22 de junho de 2015

Irineu de Lyon em defesa da Sola Scriptura


A despeito das citações descontextualizadas usadas pelos romanistas em cima de algumas poucas passagens em Irineu de Lyon (130-202) onde ele fala sobre uma tradição Escriturística e não de uma tradição extra-bíblica (o que examinaremos em um instante), Irineu foi um dos mais enfáticos pregadores da Sola Scriptura no século II. Foi ele quem disse que as Escrituras são o pilar e o fundamento da nossa fé:

"De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, para que sejam o fundamento e pilar de nossa fé[1]

O fundamento é o principal de uma edificação, pois é ele o que dá base e sustento a toda a construção. Qualquer coisa que esteja fora do fundamento está fadado a desabar. Irineu identifica as Escrituras como sendo este fundamento da nossa fé. Assim sendo, a conclusão lógica que podemos chegar é que todas as doutrinas cridas pelos primeiros cristãos tinham uma base Escriturística, pois a Bíblia era o único fundamento e pilar. A tradição não podia fundamentar doutrinas, porque ela não era um fundamento.

Irineu não identifica mais de um fundamento nem mais de um pilar. A Escritura não divida lugar com a tradição. Ele não diz que a tradição era o fundamento e a Escritura o pilar, ou vice-versa. Tanto o fundamento como o pilar, que representam autoridade, são as Escrituras. Algo que está fora do fundamento não se sustenta. Tradições não-bíblicas era um conceito completamente fora de cogitação para Irineu. É por isso que a verdadeira doutrina deveria estar em diligente harmonia com as Escrituras:

"O verdadeiro conhecimento é a doutrina dos apóstolos, e a antiga constituição da Igreja em todo o mundo, e a manifestação distinta do Corpo de Cristo conforme as sucessões dos bispos, pelas quais eles transmitiram aquela Igreja que existe em todos os lugares, e chegou até nós, sendo guardada e preservada sem nenhuma falsificação nas Escrituras, por um sistema muito completo de doutrina, e sem receber adição nem subtração; e a leitura [da Palavra] sem falsificação, e uma exposição lícita e diligente em harmonia com as Escrituras, sem perigo nem blasfêmia, e o preeminente carisma do amor, o qual é mais precioso do que o conhecimento, mais glorioso do que a profecia, e que excede todos os outros dons"[2]

Para Irineu, a doutrina tinha que estar em diligente harmonia com as Escrituras para ser uma exposição lícita sem perigo de blasfêmia. Ele também se expressava contra a ideia de que possam existir doutrinas fora da Escritura, pois disse que a Bíblia é um sistema muito completo de doutrina. Se é um sistema completo, não pode estar faltando nada. Em uma única declaração, ele refuta toda a base do catolicismo romano.

Para Irineu, a doutrina tinha que estar em harmonia com as Escrituras; para os romanistas, basta a tradição para fundamentar doutrinas. Para Irineu, a Escritura é um sistema completo de doutrina; para os papistas, a Escritura não contém todas as doutrinas e carece do complemento da tradição. Há uma visível e notável distinção entre o pensamento de Irineu, notavelmente Sola Scripturista, e o parecer romanista atual, claramente corrompido com o passar dos séculos.

Ainda temos que ressaltar que Irineu complementa dizendo que este sistema muito completo de doutrina, que se encontra na Escritura, não pode receber adição nem subtração. Assim sendo, nenhuma doutrina pode ser retirada deste sistema completo de doutrinas (Escrituras), e nenhuma doutrina pode acrescentada a ele. Isso é exatamente o mesmo que os reformadores pensavam em relação à Sola Scriptura – nenhuma doutrina pode ser acrescentada ou retirada em relação ao que está na Bíblia – e o oposto dos católicos romanos, que adicionam doutrinas não-bíblicas sustentadas unicamente pela tradição.
                                  
Irineu ainda diz:

“Leia com maior diligência aquele evangelho que nos foi dado pelos apóstolos; e leia com maior diligência os profetas, e você encontrará cada ação e toda a doutrina de Nosso Senhor neles pregados[3]

Uma descrição mais perfeita e exata de Sola Scriptura do que essa é impossível. Para Irineu, toda a doutrina de Jesus estava nas Escrituras. Ele não diz que parte da doutrina estava na tradição oral e que outra parte estava na Bíblia, mas sim que no evangelho dado pelos apóstolos e nos profetas estava toda a doutrina pregada pelo Senhor Jesus. É por isso que ele critica duramente aqueles que criam em doutrinas que não foram escritas, dizendo que tais homens estão acrescentando palavras à Escritura e descuidando do texto bíblico:

Leem coisas que não foram escritas e, como se costuma dizer, trançando cordas com areia, procuram acrescentar às suas palavras outras dignas de fé, como as parábolas do Senhor ou os oráculos dos profetas ou as palavras dos apóstolos, para que as suas fantasias não se apresentem sem fundamento. Descuidam a ordem e o texto das Escrituras e enquanto lhes é possível dissolvem os membros da verdade. Transferem, transformam e fazendo de uma coisa outra seduzem a muitos com as palavras do Senhor atribuídas indevidamente a fantasias inventadas”[4]

Ele conclui este ponto dizendo que tais pessoas, que creem em doutrinas não-escritas, são ignorantes e estão acrescentando coisas ao evangelho:

“São, pois, fúteis, ignorantes e presunçosos os que rejeitam a forma sob a qual se apresenta o evangelho, ou introduzem no evangelho um número de figuras maior ou menor do que o referido”[5]

O que deveríamos esperar caso Irineu ressuscitasse e visse uma igreja ensinando doutrinas extra-bíblicas, fundamentadas exclusivamente sobre uma tradição não-escrita, acrescentando doutrinas ao evangelho bíblico, sem total harmonia com as Escrituras e ainda dizendo que a Bíblia não é um sistema completo de doutrinas, e que eles têm outras mais na tradição?


• A tradição em Irineu

É fato inegável que Irineu falou sobre a tradição da Igreja. Nenhum cristão evangélico discorda disso. Mas a questão é: em que sentido Irineu se referiu à tradição? Para Irineu, a tradição apostólica era uma fonte de revelação paralela às Escrituras (ou seja, uma regra de fé que revela doutrinas que as Escrituras não mostram) ou seria simplesmente o ensino do conteúdo das próprias Escrituras?

Para isso, vamos ao próprio Irineu, que responde:

"Não pequena discussão havia ocorrido entre os irmãos de Corinto, e a Igreja de Roma enviou uma poderosa carta aos coríntios, exortando-os à paz, renovando a sua fé e declarando a tradição que tinha recentemente recebido dos apóstolos, proclamando um Deus onipotente, Criador do céu e da terra, o Criador do homem, que trouxe o dilúvio e chamou Abraão, que falou com Moisés, que estabeleceu a lei, que enviou os profetas, e que preparou o fogo para o diabo e seus anjos. A partir deste documento, todo aquele que lê-lo pode saber que Ele, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, foi pregado pelas Igrejas, e também pode compreender a tradição da Igreja"[6]

Irineu diz que a Igreja de Roma enviou através de seu principal bispo, Clemente, uma carta à Igreja de Corinto, mostrando a tradição que tinha recentemente recebido dos apóstolos. Se a tradição daquela época era a mesma tradição que os católicos romanos reclamam para si mesmos hoje, esperaríamos obviamente a revelação daquilo eles chamam hoje por tradição, ou seja:

• Assunção de Maria.
• Purgatório.
• Confissão Auricular.
• Extrema-Unção.
• Indulgências.
• Reza aos mortos.
• Imaculada conceição e outros dogmas marianos.
• Primazia universal jurisdicional do bispo romano.
• Infalibilidade papal.
• Culto às imagens.
• Celibato obrigatório do clero.
• Maria como "Rainha dos Céus".
• Limbo.
• Outras doutrinas não-Escriturísticas advindas da "tradição".

Mas, ao contrário, o que ele chama de tradição é exatamente aquilo que está claramente nas Escrituras, isto é:

• A existência de um Deus onipotente e criador do céu e da terra.
• A existência do dilúvio.
• O chamado de Abraão e de Moisés.
• A Lei.
• Os Profetas.
• O fogo do juízo para o diabo e seus anjos.

Nada daquilo que Irineu chamava de tradição da Igreja tinha qualquer ligação com um conteúdo que estivesse fora das Escrituras, mas, ao contrário, diz respeito àquilo que está explicitamente presente nela. Isso podemos observar também ao longo de todos os lugares da obra de Irineu:

"A Igreja, embora dispersa através de todo o mundo, até os confins da terra, recebeu dos apóstolos e de seus discípulos essa fé: num Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, e do mar, e de todas as coisas que neles há, e em Cristo Jesus, o Filho de Deus, que se encarnou para a nossa salvação, e no Espírito Santo, que proclamou através dos profetas as dispensações de Deus, os adventos, o nascimento através de uma virgem, a paixão, a ressurreição dos mortos, a ascensão para o Céu em carne do nosso amado Cristo Jesus, nosso Senhor, e a Sua futura manifestação do Céu na glória do Pai, para reunir todas as coisas em uma e levantar de novo toda a carne de toda a raça humana, a fim de que a Jesus Cristo, nosso Senhor, Deus, Salvador e Rei, de acordo com a vontade do Pai invisível, se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que por Ele deve ser executado o juízo para todos, e que os anjos que transgrediram e se tornaram apóstatas, juntamente com os ímpios e profanos entre os homens, sejam condenados ao fogo eterno, mas no exercício da Sua graça conferir imortalidade ao justo e santo, e àqueles que mantiveram Seus mandamentos e perseveraram em Seu amor, alguns desde o início e outros desde o seu arrependimento, e conduzi-los à eterna glória. Como já observado, a Igreja, tendo recebido essa pregação de fé, embora espalhada por todo o mundo, cuidadosamente a preserva"[7]

Aqui novamente vemos que tudo aquilo que a Igreja recebeu dos apóstolos como ponto de fé e que é chamado de "tradição" pelos Pais diz respeito exclusivamente a doutrinas pregadas claramente nas Escrituras, tais como:

• A existência do Deus Todo-Poderoso criador dos céus e da terra.
• A encarnação de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
• A existência do Espírito Santo.
• Os adventos de Cristo.
• O nascimento através de uma virgem.
• A paixão de Cristo.
• A Sua ressurreição dos mortos.
• A Sua ascensão aos céus em carne.
• A futura volta de Jesus.
• A ressurreição geral dos mortos no fim dos tempos.
• A divindade e reinado de Cristo Jesus, nosso Senhor.
• O juízo vindouro.
• A condenação ao diabo e aos ímpios.
• A vida eterna concedida aos justos e santos.

Novamente, a tradição apostólica em nada tinha a ver com doutrinas extra-bíblicas que não são ensinadas nas Escrituras, mas sim àquilo que está claramente na Bíblia, e que por sinal são cridas por todo e qualquer evangélico que rejeita a falsa "tradição" de Roma, que em nada tem a ver com a verdadeira e legítima tradição pregada pelos Pais. É como James White afirmou:

“Não há um único item arrolado por Irineu que não possa ser demonstrado diretamente das páginas do texto sagrado. Por conseguinte, obviamente, sua ideia de ‘tradição’ não concede a Trento qualquer sustentação, pois a definição de Trento não reivindica um resumo Escriturístico derivado da verdade do evangelho, mas uma revelação inspirada transmitida oralmente por intermédio de um católico romano”[8]

E Irineu continua:

"Muitos povos bárbaros que creem em Cristo, se atêm a esta maneira de proceder; sem papel nem tinta. Levam a salvação escrita em seus corações pelo Espírito e preservam cuidadosamente a antiga tradição, acreditando em um único Deus, o Criador do céu e da terra, e todas as coisas nele, por meio de Cristo Jesus, o Filho de Deus, que por causa de Seu amor pela sua criação condescendeu em ser nascido da virgem, unindo o homem através de Si mesmo a Deus, e, depois de ter sofrido sob Pôncio Pilatos, subiu novamente aos céus, sendo recebido em esplendor, e virá em sua glória como o Salvador daqueles que são salvos, e como juiz daqueles que serão julgados, enviando para o fogo eterno aqueles que transformaram a verdade e desprezaram o Seu Pai e seu advento. Aqueles que na ausência de documentos escritos acreditam nessa fé, sendo bárbaros até no que diz respeito à nossa língua, mas no que dizem respeito à doutrina, moral e teor de vida são, por causa da fé, muito sábios, pelo favor de Deus, conversando em toda a justiça, castidade e sabedoria. Se alguém fosse pregar a esses homens as invenções dos hereges, falando com eles em sua própria língua, eles iriam tampar de uma só vez os ouvidos e fugiriam ao mais longe possível, não suportando até mesmo escutar tais blasfêmias. Assim, por meio da antiga tradição dos apóstolos eles não têm sua mente aberta para conceber qualquer doutrina sugerida por esses mestres"[9]

Irineu diz que existiam povos bárbaros que não tinham nem papel nem tinta, mas que mesmo assim seriam salvos por meio daquilo que é pregado através da antiga tradição dos apóstolos. Esse seria o momento mais perfeito para que Irineu mostrasse que as Escrituras não são suficientes e que existem doutrinas fora da Bíblia que são igualmente necessárias para a salvação do homem, como prega a Igreja Romana. Contudo, tudo aquilo que ele ensina como sendo a tradição apostólica diz respeito àquilo que já está na Bíblia, tais como:

• A existência de um Deus criador dos céus e da terra.
• A existência de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
• A encarnação de Cristo através de uma virgem.
• A mediação de Cristo.
• A ascensão de Cristo.
• A glorificação de Cristo.
• A volta de Jesus em glória.
• O juízo vindouro.
• A condenação dos ímpios.
• A salvação dos justos.

Mais uma vez, todos os pontos que são considerados como "tradição apostólica", os quais Irineu diz que os povos bárbaros criam neles mesmo sem papel nem tinta (ou seja, apenas por meio do ensino ou tradição oral), diz respeito ao conteúdo das Escrituras, e não a algo que esteja fora ou escondido delas. É por isso que essa tradição tinha que ser confirmada por provas bíblicas, como o mesmo diz claramente:

"Uma vez que a tradição dos apóstolos existe na Igreja e é permanente entre nós, vamos voltar para as provas bíblicas por aqueles apóstolos que também escreveram o Evangelho e que registraram a respeito de Deus, apontando que nosso Senhor Jesus Cristo é a verdade, e que nenhum mentira há nele"[10]

Sendo assim, é evidente que a tradição apostólica que era crida pelos Pais da Igreja em nada tinha a ver com doutrinas não-bíblicas que as Escrituras não ensinam em lugar nenhum, mas sim a doutrinas que tem que ser provadas pela própria Bíblia, o que destrói o conceito católico-romano acerca daquilo que eles consideram "tradição". Os papistas tiram grosseiramente do contexto os textos em que Irineu fala sobre “tradição”, tentando manipular a mente dos mais incautos para que pensem que este bispo de Lyon acreditava na tradição no mesmo sentido que os romanistas defendem – quando era exatamente o contrário.

O próprio Irineu era o primeiro a rejeitar as tradições orais que ensinavam doutrinas fora das Escrituras, como os gnósticos faziam. Sobre eles, ele disse:

“Leem coisas que não foram escritas e, como se costuma dizer, trançando cordas com areia, procuram acrescentar às suas palavras outras dignas de fé, como as parábolas do Senhor ou os oráculos dos profetas ou as palavras dos apóstolos, para que as suas fantasias não se apresentem sem fundamento. Descuidam a ordem e o texto das Escrituras e enquanto lhes é possível dissolvem os membros da verdade. Transferem, transformam e fazendo de uma coisa outra seduzem a muitos com as palavras do Senhor atribuídas indevidamente a fantasias inventadas”[11]

Os gnósticos, por meio de uma tradição oral, ensinavam doutrinas fora da Bíblia, acrescentando coisas à Palavra de Deus, e descuidando da ordem e do texto das Escrituras, e são claramente repreendidos por Irineu por causa disso. Ele rejeita a tese de que a verdade nos foi legada por viva voz, ao invés de em documentos escritos:

“Eles [gnósticos] alegam que a verdade não foi entregue por meio de documentos escritos, mas de viva voz”[12]

A “tradição” papista se parece muito mais com que a que foi rejeitada por Irineu do que com a que foi aceita por ele. A tradição que Irineu cria e sustentava era uma tradição com total base bíblica de ensino, a qual todo e qualquer evangélico crê. A tradição que ele rejeitava era uma que acrescentava às Escrituras doutrinas não-escritas, exatamente como aquela que os romanistas creem. Assim, o tiro sai pela culatra e o argumento papista em torno da tradição de Irineu se volta contra eles mesmos, como um bumerangue.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

-Extraído de meu livro: "Em Defesa da Sola Scriptura"


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[1] Contra as Heresias, Livro III, 1:1.
[2] Contra as Heresias, Livro IV, 33:8.
[3] Contra as Heresias, Livro IV, 66.
[4] Contra as Heresias, Livro I, 8:1.
[5] Contra as Heresias, Livro III, 11:9.
[6] Contra as Heresias, Livro III, 3:3.
[7] Contra as Heresias, Livro I, 10:1-2.
[8] WHITE, James. Sola Scriptura: Numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico. Editora Cultura Cristã: 2000, p. 40.
[9] Contra as Heresias, Livro III, 3:3.
[10] Contra as Heresias, Livro III, 5:1.
[11] Contra as Heresias, Livro I, 8:1.
[12] Contra as Heresias, Livro III, 2:1.

12 comentários:

  1. Lucas o que é magistério da Igreja que os católicos tanto falam ? e o que é o magisterio para os evangélicos...

    a quem o autor de cantares se refere ao dizer :´´quem é esta que avança como aurora, formosa como a lua´´... é a Maria ? Se não, quem é ?

    Obrigado..

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    1. É a doutrina oficial da Igreja na voz do papa e dos bispos de Roma (manifesta-se nos documentos oficiais da igreja deles, como o catecismo católico, as bulas papais, os concílios, etc). Para os evangélicos, o "magistério" é a Bíblia, embora exista obviamente autoridades religiosas como pastor, presbítero, evangelistas, etc, que são autoridades da igreja que estão subordinadas à autoridade máxima da Escritura.

      A mulher de Cantares é uma das esposas ou concubinas de Salomão (ele tinha mais de mil). O livro está em forma poética e romântica, de forma que muitas vezes a mulher ou o próprio Salomão são demasiadamente exaltados pelo cônjuge (como é bastante comum em cartas de namorados). Os católicos pegam essas hipérboles românticas, as tiram do contexto e, é claro, as aplicam a Maria, como não poderia deixar de ser...

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  2. Mudando de assunto, voce comhece N.T.Writgh e a nova perspecriva sobre paulo?
    E qual sua opnião sobre eles?

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    1. Eu admiro grandemente o N. T. Wright principalmente pelo seu trabalho fenomenal sobre as provas da ressurreição histórica de Jesus, mas discordo totalmente da nova perspectiva sobre Paulo. O rev. Augustus Nicodemus tem um artigo sobre isso, onde ele explana aquilo que eu também penso a respeito, ou seja, a teoria tradicional:

      http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XI__2006__1/augustus.pdf

      Abraços.

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  3. Realmente, os primeiros cristãos não compactuavam com tradições que iam contra a Sagrada Escritura. Me parece que no decorrer dos séculos, o coração dos cristãos foi endurecendo e se abrindo a heresias. Parece que perderam a fé em Jesus Cristo e se abriram gradativamente ao mundo. Eu penso que até meados do ano 300 eles ainda tinham um coração voltando para o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, mas depois da aliança política, se entregaram ao poder mundano, perverteram a verdade. Ou seja, deixaram de querer influenciar o mundo com o cristianismo puro, vindo das Escrituras Sagradas. Ao invés disso, se deixaram influenciar pelo mundo. Foi bem como disse o apóstolo Paulo:

    Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
    E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
    2° Timóteo 4.3-4

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  4. O pastor luterano Jordan Cooper escreveu várias postagens sobre Wright. Eu acho elas interessantes:
    http://justandsinner.blogspot.com.br/2008/11/evaluation-of-nt-wrights-critical.html;
    http://www.jordoncooper.com/2007/11/notes-from-nt-wright/;
    Concordo com as criticas do Nicodemos e do Cooper, mas a NPP resgatou a inseparabilidade da justificação e da santificação; mostrou a objetividade do pacto entre Deus e os homens e lança um novo olhar sobre o judaísmo do seculo II. Além disso, Wright é um verdadeiro proponente do sola scriptura.

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  5. Mas porque Salomão ia escrever textos sobre a mulher dele ? Para que serve esses texto da mulher de Salomão pra igreja ? em que contexto se aplica isso hoje ?

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    1. Que problema tem um poema de amor puro entre um marido e mulher estar na Bíblia?

      Historicamente este livro tem sido sido interpretado como uma alegoria geral do amor de Deus para com Israel, mas isso não significa que TODO versículo em si tenha que conter algum significado "oculto" a ser desvendado. Mas se a mulher de Cantares é mesmo Maria, então isso seria o grande tiro no pé dos romanistas, já que essa mulher no livro tem relações sexuais naturais com o seu esposo. A não ser que a mulher de Cantares em um momento fosse uma tipologia de Maria, e em outro versículo de repente deixa de ser Maria e volta a ser apenas a esposa de Salomão... ou seja, uma hermenêutica forçada, de cambalhota.

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  6. Sr. Lucas Banzoli.

    Li seu Livro "Em defesa da Sola Scriptura". Sou apologista Católico, e gostaria de refutá-lo, com sua devida permissão, em meu canal de refutação "Os Católicos Respondem", no youtube. Eu o faria, lendo integralmente e comentando capítulo por capítulo.

    Aguardo sua resposta.

    Obrigado.

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    1. Não sei pra que pedir permissão pra isso, isso é o tipo de coisa que se pode fazer sem pedir permissão. Se a sua intenção aqui era de divulgar o seu canal, parabéns, já conseguiu. Vai lá fazer os vídeos e se eu achar sua refutação decente posso até elaborar uma contra-argumentação, se for necessário.

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    2. Hello Lucas. Anderson refuto tu video como dizze acima?

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