2 de janeiro de 2016

Roma falou, e de novo a causa não acabou


Em primeiro lugar, feliz ano novo a todos. Fiquei a última semana sem mexer no blog e sem atualizar nada, mas agora os comentários antigos já estão sendo publicados/respondidos.

Meu último artigo antes da minha ausência foi sobre "Roma locuta est; causa finita est" (“Roma falou, a causa acabou”), onde eu refuto a péssima interpretação de texto e a completa descontextualização histórica que os papistas fazem ao usar isso como argumento para a infalibilidade ou a supremacia papal, como se Roma tivesse a autoridade final e o que ela dissesse não pudesse ser jamais postergado ou rejeitado. Este artigo é uma continuação ao tema, que abordará a divergência pascoal entre os bispos romanos e asiáticos no século II, divergência essa que é outra prova de que Roma locuta est; causa non finita est.

Como já observado em meu artigo "O telefone sem fio e a tradição oral", nenhuma tradição oral que não seja passada por escrito tem a capacidade de conservar inalteravelmente um conteúdo por muito tempo, tendo sempre a tendência de subtrair ou adicionar conteúdo novo à mensagem original. É por isso que até mesmo quando nos é dito o que comprar no Supermercado nós não confiamos na nossa memória, mas, em vez disso, fazemos questão de anotar em um papel o que tem que ser comprado, caso contrário poderemos esquecer algum item ou talvez até mesmo comprar algo desnecessário.

Se até mesmo quando vamos comprar algo no Supermercado temos que anotar em um papelzinho para não cometer nenhuma falha, quanto mais quando o que está em jogo é toda a doutrina apostólica, que deveria ser guardada incorruptível e inalterável pelos séculos dos séculos, em todas as igrejas do Oriente e do Ocidente. Obviamente, é somente a partir do que foi conservado por escrito que podemos ter certeza da mensagem original, e o que os apóstolos nos deixaram por escrito é justamente o que nos foi legado na Escritura – daí vem o termo Sola Scriptura, importantíssimo e verdadeiro princípio da Reforma.

A divergência pascoal é outra demonstração do quanto a tradição oral sem ser passada por escrito tem o potencial enorme de ser corrompida com o tempo. De um lado estavam os bispos romanos, que diziam que a páscoa tinha que ser celebrada no domingo. Do outro, os bispos da Ásia, que diziam que a páscoa devia ser comemorada na data tradicional de 14 de Nisã, a chamada “Páscoa Quartodecimana”. O mais interessante é que os dois lados da história diziam estar bem fundamentados na “tradição oral”, já que nenhum apóstolo escreveu sobre o dia em questão.

Os bispos romanos sustentavam guardar a tradição que já vinha desde os seus primeiros presbíteros, e os bispos asiáticos afirmavam guardar a tradição ensinada pelos apóstolos Filipe e João, que estabeleceu igrejas em Éfeso. No entanto, as tradições eram conflitantes, o que mostra que pelo menos uma delas não se preservou incorruptivelmente, demonstrando a facilidade com a qual uma tradição oral pode se corromper tão rapidamente como em questão de apenas um século, como é o caso aqui (e os papistas ainda acham que guardam incorruptivelmente centenas de tradições por vinte séculos!).

O primeiro conflito ocorreu entre o bispo romano Aniceto (155-166) e Policarpo (69-155), o famoso bispo de Esmirna que foi pessoalmente doutrinado pelo apóstolo João. Tendo o bispo de Roma defendido a comemoração da páscoa no domingo, seria de se esperar que Policarpo cedesse à primazia e infalibilidade do mesmo, renegando seu ponto de vista para dar razão ao Roma locuta est; causa finita est dos romanistas atuais. Mas o que realmente aconteceu foi que nenhum dos dois convenceu o outro e nenhum deles cedeu ao outro, como nos conta Eusébio de Cesareia (265-339) em sua “História Eclesiástica”:

“E encontrando-se em Roma o bem-aventurado Policarpo nos tempos de Aniceto, surgiram entre os dois pequenas divergências, mas em seguida estavam em paz, sem que sobre este capítulo se querelassem mutuamente, porque nem Aniceto podia convencer Policarpo a não observar o diacomo sempre o havia observado, com João, discípulo de nosso Senhor, e com os demais apóstolos com quem conviveu –, nem tampouco Policarpo convenceu Aniceto a observá-lo, pois este dizia que devia manter o costume dos presbíteros seus antecessores”[1]

O que fez Policarpo de Esmirna, quando viu que o grande e todo-poderoso bispo de Roma defendia uma posição contrária à sua? Disse em voz alta que Roma locuta est; causa finita est, e voltou para Esmirna de cabeça baixa? Não. Ao contrário, conservou sua posição sobre o assunto e não cedeu ao bispo romano, da mesma forma que o bispo romano também não cedeu a Policarpo.

A mesma divergência veio a ocorrer pouco tempo mais tarde, mas desta vez de forma bem mais tensa do que foi entre Aniceto e Policarpo. Isso porque subiu ao trono romano um papa arrogante chamado Vítor (189-199), que entrou na mesma polêmica com Polícrates, o bispo de Éfeso da época. Diferente de seu antecessor Aniceto, Vítor era orgulhoso e queria obrigar todo mundo a concordar com ele, chegando até mesmo a ameaçar excomungar os bispos da Ásia(!) na ocasião.

O que foi que os bispos da Ásia fizeram frente à reivindicação do raivoso e irado bispo de Roma? Disseram Roma locuta est; causa finita est, e foram para as suas casas comemorar a páscoa no domingo? Nananinanão. Mais uma vez, eles ficaram contra o bispo de Roma, e o repreenderam severamente, como nos conta Eusébio:

“Também restam as expressões que empregaram repreender com grande severidade a Vitor. Entre eles também estava Irineu”[2]

O termo usado no original em que o bispo romano foi repreendido pelos outros bispos foi plêktikôteron kazaptomenôn tou Biktoros, que é muito mais forte do que uma simples repreensão, tendo kazaptô o sentido de “atacar” ou “atirar-se para cima de alguém”. Como se isso não bastasse, Eusébio adiciona ao kazaptô o advérbio plêktikôteron, que significa “duramente” (de plêktikos, à porrada)[3]. De modo que o arrogante bispo romano não foi contradito de forma suave enquanto tomava um cafezinho com os bispos da Ásia, mas foi severa e asperamente repreendido, como em uma briga.

Note ainda que Eusébio diz que até Irineu estava entre os bispos que repreenderam a Vítor. Irineu nem bispo da Ásia era: ele era bispo de Lyon, sujeito ao metropolitano de Roma. Ou seja, o bispo de Roma foi tão irresponsável e leviano que foi severamente repreendido até mesmo pelos bispos que estavam sob sua jurisdição! O erudito patrístico Hans van Campenhausen adiciona que Irineu escreveu uma carta repreendendo mais ainda o bispo de Roma:

“Quando Vítor de Roma aceitou ser persuadido a romper relações eclesiásticas com as igrejas da Ásia Menor, por causa das diferenças duradouras sobre a festa da Páscoa, Irineu lhe escreveu uma vigorosa carta na qual condenava esta ação ditatorial de uma maneira conveniente[4]

Roma locuta est; causa finita est? Não! Roma falou... e os outros bispos o repreenderam severamente e não deixaram que Roma falasse nem um pio a mais. O bispo de Roma não era um reizinho infalível cuja posição devesse ser sempre acatada como autoridade final; ao contrário, era um bispo como todos os outros, que podia ser acatado quando estivesse certo, da mesma forma com que podia ser rejeitado ou severamente repreendido quando estivesse errado. O mito papista de que a palavra do bispo romano sempre encerrará qualquer discussão não passa de puro engodo para ludibriar os mais ingênuos e facilmente adestrados por este sistema apóstata e falido.


Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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[1] História Eclesiástica, Livro V, 24:1.
[2] História Eclesiástica, Livro V, cap. XXIV.
[4] Hans van Campenhausen, Os Pais da Igreja, p. 24.

32 comentários:

  1. Lucas olha isso é dis o q vc acha: http://www.paulopes.com.br/2013/01/estudioso-soma-as-mortes-relatadas-na-biblia.html?m=1

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    1. O engraçado é que ele posta como se essas pessoas ou povos não tivessem feito absolutamente nada de errado para merecer uma pena de morte ou uma guerra justa. Eram todos santinhos que foram mortos por um Deus irado e sádico que matava pelo prazer de matar. Haja a paciência...

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  2. Roma locuta est; causa finita est #fail Hahahahah..

    Ótimo artigo, Lucas! É impressionante o desejo desses papistas
    em querer defender mentiras.

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  3. Lucas se existem erros na igreja evangelica e na catolica, em qual igreja eu devo ir?Como saber qual igreja ir?Vc poderia montar um artigo me explicando qual igreja eu devo ir e qual igreja é verdadeira nos dias de hj.Obrigado.

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    1. Existem erros em todas as igrejas, mas não na mesma proporção. É como partido político: todos os partidos tem algum erro, mas isso não significa que ser partidário do DEM dá no mesmo de ser partidário do PT. Não se pode perder o senso de proporções. Há igrejas que já erraram tanto que nem mesmo podem continuar sendo consideradas legítimas no sentido de estar ainda no caminho da fé, enquanto há outras que se desviaram bem menos e que ainda mantém algo da pureza do evangelho original, ainda que não 100%. Basta ler as cartas às sete igrejas para entender isso. Eu escrevi sobre isso neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/02/a-igreja-invisivel-perfeita-e-igreja.html

      Abs.

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    2. pela "maturidade" da pergunta imagino quem a fez. Procure uma igreja que mais se aproxime do que vc vê expressado no Novo Testamento, a que exale o evangelho sem frescuras ou caprichos. Se não encontrar, seja você mesmo uma.

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  4. Bom artigo, Lucas e Feliz 2016.

    Você acha um exagero comparar João Calvino com os pais da igreja teologicamente falando? E Calvino era superior a Lutero teologicamente falando?

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    1. Feliz 2016 pra você também!

      Depende de qual Pai da Igreja, teve Pais que inclusive foram considerados hereges no final da vida (como Tertuliano e Orígenes), teve outros de data mais tardia que já foram implementando certas doutrinas católicas errôneas, e teve outros que mantiveram uma pureza doutrinária bem maior. Também vai depender do quão próximo a sua teologia é de Calvino - um calvinista provavelmente vai considerar Calvino de uma pureza teológica tão grande (ou até maior) do que a maioria dos Pais da Igreja, enquanto um arminiano como eu irá discordar. Teologicamente falando, Calvino era muito bom, mas não era melhor do que Lutero nem em termos de oratória e muito menos em termos doutrinários.

      Cabe ressaltar que, embora Calvino seja responsável direto pela expansão do movimento reformista na Europa do século XVI, ele também é responsável direto pela introdução das doutrinas do determinismo e da imortalidade da alma numa Igreja que até a época caminhava numa direção oposta. E reverter o erro destas duas doutrinas tem sido um trabalho árduo e cansativo que já leva séculos.

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    2. Mas comparar Lutero e ele com Agostinho seria exagero ? E o batismo por imersão e a exclusão do pedobatismo nas igrejas protestantes começaram cm os pentecostais e anabatistas? Já q as igrejas Luteranas,presbiterianas, metodistas, realizam esse batismo.

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    3. Mas Lucas, John Huss, John Wycliffe, e tantos outros antes de Calvino não acreditavam no determinismo?

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    4. Acho exagero sim, Agostinho tem um peso maior teologicamente, para bem ou para mal. Mas Lutero e Calvino não devem ser comparados com os Pais da Igreja do século IV, mas sim com os seus contemporâneos, e comparado com os seus contemporâneos não houve nenhuma da época que fosse tão genial e importante teologicamente e que tenha deixado mais frutos do que Lutero e Calvino.

      O batismo por imersão não foi invenção das igrejas anabatistas e pentecostais, ele foi praticado desde a Igreja primitiva, por todos os Pais da Igreja e continuou sendo na Igreja Ortodoxa oriental mesmo depois que a Igreja latina começou a batizar primordialmente por infusão, como eu expus neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/11/o-batismo-por-imersao-na-igreja.html

      Quanto ao batismo exclusivamente de adultos, há boas evidências históricas de que ele não foi praticado senão a partir de finais do século II, não apenas porque ninguém escreveu sobre batismo infantil antes disso, mas também porque a Didaquê e Tertuliano ainda escreveram em contrário (seja direta ou indiretamente). Este outro artigo resume isso:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/04/o-batismo-infantil-foi-praticado-pela.html

      Mas no contexto da Reforma, o batismo somente de adultos começou com os anabatistas e depois com os batistas. Só mais tarde é que surgiram os primeiros pentecostais, seguindo a linha batista.

      Sobre o determinismo, eu não estou certo se Huss e Wycliffe defendiam isso. Pelo menos nas atas de condenação da ICAR a eles eu não constatei nada do tipo. Pregar predestinação é diferente de pregar o determinismo. Predestinação é a crença de que Deus escolheu uns para a salvação e outros para a perdição. Isso sempre teve alguns que creram. Mas determinismo é a crença de que TUDO foi determinado por Deus, incluindo cada ação e pensamento dos seres criados e até mesmo o movimento das coisas inanimadas, e esse tipo de coisa historicamente foi Calvino que popularizou nas Institutas, ainda que antes dele os essênios já a ensinassem.

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  5. Oq vc acha do papa francisco?

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  6. Sei q n tem haver com o post, mas oq vc acha do estado laico?

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    1. Acho ótimo, desde que não se transforme em um Estado laicista (ateu).

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  7. Ainda sobre as palavras de Agostinho, trata-se de uma das maiores e mas repetidas distorções patrísticas feitas pelos apologistas romanistas. Abaixo, segue a explicação do teólogo católico romano Klaus Schatz:

    No caso do Norte de África é interessante observar a atitude de uma IGREJA AUTOCONFIANTE E ORGANIZACIONALMENTE INTACTA EM RELAÇÃO A ROMA. A declaração do Bispo Agostinho de Hipona (396-430), Roma locuta, causa finita ("Roma falou, o assunto está resolvido") foi citada repetidamente. No entanto, A CITAÇÃO É REALMENTE UMA OUSADA REFORMULAÇÃO DAS PALAVRAS DO PAI DA IGREJA TOMADAS COMPLETAMENTE FORA DE CONTEXTO.
    Concretamente a questão era o ensinamento de Pelágio, um asceta da Grã-Bretanha, que viveu em Roma. Pelágio tomou uma posição contra o cristianismo permissivo e minimalista que recuava da seriedade moral do discipulado cristão e usava a incapacidade humana e confiança somente na graça para desculpar a preguiça pessoal. Ele, portanto, enfatizou um cristianismo ético de obras e desafio moral no qual a graça era principalmente um incentivo para a ação; os seres humanos continuam a ser capazes de escolher entre o bem e o mal por sua própria capacidade. Este ensinamento foi condenado por dois concílios do Norte da África em Cartago e Mileve em 416. Mas como Pelágio viveu em Roma, e Roma foi o centro do movimento pelagiano, pareceu apropriado informar o Papa Inocêncio I da decisão. Em última análise, a luta contra pelagianismo só poderia ser realizada com a cooperação de Roma. O Papa respondeu finalmente em 417, aceitando as decisões dos dois Concílios. Agostinho, em seguida, escreveu: "Já sobre esta causa dois concílios foram enviados à Sé Apostólica, donde também rescritos chegaram. A causa está terminada. Que o erro possa igualmente terminar"

    TANTO O CONTEXTO DESTA DECLARAÇÃO E SUA CONTINUIDADE COM O RESTO DO PENSAMENTO DE AGOSTINHO NÃO PERMITE OUTRA INTERPRETAÇÃO QUE NÃO SEJA A DE QUE O VERIDITO DE ROMA SOMENTE NÃO É DECISIVO; EM VEZ DISSO, DISPÕE DE TODAS AS DÚVIDAS DEPOIS DE TUDO QUE A PRECEDEU. ISTO É PORQUE NÃO RESTAVA NENHUMA OUTRA AUTORIDADE ECLESIÁSTICA DE QUALQUER CONSEQÜÊNCIA PARA QUEM OS PELAGIANOS PODERIAM APELAR, E EM PARTICULAR A PRÓPRIA AUTORIDADE DA QUAL ELES PODERIAM MAIS FACILMENTE TER ESPERADO UMA DECISÃO FAVORÁVEL, OU SEJA, ROMA, TEM CLARAMENTE DECIDIDO CONTRA ELES!

    Em geral, Agostinho atribui um peso relativamente importante de autoridade para a igreja romana em questões de fé, MAS NÃO CONSIDERA QUE ELA TENHA UM OFÍCIO SUPERIOR DE ENSINO. Tem auctoritas, mas não potestas sobre a Igreja no Norte da África. Os próprios concílios acima mencionados dão uma imagem clara da forma como os africanos, incluindo Agostinho, consideravam a autoridade de ensino de Roma. Eles enviaram seus registros a Roma não para obter a confirmação formal, mas porque reconheciam que a Igreja Romana, com a sua tradição, tinha um auctoritas recebido em questões de fé; portanto, eles desejavam ter uma decisão Romana junta com a sua própria. Isto é especialmente evidente em uma carta de Agostinho escrita para cinco bispos; “não estamos, disse ele, derramando nossa pequena gota de volta para sua ampla fonte para aumenta-la, mas. . . nós desejamos ser reafirmados por vocês a respeito destas nossas gotas, que escassas todavia, fluem a partir da mesma fonte que seu córrego abundante, e nós desejamos o consolo de seus escritos, tirados de nossa comum partilha da mesma graça”. Toda a Palavra desta deve ser observada: A IGREJA ROMANA NÃO É A FONTE DA IGREJA AFRICANA, POIS AMBOS, EM FLUXOS PARALELOS, FLUEM DO RIO DA MESMA TRADIÇÃO, MESMO QUE O RIO SEJA MAIS COMPLETO NA IGREJA ROMANA. Roma tem, assim, uma autoridade relativamente maior e mais importante, sendo por isso que a Igreja Africana procura um veredicto de Roma.

    Papal Primacy (Minnesota: The Liturgical Press, 1996, p. 34-35)

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  8. (cont...)

    Recomendo fortemente a leitura desta e de outras obras de estudiosos católicos romanos. Ao se comparar com os apologistas romanos, percebe-se que estes não encontram confirmação nem nos estudiosos de sua própria denominação.

    Klaus Schatz usou as expressões “Auctoritas” para se referir à autoridade da Igreja Romana e mencionou que ela não tinha “potestas”. Estas expressões são do direito romano. Autorictas envolve a autoridade de alguém que possui excelência moral ou notório saber em algo. Eu mesmo fiz uso desta neste comentário ao citar Klaus Schatz. Ele possui “autorictas” porque é um estudioso no assunto, portanto, sua opinião tem maior peso, ainda mais quando ele vai contra a opinião de muitos de sua própria denominação. Potestas seria a autoridade institucionalmente e vinculantemente constituída. Um juiz tem este tipo de autoridade, sua autoridade nasce do poder legal, sendo obrigatória. Ao citar Klaus, não estou lhe concedendo este tipo de autoridade, pois apesar de reconhecer que ele tem notório saber no assunto, não considero sua opinião obrigatória, infalível ou inerrante.

    Esta distinção é fundamental para entender a autoridade exercida pela Igreja Romana nos tempos de Agostinho. Ela era a Igreja mais importante do ocidente e detinha grande prestígio juntamente com as outras sedes apostólicas (Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Jerusalém). Sua posição tinha peso, mas não era considerada infalível ou vinculativa por si mesma. Por isso, nas controvérsias, era comum que a Igreja Romana e as outras Sedes Apostólicas fossem consultadas. Assim foi no caso do arianismo, pelagianismo, monofissimo e outras heresias. Porém, caso a Igreja consultada decidisse de forma contrária à posição apoiada pela Igreja que a ela apelou, esta não necessariamente mudaria sua posição, pois não considerava a decisão da Sede Apostólica infalível ou vinculativa. Este foi o caso da Igreja Norte Africana. Quando o Bispo Romano Zózimo voltou atrás na condenação ao Pelagianismo, os norte africanos não mudaram sua posição e se mantiveram firmes na condenação à heresia.

    Desta forma, quando um apologista papal tentar provar que a Igreja Romana tinha supremacia jurisdicional sobre as demais e detinha uma função magisterial infalível a partir dos casos em que outras Igrejas consultavam a Sé Romana sobre controvérsias doutrinárias, ele precisa demonstrar que a parte consultante considerava esta opinião vinculante e infalível. Isto nunca ocorreu. As partes de uma controvérsia muitas vezes apelavam a outras Sedes Apostólicas, cujas decisões os romanistas não considerariam vinculantes e infalíveis por si mesmas. E também, em diversas ocasiões, a parte apelante não seguiu a opinião da Sé Apostólica consultada.

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  9. Lucas pra vc qual melhor e ais fiel tradução da Biblia em Portugues

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    1. Eu prefiro a NVI:

      http://www.dc.golgota.org/nvi/nvi.html

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    2. e o q vc acha disso:https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0ahUKEwiV-Yqa8pLKAhXCS5AKHV17C0EQFggcMAA&url=http%3A%2F%2Fsolascriptura-tt.org%2FBibliologia-PreservacaoTT%2FExpondoErrosNVI-Jun2000-Emidio.htm&usg=AFQjCNFQqWu1mHdUCpbta4PaIUl9T9auBA&sig2=jhFy1KLaLe4ivasRD6ieXA

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    3. King James tbm é boa

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    4. Esse é um site de fundamentalistas que considera o Textus Receptus infalível e inerrante a priori, e por isso considera "adulteração" tudo aquilo que não condiz com o que está no Receptus. Mas qualquer estudioso sério sabe que o Texto Crítico é muito mais confiável do que o Receptus, e a NVI segue o Texto Crítico e não o Receptus. Ou seja, todos esses textos que eles dizem que a NVI "adulterou", foram as outras versões que "adulteraram".

      Sobre a King James, ela é boa mesmo, mas ele me perguntou sobre versões em português, e a KJV é em inglês :)

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    5. Vlw Lucas, vc consider comer carne de porco pecado?

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    6. Tecnicamente falando, não é pecado, pois faz parte da lei cerimonial que caducou no tempo da graça em que estamos. Porém, também não é nada recomendável, visto que contém riscos sérios à saúde, e o nosso corpo é templo do Espírito Santo:

      http://www.superbom.com.br/blog/os-riscos-que-trazem-a-carne-de-porco/

      Ou seja, se por um lado você não vai estar contribuindo para a condenação se comer carne de porco, por outro lado é melhor evitar esse tipo de carne.

      Abs.

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    7. Tem a versão em Português.

      http://bibliaportugues.com/kja/genesis/1.htm

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    8. vlw,Lucas o q vc acha do canal do youtuber saindodamatrix77

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  10. Ótimo artigo, Lucas! Uma dúvida off-topic: não sei como orar, como aprender a orar?

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    1. Converse com Deus como você conversa com um grande amigo seu, claro, com a diferença de que Deus é o Ser digno de toda a honra e a glória. Fale sobre o seu dia, sobre os seus anseios, sobre os seus problemas, etc. Depois interceda pelas pessoas que você conhece e que precisam de oração em alguma coisa. Não faça da oração uma coisa extremamente formal, monótona, chata e repetitiva: tenha um relacionamento com Deus como de amigo a amigo (Jo.15:14-15). Em outras palavras, abra o seu coração para Deus. Simples assim.

      Esses artigos podem ajudar um pouco:

      http://apologiacrista.com/a-importancia-de-buscar-a-deus

      http://apologiacrista.com/os-tres-pilares-da-fe

      Abs!

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    2. Obrigado, Lucas!

      Abraço!

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