22 de abril de 2016

As causas das Cruzadas


Introdução

“Em meados do século XI, se recomeça a ofensiva muçulmana. Os turcos seljúcidas, que encabeçavam os islâmicos nesta região, vão se apoderando da Ásia Menor. Em 1081, o imperador Aleixo I solicita ajuda ao papa de Roma. Este, em vez de enviar soldados mercenários como solicitava o imperador do Oriente, convoca as Cruzadas”[1]. Mas quais as causas que teriam levado o papa Urbano II a convocar as Cruzadas, em vez de apenas enviar mercenários, como pedia o imperador bizantino Aleixo?

Uma das coisas que Roper insiste é que “nenhum processo ou mudança tem uma única causa: tudo depende não só da simples lógica matemática, mas de um complexo de causas”[2]. Com as Cruzadas é exatamente assim. Longe de uma explicação simplista e fácil que resolva todos os problemas de uma vez só, a resposta está no conjunto de causas primárias e secundárias que, juntas, causaram o movimento que conhecemos como Cruzadas. Vamos analisá-las.


Crescimento Populacional

Uma das causas principais que levaram às Cruzadas é o grande crescimento populacional na Europa do século XI, que implicou na necessidade de alguma medida no sentido de garantir novas terras ou de aliviar este crescimento constante. Como diz Geoffrey Blainey, “a população estava aumentando mais rapidamente do que em qualquer outra época, desde os anos de clima quente, entre 1000 e 1250”[3]. Roper concorda quando diz que “um dos elementos na alteração do século XI foi, sem dúvida, o grande ainda que incalculado aumento populacional”[4], e Le Goff destaca “em primeiro lugar, as causas demográficas”[5].

Quão rápido era este crescimento? Le Goff aponta:

Do ano 1000 ao 1050 a população da Europa havia passado de 42 a 46 milhões; do ano 1050 ao 1100 de 46 a 48; do 1100 ao 1150, de 48 a 50; do 1150 ao 1200 havia tido um aumento de 50 a 61 milhões e do 1200 ao 1250 havia crescido com outros oito milhões, passando de 61 a 69 milhões.[6]

Jean Duché observa que “a Inglaterra, que em 1086 tem 1.100.000 habitantes, terá 3.700.000 em 1346”[7], e Franco destaca:

Verificou-se um claro incremento demográfico, com a população da Europa Ocidental passando de 18 milhões de indivíduos no ano de 800 para mais de 22 no ano 1000, quase 26 em 1100, quase 35 em 1200 e mais de 50 em 1300. É significativo que a região que conheceu o mais acentuado crescimento, a França – 5 milhões em 800, 6,5 em 1000, 7,5 em 1100, 10,5 em 1200, 16 em 1300 –, tenha sido a que maior contingente de cruzados forneceu. Em suma, sem o surto demográfico as Cruzadas não teriam sido possíveis nem necessárias.[8]

Assim, a Cruzada “pareceu aos cavaleiros e aos camponeses do século XVI como que um exutório para o excedente populacional do Ocidente; e o desejo de terras, de riquezas, de feudos além-mar foi um engodo importante”[9]. Só para ter uma ideia do que este crescimento populacional representa, Ivan Lins assinala que a cidade de Tours chegou a formar trinta feudos diferentes[10]. A necessidade por novos feudos em terras distantes era mais do que evidente.

Mais do que isso, Le Goff acentua que “a duração desta tendência [de crescimento] prova que a vitalidade demográfica era capaz de superar os estragos de uma mortandade estrutural e conjuntural (a fragilidade física endêmica e as carnificinas das fomes e as epidemias)”[11]. Em outras palavras, a população na Europa precisava baixar, e precisava baixar logo.

Franco explica o porquê que o feudalismo proporcionou condições favoráveis a este crescimento populacional:

A fraqueza populacional do Ocidente tinha começado lentamente a se modificar com o início do feudalismo, pois este removera os obstáculos que impediam a tendência natural que toda espécie tem a se multiplicar. Em primeiro lugar, as epidemias (peste, malária), que tinham desempenhado papel fundamental no retrocesso demográfico da Alta Idade Média, praticamente desapareceram. Isso se deveu aos contatos comerciais menos intensos com o Oriente (de onde quase sempre provinham as epidemias) e ao maior isolamento entre as regiões ocidentais, o que dificultava a difusão das doenças.[12]

Em segundo lugar, com o feudalismo cessaram as invasões estrangeiras e as grandes batalhas, ou seja, a guerra tornou-se menos mortífera. De fato, as guerras feudais, apesar de constantes, pouco afetavam o comportamento demográfico da sociedade, já que geralmente colocavam frente a frente apenas algumas centenas de cavalheiros. Ademais, essas guerras não tinham por objetivo fundamental destruir o adversário, mas aprisioná-lo, obtendo-se um resgate pelo prisioneiro (uma das obrigações do vassalo para com seu senhor feudal era pagar o resgate deste, caso ele fosse capturado.[13]

As consequências deste impulso demográfico exigiu que “a Cristandade aumentasse aproximadamente em um terço o número de bocas que tem que alimentar, de corpos que tem que vestir, famílias que tem que alojar e almas que é preciso salvar”[14]. Por essa razão, “o vasto território que poderia ser tirado dos muçulmanos atraía os excedentes populacionais de várias regiões europeias, sobretudo da vizinha e superpovoada França”[15].


Conflitos e tensões na Europa

Outra causa fundamental das Cruzadas era a ociosidade perigosa dos nobres, que viviam da guerra. Enquanto o clero orava e o povo trabalhava, os nobres da época não tinham mais o que fazer a não ser guerrear, e para isso devastavam a Europa com suas guerras e torneios, além da bandidagem em larga escala. Era necessário, portanto, uma medida que desviasse estes conflitos da Europa para outro lugar, por meio de algum pretexto conveniente. Como Le Goff explica:

Quando Urbano II acendeu o fogo da cruzada em Clermont (1095) e quando S. Bernardo o espevitou em Vézelay (1146), ambos julgavam com isso transformar a guerra, endêmica no Ocidente, numa causa justa – a luta contra os infieis. Queriam expurgar a Cristandade do escândalo dos combates entre homens da mesma religião, dar ao ardor belicoso do mundo feudal uma válvula de escape, indicar à Cristandade o grande objetivo, o grande projeto, necessário para forjar a unidade de corações e de ação que lhe faltava.[16]

Por causa da “sede de vagabundagem que atormentava aqueles cristãos”[17], os nobres feudais “faziam muitas vezes guerras entre si, quando não se dedicavam à bandidagem em grande escala, protegidos por seus castelos, originando uma grande anarquia”[18]. Franco explica o porquê que o nobre tinha que ser guerreiro:

Apenas a aristocracia guerreira... era detentora de terras, e o detentor de terras devia ser guerreiro. Explica-se: o tipo de guerreiro da época implicava em grandes gastos de equipamento (cavalos, armaduras, armas) e num treinamento constante para poder usá-lo. Assim, só quem tivesse recursos econômicos (o que na época significava terras) podia ser guerreiro, além do que precisava ser guerreiro para proteger sua terra dos invasores.[19]

Ele também diz:

O contexto político que contribuiu para a ocorrência das Cruzadas estava em parte ligado àquela nobreza despossuída e turbulenta. Na sua constante tentativa de obter terras, muitos nobres atacavam os feudos vizinhos e invadiam mesmo feudos da Igreja. Esta, além disso, era prejudicada pelas constantes guerras feudais, que ao afetarem a produção diminuíam o dízimo cobrado pela Igreja.[20]

Manuel Ballesteros, em concordância, afirma que “as Cruzadas serviram para livrar a Europa de imensas massas de aventureiros e de inquietos senhores feudais, que haveriam dado muito trabalho a seus respectivos príncipes”[21]. Desta forma, “ao levarem a guerra para outros locais, as Cruzadas poderiam pacificar a Cristandade Latina”[22]. Isso também fica evidente a partir do discurso do papa Urbano II por ocasião da convocação da Cruzada. Tentando “desviar para o Infiel a mentalidade guerreira de muitos deles”[23], ele declara:

Vós que fostes tantas vezes o terror de vossos concidadãos e que vendíeis por um vil salário vossos braços ao furor de outrem, armados pela espada dos Macabeus, ide defender a casa de Israel, que é a vinha do Senhor dos exércitos.[24]

Assim, o papa “exortou-os a dirigir suas energias assassinas para os infiéis islâmicos, que ocupavam a cidade santa de Jerusalém e o Santo Sepulcro, suposto local do enterro de Jesus”[25]. Como diz Wiliston Walker, as Cruzadas forneceram um escape para a energia turbulenta da nobreza feudal europeia e deu a população algum alívio de seu estado de guerra permanente. A remoção de um número considerável desses barões rebeldes para o Oriente também auxiliou o crescimento do poder monárquico no Ocidente”[26].

Por isso, Guibert de Nogent, cronista da Primeira Cruzada, fala da “grande tranquilidade que ocorreu na França, com os ladrões e bandoleiros partindo para o Oriente”[27], e o historiador católico Joseph François Michaud assinala que “não se ouvia mais falar de roubos, de assaltos. O Ocidente calou-se e a Europa gozou, durante alguns meses, de uma paz que não conhecia mais”[28].


Submissão da Igreja Oriental

Não é coincidência que as Cruzadas tenham ocorrido tão pouco tempo depois do Cisma do Oriente, que se deu em 1054 d.C, ocasião na qual as igrejas ocidentais romperam a comunhão com as igrejas orientais. Assim, formaram-se os dois grandes polos existentes até hoje, um a Igreja Católica Romana, e o outro a Igreja Católica Ortodoxa. Querendo a submissão da Igreja oriental, o papa apelou para as Cruzadas, de acordo com os estudiosos, como “uma arma de pressão que poderia submeter a Igreja Oriental a Roma, dando-lhe a supremacia sobre todos os territórios cristãos”[29].

Entre as causas das Cruzadas elencadas por Veit Valentin, a “ambição de soberania universal do papado... que queria fazer voltar a Igreja oriental ao seio da romana”[30], aparece em primeiro lugar. Demétrio Magnoli explica com mais precisão de que forma que isso se dava:

Em 1054, havia ocorrido o Cisma entre a Cristandade latina e a Cristandade grega. Uma divisão quase formal entre os ritos praticados no Ocidente e aqueles praticados nos limites do Império Bizantino. O pedido de auxílio de Bizâncio contra os turcos invasores seria, mais tarde, uma oportunidade de impor a supremacia ocidental ao imperador bizantino e ao patriarca de Constantinopla. O imperador bizantino praticava em seus territórios o cesaropapismo, ou seja, a subordinação à sua autoridade das prerrogativas dos patriarcas. Assim, o papa de Roma, ao desempenhar o papel daquele que iria convocar, em 1095, a Cristandade latina para socorrer a Cristandade grega, deflagrando o início das Cruzadas, estaria arrogando- se como senhor de toda a Cristandade e inclusive do Império Bizantino.[31]

Josef Lenzenweger destaca que “um lado esperava ajuda militar contra o Islã, que cada vez mais avançava; o outro queria o reconhecimento do primado, no sentido ocidental, como ‘submissão’ sob a jurisdição papal”[32]. Tal como outros objetivos que os cruzados tinham, este também não foi alcançado, visto que a relação entre ambas as igrejas se tornou muito pior desde a Primeira Cruzada e acentuou-se de vez após a Quarta Cruzada[33].


Vantagens financeiras e materiais à Igreja

Além disso, a Igreja também lucrava com as Cruzadas. Enquanto os nobres e o povo financiavam seus bens e perdiam suas vidas no campo de batalha, a Igreja recebia a hipoteca e a venda das terras e os direitos de propriedade dos cruzados[34]. Que a Igreja deveria possuir todo o poder e riqueza do mundo medieval não era novidade. Inocêncio III (1160-1216) pregava explicitamente que a ele pertenciam “todos os reinos da terra, em virtude de direito divino”[35]. Sempre que ocorria uma nova cruzada, era a Igreja que “recebia donativos e taxava as rendas de laicos e clérigos”[36].

Para isso, ela elegeu o momento perfeito, que era quando os muçulmanos se encontravam divididos internamente e, portanto, propícios a uma derrota fulminante:

Ele [o papa] elegeu perfeitamente o momento: os seljúcidas, divididos em três grupos – sultanatos da Pérsia, da Síria e da Ásia Menor – haviam entrado já em discórdia; os muçulmanos do Cairo se uniam a Bizâncio, e os de hachischin “assassinaram” o grande visir seljúcida de Bagdá, Nizam al-Mulk.[37]

Por tudo isso, Roper nos diz quem foi o único beneficiado com todo o movimento:

O único beneficiado por toda esta grande aventura, escreveu Thomas Fuller no reinado de Carlos I, foi o papa; todos os outros príncipes da Europa, se somassem os seus ganhos, encontrar-se-iam na situação de vencidos. As Cruzadas, argumentava ele, eram ao mesmo tempo o fruto e a causa da superstição; o papa, para seu proveito, fez de toda a cidade de Jerusalém, Gólgota, um lugar de crânios; e de toda a Terra Santa, Acéldama, campo de sangue.[38]

  
Vantagens financeiras e materiais à nobreza

Embora a Igreja fosse a grande beneficiada no fim das contas, ela fez uma propaganda eficiente para convencer os nobres de que eles iriam lucrar com a empreitada também. Afinal, o movimento não existiria se os guerreiros – os nobres – não se convencessem de que lhes era vantajoso. Por ocasião da Quarta Cruzada, por exemplo, o pregador oficial da Igreja, Martin de Paris, pregava enfaticamente que os nobres conseguiriam grande prosperidade nas terras que estavam por tomar:

Nem sequer deveria mencionar que a terra a qual vocês se dispõem a marchar é bastante mais rica e mais fértil que esta e que é muito possível que muitos de vocês consigam uma maior prosperidade em bens materiais ali do que recordarão de ter desfrutado aqui.[39]

Claro que o discurso de Martin de Paris era um grande engodo, porque é perfeitamente sabido que a Palestina não era uma terra fértil, sendo inclusive bastante inferior às terras europeias que os nobres já possuíam. Mas isso não importava, porque quase nenhum nobre já havia ido a Jerusalém para conferir se a propaganda era verdadeira ou falsa. Bastava que pensassem que a terra manava “leite e mel”, onde poderiam prosperar mais do que em sua terra natal. A promessa era, portanto, dupla: além do “Reino dos céus”, a prosperidade temporal:

Agora, irmãos, apreciem a magnífica garantia que acompanha esta peregrinação. No relativo ao Reino dos céus, vocês tem aqui um compromisso incondicional; no relativo à prosperidade temporal, uma esperança superior à da maioria.[40]

As mesmas falsas promessas de prosperidade foram prometidas aos nobres por ocasião das primeiras cruzadas:

Vinde para o Oriente, proclamava Boemundo, conquistador normando, trazer a cruz, recuperar para Cristo a vacilante cidade de Edessa e tomar para vós castelos e fortes, ricos centros urbanos e terras. E na Alemanha, na grande reunião de Merseburgo, pelo ano 1108, as mesmas recompensas foram oferecidas aos que atravessassem o Elba e guerreassem contra os eslavos pagãos: “A região é excelente, rica em comida, mel, caça e farinha de trigo. Por isso, venham daí, sexões e francos, lorenos e flamengos, pois duas coisas podem ser ganhas ao mesmo tempo: a salvação para as vossas almas e fixação nas melhores terras”.[41]

Como atesta Michaud, “se a religião prometia suas recompensas aos que iam combater por ela, a fortuna prometia-lhes também as riquezas e os tronos da terra. Os que voltavam do Oriente falavam com entusiasmo das maravilhas que tinham visto, ricas províncias que tinham atravessado”[42]. Julián Vara destaca que aos nobres “lhes moviam considerações políticas e a busca de feudos onde estabelecer-se, às custas de muçulmanos e bizantinos”[43]. Diante disso tudo, Jacques Heers chega à conclusão:

Trata-se aqui de uma verdadeira conquista de terras novas, conquista política e agrária. Que esta expansão se insira num vasto movimento religioso, ou seja marcada por um espírito bastante particular, apoiada por um ímpeto coletivo espontâneo, não muda em nada o aspecto humano do problema.[44]

A Igreja também criou meios favoráveis à escolha dos nobres pela Cruzada. Por exemplo, ela isentou o pagamento de juros durante a realização da “peregrinação”, e “uma moratória autorizava o soldado de Cristo a pagar suas dívidas apenas quando da volta”[45]. Alguns nobres conseguiram de fato obter terras no Oriente, como é o caso de Balduíno, de Boemundo e de Raimundo:

Balduíno de Burg, depois de reservar a si a cidade de Tarsis voltou a se unir aos cruzados, mas logo se separou deles, e com um efetivo de mil guerreiros que lhe seguiam passou a formar um principado cristão em Edessa. Boemundo ficou em Antioquia, onde ele tomou o título de príncipe; o conde Raimundo de Tolosa invadiu por sua conta a Síria.[46]

A sede por prosperidade e novas terras era tanta que eles chegavam até a brigar entre eles mesmos para ver quem ficaria com a terra conquistada:

Não era, contudo, o que acontecia entre os chefes, quase todos divididos pelas ambições e rivalidades. Assim, antes de abandonar seus companheiros, empenhando-se numa série de brilhantes conquistas, entre as quais a de Edessa, entrou Balduíno, irmão de Godofredo de Bouillon, em acalorada contenda com Tancredo, pela posse de Tarso, cidade da Ásia Menor, pátria de São Paulo. Igual dissentimento surgiu entre Boemundo e o conde de Tolosa, Raimundo de Saint’Gilles, determinando quase uma guerra entre os próprios cruzados, visto pleitearem, ambos, a posse de Antioquia, apoiados em grande número de parciais, que pretendiam dirimir a questão pelas armas.[47]

As Cruzadas também atraíram a pequena nobreza, pelas razões que Franco nos conta:

Pelos costumes sucessórios do direito feudal, a norma de primogenitura estabelecia que, com a morte de seu detentor, a terra passasse indivisa para seu filho primogênito (não se alterando, portanto, o jogo contratual senhor-vassalo). Os demais filhos ou entravam para o serviço de seu irmão mais velho, ou se tornavam clérigos, recebendo portanto terras da Igreja. Com o surto populacional, no entanto, aquelas soluções revelaram-se insuficientes, sobretudo porque a Igreja, apesar de ser a maior possuidora de terras do Ocidente, não podia enfeudar a todos aqueles nobres sem senhorio. Assim, é compreensível que a pequena nobreza sem terra ou com escassos feudos visse nas Cruzadas a possível fornecedora de senhorios.[48]

Morrisson acrescenta:

A partida para o Oriente, primeiro como mercenários e agora como cruzados, era um dos meios de que dispunham os nobres de se livrar das restrições causadas por sua linhagem, em um tempo no qual o movimento pela paz favorecido pela Igreja e o estreitamento dos laços de vassalagem limitavam as ocasiões de buscar fortuna através de aventuras.[49]

Contudo, para a maioria dos nobres, a propaganda ficou só na propaganda, e o fracasso militar somado à improdutividade das terras conquistadas resultou numa empreitada fracassada com saldo negativo. Como nos conta Vara, “a busca por riquezas ou novas terras pode ser outra razão, mas só para uma minoria, tendo em conta que a marcha da cruzada era muito cara, e que muitos poucos acabaram estabelecendo-se nos novos territórios do exterior”[50]. Franco também ressalta isso quando diz:

Logo ficou claro o golpe que as Cruzadas eram para a maioria dos nobres. Muitos deles arruinaram-se na esperança de obter no Oriente ou na Península Ibérica um patrimônio maior. Muitos outros morreram no caminho ou em combate, daí o desaparecimento de famílias e famílias nobres. Para dar um exemplo, numa região do norte francês – grande fornecedor de cruzados – havia uma centena de linhagens nobres em 1150, 80 em 1200, apenas 40 em 1250 e somente 12 em 1300. Os que conseguiram feudos no Oriente tiveram na verdade um sucesso pouco duradouro, que não beneficiou senão algumas gerações.[51]


Busca por aventuras

Para muitos do povo, as Cruzadas eram interessantes por oferecer uma fuga ao comum e rotineiro naquela sociedade medieval. A vida de um camponês na Idade Média não era muito interessante, limitando-se a trabalhar para o seu senhor. As Cruzadas, assim, ofereciam uma saída de escape, uma aventura peculiar, um atrativo e diferencial que levariam para toda a vida. De fato, é a sede e busca por novas aventuras que certo cronista alemão da época das Cruzadas afirma como sendo um dos fatores preponderantes para que o povo se unisse ao chamado de Urbano II:

As intenções destas várias pessoas eram diferentes. Algumas, na verdade, ávidas por novidades, iam apenas para ver coisas novas. Outras eram levadas pela pobreza, por estarem em situação difícil na sua terra; estes homens foram para combater não apenas os inimigos da Cruz de Cristo, mas mesmo cristãos, desde que vissem oportunidade de aliviar sua pobreza. Havia ainda os que estavam oprimidos por dívidas para com os outros, ou que desejavam fugir ao serviço devido aos seus senhores, ou que estavam mesmo esperando o castigo merecido pelas suas infâmias.[52]

Como diz Christopher Brooke, “alguns esperavam salvar-se indo; outros não se preocupavam se se condenavam por encontrar oportunidades de tirar proveito e correr aventuras. Havia algo nas Cruzadas para incitar a todos”[53]. Ricardo Tornell acrescenta sobre as múltiplas razões que levaram o povo comum à participação nas Cruzadas:

À Cruzada vieram numerosas gentes: trabalhadores mal arranjados com a submissão ao senhor, que se valiam do recurso da cruzada para livrar-se da opressiva servidão; monges que assim podiam fugir da dura regra do convento; devedores que pretendiam safar-se de seus credores; foragidos e malfeitores que, em vez de serem castigados por seus crimes, encontravam na expedição um motivo plausível para continuar perpetuando seus desaforos, e liberar seus instintos, sob pretexto de serviço à religião; ambiciosos que esperavam da guerra a conquista de lauréis e o proveito que lhes havia negado seu nascimento.[54]


Motivações Religiosas

É claro que as razões religiosas não poderiam ficar por menos. Afinal, o que o papa estava apresentando era nada a menos que uma indulgência plenária, a garantia de herdar o Céu fazendo apenas aquilo que muitos já faziam em sua própria terra: lutar e matar. Em uma sociedade extremamente religiosa, onde a palavra do papa era a palavra de Deus, a garantia de herdar o Reino dos céus atraía o povo simples e ignorante mais do que qualquer outra coisa. Como diz Montesquieu, “estava a Europa cheia de gente que idolatrava a guerra e tinha inúmeros crimes a remir. Propuseram-lhe expiá-los entregando-se à sua paixão dominante: todo mundo tomou incontinente a cruz e pegou em armas”[55].

Manuel Ballesteros acrescenta que “a Igreja perdoava todas as penitências que haviam merecido os pecados dos participantes; prometia a salvação eterna a todos que morressem na luta; uma paz geral ficava estabelecida; os bens dos cruzados ficavam protegidos sob a pena de excomunhão contra quem os tocasse”[56]. Vara coloca o motivo religioso como o primordial, tendo em conta o contexto da época[57], e Duché ressalta que “a Cruzada, por último, oferece tudo em um: um Paraíso de delícias ‘que dá frutos sem cessar’, e a redenção; Jerusalém terrestre e Jerusalém celeste”[58].

É necessário sempre lembrar que as Cruzadas ocorreram na era de ouro do papado, quando “além de incitar cruzadas, Roma podia impor impostos, forçar imperadores arrogantes a se ajoelharem em penitência na neve e enviar inquisidores para aterrorizar os habitantes locais”[59]. Em outras palavras, o papa agia como um ditador totalitário, e suas palavras tinham o peso de palavra de Deus. Nessa guerra, segundo o papa, “podia-se obter o favor de Deus, e um assento ao lado do Seu trono, matando”[60]. A situação era tal que levou Joseph Michaud a reconhecer:

A Europa podia ser considerada como uma sociedade religiosa onde a conservação da fé era o maior dos interesses, onde os homens pertenciam mais à Igreja do que à Pátria. Nesse estado de coisas, é fácil inflamar os espíritos dos povos apresentando-lhes a causa da religião e dos cristãos para defender.[61]

Martin de Paris prometia que “qualquer que abraçar o sinal da cruz e realizar uma confissão sincera será totalmente absolvido de todos e de cada um de seus pecados quando abandonar esta vida, e receberá a vida eterna não importa onde, quando ou por que causalidade morra”[62]. A Igreja, assim, prometeu a vida eterna a qualquer um que se entregasse à sua paixão dominante: matar e pilhar. Ivan Lins sustenta:

Clamavam, em vão, os papas e sínodos contra as guerras particulares, os torneios sangrentos, os amores licenciosos e os duelos judiciários. Os exércitos violentos e a guerra eram as paixões predominantes dos francos ou latinos, e, nas Cruzadas, ordenava-lhes a Igreja que a elas se entregassem por espírito de penitência. Além disso, o bom êxito ou o simples empreendimento devia imortalizar os nomes dos heróis da cruz e amais pura piedade não podia ficar insensível diante da lisonjeira perspectiva da glória militar. Em suas dissensões particulares derramavam os cristãos o sangue de amigos ou compatriotas a fim de obterem uma aldeia ou um castelo. Oferecia-lhes, ao contrário, a conquista da Ásia, à imaginação arrebatada, reinos e riquezas, enquanto os feitos dos normandos, na Apúlia e na Sicília, pareciam prometer um trono ao mais obscuro dos aventureiros.[63]

E, na verdade, nada mais impressionante, no depoimento dos autores contemporâneos, do que a ralé criminosa que constituía a grande massa dos cruzados: salteadores, assassinos, incendiários, larápio de toda espécie,  adúlteros, perjuros e mulheres de má vida acorreram, aos milhares, ao apelo do Sumo Pontífice, afim de resgatarem a alma, transferindo, para as nações infieis, os furores a que habitualmente se entregavam em suas próprias pátrias.[64]

E diz o abade Fleury:

Os nobres que, quase todos, se achavam carregados de crimes, e, entre outros, o de roubos contra as igrejas e os pobres, se sentiram felizes de ter, como única penitência, sua ocupação ordinária, que era a de fazer a guerra, com a esperança, porém, de fruírem a glória do martírio, se aí morressem. Antes, consistia uma parte da penitência em não trazer armas e não montar a cavalo. Nas cruzadas, ao contrário, ambas essas coisas eram, não só permitidas, mas até ordenadas, de sorte que os cruzados apenas mudavam o objeto de sua atividade, sem, em nada, alterarem sua maneira de viver.[65]

O padre diz ainda que a Cruzada serviu de pretexto “aos maus pregadores, para não saldarem suas dívidas; aos malfeitores, para evitarem a punição de seus crimes; aos padres indisciplinados, para sacudirem o jugo de seu ministério; aos monges indóceis, para deixarem os claustros; às mulheres perdidas, para mais livremente se entregarem às suas desordens”[66].

Mas além da promessa da vida eterna, o que motivava ainda mais os peregrinos a tomar a cruz e ir matar os muçulmanos era a promessa de escapar do inferno. Isso porque o inferno era na época retratado de forma muito mais vívida e acentuada do que é hoje. Jonathan Phillips diz que “é difícil estimar a preocupação do homem medieval por evitar as consequências do pecado e se livrar dos tormentos eternos do inferno. Um historiador definiu a Idade Média como ‘a época mais atormentada pela culpa da história’”[67]. Ele descreve os horrores do inferno da forma que era retratado na época:

Um rápido olhar aos desenhos e esculturas que ainda se conservam nas entradas de Autún, Conques ou Arles demonstra sem lugar a dúvida os horrores do inferno. Demônios aterrorizantes, dotados de dentes e garras temíveis, arrastavam aos desventurados pecadores a diversos tormentos, todos igualmente nefastos: às mulheres promíscuas se colocavam serpentes em seus peitos; quem havia falsificado moeda era obrigado a beber metal fundido; um cavaleiro condenado aparece assado lentamente em um caldeirão, enquanto outro é empurrado às mandíbulas de um gigantesco monstro. Um cruzado, mesmo assim, podia ser absolvido de todos seus feitos e perdoado.[68]

Em uma época em que se costumava crer no que o papa dizia, o povo vivia atormentado com o medo de ir ao inferno, e o que a Igreja oferecia para escapar deste terrível destino nada mais era senão pegar em armas e matar os “infiéis” – algo que muitos fariam sem maiores motivações em jogo. Não há dúvidas de que o motivo religioso foi essencial e preponderante para conduzir a grande massa popular.


Motivações Comerciais

Embora alguns sustentem que as motivações comerciais também foram preponderantes nas Cruzadas, os historiadores concordam que este é um fator de menor relevância que os demais. Ivan Lins destaca que é somente a partir da Terceira Cruzada que os motivos comerciais começam a entrar em cena:

A partir da terceira cruzada os interesses econômicos tenderam a prevalecer sobre os motivos políticos e religiosos, que pareciam inspirar, de modo exclusivo, as duas primeiras expedições à Terra Santa. Surge entre os cruzados, desde Ricardo Coração de Leão, a ideia de se apoderarem dos portos orientais, obtendo, através de negociações, a propriedade do Santo Sepulcro, passando os interesses econômicos das cidades italianas a ser um dos elementos mais importantes da política cristã no Oriente.[69]

Jacques Le Goff concorda e sustenta que “os motivos comerciais desempenharam pouco papel no desencadeamento da cruzada. As principais cidades mercantis da Itália entraram contra seu gosto no movimento. Só fizeram quando já parecia irresistível”[70].


Considerações Finais

Em suma, não houve uma única causa das Cruzadas, mas uma soma de diferentes fatores que, juntos, levavam quase que inexoravelmente à necessidade de uma luta armada longe dos territórios cristãos latinos. O pedido de ajuda de Aleixo I foi o pretexto utilizado para colocar este objetivo em prática, e o apelo emocional a uma “terra santa”, Jerusalém, foi o que comoveu o povo e o fez pegar em armas para defender este ideal. Morrisson resume estas condições nas seguintes palavras:

Podemos, de forma plenamente justificada, salientar as condições sociais e econômicas do final do século XI: alto crescimento demográfico, falta de terras cultiváveis, crescimento da economia monetária e das trocas comerciais, início da expansão italiana pelo Mediterrâneo. Em parte, elas explicam e, por outro lado, tornam possível o movimento que impulsiona para o Oriente alguns ocidentais (nobres relativamente desprovidos de terras e multidões de pobres em busca de melhores condições materiais e espirituais).[71]

Vale ressaltar, por fim, que nem toda a Europa concordou com as Cruzadas. Embora ela tenha tido uma aceitação excepcional e muito acima do esperado, Southern observa que “a este espírito impaciente, a parte reflexiva da Europa apresentou uma larga oposição. A apaixonada aceitação da cruzada como uma finalidade estabelecida da Cristandade latina que caracteriza o século XII não se engendrou sem luta, e não é muito recordar que a Igreja oriental sempre foi contrária a este ideal”[72].

Uma vez que estas causas não são suficientemente satisfatórias para a maioria dos revisionistas modernos, novas “causas” e argumentos têm sido levantados como sendo a verdadeira motivação pela qual os cristãos quiseram retomar a terra de Jerusalém. Entre eles, destaca-se a invasão árabe, a escravidão muçulmana, o assassinato de peregrinos cristãos e o fato de Jerusalém ser considerada terra santa para os cristãos. Analisaremos cada uma destas outras causas para averiguar onde elas falham.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

- Extraído do meu livro: "Cruzadas - O Terrorismo Católico".

Por Cristo e por Seu Reino,


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Fim da Fraude (Refutando as mentiras dos apologistas católicos)


[1] BROM, Juan. Esbozo de historia universal. 21ª ed. México: Grijalbo, 2004, p. 99.
[2] ROPER, Hugh Trevor. A Formação da Europa Cristã. 1ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 1975, p. 121.
[3] BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. 1ª ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2010, p. 261.
[4] ROPER, Hugh Trevor. A Formação da Europa Cristã. 1ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 1975, p. 121.
[5] LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval – Volume I. 1ª ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1983, p. 96.
[6] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 9.
[7] DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 367.
[8] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 17-18.
[9] LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval – Volume I. 1ª ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1983, p. 97.
[10] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 127-128.
[11] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 26.
[12] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 15.
[13] ibid, p. 16.
[14] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 31.
[15] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 60.
[16] LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval – Volume I. 1ª ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1983, p. 100.
[17] ibid, p. 101.
[18] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 573.
[19] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 14.
[20] ibid, p. 23-24.
[21] BALLESTEROS, Manuel; ALBORG, Juan Luis. Historia Universal Hasta el Siglo XIII. 4ª ed. Madrid: Editorial Gredos, S. A., 1967, p. 438.
[22] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 26.
[23] WOLFF, Philippe. O Despertar da Europa. 1ª ed. Lisboa: Editora Ulisseia, 1973, p. 157.
[24] Apud MICHAUD, Joseph François. História das Cruzadas – Volume Primeiro. 1ª ed. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 90.
[25] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 20.
[26] WALKER, Wiliston. História da Igreja Cristã. 3ª ed. São Paulo: ASTE, 2006, p. 336.
[27] Apud FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 22.
[28] MICHAUD, Joseph François. História das Cruzadas – Volume Primeiro. 1ª ed. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 104.
[29] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 26.
[30] VALENTIN, Veit. História Universal – Tomo II. 6ª ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1961, p. 20.
[31] MAGNOLI, Demétrio. História das Guerras. 3ª ed. São Paulo: Contexto, 2006.
[32] LENZENWEGER, Josef; STOCKMEIER, Peter; BAUER, Johannes B; AMON, Karl; ZINHOBLER, Rudolf. História da Igreja Católica. 1ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006, p. 178.
[33] Para ler um resumo das consequências das Cruzadas na questão do relacionamento com a Igreja oriental, consulte o capítulo 9 deste livro.
[34] PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzada y el saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 57.
[35] Apud LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 393.
[36] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 9.
[37] DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 344.
[38] ROPER, Hugh Trevor. A Formação da Europa Cristã. 1ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 1975, p. 107.
[39] Apud PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzada y el saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 76.
[40] ibid.
[41] ROPER, Hugh Trevor. A Formação da Europa Cristã. 1ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 1975, p. 136.
[42] MICHAUD, Joseph François. História das Cruzadas – Volume Primeiro. 1ª ed. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 98.
[43] VARA, Julián Donado; ARSUAGA, Ana Echevarría. La Edad Media: Siglos V-XII. 1ª ed. Madrid: Editorial universitaria Ramón Areces, 2010, p. 303.
[44] HEERS, Jacques. História Medieval. 1ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1974, p. 161.
[45] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 8.
[46] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 593-594.
[47] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 315.
[48] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 23.
[49] MORRISSON, Cécile. Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: L&PM Pocket, 2009.
[50] VARA, Julián Donado; ARSUAGA, Ana Echevarría. La Edad Media: Siglos V-XII. 1ª ed. Madrid: Editorial universitaria Ramón Areces, 2010, p. 301-302.
[51] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 72.
[52] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 22-23.
[53] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 366.
[54] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 587.
[55] Apud LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 304.
[56] BALLESTEROS, Manuel; ALBORG, Juan Luis. Historia Universal Hasta el Siglo XIII. 4ª ed. Madrid: Editorial Gredos, S. A., 1967, p. 430.
[57] VARA, Julián Donado; ARSUAGA, Ana Echevarría. La Edad Media: Siglos V-XII. 1ª ed. Madrid: Editorial universitaria Ramón Areces, 2010, p. 301.
[58] DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 373.
[59] WHITE, Matthew. O Grande Livro das Coisas Horríveis - a Crônica Definitiva da História das 100 Piores Atrocidades. São Paulo: Texto Editores, 2012.
[60] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 19.
[61] MICHAUD, Joseph François. História das Cruzadas – Volume Primeiro. 1ª ed. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 73.
[62] PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzada y el saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 75.
[63] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 305.
[64] ibid, p. 304.
[65] Abade FLEURY, “Histoire Ecclésiastique”,vol. V, p. 447.
[66] Apud LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 306-307.
[67] PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzada y el saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 75.
[68] Ibid.
[69] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 385.
[70] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 127.
[71] MORRISSON, Cécile. Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: L&PM Pocket, 2009.
[72] SOUTHERN, R. W. La Formacion de la Edad Media. 1ª ed. Madrid: Revista de Occidente, 1955, p. 50.

6 comentários:

  1. Lucas eu assisti num canal catolico uma entrevista com um professor catolico dizendo que as cruzadas foram beneficas para a humanidade e que a igreja catolica sempre sera a igreja da historia.

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    1. Esse professor católico devia estar drogado para falar isso. As Cruzadas foram uma das maiores pestes da humanidade, e isso não na minha opinião, mas na opinião de centenas de historiadores que estudei nos últimos tempos. Arruinou completamente a relação da Igreja com os judeus, com os muçulmanos e com os ortodoxos. Só manchou a história do Cristianismo, além de ter fracassado militarmente. Uma lástima. Tem que ser muito fanático e doente para louvar as Cruzadas.

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  2. Lucas, você está a par da nova historiografia sobre o tema?
    Gente como Christopher Tyerman, Jonathan Riley-Smith ou Thomas Asbridge?

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  3. Você afirmar que a Cruzada aconteceu apenas por motivos políticos e econômicos é um pouco incoerente diante do que as fontes da época afirmam. Imagina hoje, se alguém chega para algum crente (de qualquer denominação religiosa) e oferece-lhe a salvação. Possivelmente, esse indivíduo fará tudo o que lhe for recomendado.
    A Primeira Cruzada não contou apenas com cavaleiros e senhores, um número incontável de não combatentes (mulheres, idosos, crianças, enfermos)acompanhou a expedição. Qual exército parte para uma guerra de conquista/expansão levando consigo tanta gente inapta para combate e gerando o ônus de vigiar e alimentar-lhes? O sujeito da época concebia a Cruzada como uma peregrinação, tanto que o termo "cruzada" surgiu muito tempo depois.
    Sobre a igreja se beneficiar ao "herdar" as propriedades de quem fosse para a cruzada, não é bem assim. Dentre as vantagens que ofereciam ao peregrinos, uma era a de que seus bens ficariam sob proteção da igreja até que regressassem do Oriente. Que a igreja católica usurpou terras, obviamente que sim, como muitos bens de fiéis são usurpados em nossos dias. Quem aderisse à Cruzada não poderia ser cobrado de suas dívidas durante a jornada e os homens recém casados só poderiam ir com a autorização de suas respectivas esposas.
    A promessa da salvação era o principal atrativo para aquela gente, não é à toa que os cruzados desfaziam-se de seus bens para bancarem sua ida à Jerusalém. Poucos fizeram fortuna no Oriente, a maioria perdeu tudo que tinha buscando a prometida salvação.
    Quando a Cruzada chegou ao fim, a maioria dos cruzados regressou à Europa, deram por cumprido seus votos; restaram cerca de 300 cavaleiros para defender a cidade conquistada. As próprias fontes árabes oferecem essa informação.
    Qual motivo levou essas pessoas a voltarem para suas casas se objetivo era meramente expansionista?

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    1. Não é possível, percebo que a burrice é maior que eu imaginava.

      Um dos tópicos deste artigo, caso você não tenha percebido, chama-se: "MOTIVAÇÕES RELIGOSAS", onde dedico vários parágrafos apenas para destacar o quanto a motivação religiosa foi preponderante no movimento. Você NÃO LEU o texto, e pior ainda, nem sequer passou o olho nele, porque bastaria ter dado uma olhada rápida para perceber que havia UM TÓPICO INTEIRO dedicado a isso, onde eu escrevo explicitamente o seguinte no final do mesmo:

      "Não há dúvidas de que o motivo religioso foi ESSENCIAL e PREPONDERANTE para conduzir a grande massa popular"

      E ainda vem um ignorante comentar aquilo que não leu, dizendo que eu afirmei que os cruzados estavam lá apenas por razões políticas!

      O que fazer com um sujeito desses? Simplesmente o mesmo que eu faço com todo desonesto, ignorante e trapaceiro que passa por aqui: SUMA DO MEU BLOG. Vá comentar no blog da Ana Maria Braga. Seus outros comentários insanos sobre as Cruzadas foram suprimidos, assim como será qualquer outro comentário que você postar por aqui.

      Passar bem.

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