29 de julho de 2015

Refutando astronauta católico sobre "Os Pais da Igreja e a Imortalidade da Alma" (I): Introdução



Introdução

Alguns de vocês já conhecem o Astronauta Católico (se não conhecem, não perderam nada). Depois de apanhar em quatro debates seguidos (aqui, aqui, aqui e aqui) e de propor um debate pessoal comigo que depois que eu aceitei ele próprio desmarcou (e mesmo assim ainda mantém o “desafio” no “site” dele, para enganar seus leitores burros), o astronauta católico volta em mais uma de suas viagens astrais, dessa vez tentando pateticamente refutar meu artigo sobre "Os Pais da Igreja e a Imortalidade da Alma", com um aglomerado de distorções, textos isolados e deturpações nunca antes vistas pelo homem. Para se ter uma ideia do quão ruim que é, o artigo dele é quase pior do que o do Itard (não, não chegou a tanto ainda). O amadorismo do sujeito é tão flagrante que basta uma citação patrística com as palavras “fogo eterno” que o indivíduo já conclui triunfantemente que tal Pai da Igreja cria no “tormento eterno”. É por causa de “apologistas” amadores como Rafael que entendo perfeitamente bem Lutero quando disse que “papista e burro é a mesma coisa”[1].

Eu não vou refutar todas as sandices dele neste artigo porque são tantas que se fazem necessários vários artigos para refutar ponto por ponto das pilhérias (diferentemente dele, que “refuta” metade dos textos e finge que não viu a outra metade, eu refutarei os textos por completo). Hoje sairá a refutação apenas à introdução, e já tenho o esboço do próximo artigo, que será a refutação sobre Inácio. Não tenho data definida para a refutação da sequencia, mas tudo sairá a seu devido tempo, e quando terminar postarei aqui o artigo completo.


Refutando a Introdução

O texto amador inicia dizendo que “esta [a imortalidade da alma] é uma das doutrinas mais básicas para qualquer cristão”. Perdoarei este deslize porque sei que o astronauta católico não sabe o que é Cristianismo. Os credos e confissões de fé mais antigos rechaçam totalmente a ideia de que a imortalidade da alma era um “ponto fundamental para qualquer cristão”. O famoso Credo Apostólico (origem antiga) prega a ressurreição dos mortos, mas não nos diz nada sobre imortalidade da alma:

“Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja de Cristo; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna”

“Creio na imortalidade da alma” nunca foi e nunca será um ponto de fé. O Didaquê (Doutrina dos Doze Apóstolos), também de origem antiga, que alguns estudiosos afirmam ser do final do primeiro século, também nada fala de “imortalidade da alma”, nem como ponto de fé, nem como sugestão teológica. Mais uma vez, é a doutrina da ressurreição, e não a “imortalidade da alma”, que entra em cena no cenário escatológico e toma a primazia:

“Então aparecerão os sinais da verdade. Primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos. Ressurreição sim, mas não de todos, conforme foi dito: ‘O Senhor virá, e todos os santos estarão com ele’. Então o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu”[2]

Note ainda que a Didaquê, além de pregar a ressurreição sem fazer nenhuma referência direta ou indireta à imortalidade da alma, ainda é claramente pré-milenista (posição contrária ao amilenismo adotado pela Igreja Católica), pois afirma que na volta de Jesus somente os justos ressuscitarão, o que está em conformidade com a crença cristã pré-milenista de que os ímpios só ressuscitarão mil anos depois (ao final do milênio).

Quem também confirma que a Igreja primitiva adotava a ressurreição como crença principal, também sem fazer nenhuma alusão à imortalidade da alma e também demonstrando ter uma clara escatologia pré-milenista em contraste com a escatologia romana é Papias de Hierápolis (60-155 d.C), que nasceu ainda na era apostólica e chegou a conviver com alguns apóstolos e com seguidores diretos dos apóstolos. Eusébio de Cesareia (265-339), que viveu séculos mais tarde, na época em que a Igreja já tinha tido sua escatologia corrompida, reconheceu isso, dizendo:

“Entre essas coisas, ele [Papias] diz que haverá mil anos após a ressurreição dos mortos e que então o reino de Cristo se estabelecerá fisicamente nesta nossa terra”[3]

Justino (do qual ainda teremos muito a falar) também concorda com o milênio literal na terra (pré-milenismo) e assegura que aqueles que não creem na ressurreição não são cristãos, mas nunca disse que a imortalidade da alma fosse critério para alguém ser considerado cristão ou não:

“Se vós vos deparais com supostos Cristãos que não façam esta confissão, mas ousem também vituperar o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, e neguem a ressurreição dos mortos, sustentando antes, que no ato de morrer, as suas almas são elevadas ao céu, não os considereis cristãos. Mas eu e os outros, que somos cristãos de bem em todos os pontos, estamos convictos de que haverá uma ressurreição dos mortos, e mil anos em Jerusalém, que será construída, adornada e alargada, como os profetas Ezequiel e Isaías e outros declaram"[4]

Nem mesmo a Igreja dos séculos seguintes, numa época que já cria majoritariamente numa alma imortal, tinha a imortalidade da alma como um ponto fundamental de fé ou necessário para a salvação. O Credo Niceno-Constantinoplano, por exemplo, afirma:

“Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém”

Mais uma vez, a imortalidade da alma é esquecida e deixada totalmente de fora dos pontos de fé principais do cristão – e isso numa época em que a Igreja como um todo já cria que a alma era imortal!

Este padrão nem de longe foi mudado com a Reforma. Embora as igrejas reformadas adotassem a imortalidade da alma como ponto de fé, ela nunca foi considerada um “ponto fundamental”, daqueles que se precisa crer para a salvação, e nem mesmo um dos pontos mais importantes. Os famosos 39 artigos da Igreja Anglicana não falam em “imortalidade da alma” em lugar nenhum (esta, aliás, é uma das razões pelas quais ainda hoje há muitos anglicanos mortalistas), mas coloca a ressurreição como crença fundamental. Os 25 artigos de fé da Igreja Metodista também não falam nada de imortalidade da alma. A Confissão de Augsburgo, adotada pela Igreja Luterana e central no processo da Reforma, embora seja bem extensa, ignora completamente a doutrina da imortalidade da alma em seu escopo.

O próprio Martinho Lutero chegou a rechaçar a doutrina da imortalidade da alma com estas palavras:

“Contudo, eu permito ao papa estabelecer artigos de fé para si mesmo e para seus próprios fiéis – tais como: que o pão e o vinho são transubstanciados no sacramento; que a essência de Deus não gera nem é gerada; que a alma é a forma substancial do corpo humano; que ele [o papa] é o imperador do mundo e rei dos céus, e deus terreno; que a alma é imortal; e todas estas monstruosidades sem fim no monte de estrume dos decretos romanos – para que tal qual sua fé é, tal seja seu evangelho, e tal a sua igreja, e que os lábios tenham alface apropriada e a tampa possa ser digna da panela"[5]

Nas Escrituras, que nunca ensinaram imortalidade da alma, também fica claro que ela nunca foi “doutrina fundamental” (e nem pode ser “doutrina fundamental” aquilo que não é nem “doutrina”). Quando o autor de Hebreus elencou as doutrinas fundamentais, ele colocou essas:

“Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte, da fé em Deus, da instrução a respeito de batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno” (Hebreus 6:1-2)

Para variar, a ressurreição aparece de novo, e essa tal imortalidade da alma... nada. Não apenas o termo “imortalidade da alma” sequer existe na Bíblia, mas as próprias palavras aionios (eterno) ou athanatos (imortal) nunca aparecem nas Escrituras em associação à palavra psiquê (alma). E de todas as vezes que o apóstolo Paulo usou a palavra “esperança” em relação ao porvir, em nenhuma delas está associado a uma alma imortal, mas sempre à ressurreição (cf. At.23:6; 24:15; 26:6-8; Rm.8:23-24). Em minha opinião, estes são péssimos hábitos para quem crê que a imortalidade da alma é uma “doutrina fundamental”!

Em síntese, a imortalidade da alma nunca foi considerada uma “doutrina fundamental”, nem na igreja primitiva, nem no contexto da Reforma – nem por aqueles que criam na imortalidade da alma, e muito menos por aqueles que a rejeitavam. A sandice de que a imortalidade da alma é uma “crença básica para qualquer cristão” faz parte do “monte de estrume dos decretos romanos”, que precisa colocar a imortalidade da alma no patamar de “crença fundamental” para sustentar suas abominações como adoração às imagens, culto aos defuntos, purgatório, limbo, intercessão dos “santos” e todo o resto de doutrinas satânicas que tem como única finalidade desviar o cristão para longe de Cristo, e para mais perto dos mortos. É claro que para sustentar tantas aberrações e heresias é necessário um fundamento – é daí que surge a ideia de que a imortalidade da alma é uma “doutrina fundamental”, pois é ela que sustenta todas as demais. Mas que fique claro: imortalidade da alma é doutrina fundamental para o romanismo, não para o Cristianismo.

Seguindo com seu amadorismo típico, o astronauta esbraveja com o argumento manjado:

“Partindo do princípio da argumentação deles, poderíamos dizer que a ‘mortalidade da alma’ ou ‘aniquilacionismo’ também foi adotada do paganismo grego, já que Aristóteles, Epicureus e Estóicos também acreditavam que a alma morria e deixava de existir após a morte corporal. Dois pesos, duas medidas”

Antes disso eu já havia respondido a um certo “pastor” Jamierson em qual sentido que a imortalidade da alma é uma “doutrina pagã”. Para que fique claro também ao astronauta católico, uma doutrina pagã não é uma doutrina que um dia já tenha sido ensinada por algum pagão (se fosse assim, até a existência de Deus seria “paganismo”), mas sim uma doutrina que, na contramão do que ensina a Bíblia, passou a entrar no povo de Deus através do contato (sincretismo) com povos pagãos.

Os judeus só passaram a crer na imortalidade da alma após serem influenciados pelo platonismo, e por esta razão é uma crença “pagã”. Ou seja: não é por existir filósofos pagãos ensinando “x”, e sim porque a doutrina “x” veio de filósofos pagãos, e caiu na teologia deles. Entre uma coisa e outra há uma diferença monumental. A evidência histórica unânime é a de que os judeus eram holistas (posição que defende que a alma é o ser humano como um todo, que perece na morte), e só passaram a crer no dualismo a partir da diáspora, quando foram dispersos pelo mundo e influenciados pelo helenismo.

A grandemente respeitada Enciclopédia Judaica, em seu artigo referente à “Imortalidade da Alma”, declara explicitamente:

"A crença de que a alma continua existindo após a decomposição do corpo é uma especulação... que não é ensinada expressamente na Sagrada Escritura... A crença na imortalidade da alma chegou aos judeus quando eles tiveram contato com o pensamento grego e principalmente através da filosofia de Platão (427 - 347 a.C.), seu principal expoente, que chegou a esse entendimento por meio dos mistérios órficos e eleusianos, que na Babilônia e no Egito se encontravam estranhamente misturados"[6]

Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional também revela que os israelitas não criam na imortalidade da alma antes de serem tardiamente influenciados por Platão:

"Quase sempre somos mais ou menos influenciados pela ideia grega platônica, que diz que o corpo morre, mas a alma é imortal. Tal ideia é totalmente contrária à consciência israelita e não é encontrada em nenhum lugar do Antigo Testamento"[7]

O Dr. Samuelle Bacchiocchi, PhD pela Pontifícia Universidade Gregoriana (católica) e autor do estudo mais aprofundado sobre a constituição da natureza humana já escrito até hoje, acrescenta:

“Durante esse período inter-testamentário, o povo judeu esteve exposto, tanto em seu lar, na Palestina, quanto na diáspora (dispersão), à cultura e filosofias helenísticas (gregas) de grande influência. O impacto do helenismo sobre o judaísmo é evidente em muitas áreas, inclusive na adoção do dualismo grego por algumas obras literárias judaicas produzidas nessa época”[8]

Como sabemos, essa época da diáspora judaica se deu exatamente no período helenístico, onde os gregos impunham sua cultura aos povos conquistados:

“Designa-se por período helenístico (do grego, hellenizein – ‘falar grego’, ‘viver como os gregos’) o período da história da Grécia e de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre o Grande em 323 a.C e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 146 a.C. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava”[9]

Durante o período helenista foram fundadas várias cidades de cultura grega, e dentre elas destaca-se Alexandria, que era uma espécie de “centro do helenismo”, com forte concentração da cultura grega. Muitos judeus foram dispersos para essa cidade. Um dos judeus helenizados que começaram a propagar fortemente a imortalidade da alma foi Fílon, sobre quem a Enciclopédia Judaica afirma:

“Não há referências diretas na Bíblia para a origem da alma, sua natureza e sua relação com o corpo, e essas perguntas deram espaço para as especulações da escola judaica de Alexandria, especialmente de Filon, o judeu, que procurou na interpretação alegórica de textos bíblicos a confirmação de seu sistema psicológico. Nos três termos (‘ruach’, ‘nephesh’ e ‘neshamah’) Filon viu a corroboração da visão platônica de que a alma humana é tripartite (τριμεής), tendo uma parte racional, uma segunda mais espiritual, e uma terceira como sendo a sede dos desejos”[10]

O prof. David S. Dockery (Ph.D.) também afirmou:

“O propósito de Fílon era apologético no sentido de unir o judaísmo e a filosofia grega. Para ele, o judaísmo, se propriamente entendido, pouco diferia dos insights mais elevados da revelação grega. Deus revelou-se ao povo de Israel, a nação escolhida por Deus, mas essa revelação não era radicalmente diferente de sua revelação aos gregos”[11]

Essa crença grega foi originalmente rejeitada pelos judeus da palestina, como atesta a Enciclopédia Judaica citando o Talmude:

“Essa crença foi rejeitada pelos estudiosos do Talmude, que ensinaram que o corpo está em um estado de perfeita pureza (Ber. 10a;. Mek 43b), e está destinado herdar sua morada celestial (...) Os rabinos afirmaram que o corpo não é a prisão da alma, mas, ao contrário, o seu meio de desenvolvimento e aperfeiçoamento”[12]

Por isso mesmo, nada é dito na Enciclopédia Judaica sobre os judeus crerem que a alma é um elemento imaterial e imortal antes dessa helenização com as teses gregas. Ao contrário, ela diz claramente:

“Uma vez que a alma é concebida como sendo apenas a respiração (‘nephesh’, ‘neshamah’, comp. ‘anima’), e inseparavelmente ligada, senão identificada, com o sangue da vida (Gn 9:4; 4:11; Lv 17:11), nenhuma substância real pode ser atribuída a ela. Assim, quando o espírito ou sopro de Deus (‘Nishmat’ ou ‘Ruach Hayyim’), que é o que se acredita que mantém corpo e alma juntos, tanto dos homens como dos animais (Gn 2:7; 6:17; 7:22; Jó 27:3), é retirado (Sl 146:4) ou retorna a Deus (Ec 12:7; Jó 34:14), a alma desce ao Sheol ou Hades, para lá ter uma sombria existência, sem vida e consciência (Jó 14:21; Sl 6:5; 115:7; Is 38:19; Ec 9:5; 9:10). A crença em uma vida contínua da alma, que é a base da primitiva adoração aos antepassados e dos ritos de necromancia, praticados também pelo antigo Israel (1Sm 28:13; Is 8:19), foi desencorajada e suprimida pelo profeta como antagônica à crença em YHWH, o Deus da vida, o Governador do Céu e da Terra”[13]

E sobre o significado original de “espírito” entre os judeus da época do Antigo Testamento, ela declara:

“O relato mosaico da criação do homem fala de um espírito ou fôlego com que foi dotado por seu Criador (Gn 2:7), mas esse espírito é concebido como sendo inseparavelmente ligado, senão totalmente identificado, com o sangue da vida (Gn 9:4; 4:11; Lv 17:11). Somente através do contato dos judeus com o pensamento persa e grego surgiu a ideia de uma alma desencarnada, tendo sua própria individualidade[14]

Portanto, ao dizermos que a imortalidade é “uma doutrina pagã”, estamos meramente salientando que foi através da filosofia platônica (pagã) que os judeus passaram a adotar a visão dualista, e que essa visão predominou no mundo todo por meio do helenismo na época da transição do Antigo para o Novo Testamento. Bem ou mal, a filosofia de Aristóteles e de Epicuro sobre a alma não predominou. O que predominou foi a filosofia de Platão, o famoso filósofo grego que espalhou ao mundo todo seus conceitos dualistas, onde o corpo era essa carcaça física e a alma era um elemento imaterial e imortal que habitava dentro dele.

As ideias de Platão rapidamente ganharam uma enorme notoriedade e exerceram uma influência gigantesca sobre os demais povos, porque na época o império que dominava a maior parte do mundo era a Grécia, e os gregos eram muito eficientes em espalhar e divulgar seus conceitos filosóficos sobre o mundo. Foi assim que todos os povos foram, cada um a seu próprio grau, influenciados por esta doutrina estranha à Bíblia, que contrasta corpo e alma e concede imortalidade somente a esta última.

Se o astronauta católico tivesse o costume de estudar, também saberia que a filosofia mortalista de Epicuro e Aristóteles não tinha nada a ver com holismo crido pelos mortalistas bíblicos. Os mortalistas cristãos são holistas, o que significa dizer que cremos que a alma em sentido primário nada mais é senão o ser humano como um todo (segundo a descrição de Gênesis 2:7). Epicuro e Aristóteles jamais definiram “alma” deste jeito. Eles eram muito mais próximos dos dualistas, com a diferença de que achavam que a alma dentro do corpo morre, ao invés de sobreviver e ir para algum outro mundo, vagando por aí. Mas o mais importante é o fato de que a imortalidade da alma é “pagã” em função de ela não ter surgido na Bíblia (entre os hebreus), mas foi uma ideia comprada do paganismo muitos e muitos séculos mais tarde.

Assim sendo, a não ser que o astronauta católico prove com documentos históricos que os judeus eram desde sempre dualistas e que foi a filosofia de Epicuro ou de Aristóteles que tardiamente tornou as pessoas mortalistas, ele não tem qualquer justificativa em dizer que a mortalidade da alma é “pagã”, assim como a imortalidade da alma claramente é.

Continuando o show de desinformação e ignorância, o astronauta católico afirma ainda:

“Dentro do Cristianismo a heresia da ‘mortalidade da alma’ teve suas raízes em Arnóbio de Sica no final do século IV”

Nos próximos artigos eu provarei que os Pais apostólicos e apologistas em suma maioria eram condicionalistas, refutando a baboseira de que Arnóbio de Sica foi o “precursor”, mas como o astronauta católico admite que Arnóbio era mesmo um mortalista, então usemos o testemunho do próprio Arnóbio:

"Não há motivo, portanto, que nos engane, não há motivo que nos faça conceber esperanças infundadas aquele que se diz por alguns pensadores recentes e fanáticos pela excessiva estima de si mesmos que, as almas são imortais”[15]

Será que o astronauta católico não se deu conta de que Arnóbio não estava dando apenas uma “opinião pessoal” sobre o tema, mas sim afirmando enfaticamente que a doutrina da imortalidade da alma era uma heresia de “pregadores recentes”? Se a imortalidade incondicional era uma falsa doutrina que havia “recentemente” entrado na Igreja, então é óbvio que Arnóbio jamais foi o “precursor” dela. Se Arnóbio estivesse sozinho contra todo mundo da época, ele jamais teria dito que a imortalidade da alma era uma heresia recente, porque ela supostamente teria raízes históricas e era crida por toda a Igreja. O fato é que Arnóbio reconhecia que a doutrina nefasta da imortalidade incondicional da alma havia entrado recentemente na Igreja, através de “pregadores fanáticos” (tais como o astronauta católico), e isso é mais do que uma evidência de que os Pais da Igreja e demais cristãos de época mais anterior de fato não criam nessa asneira.

A outra possibilidade é que Arnóbio estivesse mentindo em seu testemunho de que a imortalidade natural da alma era uma doutrina que havia entrado recentemente na Igreja da época, mas isso seria completamente inútil naquela circunstância, uma vez que Arnóbio seria facilmente desmascarado por qualquer outro cristão se estivesse mentindo tão descaradamente. Seria como se alguém de hoje dissesse que a terra em forma de globo é uma invenção de “cientistas recentes e fanáticos”. Quem daria crédito a alguém que mentisse de forma tão grosseira? Ninguém. Arnóbio não ganharia nada com essa mentira, e não estava em tal condição. Somos instigados naturalmente a confiar em seu testemunho histórico, de que é a imortalidade natural da alma, e não a mortalidade, uma doutrina que entrou tardiamente na Igreja, no sentido contrário ao que era ensinado originalmente.

Mas espere, porque a coisa ainda vai piorar. O sujeito solta a pérola:

“Passando-se mais de um milênio de condenação, no século XIX, foi ressuscitada pelo protestantismo na figura de Edward White, e foi mais desenvolvida por Adventistas e Testemunhas de Jeová”

Este trecho, onde o astronauta católico cita alguém chamado Edward White (que ele nem sequer sabe quem foi), foi descaradamente plagiado deste artigo do blog do Itard (de data mais antiga). Para alguém copiar uma informação vinda de um embusteiro de primeira classe sem nenhuma capacidade teológica, você já deve ter uma ideia do nível. Apenas um verdadeiro poço de ignorância histórica poderia chegar ao cúmulo de sugerir a aberração de que “ninguém por mais de um milênio creu na mortalidade”. Quantos livros este rapaz já leu? Na cabeça (ou melhor, no capacete) do astronauta católico, Calvino devia estar refutando o vento quando escreveu seu tratado contra os aniquilacionistas (enquanto as pessoas com cérebro sabem que ele estava refutando os anabatistas). Mas se Calvino estava refutando os anabatistas, então os anabatistas criam na mortalidade da alma. E se eles criam na mortalidade da alma, lá se vai a tese esdrúxula de que Edward White “ressuscitou” essa doutrina. Para o lixo este argumento.

O próprio Martinho Lutero, que como vimos repudiou pelo menos por algum tempo a doutrina da imortalidade da alma, se correspondeu com um mortalista chamado Nicholas von Amsdorf, que cria no sono da alma. Isso não apenas demonstra a existência de não-imortalistas no século XVI, como também que eles eram relevantes, pois Lutero dizia que não tinha argumentos para refutá-los e que estava inclinado a concordar com a opinião deles sobre a alma:

"A respeito de suas ‘almas’, eu não tenho conhecimento suficiente para te responder. Eu estou inclinado a concordar com sua opinião que as almas simplesmente dormem e que elas não sabem onde estão até o dia do Julgamento. Sou levado a esta opinião pela palavra das Escrituras: ‘Eles dormem com seus pais’. Os mortos que foram levantados por Cristo e pelos apóstolos testificam este fato, já que é como se eles estivessem acabado de ser acordados do sono e não sabem onde eles estiveram. A isto pode ser adicionado as experiências extáticas de muitos santos. Eu não tenho nada com o qual eu poderia derrubar esta opinião (...) Quem sabe como Deus lida com as almas que partem? Não poderia [Deus] da mesma forma simplesmente fazê-las dormir e acordar (ou enquanto ele deseja [que elas durmam]), assim como ele submete ao sono aqueles que vivem na carne?"[16]

Alguns estudiosos que já leram todos os escritos de Lutero chegaram à conclusão de que em seus escritos há mais de 300 alusões à psicopaniquia, em que ele rejeita o conceito tradicional de “imortalidade da alma”. Entre outras coisas, ele disse:

“Os mortos estão completamente adormecidos e não sentem absolutamente nada... eles jazem lá sem contar os dias ou anos; mas quando eles forem levantados, parecer-lhes-á que só dormiram por um momento”[17]

E também:

“Salomão conclui que os mortos estão dormindo, e nada sentem, em absoluto. Pois os mortos ali jazem, sem contar os dias nem os anos, mas quando forem despertados, terão a impressão de ter dormido apenas um minuto”[18]

Ele disse isso trezentos anos antes de qualquer pessoa ouvir falar em um “Edward White”.

O erudito Bryan W. Ball, em um estudo aprofundado sobre o mortalismo e suas variantes na história cristã, afirmou:

“Em meados da década de 1520, a psicopaniquia era defendida na Áustria, Suíça, França e Holanda, bem como na Alemanha. Em 1527, o líder anabatista suíço Michael Sattler foi queimado na fogueira, condenado sob várias acusações de heresia, incluindo negar a eficácia da intercessão da Virgem Maria e dos santos que já morreram (visto que, como todos os fiéis, eles estavam dormindo, aguardando a ressurreição e o juízo final). Na Holanda, Anthony Pocquet, ex-padre e doutor em direito canônico, proclamou que a obra redentora de Cristo culminaria na ressurreição dos justos. Os crentes que morreram em antecipação da ressurreição estavam dormindo na sepultura”[19]

Além disso, G. H. Williams demonstrou que a maioria dos líderes da chamada “Reforma Radical” eram mortalistas. Por razões do destino, os reformistas radicais não tiveram voz maior porque não prevaleceram nos lugares onde se instalaram (a Reforma tradicional acabou predominando).

Outro reformador que defendeu enfaticamente o mortalismo bíblico e cristão foi o célebre William Tyndale (1484-1536), o tradutor das Escrituras que foi queimado pela Igreja papal, e, enquanto as chamas devoravam seu corpo, dizia: “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. A posição de Tyndale sobre a alma era a seguinte:

“E vós, colocando-as [as almas que partiram] no céu, no inferno ou no purgatório, destruís os argumentos mediante os quais Cristo e Paulo provam a ressurreição (...) E mais, se as almas estão no céu, dizei-me por que não estão em tão boas condições como os anjos? E então, que motivo existe para a ressurreição?”[20]

O astronauta católico também se esqueceu de Tyndale, porque Tyndale não é citado no texto do embusteiro Itard, de onde ele copiou a informação.

Bryan W. Ball menciona ainda a existência histórica de dezenas de milhares de mortalistas na Inglaterra, por volta dos séculos XVII e XVIII:

“Embora não se possa estabelecer quantos mortalistas havia em toda a Inglaterra na época, esta quantidade deve ter sido considerável. Uma Confissão de Fé Batista, publicada em 1660, com dois mortalistas proeminentes como signatários, afirmava representar 20 mil seguidores só em Kent, Sussex e Londres, e um panfleto publicado em 1701 acusou um dos signatários de propagar heresia em toda a região. Um antigo documento, descoberto apenas em 2007, fornece evidências de que o mortalismo ainda era forte entre os Batistas Gerais em Kent e Sussex em 1745. Parece além de dúvida que a crença mortalista prevaleceu entre os batistas no sudeste da Inglaterra por pelo menos 200 anos”[21]

Estamos falando de vinte mil pessoas em um só lugar, em uma época em que o astronauta católico jura de pés juntos que não existia um só mortalista em todo o planeta, até chegar o tal do Edward White, o “ressuscitador” da doutrina mortalista no século XIX. Que piada.

Há inúmeros outros nomes de destaque entre os séculos XVI e XIX que adotaram alguma vertente do mortalismo bíblico, rejeitando a imortalidade incondicional da alma e sua consciência pós-morte. Entre eles está John Milton (1608-1674), um dos maiores poetas sacros, que era secretário de Cromwell. Ele disse:

“Visto, pois, que o homem todo, como se diz, consiste uniformemente do corpo e alma (quaisquer que sejam os distintos campos atribuídos a essas divisões), mostrarei que, na morte, primeiro, o homem todo, e depois, cada parte componente sofre a privação da vida (...) A sepultura é a comum custódia de todos, até o dia do juízo”[22]

O astronauta católico conhece John Milton? Não, porque John Milton também não é citado no texto de Itard.

Para não perder muito tempo aqui citando outras dezenas de famosos mortalistas cristãos antes de Edward White, passarei aqui apenas a lista fornecida por Bryan W. Ball em seu estudo histórico supracitado:

• Jeremy Taylor (1613-1667), bispo anglicano e autor e capelão para o rei Charles I.

• John Locke (1632-1704), o filósofo empirista cujas ideias influenciaram o pensamento na Inglaterra nos dois séculos seguintes. Seus escritos ainda são leitura obrigatória para os estudantes de filosofia.

• Henry Layton (1622-1705), advogado, defensor mais prolífico do mortalismo, que produziu 1.500 páginas no total, a maior parte em réplica a defensores do conceito tradicional [isto é, a imortalidade da alma].

• William Coward (1657-1725), médico e membro do Colégio de Cirurgiões, que argumentou que a ideia de a substância imaterial ter existência é autocontraditória e contrária à razão, dizendo: “Eu posso conceber uma brancura negra tão logo elabore esse tipo de ideia em minha mente”.

• Edmund Law (1703-1787), bispo de Carlisle e professor de filosofia moral na Universidade de Cambridge, onde ele defendeu sua tese de doutorado sobre tanatopsiquismo [i.e, aniquilacionismo] em 1749.

• Peter Peckard (1718-1797), vice-reitor da Universidade de Cambridge e deão de Peterborough, um dos mais articulados apologistas do mortalismo.

• Francis Blackburne (1782-1867), outro graduado de Cambridge, discípulo de Locke, amigo de Law, e o primeiro historiador do pensamento mortalista inglês, tendo traçado as origens então conhecidas do mortalismo remontando ao século XV.

• Joseph Priestley (1733-1804), o cientista conhecido por sua “descoberta” do oxigênio, mas imerecidamente não tão conhecido como um erudito bíblico competente, que chegou a conclusões mortalistas por meio de seu próprio estudo do texto.

Quando um astronauta católico embusteiro confia e copia a informação de um pseudo-apologista protestante igualmente embusteiro e fraudulento, só podia dar nisso: um verdadeiro festival de desconhecimento e ignorância histórica, capaz de deixar de queixo caído qualquer principiante na arte da investigação histórica. É de dar nojo ver tanta mentira e desinformação a serviço de uma mentira comprada do paganismo. O astronauta católico poderia pelo menos se dar ao trabalho de buscar ler um livro de história para não se prestar a um papel tão baixo como esse, mas nem isso é capaz. Que lástima.

Calma, porque isso é só a introdução do texto dele. O que vem depois disso é mais um festival ainda mais pitoresco de distorções, manipulações, malabarismos para negar o óbvio e muitas, muitas outras pérolas. Se isso é só o começo, vocês devem imaginar o que vem depois. Comentarei sobre essas outras sandices e devaneios um próximo artigo em breve. Não percam.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)


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[1] Citado por Döllinger, La Réforme, III, 138.
[2] Didaquê, 16:6-8.
[3] Fragmentos de Papias, 12.
[4] Diálogo com Trifão, c. 80.
[5] Martinho Lutero, Assertio Omnium Articulorum M. Lutheri per Bullam Leonis X. Novissimam Damnatorum.
[6] Enciclopédia Judaica, 1941, vol. 6, A Imortalidade da Alma, pp. 564, 566.
[7] Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional, 1960, vol. 2, Morte, p. 812.
[8] BACCHIOCCHI, Samuele. Imortalidade ou Ressurreição: Uma abordagem bíblica sobre a natureza e o destino eterno. Unaspress, 1ª edição, 2007.
[10] Enciclopédia Judaica, 1941, Alma.
[11] DOCKERY, David S. Hermenêutica Contemporânea à luz da igreja primitiva. Editora Vida: 2001, p. 76.
[12] ibid.
[13] Enciclopédia Judaica, 1941, vol. 6, A Imortalidade da Alma, pp. 564, 566.
[14] Enciclopédia Judaica, 1941, Alma.
[15] Contra os Pagãos Livro II, 14-15.
[16] Lutero, em Carta a Nicholas von Amsdorf.
[17] Lutero, “Notes on Ecclesiastes” [“Notas sobre Eclesiastes”], em Luther’s Works [Obras de Lutero], traduzido e editado por J. Pelikan e editado por H. T. Lehmann (St. Louis, MO: Concórdia, 1972), 15:150.
[18] An Exposition of Solomon’s Book, Called Ecclesiastes or the Preacher, 1573, fl. 151 v.
[20] An Answer to Sir Thomas More’s Dialogue, liv. 4, cap. 4, págs. 180 e 181.
[22] Treatise of Christian Doctrine, vol. 1, cap. 13.

5 comentários:

  1. Achei que o artigo fosse literalmente sobre um astronauta católico.
    Até achei que até teria fotos desse astronauta na lua :/

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  2. Parte 1
    34 Indignado Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco, conforme a tradição, e pranteou durante muitos dias por seu amado filho. 35 Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: “Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” E continuou a chorar a perda de seu filho José. Gênesis 37.
    Jacó pensava que José havia sido comido por uma fera conforme seus demais filhos lhe dissera. Se os judeus não acreditavam em alma que não seja o corpo, por que Jacó disse que se encontraria com José? Se ele realmente tivesse sido morto comido pela a fera conforme Jacó acreditava e se os judeus não acreditavam em alma, Jacó não teria dito isto. Lógico que eles sabiam da alma porque o homem tornou-se a alma vivente. Só que as Escrituras retratam a morte como um sono no sheol. Entretanto, o espírito, mesmo no Sheol está sob o poder do DEUS que pode acordá-lo e usá-lo como quiser, Até ‘JESUS’ disse: Para ELE todos estes vivem’. Entretanto, parece que poucas vezes aconteceu de O DEUS despertar e usar um morto. Poucas porque veja que Moisés apareceu na transfiguração; Veja que o sumo sacerdote Josué apareceu como vivo e com a veste suja em relatos proféticos... Deve-se lembrar que o Apóstolo Paulo citou o corpo físico como sendo uma casa de morada de um deus, ou seja, um tabernáculo e também como uma vestimenta sobre a alma que também é chamada de espírito. Aliás, espírito em hebraico significa VENTO literalmente, mas também é a mesma palavra usada a tudo que existe, mas não se pode ver aos olhos humanos como por exemplo: O próprio DEUS, 'JESUS' pré e pós humanos, os anjos santos ou malignos, o diabo e claro, a alma. Aí você pode dizer: está escrito que a palavra do DEUS penetra até a divisa do espírito com a alma. Sim, Ela faz distinção para provar que alma pode ser chamada de espírito, mas nem todo espírito pode ser chamado de alma porque almas são seres construído de esípirito, já espírito é a essência, isto é, a matéria prima dos quais são feitas as coisas que não se pode enxergar, tronos celestiais, lago de fogo, etc. E espíritos, se tratando de almas, isto é, seres desencarnados podem sim sentirem dores. Isto nos é informado na parábola do rico e Lázaro que nos dá, além da lição que você mencionou, outras lições como: Passou (na Era da NOVA ALIANÇA) a haver um abismo entre os locais dos mortos separando-os. Se não me falha a memória, o texto que diz que "ninguém subiu aos céus senão aquele que desceu" fala que ao subir levou preso em si a prisão, de modo que no mundo dos mortos, passou haver uma diferença nos locais de descanso para justos e iníquos. Os mortos da grande tribulação que não adoraram a besta fera aparecem embaixo do altar nos céus e João os viu pedir julgamento pelos seus sangues. Isto mostra que os mortos justos passaram a receber um lugar de descanso diferente dos ímpios e esses que certamente pertencem aos 144 mil que reinarão com o Messias, aparecem, mesmo mortos e antes da ressurreição do último dia deste sistema mundano, como conscientes. Isto contradiz as Escrituras? Não. Porque está escrito que ao ser prometido uma NOVA ALIANÇA, indica isto que a antiga não estava sendo suficiente e que estava saindo para dar lugar a nova e na nova, O MESSIAS nos deu novos ensinamentos. Aí você poderá dizer: Então exclua o Velho Testamento da Bíblia. Não. Ele contém as sombras do vindouro e contém os profetas que também é base para a CONGREGAÇÃO DO MESSIAS.

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  3. Parte 2

    Vale lembrar que desde que seja baseada ou seja, fundamentada nos Apóstolos e Profetas a CONGREGAÇÃO podia lançar doutrina pois foi dito que "o que os Apóstolos oficiais ligassem na terra, seria ligado nos céus" e também "deixando de lado os primeiros ensinos acerca do MESSIAS como batismo etc, deviam prosseguir para a perfeição. O que não pode é oficializar coisas que não tem fundamento nos Apóstolos, Profetas, também o MESSIAS. Estou falando isso, porque é o que está nas Escrituras. A propósito, na carta de Judas é citado que Enoc profetizou o julgamento, mas nas Escrituras não existe nada sobre o Profeta Enoc, o que nos pode a levar a tomar como verdadeiro o Livro de Enoc que se encontra na Bíblia dos etíopes. Sendo assim, isto mostra que houve Livros santos que não estão nas Escrituras. Pelo o pouco que vi sobre o Livro de Enoc, parece que ele mostra alguma semelhança entre a mitologia com os demônios. Ora! Eles são pertencentes ao mundo espiritual, portanto, qualquer índice de mudança lá poderia perceber e relatar aos sacerdotes deles que transmitiam esses anúncios ao paganismo. Vale lembrar que a queda do diabo aconteceu ainda no tempo do princípio, mas não sua expulsão. Veja que em Jó mostra que ele tinha acesso aos céus, mesmo já sendo Satanás, o Diabo. Inclusive se apresentava na reunião dos Filhos do DEUS nos céus. Não à toa os magos do oriente orientando-se pelo o zodiaco foram ver o MESSIAS do DEUS quando Ele nasceu em Judá. Não se iluda: Satanás, o Diabo, foi expulso do Céus somente após o MESSIAS ter sido ungido e voltado aos céus. Portanto o Diabo poderia ter visto que O ALTÍSSIMO mudaria a situação do sheol e anunciou de antemão aos seus sacerdotes pagãos.
    Não hesitou João em escrever que a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Ora, Hades é a morada dos mortos, ou mundo subterrâneo. Não faz lógica João ter dito isto senão estivesse se referindo ao anjo da morte que os gregos chamavam de deus dos mortos. Paz e fique bem.

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    Respostas
    1. Eu sinceramente não sei pra que escrever um texto tão gigante se é só para repetir e repetir e repetir os mesmos jargões e falácias do imortalismo, os quais já foram refutados milhares e milhares e milhares de vezes, mas vocês continuam insistindo nesses argumentos falidos e ultrapassados assim mesmo, porque não tem mais o que fazer. Também não sei por que você escreve o nome Jesus entre aspas. Você é um "servo de yahushua"?

      Para não perder tempo destruindo parte por parte do seu discurso, segue o link onde cada uma das argumentações é refutada uma a uma:

      1) Sobre o significado de Sheol e Hades:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/07/o-sheol-hades-e-uma-morada-de-almas.html

      2) Sobre Jacó ver José no Sheol, veja a CAIXA DE COMENTÁRIOS deste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/06/comentando-o-debate-sobre-lucas-2343-e.html

      3) Sobre o significado de "espírito" (que você distorceu):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/conceitos-basicos-de-alma-e-espirito.html

      4) Sobre o "Deus de vivos, não de mortos":

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/deus-de-vivos-e-nao-de-mortos.html

      5) Sobre "deixar o tabernáculo" / "partir e estar com Cristo":

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/partir-e-estar-com-cristo.html

      6) Sobre a parábola do rico e Lázaro:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/07/estudo-completo-e-aprofundado-sobre.html

      7) Sobre as "almas debaixo do altar":

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/as-almas-debaixo-do-altar.html

      8) Sobre o "lago de fogo":

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/o-que-e-o-lago-de-fogo.html

      9) Sobre Satanás só ter sido expulso do céu "DEPOIS" que Jesus voltou ao céu:

      "Ele respondeu: Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago" (Lucas 10:18)

      Jesus disse isso antes de ter voltado ao céu.

      Abraços.

      P.S: o que é essa "congregação do Messias"?

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