serem menos verdadeiras em função disso.

      Abs!

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  16. Maomé foi um falso profeta?

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    1. Esse termo costuma ser usado em relação a "profetas" supostamente cristãos (que assim se dizem), e Maomé era abertamente um não-cristão, então neste sentido não seria muito aplicável, da mesma forma que não faz sentido chamar um budista ou muçulmano de "herege" (um termo tradicionalmente utilizado para falsas crenças dentro do Cristianismo, e não de fora). Mas a rigor, é lógico que sim (Maomé se dizia profeta, e obviamente não estava com a verdade, então neste sentido pode ser entendido como "falso profeta").

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  17. Qual sua opinião sobre os EUA e Rússia? Eu vejo uma vertente protestante se inclinando para a Rússia pelo suposto conservadorismo de Putin. Para dizer a verdade eu penso que nós cristãos não deveríamos tomar partido de nenhum dos países. A Rússia tem fortes ligações com a China, Pérsia e com Coreia do Norte, países que figuram entre os que mais perseguem cristãos. Já os EUA sabemos da sua ligação com Arábia Saudita, Qatar e outros países radicais que também perseguem cristãos.

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    1. Também não estou de lado nenhum, não acho que isso seja como um jogo de futebol para que tenhamos que escolher um lado, embora eu pessoalmente admita que tenha uma tendência mais forte para os EUA pela sua história protestante. Mesmo assim considero bem problemático considerar essa questão dentro do paradigma "EUA vs Rússia", isso até fazia mais sentido na época da Guerra Fria, mas não mais hoje. O mundo muda rapidamente e os governos se alteram com rapidez, então esses conceitos são volúveis e se alternam muito depressa.

      Por exemplo, muitas das coisas usadas contra os EUA em tempos recentes era o apoio oficial da Casa Branca à agenda gay, aborto e outras pautas progressistas, o que aparentemente mudou com a chegada de um "conservador" como Trump (coloco entre aspas porque não o considero um autêntico conservador, mas isso é outra questão, o que importa é que ele ao menos externamente se posiciona bem diferente de seu antecessor).

      Então o que até poucos meses era "EUA vs Rússia" nessas questões, agora já não há mais esse conflito, tanto é que Trump e Putin são amigos, ou pelo menos se dão bem. E nada impede que em poucos anos a Rússia mude com a mudança de governo, e os EUA idem. Então eu prefiro ficar sempre do lado da verdade bíblica e cristã independentemente de onde ela está no momento e à parte de quem a está defendendo agora, do que escolher um "time" que pode trocar tanto de "jogadores" ao ponto de perder completamente a sua identidade.

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  18. Eu acho mais lamentável os EUA, país fundado por protestantes, fazer o papel de carrasco hoje.

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    1. Que papel de carrasco? Isso é conversinha de esquerdista. Carrasco é a coréia do norte, venezuela, Cuba, e outros. E um governo de um país de população protestante não significa que segue o protestantismo. Ele apenas usa o protestantismo.

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  19. Se o Rafael do apologistas caóticos ou Cris Macabeus desafiassem você para um debate ao vivo você aceitaria?

    Adoraria ver eless surrados kkkkk

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    1. Sim, mas neste caso eles (principalmente o segundo) teriam que ser levados ao debate com uma camisa de força, não é bom e nem saudável deixar loucos andarem sozinhos por aí, não se sabe o que pode acontecer.

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    2. Tô falando ao vivo num Hangout.

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  20. Cade meu comentario sobre o artigo novo do rafael rodrigues sobre o canon? vc nao aprovou?

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    1. Me descupe, eu pensei que já estava suficientemente claro na descrição de comentários que links católicos não seriam aceitos:

      "Seu comentário será publicado após passar pela moderação. Ofensas, deboches, DIVULGAÇÃO DE PÁGINAS CATÓLICAS e manifestações de fanatismo não serão aceitos..."

      Esses caras não permitem que postem nossos links nas páginas deles, por que eu permitiria que os links deles aparecessem aqui? Não tem sentido. Se for pra me informar algo, por exemplo que tal pessoa escreveu tal coisa em tal lugar, tudo bem, manda o link e eu abro em privado sem a necessidade de publicar o comentário, e aí quando der eu faço um artigo de refutação a respeito. Quanto ao conteúdo, quem me dera ter tempo para refutar todos os artigos de todos os apologistas católicos do mundo inteiro, mas infelizmente o tempo é limitado e corrido, e além disso eu sempre dou prioridade a artigos de argumentação do que de refutação, para não parecer que este é um blog "do contra". Mas este e outros artigos do gênero serão refutados ao seu devido tempo.

      Recomendo que consulte a tag deste blog sobre livros apócrifos e cânon bíblico, e também a tag no blog do Bruno e no do Hugo que também tem bastante conteúdo, francamente não sei como alguém honesto e com a mente aberta poderia analisar os dois lados e ainda ficar com dúvidas, as evidências estão todas do nosso lado, nunca vi um argumento católico minimamente plausível na questão do cânon:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/search/label/Livros%20Apócrifos

      http://respostascristas.blogspot.com.br/search/label/Cânon

      http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/search/label/O%20Cânon%20Bíblico

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    2. Mas eu vejo um monte de gente te mandar links de blogs e sites. eu não vejo nada demais nisso. e isso não significa que estamos fazendo propaganda do site da pessoa. eu apenas vi uma materia no site catolico e como o assunto era extenso eu copiei o link pra vc ver ao invez de copiar e colar tudo aqui escrito ocupando muito espaço.

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    3. "Mas eu vejo um monte de gente te mandar links de blogs e sites"

      Não de sites de apologética católica (ou pelo menos não mais).

      "e isso não significa que estamos fazendo propaganda do site da pessoa"

      Mas está.

      "eu apenas vi uma materia no site catolico e como o assunto era extenso eu copiei o link pra vc ver ao invez de copiar e colar tudo aqui escrito ocupando muito espaço"

      E eu li, não é isso o que importa? Qual a necessidade de publicar o comentário?

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  21. Qual sua opinião sobre os Testemunhas de Jeová?

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    1. Eu tenho aversão a todo e qualquer sistema que restrinja a liberdade de seus adeptos, e infelizmente as TJ são um exemplo disso.

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    2. E qual sua visão sobre a parte teológica dos TJ.

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    3. O que eu discordo teologicamente deles é a rejeição à trindade, a crença de que Jesus é Miguel, a doutrina dos 144 mil, a rejeição a transfusão de sangue, a crença de que Jesus não ressuscitou em carne e o exclusivismo religioso. Talvez haja mais coisas que eu não esteja lembrando. De resto eu concordo.

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    4. Eu penso que as TJ não diferem muito de Marcião e de Ario.

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  22. Ola Lucas! Gostaria de comentar sobre a afirmacao catolica sobre os irmaos de Jesus. Uma leitura simples dos evangelhos nos levam a ver que,de fato,Jesus tinha varios irmaos,mesmo quem nao sabe o grego.Alem disso,ha provas historicas como em Antiguidades judaicas.Em todo caso,e dificil a situacao dos catolicos se essas provas forem verdadeiras.Ter que abandonar uma doutrina fundamental da igreja romana como a da Virgindade perpetua,traria consequencias arrazadoras,como o catolicismo estar fundamentado em falsas doutrinas,enganos,erros de interpretacao,alem da tal infabilidade se mostaria um embuste catolico.

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    1. Tens toda a razão. Um católico que ler o artigo abaixo (sobre os irmãos de Jesus) e permanecer crendo na virgindade perpétua de Maria ou tem sérios problemas, ou é desonesto, ou é fanático em um nível hardcore:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/09/os-irmaos-de-jesus-eram-primos.html

      Abs!

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