15 de junho de 2015

Comentando o debate sobre Lucas 23:43 e exterminando as kriptonitas do Pr. Jamierson


Introdução

No dia 09 deste mês houve um debate no Programa Vejam Só, da RIT TV, entre o pastor adventista Patrick Siqueira e o pastor batista Jamierson Oliveira, sobre Lucas 23:43 (texto este que já foi comentado por mim primeiramente neste artigo do meu outro blog, e posteriormente também neste artigo deste blog em refutação ao texto risível e ridículo do Itard). Esta não foi a primeira e nem será a última vez que a doutrina da imortalidade da alma é debatida no “Vejam Só”. Já houve vários outros debates, quase sempre com o debatedor mortalista vencendo fácil, como por exemplo neste debate do prof. Leandro Quadros, onde ele engoliu vivo o debatedor imortalista (deu até pena de ver), o qual não fazia nem ideia do que estava fazendo ali.

Embora este debate em questão tenha sido mais equilibrado do que o do Leandro Quadros, nos comentários mistos do debate (na página oficial do Vejam Só no YouTube) a vantagem do mortalista também foi muito grande. No momento em que eu escrevo, 23 pessoas postaram ao todo 41 comentários. Destas, 20 emitiram opinião sobre quem se saiu melhor no debate (estou desconsiderando por razões óbvias o comentário do próprio pastor Patrick). Destas vinte pessoas que emitiram opinião, 18 se posicionaram a favor do pastor Patrick (mortalista), e apenas 2 em favor do pastor Jamierson (imortalista).

O mais interessante é que grande parte destes comentários em favor do debatedor mortalista veio de comentaristas não-adventistas. Isso mostra, mais uma vez, o quanto o mortalismo bíblico está ganhando cada vez mais aceitação entre os evangélicos pentecostais e tradicionais, a despeito de todo o esforço dos “guardiões da ortodoxia”, que passam dia e noite atacando a Igreja Adventista e aterrorizando os leigos de outras igrejas contra as suas doutrinas. Comentarei mais sobre isso em breve.

Mas a razão pela qual eu escrevo especificamente sobre este debate é porque me pediram para tecer comentários a respeito do mesmo, e também porque eu fui citado em 1:02:54 do debate pelo debatedor imortalista, que incorretamente afirmou que eu sou adventista, quando eu nunca entrei em nenhuma igreja adventista até hoje. O pastor Jamierson, infelizmente, ainda tem em mente aquela ideia velha e caricata segundo a qual se alguém defende o mortalismo deve ser imediatamente identificado como um adventista ou testemunha de Jeová, a despeito do fato de que cada vez mais pastores e leigos descobrem a verdade na Bíblia e abandonam a doutrina herética e pagã da imortalidade incondicional da alma.

Antes de comentar o debate em si, o que eu farei por partes, convém tecer alguns comentários iniciais:

O debatedor imortalista não entendeu em nenhum momento que o debate era sobre Lucas 23:43, e todas as perguntas do mesmo foram sobre outros textos. Ele perguntou sobre Moisés no monte da transfiguração, sobre o espírito não ter carne e ossos, sobre a mortalidade ser pagã... perguntou sobre tudo, menos sobre Lucas 23:43! Enquanto Patrick fazia perguntas relacionadas à exegese de Lucas 23:43, Jamierson fugia da análise hermenêutica de Lucas 23:43 tanto quanto o diabo corre da cruz. A razão pela qual Jamierson o tempo todo apelou a outros textos ao invés de argumentar sobre o texto do debate é simples: ele sabe perfeitamente bem que Lucas 23:43 não serve de prova nenhuma de imortalidade da alma. Ele disse que leu meu artigo sobre Lucas 23:43 antes do debate, e curiosamente depois disso não fez nenhuma pergunta sobre Lucas 23:43. Que ótimo. Se algum mortalista que assistiu ao debate tinha dúvidas quanto a gramática de Lucas 23:43, agora não tem mais.

O debatedor imortalista estava visivelmente exaltado no debate, o que foi constatado pelos comentaristas e foi muito criticado por eles. Praticamente todos que comentaram o debate notaram como Jamierson agiu de forma prepotente e soberba em muitos momentos. Estava claro também que a intenção principal do imortalista não era discutir sobre Lucas 23:43 à luz da Bíblia, mas sim atacar e bater na Igreja Adventista a todo custo, tentando criar o ridículo espantalho de que somente os adventistas creem no mortalismo, e então bastaria caluniar a IASD que consequentemente os telespectadores se afastariam de qualquer doutrina relacionada a ela. Nem precisa dizer que esta estratégia falhou miseravelmente. O desespero de Jamierson em atacar a IASD ao invés de comentar sobre o texto era tão nítido e vexatório que em vários momentos o próprio mediador (o pastor Eber, presbiteriano, diga-se de passagem) teve que interrompê-lo, contradizê-lo e pedir para que ele se detivesse à análise do texto!

Agora, sem mais delongas, segue-se o vídeo com meus comentários:



1º Round

O “primeiro round” começa no minuto 19. Jamierson surpreende fazendo uma pergunta aparentemente sem sentido: ele pergunta se a mortalidade da alma é uma “crença pagã”, já que o filósofo grego Epicuro afirmava que a alma morre. A “lógica” empregada por ele é a de que, se a imortalidade da alma for pagã porque filósofos pagãos (como Platão) a ensinavam, então a mortalidade da alma também é “pagã”, já que também existiam filósofos pagãos que a ensinavam. Essa linha de argumentação teria algum sentido se o argumento mortalista fosse de que a imortalidade da alma é pagã somente porque filósofos pagãos a ensinavam.

Mas este nunca foi o ponto de mortalista nenhum, mas um mero espantalho do argumento. O argumento é que os judeus (e posteriormente os cristãos) só passaram a crer na imortalidade da alma após serem influenciados pelo platonismo, e por esta razão é uma crença “pagã”. Ou seja: não é por existir filósofos pagãos ensinando “x”, e sim porque a doutrina “x” veio de filósofos pagãos, e caiu na teologia deles. Entre uma coisa e outra há uma diferença monumental. A evidência histórica unânime é a de que os judeus eram holistas (posição que defende que a alma é o ser humano como um todo, que perece na morte), e só passaram a crer no dualismo a partir da diáspora, quando foram dispersos pelo mundo e influenciados pelo helenismo.

A grandemente respeitada Enciclopédia Judaica, em seu artigo referente à “Imortalidade da Alma”, declara explicitamente:

"A crença de que a alma continua existindo após a decomposição do corpo é uma especulação... que não é ensinada expressamente na Sagrada Escritura... A crença na imortalidade da alma chegou aos judeus quando eles tiveram contato com o pensamento grego e principalmente através da filosofia de Platão (427 - 347 a.C.), seu principal expoente, que chegou a esse entendimento por meio dos mistérios órficos e eleusianos, que na Babilônia e no Egito se encontravam estranhamente misturados"[1]

A Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional também revela que os israelitas não criam na imortalidade da alma antes de serem tardiamente influenciados por Platão:

"Quase sempre somos mais ou menos influenciados pela ideia grega platônica, que diz que o corpo morre, mas a alma é imortal. Tal ideia é totalmente contrária à consciência israelita e não é encontrada em nenhum lugar do Antigo Testamento"[2]

O Dr. Samuelle Bacchiocchi, PhD pela Pontifícia Universidade Gregoriana (católica) e autor do estudo mais aprofundado sobre a constituição da natureza humana já escrito até hoje, acrescenta:

“Durante esse período inter-testamentário, o povo judeu esteve exposto, tanto em seu lar, na Palestina, quanto na diáspora (dispersão), à cultura e filosofias helenísticas (gregas) de grande influência. O impacto do helenismo sobre o judaísmo é evidente em muitas áreas, inclusive na adoção do dualismo grego por algumas obras literárias judaicas produzidas nessa época”[3]

Como sabemos, essa época da diáspora judaica se deu exatamente no período helenístico, onde os gregos impunham sua cultura aos povos conquistados:

“Designa-se por período helenístico (do grego, hellenizein – ‘falar grego’, ‘viver como os gregos’) o período da história da Grécia e de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre o Grande em 323 a.C e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 146 a.C. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava”[4]

Durante o período helenista foram fundadas várias cidades de cultura grega, e dentre elas destaca-se Alexandria, que era uma espécie de “centro do helenismo”, com forte concentração da cultura grega. Muitos judeus foram dispersos para essa cidade. Um dos judeus helenizados que começaram a propagar fortemente a imortalidade da alma foi Filon, sobre quem a Enciclopédia Judaica afirma:

“Não há referências diretas na Bíblia para a origem da alma, sua natureza e sua relação com o corpo, e essas perguntas deram espaço para as especulações da escola judaica de Alexandria, especialmente de Filon, o judeu, que procurou na interpretação alegórica de textos bíblicos a confirmação de seu sistema psicológico. Nos três termos (‘ruach’, ‘nephesh’ e ‘neshamah’) Filon viu a corroboração da visão platônica de que a alma humana é tripartite (τριμεής), tendo uma parte racional, uma segunda mais espiritual, e uma terceira como sendo a sede dos desejos”[5]

Essa crença grega foi originalmente rejeitada pelos judeus da palestina, como atesta a Enciclopédia Judaica citando o Talmude:

“Essa crença foi rejeitada pelos estudiosos do Talmude, que ensinaram que o corpo está em um estado de perfeita pureza (Ber. 10a;. Mek 43b), e está destinado herdar sua morada celestial (...) Os rabinos afirmaram que o corpo não é a prisão da alma, mas, ao contrário, o seu meio de desenvolvimento e aperfeiçoamento”[6]

Por isso mesmo, nada é dito na Enciclopédia Judaica sobre os judeus crerem que a alma é um elemento imaterial e imortal antes dessa helenização com as teses gregas. Ao contrário, ela diz claramente:

“Uma vez que a alma é concebida como sendo apenas a respiração (‘nephesh’, ‘neshamah’, comp. ‘anima’), e inseparavelmente ligada, senão identificada, com o sangue da vida (Gn 9:4; 4:11; Lv 17:11), nenhuma substância real pode ser atribuída a ela. Assim, quando o espírito ou sopro de Deus (‘Nishmat’ ou ‘Ruach Hayyim’), que é o que se acredita que mantém corpo e alma juntos, tanto dos homens como dos animais (Gn 2:7; 6:17; 7:22; Jó 27:3), é retirado (Sl 146:4) ou retorna a Deus (Ec 12:7; Jó 34:14), a alma desce ao Sheol ou Hades, para lá ter uma sombria existência, sem vida e consciência (Jó 14:21; Sl 6:5; 115:7; Is 38:19; Ec 9:5; 9:10). A crença em uma vida contínua da alma, que é a base da primitiva adoração aos antepassados e dos ritos de necromancia, praticados também pelo antigo Israel (1Sm 28:13; Is 8:19), foi desencorajada e suprimida pelo profeta como antagônica à crença em YHWH, o Deus da vida, o Governador do Céu e da Terra”[7]

E sobre o significado original de “espírito” entre os judeus da época do Antigo Testamento, ela declara:

“O relato mosaico da criação do homem fala de um espírito ou fôlego com que foi dotado por seu Criador (Gn 2:7), mas esse espírito é concebido como sendo inseparavelmente ligado, senão totalmente identificado, com o sangue da vida (Gn 9:4; 4:11; Lv 17:11). Somente através do contato dos judeus com o pensamento persa e grego surgiu a ideia de uma alma desencarnada, tendo sua própria individualidade[8]

Portanto, ao dizermos que a imortalidade é “uma doutrina pagã”, estamos meramente salientando que foi através da filosofia platônica (pagã) que os judeus passaram a adotar a visão dualista, e que essa visão predominou no mundo todo por meio do helenismo na época da transição do Antigo para o Novo Testamento. Bem ou mal, a filosofia de Aristóteles e de Epicuro sobre a alma não predominou. O que predominou foi a filosofia de Platão, o famoso filósofo grego que espalhou ao mundo todo seus conceitos dualistas, onde o corpo era essa carcaça física e a alma era um elemento imaterial e imortal que habitava dentro dele.

As ideias de Platão rapidamente ganharam uma enorme notoriedade e exerceram uma influência gigantesca sobre os demais povos, porque na época o império que dominava a maior parte do mundo era a Grécia, e os gregos eram muito eficientes em espalhar e divulgar seus conceitos filosóficos sobre o mundo. Foi assim que todos os povos foram, cada um a seu próprio grau, influenciados por esta doutrina estranha à Bíblia, que contrasta corpo e alma e concede imortalidade somente a esta última.

Dizer que os judeus só passaram a crer na imortalidade da alma após este sincretismo por ocasião do período intertestamentário significa dizer que em todo o período do Antigo Testamento os judeus eram holistas e mortalistas. Os judeus só mudaram de concepção sobre a vida após a morte depois do sincretismo pagão e do contato com filosofias estranhas à Palavra de Deus. Felizmente, neste momento a revelação já havia cessado, e só foi retomada novamente com a chegada do Novo Testamento, através de evangelistas e apóstolos que mantinham a visão bíblica holista e não a visão dualista pagã.

Vale ressaltar ainda que a filosofia mortalista de Epicuro não tem nada a ver com holismo crido pelos mortalistas bíblicos. Os mortalistas cristãos são holistas, o que significa dizer que cremos que a alma em sentido primário nada mais é senão o ser humano como um todo (segundo a descrição de Gênesis 2:7). Epicuro jamais definiu “alma” deste jeito. Ele era muito mais próximo dos dualistas, com a diferença de que achava que a alma dentro do corpo morre, ao invés de sobreviver e ir para algum outro mundo, vagando por aí. Mas o mais importante é o fato de que a imortalidade da alma é “pagã” em função de ela não ter surgido na Bíblia (entre os hebreus), mas foi uma ideia comprada do paganismo muitos e muitos séculos mais tarde.

Assim sendo, a não ser que Jamierson prove com documentos históricos que os judeus eram desde sempre dualistas e que foi a filosofia de Epicuro que tardiamente tornou as pessoas mortalistas, ele não tem qualquer razão em dizer que a mortalidade da alma é “pagã”, assim como a imortalidade da alma claramente é.


2º Round

No 2º Round, Patrick pergunta a Jamierson qual a evidência linguística para crermos que a pontuação correta de Lucas 23:43 seja com a vírgula antes do “hoje”, e Jamierson surpreendentemente começa respondendo que “não se faz exegese em cima de pontuação”. É irônico ouvir isso de imortalistas que não apenas estão acostumados a fazer “exegese em cima de pontuação”, como também fundamentam uma doutrina inteira em cima da suposta pontuação “imortalista” de Lucas 23:43!

Mas para apoiar a tese de que a vírgula deve ser colocada antes do “hoje”, ele lança um único argumento, muito típico dos imortalistas, de que Jesus disse muitas vezes “em verdade te digo” (sem acrescentar o “hoje” na sequencia da declaração), e então o “hoje” deve estar ligado ao “estarás”, e não ao “em verdade te digo”. Em resposta a isso, pelo menos três coisas devem ser observadas:

(1) Mesmo que levássemos este argumento em consideração, o máximo que poderíamos concluir é que Lucas 23:43 é uma exceção ao modo mais usual, e não que a vírgula necessariamente esteja antes do “hoje”. Exceções a uma regra geral ocorrem na Bíblia aos montões, e nada impede que este seja um caso.

(2) Diferente de todas as outras vezes em que Jesus empregou o “em verdade te digo”, Lucas 23:43 é a única ocasião em que alguém fala com Cristo pedindo algo relacionado ao futuro. Em nenhuma outra ocasião acontece o mesmo. Lucas 23:43 é de fato um texto excepcional. O ladrão havia pedido para Jesus se lembrar dele em um futuro distante, por ocasião da Sua volta, e então Jesus faz questão de usar o “hoje” ligado ao “em verdade te digo”, para ressaltar mais fortemente o fato de que o ladrão não precisava esperar por uma ocasião tão remota para ser lembrado, pois naquele mesmo dia (o “hoje” em questão) Cristo lhe estava dando essa garantia. Uma vez sendo que o contexto de Lucas 23:43 não encontra paralelo em nenhum dos outros contextos em que Jesus utilizou o amen soi lego [em verdade te digo], é inócuo utilizar os outros exemplos como normativos para este caso específico.

(3) É muito importante observar também uma coisa que pouca gente nota: a única vez em que Jesus cita o “hoje” logo na sequencia do “em verdade te digo” fora de Lucas 23:43 é em Marcos 14:30, onde o “hoje” está relacionado a algo que aconteceria naquele mesmo dia. Nesta ocasião, o escritor bíblico fez questão de adicionar a palavra grega oti, usada para propositalmente desvincular o “hoje” do “em verdade te digo”:

“Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás” (Marcos 14:30)

No grego:

και λεγει αυτω ο ιησους αμην λεγω σοι οτι σημερον εν τη νυκτι ταυτη πριν η δις αλεκτορα φωνησαι τρις απαρνηση με (Marcos 14:30)

Observe que quando é para desvincular o “hoje” do “em verdade te digo”, a Bíblia faz questão de empregar o uso do “que” [oti], porque este acréscimo proposital (em verdade te digo que hoje) não deixa dúvidas de que o “hoje” está relacionado ao restante da frase. Mas o texto de Lucas 23:43 é totalmente diferente. Ele simplesmente não traz o “que”, ficando apenas com: “em verdade te digo hoje...”. Ora, se quando o “hoje” está relacionado à sequencia o escritor bíblico acrescentava o “que”, presume-se que o “hoje” sem o “que” deva ser entendido como estando em relação à declaração anterior [amen soi lego].

Se a intenção fosse ligar o “hoje” ao "estarás”, Lucas teria usado o oti [“que”], da mesma forma que Marcos fez – mas ele não usou, porque a intenção era vincular o “hoje” ao “em verdade te digo”, que é biblicamente a forma mais habitual encontrada nas Escrituras. O que prova isso são as evidências encontradas amplamente na Bíblia onde na construção pronome + verbo + advérbio, o advérbio semeron [‘hoje’] sempre modifica o verbo anterior. No site do pastor Patrick, ele cita partes da tese de doutorado do Dr. Rodrigo Silva, que foi exatamente sobre Lucas 23:43, onde ele prova de forma cabal que a forma mais correta de se pontuar o texto é com a vírgula depois do “hoje” (a tese foi apresentada em uma faculdade católica e ele ganhou nota 10).

Ele afirma:

«Um estudo do semeron na LXX encontra 21 passagens semelhantes a Lucas 23:43. Em 18 vezes o advérbio modifica o verbo anterior. Nas três restantes apenas uma é com certeza pontuada pela edição crítica de Brenton ligando o advérbio ao segundo verbo. Já nas 15 vezes que aparece a construção pronome + verbo + advérbio (exatamente igual a Lc), o advérbio semeron sempre modifica o verbo anterior. Nos casos que não há dubiedade (anfibologia), em mais de 70 vezes que o pronome aparece junto ao advérbio, em todas vezes sem exceção a frase modificada é a anterior. Em nenhum caso ouve a ligação de semeron com pronome posterior, com met emou em Lc 23:43, a não ser é claro que o pronome posposto seja o único da frase. O advérbio sempre depois (ex: 2Sm;16:3, Gn.4:14, 25:31, 30:32, 31:46, 41:41, 42:13, 42:32, 47:23, Ex 14:13, 32:29, Js.14:10 e 11, 24:15, etc).

(Jeremias 42:21) - E vo-lo tenho declarado hoje; mas não destes ouvidos à voz do Senhor vosso Deus, em coisa alguma pela qual ele me enviou a vós.

(Deuteronômio 6:6) - E estas palavras, que te ordeno hoje, estarão no teu coração.

(Deuteronômio 11:8) - Guardai, pois, todos os mandamentos que eu vos ordeno hoje, para que sejais fortes, e entreis, e ocupeis a terra que passais a possuir.

(Deuteronômio 30:18) - Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas.

(Deuteronômio 4:40) - E guardarás os seus estatutos e os seus mandamentos, que te ordeno hoje para que te vá bem a ti, e a teus filhos depois de ti, e para que prolongues os dias na terra que o Senhor teu Deus te dá para todo o sempre.

(Atos 20:26) - Portanto, eu lhes declaro hoje que estou inocente do sangue de todos.

Das vinte vezes que aparece semeron nos escritos de Lucas (2:11, 5:26, 12:28, 13:32, 33; 22:34, 61; At.19:40; 20:26; 22:3; 24:21; 26:2, 29; 27:33), apenas três são anfibológicas. 14 vezes semeron aprece após o verbo modificado. Das restantes um caso é uma citação do salmo 2:7. Nos três casos que acontece a anfibologia o pronome só aparece depois do advérbio, nesse caso exerce uma atração, além de ser precedido de uma conjunção, fazendo assim inviável outra construção. Em apenas um caso (não anfibológico) semeron é intencionalmente colocado antes do verbo modificado, em 4:9»[9]

O pastor Patrick tentou resumir tudo isso em sua resposta, claro, de forma mais limitada, porque tinha que se conter ao limite de tempo, mas mesmo assim respondeu muito bem e calou as argumentações do imortalista sobre a gramática de Lucas 23:43. Depois de ver suas esperanças em torno de Lucas 23:43 explodirem, Jamierson teve que simplesmente abandonar o debate exegético sobre esta passagem e no lugar disso passou a usar outros textos como “argumento”, os quais ele chamou de kriptonita do mortalismo, porque na cabeça dele (e somente na cabeça dele) estes textos enfraquecem completamente a doutrina mortalista bíblica. Vamos a eles.


3º Round

A primeira “kriptonita” do Jamierson é sobre o texto de Lucas 24:36-39, onde Jesus afirma:

"E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lucas 24:36-39)

Para ele, se Jesus cresse na mortalidade da alma teria dito que não existia espírito, e não que um espírito não tem carne e osso. A resposta para essa alegação imortalista é muito simples: Jesus não poderia ter dito que não existem espíritos pela simples razão de que os anjos (bem como os demônios) são espíritos (Hb.1:14), assim como o próprio Deus (Jo.4:24). Portanto, se Jesus simplesmente dissesse que "não existem espíritos" ele estaria negando a existência de Deus, dos anjos e dos demônios. Jesus faria isso? É claro que não.

Tudo aquilo foi fruto do desespero momentâneo dos discípulos de Cristo ao ver alguém misteriosamente entrando "do nada" no meio da casa, que estava "com as portas fechadas" (Jo.20:26), sem chances de algum desconhecido "aparecer" no meio deles. Então, no pânico, eles pensaram "estar vendo um espírito", que poderia ser um anjo do bem ou do mal, ou até mesmo um fantasma, como ocorreu em outra ocasião, em que os discípulos pensaram estar vendo um fantasma na hora do pânico, ao ver o mesmo Jesus andando por sobre as águas:

"E, vendo que se fastigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante. Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, acharam que era um fantasma, e deram grandes gritos" (Marcos 6:48,49)

Qualquer um sabe que fantasmas não existem de verdade. E eu tenho certeza que na teologia dos apóstolos também não havia lugar para tal crendice popular. Mas, na hora do desespero, eles gritaram apavorados, confundindo Jesus com um "fantasma", ainda que fantasmas não existam. Da mesma forma, quando Jesus apareceu "do nada" dentro da casa onde eles estavam reunidos a portas fechadas, o pânico tomou conta dos discípulos de tal forma que eles, a exemplo da ocasião anterior em que pensavam estar vendo um "fantasma", acharam que era um "espírito".

Nada indica que esse "espírito" que eles achavam que Jesus era fosse um espírito humano incorpóreo, como creem os imortalistas, pois anjos e demônios também são espíritos, e na hora do desespero até fantasmas (que são popularmente conhecidos como sendo espíritos) eram cridos pelos discípulos, o que não implica na existência real deles. Esse "ser" que eles achavam estar vendo podia ser, na imaginação deles, qualquer coisa, visto que por várias ocasiões as pessoas não reconheceram Jesus, como no alto mar (Mc.6:48,49), na travessia de Emaús (Lc.24:16), ou na pescaria que também ocorreu depois da ressurreição (Jo.21:4):

"E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não reconheceram que era Jesus" (João 21:4)

"Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que não o reconhecessem" (Lucas 24:16)

"E, vendo que se fastigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante. Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, acharam que era um fantasma, e deram grandes gritos" (Marcos 6:48,49)

Portanto, podemos ver que:

• Os discípulos estavam apavorados, como quando pensavam estar vendo um fantasma, pois não é normal que uma pessoa entre "do nada" no meio de uma casa que estava às portas fechadas, com medo dos romanos.

• Os discípulos, como em outras ocasiões, não estavam reconhecendo Jesus.

• No desespero e sem reconhecer quem era, pensaram que era um "espírito", semelhantemente a quando creram que estavam vendo um "fantasma" na outra ocasião.

• Não é possível precisar ao certo que tipo de espírito eles acreditavam que era no momento do pânico, visto que anjos e demônios também são espíritos, e que crendices populares como fantasmas também são considerados como sendo espíritos.

• Jesus, por sua vez, não poderia responder dizendo que "espíritos não existem", pois estaria negando a existência de espíritos que realmente existem, como anjos, demônios e o próprio Deus, que é espírito. Não é porque existem determinadas crendices populares falsas (como a crença em fantasmas e em espíritos humanos desencarnados, como no espiritismo) que não existe nenhum tipo de espírito.

• Ao dizer que um espírito não tem carne nem ossos, Jesus acalmou os ânimos dos discípulos, para que não mais pensassem estar vendo algum ser misterioso, como um fantasma ou algum espírito do mal. É muito pouco provável que os discípulos acreditassem que se tratasse do próprio Senhor Jesus em forma incorpórea, pois se os discípulos tivessem identificado Jesus ali, ainda que em forma incorpórea, teriam ficado felizes, jubilosos, exultantes ao reverem o Mestre. Se eles ficaram com medo e pensaram estar vendo "um espírito", é porque eles não reconheceram Jesus, a não ser que tivessem medo de Jesus! Evidentemente, o medo deles não era se Jesus estava em estado corpóreo ou incorpóreo, mas sim se aquilo que eles viam fosse alguma coisa digna de medo, como quando eles achavam estar vendo um fantasma e se amedrontaram, porque não sabiam que era Cristo.

Concluindo, não há absolutamente nada conclusivo em Lucas 24:39 que ao menos indique que a alma humana é imortal. Todo o texto pode ser perfeitamente entendido e plenamente assimilado tendo em vista a ótica mortalista e bíblica, sem a necessidade de implicar na existência de um elemento eterno e que sobreviva com consciência à parte do corpo após a morte. Os imortalistas tem que, a todo custo, forçar a interpretação da passagem para que favoreça a interpretação deles. O espírito não pode ser outra coisa senão um espírito humano, os discípulos não poderiam estar enganados pelo pânico como quando achavam estar vendo um fantasma, e Jesus tinha que ter dito que espíritos não existem, mesmo que isso fosse impossível já que anjos, demônios e o próprio Deus são espíritos. Tudo isso fruto da misteriosa forma de formular argumentos, inventada pelos imortalistas.

Primeira kriptonita do Jamierson exterminada.


4º Round

No 4º round, Patrick argumenta com vários versículos bíblicos que a entrada no Reino de Deus é algo futuro, e não algo presente. Contra isso, Jamierson apenas responde com a mesma tese furada e tosca do Itard (já refutado aqui), segundo o qual o ladrão estava enganado quanto a sua crença de que o Reino era futuro, uma vez sendo que Jesus supostamente teria dito que ele entraria no Paraíso naquele mesmo dia (segundo a tradição equivocada que os imortalistas fazem do texto). Na réplica, Patrick citou o texto que fulmina com todas as esperanças imortalistas, que é o de Mateus 25:31-34, onde o próprio Senhor Jesus (e não o ladrão) confirma que a entrada no Reino é só depois da segunda vinda e ressurreição!

Quando o Filho do Homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo (Mateus 25:31-34)

Aqui fica mais do que claro que a entrada no Reino se dará por ocasião da revelação gloriosa de Cristo, quando o Filho do Homem vier na sua glória para separar os bons dos maus. Se os justos já estivessem desfrutando das bem-aventuranças do Reino, então Cristo diria para eles “continuarem no Reino”. Contudo, a clareza da linguagem textual não deixa margem para duplas interpretações: os justos não estavam no Reino, mas entrariam no Reino a partir da revelação gloriosa do Filho do Homem, ou seja, na segunda vinda de Cristo. Ele não disse “continuem no Reino”, mas sim: “entrem no Reino” – “o recebam”!

Ninguém entra em algum lugar se já estava lá. Ninguém diz: "entre na casa" para um convidado que já está hospedado em sua casa há muito tempo. Vale ressaltar que o que está em jogo aqui não é apenas a recompensa, como alegam alguns imortalistas, mas é o próprio Reino, o próprio Paraíso celestial. Impossível conciliar isso com a tese de que tais pessoas já estavam há séculos no Reino como espíritos incorpóreos para "receberem" o Reino que já tinham e "entrarem" no Paraíso em que já estavam (o que incluiria o ladrão da cruz, evidentemente). A palavra grega kleronomeo, usada aqui em Mateus, implica em "tornar-se participante de; obter"[10], e não pode ser ignorada.

Ademais, também é digno de nota que é somente nesta vinda gloriosa do Filho do homem com todos os anjos que as ovelhas serão separadas dos bodes – elas não estão separadas ainda. Do mesmo modo, um pouco mais à frente é dito ao grupo da direita para entrarem no inferno (v.41), também a partir daquele momento. Se eles já estivessem no inferno isso não faria sentido, pois eles já estariam queimando como “espíritos”, para então se unirem novamente ao corpo, ressuscitar, ser julgado e continuar queimando do mesmo jeito que antes!

É muito claro a partir destes textos que a separação entre os justos e os ímpios não vem senão por ocasião da consumação do mundo, e é neste momento que os justos recebem o Reino prometido e nesta ocasião é que os ímpios são queimados. Não é no momento da morte com as suas “almas imortais”. Os justos viriam receber o Reino que lhes fora prometido desde a criação do mundo, lhes sendo concedido naquele momento.

Lembro-me de certa vez, há anos atrás, quando debatia com um professor de teologia católica da PUC sobre imortalidade da alma, que ao se deparar com tal passagem e todas as implicações que destacamos aqui, simplesmente teve que dizer: “Não tem como refutar”, e para disfarçar a falta de contra-argumentação ainda completou dizendo: “Você tinha que estar certo em alguma coisa!”. De fato, tal passagem é tão clara que não abre espaços nem para refutações e nem para duplas interpretações.

É inimaginável que Cristo tenha que separar os dois grupos caso eles já estivessem bem separados (uns no Céu e outros no inferno), e não tem como se conceber que Cristo diria “venham receber o Reino” a pessoas que já estivessem desincorporadas no Reino há milênios, ou até mais! Realmente, não existe como refutar a clareza e objetividade da linguagem de Cristo em dizer de maneira explícita qual é o tempo em que os justos receberiam o Reino e em que finalmente seriam separados dos ímpios.

Tudo isso ocorre, contudo, não quando as suas almas partem para o Céu com a morte, mas sim por ocasião da revelação gloriosa de Cristo, “curiosamente” o mesmo momento em que se dá a ressurreição dos mortos (1Co.15:22-23). O Reino, que lhes estava “preparado” desde a fundação do mundo (v.34), finalmente lhes seria concedido. E quando isso acontecerá? A resposta se encontra no verso 31: “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos”. Trata-se da volta gloriosa de Jesus Cristo, e é só neste momento em que os da direita, os justos, entram no Reino (v.34).

Portanto, não é apenas o ladrão da cruz que pensava na entrada do Reino como futuro; é também o próprio Senhor Jesus!


5º Round

Antes de começar o 5º round, Jamierson tenta uma rápida tréplica (ainda que isso seja contra as regras do programa), zombando do debatedor mortalista e dizendo: “Foi Jesus que disse que entregou [o espírito]. Está no próprio capítulo 23 de Lucas. Ele disse que entregou”. E então, ainda mais exaltado e visivelmente nervoso, esbraveja: “Caramba, meu, Jesus fala uma coisa e ninguém acredita!”. Jamierson estava tão fora de si que foi necessário que o moderador do debate (imortalista, volto a mencionar) interviesse mais uma vez e o mandasse se concentrar na pergunta.

O “showzinho” do pastor batista só serviu para enganar leigos sem nenhum conhecimento de causa, porque qualquer mortalista minimamente informado sobre a doutrina bíblica sabe que este “espírito” que voltou ao Pai não tem nada a ver com uma “alma imortal”. Jesus entregou o espírito ao Pai, mas depois de três dias ainda não havia subido a Ele (Jo.20:17), o que significa dizer que a entrega do espírito não significou seu regresso ao Pai. Então é óbvio que esse espírito não é uma entidade imortal que volta para Deus com consciência e personalidade após a morte. O pastor adventista já tinha inclusive mencionado o importantíssimo texto de Eclesiastes 12:7, que fuzila as teses imortalistas ao dizer que todos os espíritos voltam para depois após a morte!

Se esse espírito fosse uma “alma imortal”, nenhum espírito teria que voltar para Deus após a morte nos tempos do Antigo Testamento. O espírito dos ímpios iria direto para o quinto dos infernos, e o dos justos iria para o tal “seio de Abraão” (uma invenção da mente fértil dos imortalistas que não entendem que “seio de Abraão” não era um lugar da parábola, mas sim uma forma de dizer que está “perto de Abraão”). Nem o espírito dos justos, nem o dos ímpios, deveria ir direto para Deus na morte, mas Salomão em Eclesiastes diz que os dois voltam para Deus. Isso significa obviamente que esse espírito não tem nada a ver com uma entidade imortal consciente como a “alma” platônica, mas biblicamente é apenas o fôlego da vida que veio de Deus e volta para Ele na morte, e portanto dispensa baixarias como o “caramba, meu”.

Após este momento vergonhoso, Jamierson lança enfim sua “segunda kriptonita do adventismo”, que seria a aparição de Moisés no monte da transfiguração, a qual eu já comentei aqui. Jamierson então pede a prova bíblica para a ressurreição de Moisés, como se isso fosse tarefa difícil. Patrick cita Judas 9, texto que diz que “o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés” (Jd.1:9). Mas por que raios que o diabo iria estar lutando com um anjo de Deus por um mero cadáver???

Se a alma de Moisés já estivesse no céu – que é o que importa para os imortalistas – não faz diferença onde o cadáver de Moisés estaria. Deus poderia ressuscitá-lo no fim dos tempos do mesmo jeito, da mesma forma que Ele tem poder para ressuscitar aqueles que tiveram seus corpos cremados. Só um louco poderia inferir que o diabo brigava por um simples cadáver sem motivo algum, uma vez que sua alma já estivesse com Deus no Paraíso celestial. A implicação lógica desta passagem é que o diabo queria impedir a ressurreição de Moisés, e isso é a única coisa que traz sentido e coerência ao relato.

O pastor Patrick não citou, mas seria bom ter citado em sua argumentação o fato de que é justamente desta forma que os judeus entendem este trecho da “Assunção de Moises”: Miguel veio para ressuscitá-lo e o diabo veio junto para tentar impedir isso, e no fim das contas Miguel prevaleceu e Moisés foi assunto (ressuscitado). É digno de nota que Judas tirou este relato justamente da “Assunção de Moisés”, que como o próprio nome do livro indica, foi escrito pelos judeus que acreditavam que Moisés foi assunto. E este relato da disputa entre o diabo e o anjo seria justamente neste mesmo contexto da ressurreição de Moisés! Portanto, a evidência lógica e mais provável deste relato é, de fato, a ressurreição de Moisés, e não uma briguinha infantil e inútil por um cadáver, como creem bisonhamente os imortalistas.

Mas as evidências não terminam por aqui. O próprio relato da transfiguração deixa claro que Moisés estava corporalmente no monte, e não em forma de espírito, como disse Jamierson. Além do texto não mostrar a palavra “espírito” a Moisés em lugar nenhum, ele ainda deixa muitas pistas que deixam a presença corpórea de Moisés bem óbvia. Pedro, por exemplo, sugeriu construir três tendas, incluindo uma para Moisés (Mc.9:5), para ali passarem a noite e dormir. Que tipo de fantasminha precisa de uma tenda física para se ocupar, e que tipo de “espírito” precisa dormir? Nenhum. É óbvio que Moisés estava ali com o corpo físico, assim como Elias (que não passou pela morte) e Jesus (que estava vivo). Moisés não era um “fantasminha” no meio de seres físicos e corpóreos! Quem afirma essa aberração é que realmente não tem prova nenhuma do que diz. Peça ao Jamierson mostrar a passagem que diga que Moisés apareceu em espírito no monte, e ele não terá nada além de um monte de falações.

Para piorar ainda mais as coisas, Jamierson em sua réplica distorce grosseiramente o significado original de “Sola Scriptura”, como se a Sola Scriptura não permitisse inferências lógicas com dados da própria Escritura. Há poucos dias eu postei aqui um artigo excelente do Keith Thompson, onde ele refuta as acusações católicas contra a Sola Scriptura e reafirma os conceitos originais e reformados sobre a mesma (clique aqui para ler). Para uma doutrina estar dentro do conceito de Sola Scriptura, basta que ela seja provada pela Bíblia ao menos implicitamente. Os reformadores nunca disseram que ela tem que estar “explícita”.

O próprio Jamierson afirma na sequencia que não há provas explícitas de Deus colocando uma alma no homem no relato mosaico da criação humana (em Gn.2:7), mas que eles chegam a isso através de “dedução”, em cima daquilo que na cabeça dele está “implícito”. Quer dizer: afirmar que Deus colocou uma alma no homem por ocasião da criação do mesmo, embora isto não esteja nem implícito nem explícito no relato, é uma “exegese”; contudo, inferir por vários dados bíblicos incontestáveis que Moisés passou por uma ressurreição física, é “eisegese”. Jamierson precisa urgentemente rever seus conceitos de exegese e eisegese, como também reler os concílios e confissões de fé reformadas para aprender de uma vez por todas o que significa Sola Scriptura, para não vir a deturpá-la mais uma vez.

Após este show de horrores, Jamierson afirma, sem evidência nenhuma, que os adventistas pretendem “criar uma Bíblia própria” assim como as testemunhas de Jeová fizeram, para assim “distorcer as Escrituras”. Qual prova que ele tem a este respeito? Nenhuma. Zero. Quando o moderador o contestou a este respeito, ele se defendeu dizendo que esta é a opinião dele. Quer dizer: lançar uma acusação e injúria sem nenhuma evidência e apenas pelo puro achismo é válido, mas fazer inferências lógicas pela Bíblia Sagrada é inválido. Entendi.

Então Jamierson ataca a mim e ao Azenilto Brito (que tem uma excelente página contra a imortalidade da alma, que pode ser conferida clicando aqui). E ele ainda me chama de “autor adventista”, sendo que eu nunca fui adventista em toda a minha vida (mas para ele, qualquer um que ensine o mortalismo bíblico é “um adventista”, então entra no mesmo balaio). Eu não era adventista antes, nem sou adventista agora. Eu sou apenas um imortalista que se tornou mortalista após a leitura da Bíblia (em especial do NT), pois é impossível que alguém que tenha lido o NT inteiro mais de 60 vezes ainda continue crendo numa aberração histórica e pseudo-exegética como a imortalidade da alma, que não possui apoio nenhum em texto nenhum.

Jamierson faz menção indireta às minhas 206 provas contra a imortalidade da alma sem refutar nenhuma delas, e então ataca o prof. Azenilto com argumentos ad hominem, mais uma vez sem refutar nenhuma das listas de Azenilto contra a imortalidade da alma. Azenilto há décadas vem desafiando os imortalistas com essas listas e até hoje ninguém o refutou. Nas poucas vezes que eu vi tentativas de refutação, eram tão horríveis que mais serviam para reforçar o mortalismo do que para refutá-lo. Mas isso não importa. O que importa é que a segunda kriptonita do pastor Jamierson também é facilmente exterminada.


6º Round

No sexto e último round do debate, Patrick pede a Jamierson provar a imortalidade da alma pela Bíblia (um tema livre, que poderia incluir qualquer versículo), e Jamierson perdeu uma ótima oportunidade de panfletar os velhos e conhecidos textos isolados utilizados há séculos pelos imortalistas que já foram refutados trezentas milhões de vezes mas mesmo assim continuam utilizando os argumentos ultrapassados do mesmo jeito, porque é tudo o que eles tem. Ele poderia ter citado qualquer um dos textos isolados já refutados por mim na tabela abaixo, mas não fez:

TEXTO
RESPOSTA
Parábola do rico e Lázaro
O ladrão da cruz e o “hoje”
Partir e estar com Cristo
Moisés vivo no monte da transfiguração
As “almas” debaixo do altar
Não temam aqueles que não podem matar o corpo, mas não a alma
Os “espíritos” em prisão
Significado de Sheol/Hades
Levar cativo o cativeiro
Um espírito não tem carne e osso
No corpo ou fora do corpo
“Samuel” aparecendo a Saul em En-Dor
Deus de vivos, não de mortos
A existência de dois juízos (particular e geral)
O bicho que não morre
O fogo eterno
O “castigo eterno” de Mateus 25:46
Apocalipse e o tormento eterno
O lago de fogo

No lugar de citar de uma vez só esses textos isolados (o que daria um certo trabalho ao pastor Patrick para respondê-los em apenas três minutos), ele preferiu fazer um espantalho tosco sobre o significado de “espírito”, como se os mortalistas cressem que o “espírito” tem sempre um mesmo e único significado fixo na Bíblia. Isso é ridículo. Os textos que ele citou realmente não trazem espírito no sentido primário de “fôlego”, mas também não trazem no sentido de “alma imortal que se separa do corpo após a morte com consciência e personalidade”. Se Jamierson conhecesse um pouquinho da doutrina mortalista, saberia que nós admitimos significados secundários para espírito à luz da Bíblia, o que ele desconsidera completamente, mostrando um pleno desconhecimento da doutrina holista.

Ninguém trabalhou melhor sobre os conceitos de alma e espírito à luz da Bíblia do que o doutor Samuelle Bacchiocchi, em seu fenomenal livro “Imortalidade ou Ressurreição?” (que infelizmente teve suas edições esgotadas e não é mais vendido). Os capítulos 2 e 3 tratam sobre o significado de corpo, alma e espírito à luz do Antigo e do Novo Testamento, e podem ser acessados clicando aqui e aqui. Em seu amplo e aprofundado estudo sobre os significados de espírito, onde trabalha em cima de milhares de textos do AT e NT, observa-se que “espírito” também frequentemente está associado a:

• O fôlego de vida.
• O princípio ativador da vida.
• O poder capacitador de Deus.
• A renovação moral.
• A palavra de Deus.
• A disposição interna do indivíduo.
• O ser humano concreto.
• Sentimentos e emoções.
• A capacidade mental e volitiva do homem.
• O renascimento espiritual.
• Uma nova criação.
• O estilo de vida espiritual do homem.
• O poder de vida operante no homem.

É claro que Jamierson não sabia que na teologia holista há outros significados secundários para o espírito que não conflitam com seu significado primário e que de forma nenhuma implicam na existência de uma alma platônica imortal, porque nunca leu a literatura básica do mortalismo para entender o tema. Mas o pior de tudo foi ele ter a audácia de citar 1ª Coríntios 5:5 na defesa do imortalismo, quando o texto deixa bem claro que o espírito não seria salvo “na morte” (estado intermediário), mas somente “no dia do Senhor Jesus”:

“Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” (1ª Coríntios 5:5)

Paulo não diz que o espírito seria salvo logo depois da morte, em algum estado intermediário antes da ressurreição. Ao contrário: diz que ele seria salvo no dia do Senhor! Qualquer teólogo, por mais principiante e amador que seja, sabe que este “dia do Senhor” na Bíblia está relacionado com a volta de Jesus, que ocorrerá no mesmo momento da ressurreição dos mortos (1Co.15:22-23; 1Ts.4:14-16). Coincidência? Para o imortalista, sim. Na teologia imortalista, o espírito (entenda-o no sentido kardecista do mesmo) deixa o corpo na hora da morte e vai pro céu durante anos esperando o “dia do Senhor” (=ressurreição), e mesmo assim não é considerado “salvo” a não ser por esta ocasião! Que hermenêutica fantástica! É impressionante a capacidade que eles tem em pegar um texto que claramente indica que a entrada no Paraíso é na ressurreição, e através de malabarismos e cambalhotas conseguem fazer com que este texto fale algo de imortalidade da alma!


Considerações Finais

Antes de concluir este artigo, quero comentar sobre algo que eu prometi no início do texto que comentaria. Em seu mural no Facebook, Jamierson ostentou o seguinte “argumento”:


Além da costumaz prepotência e desprezo ao adversário do debate (que eu agora irei ignorar), ele se apoiou no frágil argumento de que “os adventistas sobre este tema estão sozinhos contra 99% do mundo cristão”. Posteriormente, o meu amigo Reginaldo Castro foi na página dele observar que este argumento é um sofisma falacioso conhecido como argumentum ad populum, que Jamierson conheceria caso estivesse familiarizado com os princípios e regras de hermenêutica básicas para qualquer principiante na arte da argumentação. Contra isso, ele respondeu com um outro sofisma (posteriormente apagado por ele, supostamente “por engano”), baseado no fato de que “se 99% dos cristãos pensam deste jeito, então o Espírito Santo direcionou para esta verdade”. É falácia em cima de falácia!

Antes de responder à falácia propriamente dita, cabe ressaltar aqui a inverdade sobre os tais “99%”, que talvez pudesse ser verdade em outras épocas jurássicas, mas não hoje, quando cada vez mais pessoas descobrem a verdade pela Bíblia e abandonam a crença em um estado intermediário, em um inferno eterno, ou em ambas. Inúmeros grandes teólogos não-adventistas estudaram sobre o tema e mudaram de ponto de vista. Posso citar aqui o teólogo luterano psicopaniquista Oscar Cullmann (1902-1999), o grande teólogo e evangelista inglês John Stott (1921-2011), o “fundador” da apologética moderna F. F. Bruce (1910-1990), o estudioso do NT mundialmente respeitado N. T. Wright (1948-?), o teólogo mais importante do século passado Karl Barth (1886-1968), o autor de mais de trinta livros sobre o Jesus histórico Ben Witherington (1951-?), além de grandes teólogos de enorme relevância como Herman Ridderbos (1909-2007), George Ladd (1911-1982), Clark Pinnock (1937-2010), John William Wenham (1913-1996), Edward Green (1930-?), Philip Hughes (1915-1990), David Edwards, entre tantos outros.

Todos eles negavam ou o estado intermediário, ou o tormento eterno, ou os dois, ainda que eles tenham aprendido durante a maior parte da vida os ensinamentos tradicionais sobre alma fora do corpo e tormento eterno no fogo do inferno. Eles mudaram porque decidiram estudar a Bíblia a fundo, no que tange ao conceito platônico de imortalidade incondicional da alma. Assim como eles, há uma multidão de crentes que cada vez mais abandonam a crença numa alma imortal presa em um corpo mortal, não obstante que uma multidão de “apologistas anti-adventistas” pinte esta doutrina de forma caricaturada para assustar o rebanho desorientado e mantê-lo no eixo imortalista.

Mesmo com todos os esforços incansáveis de doutrinadores anti-adventistas, eu nunca vi um único mortalista se tornar imortalista após estudar a Bíblia, embora exemplos do contrário existam aos montões, incluindo este que vos escreve. A razão pela qual ninguém se torna imortalista é porque isso seria um regresso. Mas a verdade não aprisiona, ela liberta (Jo.8:32). Ela nos torna livres das concepções pagãs e antibíblicas que muitos ainda insistem em ensinar. E a tendência é que a Verdade cada vez mais alcance o maior número de pessoas, porque hoje existe internet e o conhecimento está ao alcance de cada um, que pode analisar por si mesmo os argumentos de ambos os lados e concluir por si próprio, o que antes não era possível, exceto para uma minoria de acadêmicos alfabetizados e ricos.

Neste novo mundo, onde uma grande quantidade de pessoas se depara com os argumentos pró e contra, não é possível que uma mentira permaneça firme por muito tempo. Ela está caindo, e os esforços dos autoproclamados “guardiões da ortodoxia” apenas servirá para retardar este processo inevitável.

E mesmo que o número de imortalistas fosse mesmo de 99%, o que isso implicaria? Nada. Há quase cinco séculos, o número de arminianos entre os evangélicos era de 1% também. Eles levaram um “pé na bunda” no Sínodo de Dort literalmente. Eram uma minoria com voz suprimida pela maioria. Hoje, são maioria. Se Jamierson fosse um evangélico arminiano no século XVI ou no início do século XVII, como ele reagiria caso alguém argumentasse que o arminianismo é falso porque “99% dos protestantes são calvinistas e isso significaria que o Espírito Santo os orientou a essa direção?”.

Eu também não sei qual a posição escatológica do pastor Jamierson, e também não importa. Ele provavelmente deve ser pré-tribulacionista. O pré-tribulacionismo não existia antes de um cara chamado John Darby (1800-1882), que pregou isso no século XIX. Antes disso, o número de pré-tribulacionistas não era de “1%”, mas de “0%”. Não era “pouca gente”, mas ninguém. Eu gostaria de saber se o pastor Jamierson invalida seu pré-tribulacionismo e de seus amigos assembleianos (Itard e companhia) só porque durante dezoito séculos esta linha escatológica era resumida a pó e cinzas.

Ou então pense em Martinho Lutero, vivendo no meio de toda a depravação católico-romana do século XVI. Certamente, “99%” dos chamados “cristãos” da época eram católicos e discordavam dos conceitos doutrinários de Lutero. Mesmo assim, ele não se acovardou pela enorme desvantagem numérica e foi em frente. Hoje, somos mais de 900 milhões no mundo todo e crescemos em quase toda a parte, enquanto o catolicismo é derrotado em todo lugar. O argumentum ad populum, segundo o qual algo é verdadeiro por ter mais aceitação popular, pode ser definido como o último grito desesperado de uma teologia falsa que está afundando. E assim como foi com as “kriptonitas” do pastor Jamierson, ela vai cair, e seus restos mortais serão a lembrança daquilo que um dia foi a primeira mentira da serpente – “certamente não morrerás” (Gn.3:4).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1] Enciclopédia Judaica, 1941, vol. 6, "A Imortalidade da Alma", pp. 564, 566.
[2] Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional, 1960, vol. 2, "Morte", p. 812.
[3] BACCHIOCCHI, Samuele. Imortalidade ou Ressurreição: Uma abordagem bíblica sobre a natureza e o destino eterno. Unaspress, 1ª edição, 2007.
[5] Enciclopédia Judaica, 1941, “Alma".
[6] ibid.
[7] Enciclopédia Judaica, 1941, vol. 6, "A Imortalidade da Alma", pp. 564-566.
[8] Enciclopédia Judaica, 1941, “Alma".
[10] Concordância de Strong, 2816.

43 comentários:

  1. Excelente análise Lucas. E obg pela menção hehehe

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  2. Lucas vou mandar isso pra ele ler,ok?:

    matheus carrel

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  3. lucas a intercessão dos santos começou cedo na igreja..como explicar esses texto aqui..

    O Testemunho dos primeiros cristãos

    Vejamos agora o que professava os cristãos no tempo em que não havia divisão na Cristandade, em relação à doutrina da intercessão dos santos:

    "O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos juntos também se unem a eles na oração" (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).

    "Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos" (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)

    "Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos". (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C).

    "Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas." (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

    "Em seguida (na Oração Eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patricarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração" (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

    "Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?" (São Jerônimo, 340-420 d.C, Adv. Vigil. 6).

    "Portanto, como bem sabem os fiéis, a disciplina eclesiástica prescreve que, quando se mencionam os mártires nesse lugar durante a celebração eucarística, não se reza por eles, mas pelos outros defuntos que também aí se comemoram. Não é conveniente orar por um mátir, pois somos nós que devemos encomendar suas orações" (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 159,1)

    "Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo corpo que elas (Santa Perpétua e Santa Felicidade) (...) Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós (...) Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um amor, envolvendo uma unidade" (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 280,6)

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    1. Começou cedo, porque todos estes textos foram escritos por Pais da Igreja POSTERIORES à época em que a imortalidade da alma entrou no Cristianismo através de filósofos cristãos provenientes da filosofia grega, que mesclaram ambas as ideias. E uma vez que se pensa que no céu já tem almas desencarnadas, é só mais um passo dizer que elas estão "intercedendo" por nós. É deste jeito que "um abismo chama outro abismo" (Sl.42:7) até culminar por fim na zorra total que é o catolicismo romano atual. O Pai mais antigo citado por você é Orígenes, que escreveu no TERCEIRO SÉCULO depois de Cristo. E ele não apenas ensinou imortalidade da alma, mas também pré-existência das almas (e segundo alguns, a reencarnação também), como ele diz claramente neste texto:

      “Então, depois de ter examinado mais a fundo as Escrituras a respeito de Jacó e Esaù, achamos que não depende da injustiça de Deus que antes de ter nascido e de ter feito algum bem ou mal - isto é nesta vida -, tenha sido dito que o maior serviria o menor; e achamos que não é injusto que no ventre da mãe Jacó tenha suplantado seu irmão (...), se crermos que PELOS MÉRITOS DA VIDA ANTERIOR com razão ele tenha sido amado por Deus por merecer ser preferido ao irmão” (Orígenes, I Principi, Torino 1968, Livro II, 9, 7)

      A evidência patrística anterior a este período é de imortalidade CONDICIONAL da alma, como eu escrevi neste artigo, com mais de 50 citações patrísticas deste período:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/12/os-pais-da-igreja-criam-na-imortalidade.html

      Excluir
  4. Faço parte do grupo de pessoas que eram imortalistas e após lerem a bíblia em seu contexto original, se tornou mortalista e passou a crer e valorizar a promessa da ressureição como sendo a única esperança e não mais a dividir essa crença com a ilusão de uma alma desencarnada no céu e a cada dia tenho conseguido cada vez mais descrer na imortalidade da alma, e a culpa disso é exatamente os imortalistas, tipo esse Jamierson, apresentando um monte de espantalhos, saindo do foco do debate, disparando ataques contra a denominação do oponente, sendo isso totalmente dispensável, desrespeitoso, visívelmente exaltado, interrompendo a resposta do outro, arrogante, prepotente e dizendo que vários teólogos estão errados sem nem ao menos refutar com argumentos plausíveis, para ele é só dizer que é errado e pronto, típico de gente desonesta intelectualmente e que não tem base sólida alguma. Lamentável! Parabéns ao pastor Adventista que manteve postura descente, educação, sobriedade e conseguiu responder com o tempo limitado disponibilizado ao debate e não usou de artifícios desonestos! Patrick respondeu e ainda deu bom testemunho!

    Dionatan

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Sim, Alon. Este tipo de "apologética" Jamierson-style fracassou miseravelmente nos EUA, e esses caras estão trazendo pra cá também. Necessitamos de uma nova apologética voltada para a direção certa.

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  6. Olá, Lucas!

    Sou próximo do Jamierson e admiro muito ele. Contudo, sou aniquilacionista e nesse assunto, como ele sabe, me distancio dele. O mais importante é que eu, você e o Jamierson somos arminianos. Juntemo-nos na soteriologia.

    Gostei de você ter colocar nomes de aniquilacionistas não adventistas, principalmente sobre os que te relatei.

    Abraços!

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    Respostas
    1. Olá, Marlon! De fato, o Jamierson costuma ir bem quando o assunto é arminianismo, ainda que fracasse na defesa do imortalismo. Mas enfim, esses debates enriquecem o evangelho, e querer que todo mundo pense igual em todas as coisas é uma vã ilusão, só presente nos filmes e séries de zumbis :)

      Agradeço-lhe mais uma vez pela contribuição. Grande abraço!

      Excluir
  7. Caro Lucas,
    Dou graças a Deus por ter me guiado até o presente momento, de tal sorte que, aquilo que Deus tem me mostrado, tem sido confirmado por Ele, quando me deparo com textos como esse que voce escreveu.
    Tive a graça de postar comentarios (na sessao destinada a isso, do video do debate), e o fiz porque me surpreendeu a postura desrespeitosa do pastor batista, que se iniciou jà num debate anterior, em que ele assumiu um ar de prepotencia diante de outro pastor adventista.
    Como disse (em um dos meus comentarios), a impressao que eu tive é que ele compareceu ao debate com a real intençao de atingir os adventistas de uma forma geral, mais do que de discutir o tema do programa, fato que parece ter ficado claro quando ele se referiu ao monte da transfiguraçao.
    Como voce, caro Lucas, abandonei a doutrina da imortalidade da alma quando me interessei pelo tema e busquei, nas Escrituras, a resposta para as minhas duvidas. De tal sorte que Deus me guiou às evidencias biblicas, reforçadas por escritos mortalistas como os seus. Graças a Deus!
    No tocante ao monte da transfiguraçao, ainda tenho a impressao de que tal passagem trata, tao somente, de uma VISAO, na qual duas pessoas, que haviam feito parte de historia do povo de Deus, aparecem diante dos apòstolos, falando com o Mestre. Digo isso, pois Jesus recomendou aos apostolos que nao contassem a ninguem a VISAO que lhes havia sido concedida por Deus (Mt 17:8).
    Todavia, nao duvido que Deus tenha poder para, naquela ocasiao, ter trazido (naquele monte), tais figuras em pessoa (num corpo (glorioso ou nao).
    Porem, tal pensamento (o da visao), me parece ser o mais apropriado, pois hà outros exemplos de visoes dadas, por Deus, aos seus discipulos, como, por exemplo, aquela em que um varao macedonio aparece a Paulo, em visao, e fala com ele (Atos 16:9-10).
    Embora nao seja adventista, creio que o melhor seria que esse senhor se humilhasse e pedisse perdao aos adventistas, pois a humildade vai a frente da honra.
    Felicidades!!!

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    1. Olá, Marcelo, a paz!

      Fico feliz por saber que você é mais um que se libertou da doutrina pagã da imortalidade da alma. Quanto mais pessoas estudam a Bíblia, mais pessoas abandonam essa doutrina. Glória a Deus!

      Quanto ao texto de Moisés no monte da transfiguração, realmente há a possibilidade de que tenha sido uma visão (não é uma alternativa descartável), mas eu fico mais com a tese de que foi um acontecimento real em que Moisés apareceu corporalmente. Eu explico mais sobre isso neste artigo:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/o-que-moises-fazia-vivo-no-monte-da.html

      De uma forma ou de outra, não há qualquer espaço para a crença de que o que ocorreu no monte foi uma sessão espírita com mortos-vivos em forma de espírito incorpóreo vagando em algum lugar por aí.

      Abraços e que Deus lhe abençoe!

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    2. Caro Lucas,
      Agradeço sua resposta, bastante oportuna.
      Li a seguinte materia, e, mais uma vez, estou inclinado a entender que a disputa pelo corpo de Moises seja uma providencia divina para coibir a idolatria: http://www.abiblia.org/ver.php?id=6896
      Veja que, no texto, é dito que, apesar do povo nao saber onde o corpo de Moises foi sepultado, mesmo assim hà peregrinaçoes naquele local (imagine se soubessem).
      Li tambem a materia que voce me indicou (de sua autoria) e tenho a impressao de que o Livro de Hebreus nos assegura que todos os santos ainda nao receberam o premio da ressurreiçao, nem mesmo Moises. A ùnica exceçao parece ser a ressurreiçao dos santos, por ocasiao da ressurreiçao de Cristo (Mt 27:52-53).
      Por isso, respeitando sua posiçao, creio que o acontecimento do Monte da Transfiguraçao tratou-se de uma VISAO, atè porque isso tolhe, inclusive, a possibilidade do diabo ganhar ocasiao e suscitar mais discussoes acerca do tema, relacionando-o a "espiritismo", "imortalidade da alma" e outras doutrinas heréticas.
      Deus te abençoe!!!

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  8. Olá, irmãos e amigos

    O Pr. Jamierson Oliveira é responsável por uma tal "Bíblia Apologética" que traz a descarada mentira de que "os adventistas ensinam salvação pela guarda da lei". Só que isso simplesmente NÃO É VERDADE, como se pode constatar lendo-se o documento OFICIAL da IASD, "Nisto Cremos", (arts. 9, 10 e 19). Então, ele fica sendo responsável pela MENTIRA! Eu disse isso diretamente a ele, e destaquei que percebia o dilema--o justo, ético e cristão seria recolher todos esses exemplares para refazer a informação falsa, mas seria um prejuízo e tanto para os cofres da editora que lançou tal publicação. Pergunto, porém: O que é melhor--tomar prejuízo para fazer com que uma falsa informação difamatória, um mau testemunho contra o próximo, seja desfeito ou ficar do lado daquele que é o "pai da mentira"? E como ele pode dormir em paz à noite, com uma consciência limpa, sabendo que é responsável em propagar tal mentira? Dirigi-lhe ambas estas perguntas diretamente. Ele não deu um pio. Em Mat. 12:36 lemos como os que proferem (ou registram por escrito) "palavras vãs" terão sérias contas a prestar ao Senhor naquele dia. . . .

    Sobre o debate referido, em que fui até citado, e negativamente, creio que o Pr. Patrick Siqueira saiu-se muito bem, a despeito da limitação de tempo no formato do programa. O vs. 42 é significativo no contexto desse debate. Segundo boas traduções, como a francesa de Louis Segond, o que o condenado arrependido pediu foi, "Senhor, lembra-te de mim quando VIERES no Teu reino". Jesus apenas lhe ressalta que não precisava pensar em tempo tão longínquo para ser lembrado. HOJE, naquele mesmo dia em que ambos se despediam desta vida humana, terrena, ele podia ter a segurança da vida eterna no Paraíso futuro, exatamente o dos "lugares" que Ele foi preparar, promessa essa que se consumará quando Ele retornar.

    Aliás, até lamentei que o Pr. Siqueira não tenha citado uma passagem que seria a "kriptonita" máxima para destruir o "morrer e ir pro céu" de imediato, como interpretam Luc. 23:43. Trata-se de João 14:1-3. Basta uma leitura atenta do que Jesus diz ali e fica claro que SÓ quando Ele retornar para levar os Seus para ocuparem os lugares que lhes prometeu preparar é que estará "para sempre" na sua companhia, não antes disso. O "para que onde Eu estou, estejais vós também" claramente está ligado à promessa de Sua VINDA. A ênfase bíblica é essa, a da VINDA de Cristo para a consumação da redenção--Rom. 8:22, 23--(e do Reino, como bem acentuou o irmão Banzolli nos seus comentário acima), não da IDA de almas para o céu.

    Abraços a todos.

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    1. Olá, prof. Azenilto, é uma honra receber seu comentário aqui!

      Realmente, essa tal "Bíblia Apologética" é uma piada total. Há uns meses atrás eu li algumas partes dela e é absurdo de tão ruim que é. Veja os "argumentos" que eles dão em favor do imortalismo sobre Lucas 23:43. Aquilo ali é totalmente ridículo. Se eles além de tudo ainda mentem sobre as crenças adventistas, aí deixa de ser ruim e entra no campo das difamações, e medidas legais podem ser tomadas a este respeito. É uma pena que algumas pessoas precisem apelar tão baixo para insuflar suas crenças.

      Mais uma vez recomendo a todos os leitores a sua excelente página sobre imortalidade:

      http://www.c-224.com/A-IMORTALIDADExxz.html

      Grande abraço!

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Obrigado por refazer o seu comentário de forma mais educada.

      Sobre a argumentação de que se a vírgula for colocada depois do “hoje” ela “enfatizaria demasiadamente” e por isso “não teria sentido”, isso é facilmente refutável quando observamos que embora a palavra “amen” (traduzido por “em verdade”) já seja em si mesmo enfática, MESMO ASSIM em várias ocasiões Jesus emprega o “amen” duas vezes (“em verdade em verdade”), como por exemplo em João 3:3:

      “apekriqh o ihsouV kai eipen autw amhn amhn legw soi ean mh tiV gennhqh anwqen ou dunatai idein thn basileian tou qeou”

      Então se o acréscimo do “hoje” nas suas palavras “enfatizaria desmesuradamente”, então o que você diria de um AMEN vindo logo em seguida de OUTRO AMEN? Seguindo o seu critério, isso seria obviamente um claríssimo exemplo de uma declaração “demasiadamente enfática” que, portanto, teria que ser excluída do texto bíblico. Ela faz parte do conjunto daquilo que você deveria considerar como “perfeitamente supérfluo”. Mesmo assim, não há discussões exegéticas quanto ao fato de Jesus ter dito o “amen” duas vezes seguidas, mesmo sendo consenso universal de que o “amen” dito somente uma vez já seria o suficiente para enfatizar algo. Mas se isso é possível e não torna o texto incoerente, então o “hoje” também não o torna. Portanto, a objeção é inconsistente.

      Cabe ressaltar que, conforme foi dito no texto, o ladrão havia pedido para Jesus se lembrar dele em um futuro distante, por ocasião da Sua volta, e então Jesus faz questão de usar o “hoje” ligado ao “em verdade te digo”, para ressaltar mais fortemente o fato de que o ladrão não precisava esperar por uma ocasião tão remota para ser lembrado, pois naquele mesmo dia (o “hoje” em questão) Cristo lhe estava dando essa garantia. E também vale lembrar que a expectativa de entrar no Reino somente por ocasião da ressurreição dos mortos NÃO ERA uma crendice errônea por parte do ladrão, mas algo também afirmado enfaticamente pelo próprio Cristo (Mt.25:31-34), deitando por terra a objeção de que o ladrão estava “enganado” quanto ao Reino ser algo futuro.

      Agora sobre o significado de Sheol, o seu equívoco está em pensar que o Sheol tem sempre um mesmo e único significado imutável, como sendo a sepultura e nada mais. Esta concepção é errônea. Muitas vezes o Sheol é apenas uma figura da morte, e por isto todos estão juntos no Sheol (i.e, todos estão na morte). Até a Bíblia de Estudos NVI, de linha explícita e declaradamente imortalista, afirma o seguinte na nota de rodapé dos textos onde Sheol aparece no AT:

      “Esta palavra também pode ser traduzida por PROFUNDEZAS, PÓ OU MORTE”

      Portanto, a objeção de que Jacó não esperava encontrar o corpo de José é completamente inútil, pois em certo sentido até os que tiveram os corpos cremados estão no Sheol, ou seja, estão mortos, todos juntos.

      O que o imortalista precisa provar para fundamentar suas teses seria pegar um texto onde o Sheol do AT tem como significado único possível um “reino onde as almas fora do corpo vão depois da morte”, e embora eu já tinha lido a Bíblia dezenas e dezenas de vezes te confesso que NUNCA encontrei algo sequer parecido com isso.

      Agora, que o Sheol definitivamente NÃO É uma “morada de almas fora do corpo”, isso eu posso te provar com CENTENAS de passagens bíblicas, como o paralelismo de Jó 17:16 que iguala o Sheol com o PÓ da terra; como Eclesiastes 9:10 que diz explicitamente que no Sheol não há atividade alguma; como o Salmo 6:5 que também explicitamente afirma que no Sheol ninguém louva a Deus; como o Salmo 141:7 que declara que os OSSOS (e não a “alma”) estão na “boca do Sheol”; como 1ª Reis 2:9 que diz enfaticamente que uma pessoa desceria ENSANGUENTADA ao Sheol (será que uma alma incorpórea sangra?), dentre centenas e centenas de outros textos que eu não tenho paciência para elencar aqui um por um, e que destroem por completo a fabulosa tese imortalista de que o significado primordial de Sheol é de um reino de almas incorpóreas.

      Abraços.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Além de não responder a nenhum dos meus textos ainda repetiu mais uma vez o texto já comentado sobre Gênesis 37:35. Vou repetir: o seu equívoco está em pensar que Sheol é SEMPRE uma "sepultura”, mas não há um significado ÚNICO e FIXO para o Sheol, tanto é que eu passei aqui a nota de rodapé da maior Bíblia de Estudos do mundo, a NVI, que é explicita e abertamente imortalista e que mesmo assim RECONHECE que Sheol pode ser:

      “Esta palavra também pode ser traduzida por PROFUNDEZAS, PÓ OU MORTE”

      Em momento nenhum eu disse que o texto específico de Gênesis 37:35 traz Sheol no sentido de "sepultura", como você erroneamente afirma que eu disse. O que eu disse foi que o texto de Gênesis 37:35 traz Sheol no sentido de MORTE. Neste sentido, todas as pessoas da história da humanidade estão no Sheol, incluindo aí todos aqueles que tiveram seus corpos cremados e que já viraram pó, e incluindo também o caso de José que supostamente tinha sido devorado por feras. TODOS eles, independentemente se ainda mantém seus corpos ou não, estão juntamente no Sheol, ou seja, estão na morte, esperando a ressurreição dos mortos, quando finalmente voltarão à vida. Portanto, Gênesis 37:35 não prova absolutamente nada de que Sheol seja uma "morada de almas incorpóreas e conscientes".

      O outro texto que você citou é MAIS UMA VEZ fruto de uma completa incompreensão da crença mortalista sobre o Sheol. Você continua achando que no mortalismo "Sheol = sepultura" e ponto final. Essa concepção é um espantalho tosco da crença mortalista bíblica. Como eu já afirmei três vezes e volto a dizer, Sheol pode significar sepultura (em sentido coletivo universal), morte, pó ou profundezas. Ele não tem um único significado fixo. O texto de Amós citado por você está obviamente no sentido de PROFUNDEZAS. Vai bem além da simples "sepultura", sete palmos abaixo da terra. O texto simplesmente está dizendo que mesmo se alguém cavar até as profundezas da terra, mesmo assim Deus os acharia e os tiraria dali. Não está falando ABSOLUTAMENTE NADA de um "reino de almas incorpóreas conscientes" batendo papo depois da morte ou jogando pôquer.

      Ninguém vai “cavar até o Sheol” porque o significado de Sheol como sendo uma sepultura individual é fantasia sua. Nenhum mortalista afirma isso. Quando muito, afirmamos que Sheol é uma sepultura coletiva, onde todos estão depois da morte. Mas este significado não é único, como já mencionei.

      Ademais, você copiou e colou aqui em seu comentário gigante o texto deste site:

      http://sadoutrina.com/artigos/350-seol.html

      Eu já disse várias vezes aqui que não aceito control c + control v. No máximo, quando for copiar e colar algo, mande somente o link e pronto. Assim eu posso refutar todo aquele estudo com outro link, este aqui:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/estudo-completo-sobre-o-significado-de.html

      Quero dizer também que não tenho tempo para ficar respondendo a todos os seus "desafios" e textos gigantes copiados da internet, os quais já foram refutados há séculos. Eu estou fazendo mestrado em teologia e pós-graduação em história, tenho que entregar nos próximos meses um TCC e uma Dissertação, isso sem falar nos artigos que me comprometo a escrever uma vez a cada dois dias e nas várias cartas esperando resposta através do meu outro site. Por isso eu já disse recentemente que este é um espaço para COMENTÁRIOS (ou seja, uma observação breve), não para DEBATES. Se você quer debater comigo, me mande um e-mail (lucas_banzoli@yahoo.com.br) e aguarde na fila como todos os demais, até que eu tenha tempo para responder a todos os seus argumentos e refutá-los um a um. Qualquer novo comentário em forma de debate será suprimido daqui em diante.

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  10. Paz irmãos, eu prefiro pensar que o HOJE de Deus é diferente do nosso HOJE, neste contexto. Assim, ainda que Jesus tivesse realmente dito: HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO, não significa dentro do nosso conceito limitado de tempo e espaço, de maneira que "num abrir e fechar de olhos" por parte do ladrão, aquelas palavras realmente se tornarão reais, como também deve ser para cada um de nós que aguardamos a ressurreição.

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    1. Caro Jacob,
      Essas suas palavras me lembram um debate do programa "Vejam So!", no qual um dos debatedores, chamado bispo Hermes, defende uma ideia semelhante à sua: https://www.youtube.com/watch?v=rglnoFYTNrA.
      Gostaria de aproveitar a oportunidade para saber, se possivel, a opiniao do irmao Lucas sobre a posiçao do bispo Hermes.
      Deus vos abençoe!!!

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    2. Eu concordo com a ideia geral do Hermes, mas não com este ponto em específico (da transfiguração). Ele deixou entender que Moisés apareceu no monte enquanto ainda estava vivo. Eu creio que ele apareceu depois de já ter morrido, o que implica em uma ressurreição, ainda que temporária.

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  11. Nobre amigo,
    Ainda dentro dessa tematica da imortalidade da alma, quando leio Eclesiastes 9:4-6, entendo que o Espirito Santo de Deus està se dirigindo às pessoas (que estao lendo às Escrituras) de uma forma completa (holistica), ou seja, nao somente aos seus corpos, até porque, o corpo, por si sò (sem o espirito), nao pode expressar as faculdades citadas nesses versos (esperança, amor, odio, ciencia, raciocinio e inveja).

    Se tais faculdades cessam por ocasiao da morte, logo a Palavra nao està se referindo somente ao corpo, mas principalmente ao espirito, o qual tem capacidade de manifestar as faculdades citadas.

    Como o espirito volta a Deus que o deu (Ec 12:7) e nao pode mais manifestar tais faculdades, logo obrigatoriamente temos que aceitar que a morte representa o fim daquele ser (nao para Deus, è claro, pois para Ele todos vivem).

    Deus vos abençoe!!!

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    1. Lucas, o Pr. Jamierson foi informado a respeito desse artigo e disse que o que é seu está guardado. Mas acho que ele guardou tão bem que perdeu

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  12. Olá Lucas
    Acredito que neste artigo será melhor para eu entender sobre a visão psicopaniquista do prof Cullmann. Segundo você Cullamann ensinava que as almas existem separadas do corpo e que na morte dormem no sheol. Como entender o sheol, já que a palavra hebraica, se não me engano, para sepultura é outra.

    abs

    Lucas

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    1. Escrevi sobre isso nestes artigos:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/estudo-completo-sobre-o-significado-de.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/07/o-sheol-hades-e-uma-morada-de-almas.html

      O primeiro artigo é de uma versão antiga e desatualizada do meu livro, talvez tenha alguns erros que foram corrigidos na versão final de 2010, o outro é mais recente.

      Abs.

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  13. Prezado Lucas
    Como entender Atos 12:15? e I co 5:5?

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    1. Atos 12:15 reflete a crença dos primeiros cristãos de que cada crente possui um anjo que o acompanha, o que mais tarde foi conhecido pelo nome de "anjo da guarda".

      1 Coríntios 5:5 é um caso de excomunhão, onde a pessoa, afastada do círculo eclesiástico (e portanto mais exposta aos ataques de Satanás) poderia repensar sua conduta, buscar o arrependimento e assim conseguir ser salvo no dia do juízo.

      Abs.

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    2. O dia do juizo é o dia da volta do Senhor Jesus? Os salvos passarão pelo juizo ou já são julgados pelo Espírito Santo em seu coração?

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    3. Sim, o juízo dos salvos é na volta de Jesus:

      "Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem" (1 Coríntios 15:22-23)

      Nós passaremos por este juízo, mas apenas para receber o galardão proporcional às nossas obras, não será um juízo condenatório (Ap 22:12; 1Co 3:12-15). Infelizmente, a palavra grega para "juízo" é a mesma usada para "condenação", e por essa razão dependemos da análise de cada contexto para definir se está falando de juízo ou de condenação. Por causa disso alguns pensam que os salvos não serão julgados por causa de textos que na verdade falam de condenação, mas Paulo foi claro ao dizer que "todos nós compareceremos diante do tribunal de Deus" (Rm 14:10).

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  14. Olá Lucas
    Gostaria que vc olhasse este artigo e emitisse sua opinião.

    atulmente creio no sono da alma
    http://www.hellhadesafterlife.com/sheol/sheol-definition

    abraço
    Lucas

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    1. Olá, a paz. Geralmente quando alguém me envia algum texto para comentar sobre o assunto é porque diz algo contrário e quer que eu refute, isso é tão comum que eu já fui preparado para fazer as refutações necessárias. Ao mesmo tempo que lia o artigo eu ia fazendo os apontamentos necessários, até que me dei conta que o texto estava dizendo tudo o que penso, e não argumentando o contrário (LOL!). Talvez isso tenha ocorrido porque os argumentos imortalistas típicos são tão ruins, mas tão ruins, que é comum que usem em seu favor textos que provam o contrário do que eles afirmam, por isso demorei um pouco para perceber. De todo modo, li o artigo até o final e é simplesmente excelente, altamente recomendado.

      Gostaria de recomendar também dois artigos meus onde explico o que é o Sheol, na mesma linha que ele segue. Um é extraído de parte do meu livro “A Lenda da Imortalidade da Alma”, embora o artigo postado no meu outro blog seja da versão mais antiga do livro (de 2010) e não da mais recente (de 2013), e por isso contém o equívoco de não distinguir a sepultura do Sheol, erro este que já foi corrigido na versão de 2013:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/estudo-completo-sobre-o-significado-de.html

      E o outro é mais recente, em resposta a um desafio de um certo “pastor Jamierson”:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/07/o-sheol-hades-e-uma-morada-de-almas.html

      Esse último artigo em especial é o mais recomendado, porque é simplesmente irrefutável, não tem como contrariar a clareza dos textos bíblicos. O próprio Jamierson disse na ocasião que iria “refutar” e está correndo até hoje (anos depois). De fato, a única forma de um imortalista contrariar o conceito mortalista de Sheol/Hades é tomando a parábola do rico e Lázaro como literal (o que é absurdo e patético), contrariando TODO o ensino de TODA a Bíblia sobre o tema, a qual é perfeitamente clara em dezenas e dezenas de passagens em afirmar o Sheol como a sepultura comum da humanidade, sem vida e nem consciência. Negar isso não é mero erro de interpretação, é desonestidade mesmo, de tão óbvio que é.

      Abs!

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  15. Olá Lucas
    De acordo com o artigo citado acima (em inglês), eu creio no sono literal das almas no sheol, que um dia serão acordadas, sendo a alma uma entidade independente e de natureza distinta do corpo que surge após a junção do espirito com o corpo. Na morte a alma não deixa de existir, mas permanece em inatividade total "dormindo" num dominio chamado sheol ou hades.
    Esta doutrina era defendida por alguns anabatistas em oposição aos imortalistas que existiam e existem até hoje, como o jamierson por exemplo.
    O que vc acha?

    abraços

    Lucas

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    1. Respeito essa visão, mas acho incompatível com os próprios textos utilizados, quando por exemplo usa o Sheol em contraste com a vida, o que só pode significar o inverso disso (ou seja, a morte), e alguém que dorme ainda é tecnicamente alguém vivo, mesmo que inconsciente. Ou quando Jó faz o paralelismo entre o Sheol e o pó, indicando se tratar da mesma coisa. Ou quando o Sheol é igualado à própria morte. Isso sem falar nos inúmeros textos que falam na morte da alma em termos bem claros (no original hebraico e grego). Mas eu respeito essa sua posição, que na prática não tem quase diferença em relação à minha, já que em ambos os casos o indivíduo está sem consciência (inativo) na morte e só volta à consciência na ressurreição. Abs!

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  16. Complementando:
    De acordo com Mt 10:28 acredito que as almas não morrem antes de serem lançadas no lago de fogo, mas estão plenamente inconscientes no sheol até a ressurreição.
    att

    Lucas

    ResponderExcluir
  17. olá Lucas
    Oscar Cullmann também defendia este ponto de vista? (alma existindo separadamente, porém inconsciente na morte)
    att

    Lucas
    Lucas

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  18. Olá Lucas.
    Vc poderia me indicar algum livro, algum teólogo brasileiro ou alguma igreja que ensina o conceito defendido por Cullmann? (sei que os adventistas pensam diferente).
    Abraços.
    Lucas

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    Respostas
    1. Não conheço nenhuma, tanto adv como tj creem no sono da alma como morte e não como sono literal.

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