7 de fevereiro de 2015

A Igreja invisível perfeita e a Igreja visível imperfeita




É praxe dos papistas as acusações de que as igrejas evangélicas não podem ser de Deus porque a “verdadeira Igreja de Cristo” é una, é indivisível, é santa, é infalível e foi fundada por Jesus há dois mil anos. Essa é toda a base da argumentação católica em torno de qualquer tema teológico que seja. Ela parte da premissa falsa de que a Igreja é uma instituição ou denominação religiosa em particular, algo que já foi refutado milhões e milhões de vezes neste blog, em artigos como esses:










O que os papistas querem nos convencer é de que existe uma Igreja (instituição) que não tem e nunca teve erro nenhum, pois seu líder visível é um ser infalível (papa), que não pode errar em matéria de fé. E essa igreja totalmente santa e perfeita se contrasta com as igrejas protestantes, as quais são “divididas” entre si e muitas delas ensinam heresias, sendo combatidas pelos próprios evangélicos. Sendo assim, o leitor é intimado a escolher entre uma igreja perfeita e uma igreja imperfeita, entre uma igreja santa e uma igreja pecadora, entre uma igreja sem erros e uma igreja com erros.

Eles são em tudo semelhantes aos fariseus, que por se acharem os donos da verdade receberam essa resposta sarcástica de Cristo:

“Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores” (Marcos 2:17)

Querem saber de uma coisa? Eu faço parte de uma igreja imperfeita, pecadora e falível. Eu faço parte de uma igreja que tem erros doutrinários. Eu faço parte de uma igreja que tem pecadores. Eu faço parte de uma igreja que já falhou (embora nunca tenha chegado ao ponto de queimar alguém na fogueira por não compartilhar da mesma fé). Eu faço parte de uma igreja que precisa de um Médico. Eu faço parte de uma igreja chamada Comunidade Alcance (Curitiba/PR), fundada em 2005 pelo pastor Luciano Subirá, da qual faço parte desde 2007. Não, ela não foi fundada por um apóstolo. Não, ela não tem dois mil anos. E não, ela não é infalível.

Deveríamos atirar pedras neste que vos escreve por fazer parte de uma igreja... com erros? Talvez. Mas, antes, deixe-me dizer algo sobre a igreja visível do tempo dos apóstolos. Existiam muitas delas. Havia a igreja de Corinto, a igreja da Galácia, a igreja de Colossos, a igreja de Roma, a igreja de Tessalônica, a igreja de Filipos e todas as outras igrejas às quais Paulo enviou cartas, isso sem mencionar as várias outras igrejas existentes no século I, que não receberam nenhuma epístola apostólica que tenha sobrevivido até nossos dias.

Como eram essas igrejas? Vamos começar com a igreja da Galácia. Ela era uma igreja totalmente judaizante. Seus membros estavam observando festas do calendário pagão (Gl.4:10), estavam observando toda a lei judaica, inclusive praticando a circuncisão (Gl.5:2), e Paulo teve que lhes dizer:

“Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? Será que foi inútil sofrerem tantas coisas? Se é que foi inútil!” (Gálatas 3:3-4)

A igreja da Galácia estava cheia de erros.

Temos também a igreja de Corinto. Em Corinto, a coisa estava pior. Havia pessoas que estavam negando, acredite, até mesmo a ressurreição física dos mortos (1Co.15:12)! Paulo teve que dedicar todo o capítulo 15 de sua epístola para refutar os enganos presentes nesta igreja acerca da ressurreição. Havia também uma enorme confusão sobre os dons espirituais. Assim como ocorre nos dias de hoje, naquela época as igrejas também tendiam a variar entre dois extremos: ou não davam ênfase nenhuma aos dons, ou davam ênfase demais. Em Corinto, a ênfase era excessiva. Os coríntios falavam desorganizadamente em línguas em voz alta durante o culto, sendo repreendidos por Paulo em função disso (1Co.14).

Como se isso tudo não bastasse, havia também em Corinto cristãos extremamente pecadores, como um tal que mantinha relações sexuais com sua madrasta (1Co.5:1). E o pior não era isso. O pior era que os irmãos da mesma igreja, ao invés de repreenderem ou excomungarem este indivíduo por causa disso, estavam orgulhosos (1Co.5:2) por terem na igreja um grande “pegador” (ao invés de “pecador”). Paulo ficou furioso da vida com isso também. Repreendeu os coríntios e excomungou o cidadão.

A igreja de Corinto também estava cheia de erros.

Temos também a igreja de Colossos. Aparentemente, havia ali dentro um início de heresia gnóstica (Cl.2:8), a qual foi duramente criticada por Paulo e mais ainda por João em suas epístolas. João não poupou palavras para descrever aqueles que estavam negando que Jesus veio em carne. Chamou-os de “anticristos”, pequenos protótipos do anticristo que ainda viria ao mundo:

“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo” (2ª João 1:7)

A igreja de Colossos também estava cheia de erros.

Temos também a pequena terceira epístola de João. Ela é muito curta, tem apenas um breve capítulo. Mesmo assim, escrevendo ao presbítero Gaio, ele observou que havia um sujeito chamado Diótrefes, que, a exemplo dos papas romanos, se considerava superior a todo mundo e queria mandar no pedaço:

“Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o mais importante entre eles, não nos recebe. Portanto, se eu for, chamarei a atenção dele para o que está fazendo com suas palavras maldosas contra nós. Não satisfeito com isso, ele se recusa a receber os irmãos, impede os que desejam recebê-los e os expulsa da igreja” (3ª João 1:9-10)

Podemos presumir fortemente que o problema naquela igreja não era somente Diótrefes. Este nunca conseguiria alcançar tamanho poder e status naquela igreja se os outros irmãos não compactuassem com a liderança dele. Diótrefes era somente a figura máxima de um problema maior. Ele não estaria ali se aquela igreja, como um todo, não o tivesse colocado lá.

Aquela igreja de Diótrefes também estava cheia de erros.

Chegamos então a 95 d.C, quando o velho apóstolo João, liberto da ilha de Patmos ao final do reinado de imperador romano Domiciano, escreve sete cartas às sete igrejas. Destas sete, apenas duas (a de Esmirna e a de Filadélfia) não recebem críticas. Até mesmo a igreja de Éfeso, a mesma que havia sido tão elogiada pelo apóstolo Paulo e que não havia caído em nenhuma heresia até então, foi criticada nestas palavras:

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar” (Apocalipse 2:4-5)

A igreja de Éfeso também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Pérgamo, Cristo diz:

“No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual. De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas. Portanto, arrependa-se! Se não, virei em breve até você e lutarei contra eles com a espada da minha boca” (Apocalipse 2:14-16)

Pense numa igreja que seguia a Balaão, que comia alimentos sacrificados aos ídolos, que praticava imoralidade sexual e que se apegava aos ensinos dos nicolaítas, que ensinavam a poligamia...

Sim, a igreja de Pérgamo também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Tiatira, Cristo diz:

“No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender. Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica. Matarei os filhos dessa mulher. Então, todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras” (Apocalipse 2:20-23)

Uma igreja que tolerava Jezabel(!), que praticava imoralidade sexual, que comia alimentos sacrificados aos ídolos e que hesitava em se arrepender de seus pecados...

Sim, a igreja de Tiatira também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Sardes, Cristo diz:

“Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto. Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você. No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão comigo, vestidos de branco, pois são dignos” (Apocalipse 3:1-4)

Uma igreja praticamente morta, imperfeita, que tinha somente uns poucos que não estavam contaminados com heresias...

É, a igreja de Sardes também estava cheia de erros.

Mas o pior ficou com a igreja de Laodiceia, para a qual Jesus diz:

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se” (Apocalipse 3:14-19)

Pense numa igreja que estava a ponto de ser vomitada da boca de Cristo(!), que era rica materialmente e soberba em função disso, que foi chamada de espiritualmente pobre, cega e nu, sendo duramente repreendida e disciplinada por Cristo como se nem fosse cristã... essa era a igreja de Laodiceia.

A igreja de Laodiceia também estava cheia de erros.

Sim, havia algumas igrejas que Paulo não criticou expressamente, até por terem sido fundadas recentemente, sem dar muito tempo para que as heresias começassem a surgir. Paulo não repreendeu explicitamente os tessalonicenses, nem os efésios, nem os romanos. Mesmo assim, o recado que ele deixava era muito bem claro: tema ser cortado também!

“Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você. Então você dirá: ‘Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado’. Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você. Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado (Romanos 11:17-22)

Não se orgulhe, mas tema!

Mas temer o que, se eles já eram “infalíveis” e os romanos “não podem errar na fé”? Fica claro que Paulo não tinha a mínima ideia de infalibilidade para a igreja de Roma, nem para igreja nenhuma. Eram todas falíveis, pecadores, sujeitas ao erro e à repreensão. Tal como a Comunidade Alcance de Curitiba.

Duas coisas me chamam mais atenção. A primeira delas é que as heresias, assim como as repreensões, não vieram “de fora”, mas sim “de dentro”. Era de dentro da igreja de Corinto que estavam dizendo que não havia ressurreição, era de dentro da igreja da Galácia que os cristãos estavam se judaizando, era de dentro da igreja de Éfeso que estavam seguindo as doutrinas nicolaítas. Não eram heresias “de fora”, como o católico romano tradicional irá considerar as heresias de Marcião, de Ário e do “rebelado” Lutero. Eram de dentro. O problema era interno. As igrejas simplesmente não eram perfeitas. Elas estavam cheias de erros.

A segunda coisa que me salta aos olhos é como que essas igrejas, com todos os seus erros, continuavam sendo chamadas de igrejas... de Deus. Para a “herética” igreja de Corinto, Paulo iniciou escrevendo:

“Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto” (1ª Coríntios 1:1-2)

A igreja de Corinto estava imersa nos mais sérios problemas teológicos, era uma igreja claramente dividida, uns pregavam uma coisa e outros pregavam outra, heresias surgiam de dentro dela, e mesmo assim Paulo diz que ela era uma igreja de Deus, ao invés de chamá-los de “hereges sectários” e sua igreja de “seita satânica”. Claramente vemos que para uma igreja ser considerada “de Deus” ela não precisa ser perfeita, nem una, nem infalível, nem inerrante. A igreja de Corinto não era nada disso. Mas Paulo a considerava "de Deus". Existe um nível de tolerância, no qual uma igreja, mesmo que dividida e imersa em algumas heresias, permanece sendo “cristã”.

Ela também não precisa ter “dois mil anos” ou ter sido “fundada por Jesus”. A partir da morte e ressurreição de Cristo inicia-se a era da Igreja, pré-anunciada por Jesus no famoso texto de Mateus 16:18. Mesmo assim, não vemos Jesus fundando igreja nenhuma. Não vemos Jesus ressuscitando e indo a Roma “fundar” uma igreja. Na verdade, de acordo com os próprios católicos romanos, a igreja de Roma só foi fundada por Pedro em 42 d.C, quase uma década depois da era da Igreja ter iniciado.

Eu não estou dizendo que concordo com esta data (de 42 d.C) e muito menos estou afirmando que seu fundador foi mesmo o apóstolo Pedro. Eu não sou insano. O ponto em questão é que a Igreja já existia antes do evangelho chegar a Roma. A Igreja de Cristo já era Igreja de Cristo antes do primeiro cristão pisar o pé na cidade de Roma, antes do primeiro templo ser construído em Roma, antes do primeiro romano se converter, antes de existir algo que possamos chamar de “igreja de Roma”. Ademais, se a igreja de Roma foi fundada por Pedro, então ela foi fundada por homens. Pedro era um homem, não um deus.

Portanto, a igreja de Roma foi fundada por um homem e não tem “dois mil anos”. Ela sequer foi fundada por Jesus, e apóstolo nenhum pisou naquela cidade por pelo menos dez anos depois da ressurreição de Cristo. A igreja de Roma, como tal, é somente mais uma comunidade cristã que foi fundada por homens e que estava sujeita a todos os erros doutrinários que as demais igrejas também estavam sujeitas. Assim como a Comunidade Alcance de Curitiba. O que determina se uma igreja é de Deus não é se ela foi fundada por algum apóstolo ou não, mas sim se ela permanece nos ensinos de Cristo ou não.

A igreja de Antioquia, historicamente falando, foi fundada por um apóstolo: Pedro. Foi também em Antioquia onde os apóstolos foram pela primeira vez chamados “cristãos” (At.11:26). Mesmo assim, Antioquia tem permanecido por séculos sob domínio muçulmano (hoje é território turco). A igreja de Antioquia fazia parte do conjunto de patriarcados da igreja ortodoxa, e de fato eles têm até mesmo uma lista de sucessão episcopal que vai desde Pedro até o patriarca atual, Ignatius Zakka I Iwas (não me peça para pronunciar este nome), cuja lista de sucessão pode ser conferida clicando aqui.

Mesmo assim, os católicos da igreja de Roma creem que os católicos da igreja de Antioquia caíram em heresia e apostataram, assim como toda a Igreja Ortodoxa. Tecnicamente falando, a igreja de Antioquia está excomungada pelos romanos desde o cisma de 1054 d.C. Em outras palavras, o fato desta igreja ter “dois mil anos” e ter sido fundada por um apóstolo não lhe garantiu a permanência na fé – e isso seguindo o raciocínio dos próprios romanos!

De que modo, então, podemos saber se uma igreja permanece na fé ou não? Já sabemos que não é pela “sucessão apostólica” ou pela falácia do argumentum ad antiquitatem, que é o apelo à tradição. Biblicamente, podemos saber perfeitamente o que é que faz com que uma igreja seja considerada “de Deus” ou não, e esta condição está relacionada à correspondência dela com os ensinamentos de Jesus:

“O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus (Apocalipse 12:7)

Perceba que o dragão não foi lutar contra “os que seguem uma instituição de dois mil anos” ou contra “os que têm uma sucessão apostólica”, nem tampouco contra “os que guardam a tradição”. Me desculpe dizer assim, mas o diabo não está nem aí com esses. O diabo está realmente preocupado, isso sim, com quem se mantém fiel a Jesus ao guardar Seus mandamentos e Seu testemunho. São os que seguem a Bíblia que causam ira no dragão. Como já dizia Isaías, “à lei e aos mandamentos! Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Is.8:20).

Perceba o nonsense católico: para eles, essa mesma Igreja que passava por enormes transtornos internos, erros doutrinários e divisões internas no século I, de repente se transformou em uma entidade infalível, santa e impecável, sem se desviar um milímetro da verdade até o século XXI. Se você acredita em gnomos, fada dos dentes, bicho papão ou no monstro do espaguete voador, pode crer nisso também. Os evangélicos, em contraste, creem que esses mesmos erros, problemas e divisões do século I permanecem existindo no século XXI, talvez até em dimensões maiores, porque existem mais pessoas do que no século I. E que isso não muda o fato de sermos igrejas de Deus, desde que guardemos os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, dentro do nível de tolerância já mencionado.

Se por um lado eu faço parte de uma igreja fundada por homens, falível e pecadora – assim como todas as comunidades cristãs do primeiro século – por outro lado eu também faço parte de uma Igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. E não, eu não estou falando mais da Comunidade Alcance de Curitiba, nem da Batista, nem da Assembleiana, nem da Presbiteriana e muito menos de uma Católica Romana. Eu estou falando da verdadeira Igreja de Cristo, que é o Corpo de Cristo, formado por todos aqueles que adoram a Deus em espírito e em verdade.

Sobre essa Igreja invisível, sim, é nos dito:

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Efésios 5:25-27)

Essa Igreja, por sua vez, não tem restrição de templo, local, idade ou profissão de fé. Dessa Igreja fazem parte todos os verdadeiros adoradores, aqueles que praticam a Palavra de Deus, aqueles vivem por Cristo, em Cristo e para Cristo. Você provavelmente não faz parte da mesma igreja visível em que eu congrego, mas juntos fazemos parte deste Corpo perfeito, imaculado e glorioso, que é o Corpo de Cristo, a Sua Igreja. Onde quer que haja um adorador do verdadeiro Deus no mundo, em qualquer lugar que seja, em qualquer hora que seja, em qualquer época que seja, ali está a Igreja. A Igreja invisível não está em um lugar geográfico – está em nós, se andamos conforme os ensinamentos de Cristo e possuímos o Espírito Santo que nos confirma que somos filhos de Deus.

Esta Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade. Contra esta Igreja, as portas do inferno não prevalecerão. Não, Jesus não estava falando de uma igreja visível que torturou, queimou e assassinou milhões no passado, que vendia indulgências para o perdão dos pecados, que lucrava com relíquias sagradas que nunca existiram, que entrava em cruzadas contra outras religiões, que age de forma autoritária e propaga heresias aos montões. Não era essa a Igreja santa e gloriosa que Jesus se referia. Ele não estava contemplando um palácio ostentoso, rico e luxuoso como o Vaticano, mas olhando para o coração humilde e sincero de cada um daqueles que abdicam diariamente de suas próprias vidas para viverem a vida de Cristo, tomando a própria cruz e negando a si mesmos.

É essa a Igreja invisível e perfeita, que existe através de igrejas visíveis e imperfeitas. É este o Senhor Jesus imaculado, que habita em corações de seres pecadores como eu e você. Essa é a graça do evangelho. Essa é a mensagem da cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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16 comentários:

  1. Caro Lucas!

    Ótimo artigo mais uma vez! Me diga se podemos fazer uma tipologia entre as sete igrejas literais de Apocalipse com sete períodos da história da Igreja de Cristo desde a sua fundação até o fim dos tempos ou se isso é apenas uma interpretação da Igreja Adventista.

    A paz de Cristo!

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    1. Oi, Rodrigo, obrigado!

      Eu não concordo que as sete igrejas representem tipologicamente sete PERÍODOS futuros, pela simples razão de que não vejo a cronologia se encaixando de forma alguma, a não ser com uma forçação de barra. Eu também vejo uma tipologia nas sete igrejas, no sentido de que hoje em dia ainda há igrejas semelhantes a de Laodiceia, Sardes, Éfeso, etc. E isso não apenas em termos de igrejas, mas em termos individuais também, há pessoas que podem sentir no coração que é como se Deus estivesse falando especificamente com elas através destes versos bíblicos originalmente destinados àquelas comunidades cristãs. Então eu creio em uma aplicação mais ampla, mas não de forma reducionista e simplista do tipo: "essa igreja representa o ano 300 até 600", "aquela outra representa a igreja tal do ano 1200 ao 1500", etc.

      Abraços!

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  2. Se toda igreja é imperfeita e tem erros pq eu não posso continuar na igreja catolica desde que eu não compactue com os erros dela do mesmo modo que vc continua na sua igreja e não compactua com os erros da sua igreja. Qual a diferença já que ambas tem erros ?

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    1. Você pode. Ninguém aqui está te obrigando a deixar a sua igreja. A diferença reside exatamente no fato de isso ser possível ou não. Um evangélico, como eu, pode continuar frequentando sua igreja local mesmo sem compactuar e sem concordar com os erros dela, mas dificilmente o católico conseguirá fazer o mesmo com a igreja dele, porque a liberdade que o protestantismo oferece é infinitamente superior à liberdade que a Igreja Católica oferece a seus fieis. Se você não crê nos dogmas romanos, tecnicamente você está excomungado, para não dizer anatemizado (amaldiçoado), dependendo do dogma. No protestantismo, nós podemos conviver com nossas diferenças, eu sou amigo do pastor da minha igreja, mesmo ele sabendo das nossas diferenças doutrinárias, mas infelizmente o mesmo não ocorre no catolicismo romano, onde o livre exame é vedado aos fieis e todos eles estão sujeitos à obediência incondicional ao papa infalível - sem crer no que ele diz, você não pode ser considerado católico por eles, exceto para si mesmo.

      Em outras palavras, há uma enorme diferença entre o evangélico e o católico que congrega em igrejas imperfeitas: o evangélico continua sendo aceito em sua comunidade local dentro de um nível alto de tolerância e aberto à mudança de opinião, enquanto o católico, pelo fato da Igreja proibir o livre exame e interpretação da Bíblia, é forçado a crer em tudo o que o papa diz, e caso discorde de alguma coisa não é considerado mais um "católico", porque estaria confrontando o mais alto de todos os dogmas: o da infalibilidade papal, do qual todo o resto do catolicismo romano está de pé ou cai. Ou seja: na igreja evangélica, você pode continuar sendo evangélico mesmo sem concordar com o pastor em tudo. Na Igreja Católica, você NÃO pode continuar sendo católico a não ser que concorde com o papa em tudo. Isso não sou eu quem digo, é o próprio catecismo de vocês. Infelizmente.

      Abraços.

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  3. Lucas Deus te abençoe meu irmão, sempre nos ajudando, para honra e glória do nosso Senhor Jesus Cristo!

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  4. Lucas, eu vi que a Comunidade Alcance é igreja em células, mas ela tem esses dogmas como Encontro com Deus ? E ela é pentecostal ?

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    1. Eu não sei o que vem a ser "Encontro com Deus", mas a Alcance trabalha com células sim. É pentecostal de uma linha mais moderada que a maioria.

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    2. Ah, sim; É que eu conheço igrejas em células, onde os membros ficam três dias em uma chácara. Obrigado

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    3. A célula aqui é uma visita rápida de uma ou duas horas na casa de um dos membros da célula, nada de mais...

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  5. Será que Pedro e Paulo não estariam errados?

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  6. http://solascriptura-tt.org/Seitas/Romanismo/index.htm

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  7. Outra vez um bom post: Toda Igreja é passível de erro, perfeição só na Eternidade com Cristo, se até o povo de Israel errou na antiga lei, se até mesmo os sumos sacerdotes na antiga alinça erram,Igreja nenhuma está livre de erro, cristão nenhum esta livre de erro, se declarar infalível já é um erro.Nem a Igreja Ortodoxa, nem a católica ou as milhares de protestantes são infalíveis, contudo a Fé em Cristo e o conhecer de Deus nos aperfeiçoa cada vez mais que andamos com Deus.Paz e bem a todos em Cristo Jesus.

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  8. Excelente artigo! Muito bom mesmo!

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    1. Obg! Esse eu acho um dos artigos mais importantes do blog, talvez o mais importante. Abs!

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