Os Pais da Igreja eram católicos romanos?


O argumento católico mais comum é o de que eles são a “Igreja de Cristo” porque definiram os limites do cânon neotestamentário no final do século IV d.C. Na verdade, como já demonstrei diversas vezes em inúmeras ocasiões, este argumento é fruto da completa incompreensão católica do significado de Igreja, do fato de que ninguém definiu cânon algum, mas apenas reconheceu, o que é completamente diferente, e também do fato de que por vezes Deus usou até ímpios como o rei Ciro ou Nabucodonosor para levar adiante Seus planos e propósitos sobre a terra, o que não implica que eles tenham se tornado infalíveis homens de Deus por causa disso – a verdade é que eles eram pagãos e continuaram pagãos até o fim. É por isso que Deus não precisa de uma instituição infalível para reconhecer um cânon – ele pode escolher quem ele quiser, de onde ele quiser e da forma que ele quiser.

Mas vamos dar uma colher de chá para os católicos desta vez. Vamos supor que a Igreja seja realmente uma instituição religiosa em particular. Vamos supor também que a Igreja não reconheceu um cânon, mas definiu um. Vamos supor também que “a Bíblia é filha da Igreja”, como eles querem. E vamos supor que essa Igreja é consequentemente a “única Igreja de Cristo” e uma “instituição infalível”, incapaz de incorrer em erro doutrinário ou teológico. A questão que fica é: isso tudo nos levaria a crer que essa Igreja de Cristo é a Igreja Católica Romana?

A resposta é simples: não!

Por quê? Porque os Pais da Igreja não eram católicos romanos, não criam na maioria das doutrinas católicas atuais e não reconheciam um Sumo Pontífice terreno liderando uma Igreja em Roma como sendo uma autoridade temporal superior a todos os demais bispos da Igreja. Reunirei citações de artigos onde eu argumento extensivamente em torno de cada uma delas, mostrando que, de fato, a Igreja do final do século IV d.C nada tinha de Igreja Católica Romana.



1 – OS PAIS DA IGREJA NÃO CRIAM NA TRANSUBSTANCIAÇÃO

“Os símbolos místicos (o pão e o vinho) não abandonam a sua natureza depois da consagração, mas conservam a substância e a forma em tudo como antes (Teodoreto, Dialogus, Liber II)

“O sacramento do corpo e do sangue de Cristo é verdadeiramente coisa divina; mas o pão e o vinho permanecem na sua substância e natureza de pão e vinho (Gelásio, Das duas naturezas)

“Antes da consagração o chamamos pão, mas depois perde o nome de pão e torna-se digno que o se chame o Corpo do Senhor, embora a natureza do pão continue tal nele (Crisóstomo, Epístola a Cesário)

“Quando a carne de Jesus Cristo estava na terra, ela certamente não estava no Céu; e agora que ela está no Céu, seguramente não está na terra” (Vigílio, Cont. Eutich. Liv. IV)

Nada do que é visível é bom. De fato, nosso Deus Jesus Cristo, estando agora com o seu Pai, torna-se manifesto ainda mais” (Inácio aos Tralianos, 3:3)

“Porque assim naquele que é também vosso evangelho o anunciou Deus, chamando ao pão o seu corpo; para que daqui também entendas que deu a figura de pão ao seu corpo (Tertuliano, Contra Marcião, III. 19)

“Depois de ter declarado, portanto, desejar fazer a ceia de Páscoa que Lhe pertencia, - teria sido indigno se Deus tivesse desejado algo que não lhe pertencia - tomou o pão e o distribuiu aos seus discípulos e fez dele, o seu corpo, dizendo: 'Isto é o meu corpo ', isto é, 'a forma do meu corpo'. Mas não poderia ser a forma do corpo, se não tivesse havido o corpo de realidade. De resto, uma coisa vazia, isto é um fantasma, não teria podido admitir uma figuração. Ou se Cristo figurou o corpo no pão por este motivo, da falta da realidade do corpo, então deveria ter dado o pão por nós” (Tertuliano, Contra Marcião IV, 40) 

“‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós’ (Jo 6,54). Aqui, parece ser ordenada uma ignomínia ou delito. Mas aí se encontra expressão simbólica que nos prescreve comungar da paixão do Senhor e guardar, no mais profundo de nós próprios, doce e salutar lembrança de sua carne crucificada e coberta de chagas por nós” (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro III, Cap.24)

“Não é a matéria do pão, mas a palavra dita sobre ele, ao que ajuda ao que não o come indignamente. Tudo acerca do corpo é típico e simbólico (Orígenes, Comentário sobre Mateus 15.10-20) 

“E estas coisas certamente são ditas do corpo típico e simbólico (Orígenes, Comentário sobre Mateus, Livro 11, 14) 

O Verbo Deus não chamou seu corpo àquele pão visível que tinha nas suas mãos, mas à Palavra, em cujo mistério devia partir-se o pão. Não chamou seu sangue àquela bebida visível, mas à Palavra, em cujo mistério se serviria esta bebida. Porque que outra coisa pode ser o corpo ou o sangue do Verbo Deus senão a palavra que alimenta e alegra os corações?” (Orígenes, Comentário sobre Mateus série 85) 

“De muitos modos o Verbo é descrito figurativamente, como alimento, como carne, como refeição; é pão, é sangue e leite. O Senhor é tudo isso para dar gozo a nós que temos crido nele” (Clemente de Alexandria, Pedagogo I. 6) 

“Noutro lado o Senhor, no Evangelho segundo João, menciona isto mediante símbolos, quando disse: ‘Comei a minha carne e bebei o meu sangue’ [João 6:34]; descrevendo claramente por metáfora as propriedades bebíveis da fé e da promessa, por meio da qual a Igreja, como um ser humano composto de muitos membros, é refrescada e cresce, é ligada e compactada por ambas – pela fé, que é o corpo, e pela esperança que é a alma; como também o Senhor de carne e sangue” (Clemente de Alexandria, O Pedagogo, 1:6) 

“Mas uma vez que Ele disse: ‘E o pão que darei é a minha carne’ e uma vez que a carne é umedecida com sangue, e o sangue é denominado figurativamente vinho, estamos convidados a saber que, como o pão, desfeito numa mistura de vinho e água, apanha o vinho e deixa a porção aquosa, assim também a carne de Cristo, o pão do céu, absorve o sangue; isto é, aqueles dentre os homens que são celestiais, nutrindo-os para imortalidade, e deixando para destruição somente as concupiscências da carne” (Clemente de Alexandria, O Pedagogo, 1:6) 

“Assim, de muitas maneiras o Verbo é figurativamente descrito, como alimento, e carne, e comida, e pão, e sangue, e leite. O Senhor é tudo isto, para dar-nos desfrute a nós que cremos nEle. Que ninguém pense que é estranho, quando dizemos que o sangue do Senhor é figurativamente representado como leite. Pois, não é figurativamente representado como vinho?” (Clemente de Alexandria, O Pedagogo, 1:6) 

“Então será apresentada a oblação ao bispo e ele dará graças sobre o pão porque é o símbolo do corpo de Cristo; sobre o cálice de vinho misturado, porque é a imagem do sangue que foi derramado por todos os que creem nele” (Hipólito de Roma, A Tradição Apostólica, 21) 



2 – OS PAIS DA IGREJA NÃO CRIAM NA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA

"Maria pertence ao número daqueles de quem Cristo profetizou que haviam de se escandalizar nEle, como os apóstolos, ela também ficou perturbada com a catástrofe da cruz; e era necessário que pecasse assim em certa medida, para que também ela fosse remida por Cristo" (Orígenes, Homília 17, sobre Lucas) 

"Porque somente Deus é sem pecado, e o único homem sem pecado é Cristo, desde que Cristo é também Deus” (Tertuliano, “De Anima”, XI) 

"Nas bodas de Caná, Maria foi molesta e ambiciosa" (João Crisóstomo, Homília sobre Mt 12:48) 

"Porque embora Ele tivesse cuidado em honrar a sua mãe, muito mais Ele se preocupava com a salvação da alma dela" (João Crisóstomo, Homília Sobre João 2:4) 

"De todos os homens nascidos de mulher, o Santíssimo Senhor Jesus foi o único que não experimentou o contato terrestre por causa da novidade de seu nascimento imaculado" (Ambrósio de Milão, “Do Pecado”) 

"Nós dizemos algo do que se encontra escrito; mas não sabemos quanto perdoou aos anjos, pois a eles também perdoou, já que somente um está livre de pecado, Jesus, que nos limpou dos nossos pecados" (Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectures, Lecture 2, Section 10)

"Excetuando Cristo, todos os descendentes de Adão devem dizer: 'fui concebido em iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe'" (Bernardo de Claravaux, Epístola 174, versos 7,8) 

“Pois assim como a natureza humana, estando incluída na pessoa de nosso primeiros pais, foi neles totalmente vencida pelo pecado (com a única exceção do homem a quem Deus, sendo capaz de criar de uma virgem, foi igualmente capaz de salvar do pecado de Adão), assim também, se toda ela não tivesse pecado, a natureza humana teria sido totalmente conquistada” (Anselmo, Cur Deus Homo, Livro I, cap. XVIII)  

"Em seus escritos (Paulo) declara que todos os filhos de Adão, exceto Cristo, são pecadores e filhos da cólera" (Anselmo, “Da Concepção Virginal e Do Pecado Original”, XXII)

"A bem aventurada virgem contraiu o pecado original" (Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, Parte III, Questão XXVII, Artigo II) 

“Respondemos que a santificação da bem-aventurada Virgem não pode entender-se antes de receber a vida... se a bem-aventurada Virgem houvesse sido santificada de qualquer modo antes de receber a vida, nunca teria incorrido na mancha do pecado original; e, portanto, não teria necessitado da redenção e da salvação, que é por Cristo, de quem se diz: ...porque ele salvará o seu povo dos seus pecados (Mat. 1.21). Mas é inconveniente que Cristo não seja o salvador de Todos os homens como se diz (I Tm. 4.10). Logo, segue-se que se a santificação da bem-aventurada Virgem nunca houvesse sido contagiada do pecado original, isto derrocaria a dignidade de Cristo, que não necessitou ser salvo, como salvador universal, pois a maior pureza seria a da bem-aventurada Virgem” (Tomás de Aquino, Suma Teológica, art. II, parte III, pergunta XXVII) 

"Assim como nosso Senhor não encontrou a ninguém isento do pecado, assim veio para o resgate de todos" (Leão I, Bispo de Roma, +461, Sermão 24, “In Nativitati Domini”)
 
Apenas o Senhor Jesus Cristo, entre os filhos dos homens, nasceu imaculado, porque apenas Ele foi concebido sem a associação e a concupiscência da carne" (Leão I, Sermão 25) 

"Nada do que estes nossos primeiros pais produziram por sua semente foi isento do contágio deste mal, que ele contraíram pela prevaricação” (Gelásio I, Bispo de Roma, Epistola Ad Episcopos Per Lucaniam Brities Et Siciliam Constitutos)

"Apenas ele [Cristo] nasceu santo, para que Ele pudesse superar a condição da natureza corrupta, não sendo concebido segundo a maneira dos homens" (Gregório I, Homília “In Nativitati”) 


3 – OS PAIS DA IGREJA ADOTAVAM O CÂNON JUDAICO DO ANTIGO TESTAMENTO (SEM OS APÓCRIFOS)

“E nos Extratos por ele escritos, o mesmo Militão, ao começar, faz no prólogo um catálogo dos escritos admitidos do Antigo Testamento, catálogo que é necessário enumerar aqui. Escreve assim: ‘Militão a seu irmão Onésimo: Saúde. Visto que muitas vezes, valendo-te de teu zelo pela doutrina, tens pedido para ti extratos da lei e dos profetas, sobre o Salvador e toda a nossa fé; mais ainda, já que quiseste saber dos livros antigos com toda exatidão quantos são em número e qual é sua ordem, pus minha diligência em fazê-lo, sabendo de teu ardor pela fé e teu afã de saber sobre a doutrina, já que em tua luta pela salvação eterna e em tua ânsia por Deus, preferes isto mais do que tudo. Assim pois, tendo subido ao Oriente e chegado até o lugar em que se proclamou e se realizou, informei-me com exatidão dos livros do Antigo Testamento. Ordenei-os e envio-os a ti. Seus nomes são: cinco de Moisés: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio; Jesus de Navé, Juízes, Rute; quatro dos Reis, dois dos Paralipômenos; Salmos de Davi; Provérbios de Salomão, também chamado Sabedoria, Eclesiastes, Cantar dos Cantares, Jó; dos profetas, Isaías, Jeremias, os doze em um só livro, Daniel, Ezequiel; Esdras. Destes livros tirei os Extratos, que dividi em seis livros’. E é isto que há de Militão” (Melito de Sardes, Conservado por Eusébio em História Eclesiástica, Livro IV, Cap.26, v.12-14)

“Basta o que dissemos sobre o testemunho dos fenícios e egípcios, tal como aparece nas histórias escritas sobre nossas antiguidades pelo egípcio Maneton, pelo efésio Menandro e pelo próprio, o cronista da guerra dos judeus, feita contra eles pelos romanos. Através desses antigos demonstram-se que os escritos dos outros são posteriores aos que nos foram dados por Moisés e mesmo aos dos profetas posteriores. De fato, o último dos profetas, chamado Zacarias, exerceu sua atividade no reinado de Dário.Também vemos que os legisladores editaram suas leis posteriormente. Com efeito, se se cita Sólon, o ateniense, este viveu nos tempos dos reis Ciro e Dário, contemporâneo do profeta Zacarias e até muitos anos posterior” (Teófilo de Antioquia, Terceiro Livro a Autólico, Cap.23)

“Ao explicar o salmo primeiro, ele [Orígenes] faz uma exposição do catálogo das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, escrevendo textualmente como segue: ‘Não se pode ignorar que os livros testamentários, tal como os transmi­tiram os hebreus, são vinte e dois, tantos como o número de letras que há entre eles’. Logo, depois de algumas frases, continua dizendo:’Os vinte e dois livros, segundo os hebreus, são estes: o que entre nós se intitula Gênesis, e entre os hebreus Bresith, pelo começo do livro, que é: No princípio; Êxodo, Ouellesmoth, que significa: Estes são os nomes; Levítico, Ouikra: E chamou; Números, Ammesphekodeim; Deuteronômio, Elleaddebareim: Estas são as palavras; Jesus, filho de Navé, Josuebennoun; Juízes e Rute, para eles um só livro: Sophtein; I e II dos Reis, um só para eles: Samuel, O eleito de Deus; III e IV dos Reis, em um: Ouammelchdavid, que significa Reino de Davi; I e II dos Paralipômenos, em um: Dabreiamein, isto é: Palavras dos dias; I e II de Esdras em um: Ezra, ou seja, Ajudante; Livro dos Salmos, Spharthelleim; Provérbios de Salomão, Meloth; Eclesiastes, Koelth; Cantar dos Cantares (e não, como pensam alguns, Cantares dos cantares), Sirassireim; Isaías, Iessia; Jeremias, junto com as Lamentações e a Carta, em um: Ieremia; Daniel, Daniel; Ezequiel, Iezekiel; , Iob; Ester, Esther. E além destes estão os dos Macabeus, que são intitulados Sarbethsabanaiel’" (Orígenes, Conservado em História Eclesiástica, Livro VI, 25:1,2)

“Também neste tempo era conhecido Africanus, o autor dos escritos intitulados Kestoi. Dele conserva-se uma Carta escrita a Orígenes, na qual se mostra em dúvida sobre se a história de Susana no livro de Daniel é espúria e inventada (Júlio Africano, Conservado em História Eclesiástica, Livro VI, 31:1)

“’Não há pois entre nós milhares de livros em desacordo e em mútua contradição, mas há sim, apenas vinte e dois livros que contêm a relação de todo o tempo e que com justiça são considerados divinos. Destes, cinco são de Moisés, e compreendem as leis e a tradição da criação do homem até a morte de Moisés. Este período abarca quase três mil anos. Desde a morte de Moisés até a de Artaxerxes, rei dos persas depois de Xerxes, os profetas posteriores a Moisés escreveram os fatos de suas épocas em treze livros. Os outros quatro contêm hinos em honra a Deus e regras de vida para os homens. Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja. Estas palavras do autor aqui apresentadas não deixarão de ser úteis (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro III, 10:1-6)

“As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico... Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico... Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem nenhuma autoridade de Escrituras Sagradas (Jerônimo, Prólogo do Comentário sobre Daniel, p.15)

“Há, portanto, 22 Livros do Antigo Testamento, número que, pelo que ouvi, nos foram transmitidos, sendo este o número citado nas cartas entre os Hebreus, sendo sua ordem e nomes respectivamente, como se segue: Primeiro, o Gênesis. Depois, o Êxodo. Depois, o Levítico. Em seguida, Números e, por fim, o Deuteronômio. Após esses, Josué, o filho de Nun. Depois, os Juízes e Rute. Em seguida, os quatro Livros dos Reis, sendo o primeiro e o segundo listados como um livro, o terceiro e o quarto também, como um só livro. Em seguida, o primeiro e o segundo Livros das Crônicas, listados como um só livro. Depois, Esdras, sendo o primeiro e o segundo igualmente listados num só livro. Depois desses, há o Livro dos Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. O Livro de . Os doze Profetas são listados como um livro. Depois Isaías, um livro. Depois, Jeremias com Baruc, Lamentações e a Carta [de Jeremias], num só livro. Ezequiel e Daniel, um livro cada. Assim se constitui o Antigo Testamento” (Atanásio de Alexandria, Epístola 39, Cap.4)

“Mas para maior exatidão eu adiciono isto também, escrevendo por necessidade, que há outros livros além destes que não estão incluídos no Cânon, mas apontados pelos Pais para leitura por aqueles que acabaram de se juntar a nós, e que desejam instrução na palavra celestial. A Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Siraque, Ester, Judite, Tobias, aquele que é chamado de o Ensino dos Apóstolos e o Pastor. Mas os primeiros, meus irmãos, são incluídos no Cânon, sendo os últimos meramente para leitura (Atanásio de Alexandria, Epístola 39, Cap.7)

“Além destes, porém, há outros do mesmo Velho Testamento, que não são canônicos, que somente se lê na Igreja, como a Sabedoria de Salomão (Athanas. in Synopsis, et in Lit. Festiv. – Dupin, t. 1. Pag. 180)

“A lei do Velho Testamento é reconhecida em vinte e dois livros, de forma que eles se enquadram no número de letras hebraicas. Eles são contados de acordo com a tradição dos antigos pais, de forma que aqueles de Moisés são cinco livros; o sexto de Josué; o sétimo de Juízes e Rute; o oitavo do primeiro e segundo de Reis; o décimo dos dois livros chamados Crônicas; o décimo primeiro de Esdras (onde Neemias estava compreendido); o livro de Salmos fazendo o décimo segundo; os Provérbios de Salomão, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, fazendo o décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto; os doze profetas fazendo o décimo sexto; então Isaías e Jeremias, juntos com suas Lamentações e sua Epístola, (agora o vigésimo nono capítulo de sua profecia) Daniel, e Ezequiel, e Jó, e Ester, fazendo o número completo de vinte e dois livros” (Hilário de Poitiers, Episcopi Tractatus Super Psalmos, Prologue 15, Testamenti Veteris libri XXII, aut 24. Tres linguae praecipuae. PL 9:241)

Em vinte e dois livros está julgada a lei do Antigo Testamento, para que corresponda ao número das letras... confesso que alguns querem acrescentar Tobias e Judite, mas o outro parecer está mais conforme a tradição (Hilario in Prolog. Psal. explanat. Veronae 1730)

“Há também além destes dois outros livros duvidosos, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico... estes são úteis e proveitosos, mas não estão admitidos no número dos aceitos (Epifânio. adv. Haeres. pags. 18, 19. Colon. 1682, et Epiph)

“Agora estas divinamente inspiradas Escrituras do Velho e Novo Testamento nos ensinam... Aprenda também diligentemente, e da Igreja, quais são os livros do Velho Testamento, e quais aqueles do Novo... Leia as Divinas Escrituras, os vinte e dois livros do Velho Testamento, estes que foram traduzidos pelos setenta e dois intérpretes... Destes leia os vinte e dois livros, mas não tenha nada com os livros apócrifos. Estude seriamente estes apenas, os quais nós lemos abertamente na Igreja. Mais sábio e mais piedoso que a ti mesmo foram os apóstolos, e os bispos dos tempos antigos, os presidentes da Igreja, que nos transmitiram estes livros. Sendo então um filho da Igreja, não falsifique seus estatutos. E do Velho Testamento, como temos dito, estude os dois e vinte livros, que se for desejoso de aprender, se esforce em lembrar pelo nome, como eu os cito. Pois a Lei, os livros de Moisés, são os cinco primeiros, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. E depois Josué, o filho de Num, e o livro de Juízes, incluindo Rute, contado como sete. E dos outros livros históricos, o primeiro e segundo livro dos Reis são entre os hebreus um livro; também o terceiro e quarto um livro. E da mesma forma, o primeiro e segundo de Crônicas são para eles um livro e o primeiro e segundo de Esdras são contados como um. Ester é o décimo segundo livro, estes são os escritos históricos. Mas aqueles que são escritos em versos são cinco, Jó, o livro de Salmos, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, que é o décimo sétimo livro. E depois destes veem os cinco livros Proféticos: dos doze Profetas um livro, de Isaías um, de Jeremias um, incluindo Baruque e Lamentações e a Epístola, então Ezequiel e o livro de Daniel, o vigésimo segundo do Velho Testamento” (NPNF2, Vol. 7, Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectures IV.33-36)

“Leia as Divinas Escrituras, os vinte e dois livros do Velho Testamento, estes que foram traduzidos pelos setenta e dois intérpretes... Destes leia os vinte e dois livros, mas não tenha nada com os livros apócrifos. Estude seriamente estes apenas, os quais nós lemos abertamente na Igreja(Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectures IV.33-36)

“Como estamos lidando com números e cada número entre reais existências, um certo significado do qual o Criador do universo fez uso completo tanto no esquema geral como no arranjo dos detalhes, nós devemos dar boa atenção e com a ajuda das Escrituras traçar seu significado e o significado de cada um deles. Nem devemos falhar em observar que não é sem razão que os livros canônicos são vinte e dois, de acordo com a tradição hebraica, o mesmo número das letras do alfabeto hebraico. Pois como as vinte e duas letras podem ser consideradas uma introdução à sabedoria e às divinas doutrinas dadas aos homens naquelas letras, assim os vinte e dois livros inspirados são o alfabeto da sabedoria de Deus e uma introdução ao conhecimento das realidades (Basílio, o Grande, Philocalia, Cap.3)

“Receba o número e nome dos livros sagrados. Primeiro os doze livros históricos em ordem: primeiro é Gênesis, então Êxodo, Levítico, Números e o testamento da lei repetido de novo; Josué, Juízes e Rute a moabita seguem estes; depois disto os famosos feitos dos Reis possuem o nono e décimo lugar; as Crônicas veem no décimo primeiro lugar e Esdras é o último. Há também cinco livros proféticos, primeiro dos quais é Jó, o próximo é o do Rei Davi, e três de Salomão, a saber, Eclesiastes, Provérbios e seu Cântico. Depois deste vem cinco livros dos santos profetas, dos quais doze estão contidos em um volume: Oseias... Malaquias, estes estão no primeiro livro; o segundo contém Isaías. Depois destes está Jeremias, chamado do ventre de sua mãe, então Ezequiel, força do Senhor e Daniel por último. Estes vinte e dois livros do Velho Testamento são contados de acordo com as vinte e duas letras dos judeus... Que sua mente não seja enganada sobre livros estranhos, pois várias falsas atribuições estão circulando, mas você deve manter este número legítimo de mim, querido leitor (Gregório Nazianzeno, Carmina Dogmática, Livro I, Seção I, Carmen XII. PG 37:471-474) 

“Além disto, é mais importante que você saiba disto também: nem tudo que se oferece como venerável Escritura deve ser considerado certo. Pois há aqueles escritos por falsos homens – como é algumas vezes feito. A respeito dos livros, há vários que são intermediários e próximos da doutrina da verdade, por assim dizer, mas há outros contudo, que são espúrios e extremamente perigosos, como selos falsos e moedas espúrias, que de fato possuem a inscrição do rei, mas que são falsificações, e feitos de material básico. Com relação a isto, então, eu devo enumerar para você os livros individuais inspirados pelo Espírito Santo e para que você saiba claramente, eu irei começar com os livros do Velho Testamento. O Pentateuco contém Gênesis, então Êxodo, Levítico, que é o livro do meio, depois disto Números e finalmente Deuteronômio. A estes adicione Josué e Juízes, depois destes Rute e os quatro livros de Reis, Paralipomenon (Crônicas) igual a um livro, seguindo estes o primeiro e segundo de Esdras. Depois eu te lembro de cinco livros: o livro de Jó, coroado pela luta contra várias calamidades, também do livro de Salmos, o remédio musical da alma, os três livros da Sabedorias de Salomão, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Eu adiciono a estes os doze profetas, primeiro Oseias, então Amós, depois Miqueias, Joel, Abdias, Jonas, o tipo dos três dias da Paixão, depois destes não, Habacuque então o nono Sofonias, Ageu, Zacarias e o anjo com dois nomes, Malaquias. Depois destes, conheça os outros profetas, chegando a quatro: o grande e destemido Isaías, Jeremias, inclinado à misericórdia, o místico Ezequiel e Daniel, mais sábio nos acontecimentos das Últimas Coisas, e alguns adicionam Ester a estes. Tenho alistado vinte e dois livros, de acordo com as vinte e duas letras hebraicas. Se há qualquer um além destes, não são genuínos (Carta a Seleuco. ap. Gregório de Nazianzo, Carminum II.vii, PG 37.1593-1595)

“Estes são os que os Pais incluíram dentro do cânon, pelos quais as afirmações da nossa fé são firmadas; contudo, convém saber que há outros livros que não são canônicos, mas chamados, por nossos maiores, de eclesiásticos, como a Sabedoria de Salomão e a outra Sabedoria que se diz do filho de Siraque; da mesma ordem é o livro de Tobias e Judite e os Macabeus, que no máximo são lidos na igreja, mas não são tidos como autoridade por onde se possa firmar coisas da fé (NPNF2 3:558; Rufino, sive Cyp. in Explic. Symboli)

“E então parece apropriado neste lugar enumerar, como nós temos aprendido da tradição dos Pais, os livros do Novo e do Velho Testamento, que de acordo com a tradição de nossos pais, se acredita serem inspirados pelo Espírito Santo, sendo transmitido para as igrejas de Cristo. Do Velho Testamento, então, antes de tudo foram transmitidos cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio; então Josué Nave, (Josué filho de Num), o Livro dos Juízes junto com Rute; então quatro livros dos Reis (Reinos), que os hebreus reconhecem como dois; o livro das Omissões, que é intitulado o Livro dos Dias (Crônicas) e dois livros de Esdras (Esdras e Neemias), que os hebreus reconhecem como um, e Ester; dos Profetas, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel; além do mais dos doze Profetas menores, um livro; Jó e também os Salmos de Davi, cada um um livro. Salomão deu três livros às igrejas, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos. Estes compõe os livros do Velho Testamento. Mas deve-se saber que há também outros livros que nossos pais chamam não de 'Canônicos', mas de 'Eclesiásticos': a saber, Sabedoria, chamada Sabedoria de Salomão, e outra Sabedoria, chamada de Sabedoria do Filho de Siraque, o último sendo chamado pelos latinos com o título geral de Eclesiástico, designando não o autor do livro, mas o caráter da obra. À mesma classe pertence o Livro de Tobias, o Livro de Judite e os Livros dos Macabeus. No Novo Testamento o pequeno livro chamado de Pastor de Hermas (e aquele) que é chamado Os Dois Caminhos, ou o Julgamento de Pedro; todos os quais podem ser lidos nas igrejas, mas não recorridos para a confirmação de doutrina. Os outros escritos eles chamam 'Apócrifos'. Estes eles não podem ler nas igrejas. Estes são tradições que os pais nos transmitiram, as quais, como eu disse, eu achei oportuno estabelecer neste lugar, para a instrução daqueles que estão sendo ensinados nos primeiros elementos da Igreja e da Fé, para que eles saibam de quais fontes da Palavra de Deus suas aspirações devem ser tomadas (NPNF2, Vol. 3, Rufino, Comentário ao Credo dos Apóstolos 36)

“Mas os restantes livros que alguns pretendem incluir na Sagrada Escritura, tais como Tobias, Judite, a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Jesus filho de Sirá (Eclesiástico), Baruque e os livros dos Macabeus, não os consideramos merecedores de ser descartados, pois muitos preceitos morais, merecedores do maior louvor, se contêm neles; mas a Igreja de Cristo nunca os recebeu como canônicos e autênticos, como dão testemunho muitos outros, mas especialmente São Gregório o Teólogo, São Anfilóquio, e finalmente São João de Damasco. Portanto não nos esforçamos em estabelecer doutrinas destes, mas dos trinta e três livros canônicos e autênticos, os quais também chamamos inspirados e Sagrada Escritura (Anfilóquio de Icônio, Confissão da Igreja Católica e Apostólica Oriental)

"E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja" (Jerônimo, Prefácio dos Livros de Salomão)

"Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de forma que nós podemos garantir que o que não é encontrado em nossa lista deve ser colocado entre os escritos Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque [Eclesiástico], e Judite e Tobias e o Pastor [supõe-se que seja o Pastor de Hermas], não fazem parte do cânon. O primeiro livro dos Macabeus eu não encontrei em hebraico, o segundo é grego, como pode ser provado de seu próprio estilo" (Jerônimo, Prologus Galeatus) 

“E assim há também vinte e dois livros do Antigo Testamento; isto é, cinco de Moisés, oito dos profetas, nove dos hagiógrafos, embora alguns incluam Ruth e Kinoth (Lamentações) entre os hagiógrafos, e pensam que estes livros devem contar-se por separado; teríamos assim vinte e quatro livros da Antiga Lei” (Jerônimo, Prefácio aos Livros de Samuel e Reis) 

“Estas instâncias têm sido tocadas por mim (os limites de uma carta proíbem um tratamento mais discursivo deles) para convencer você de que nas Escrituras Sagradas você não pode fazer progresso a menos que você tenha um guia para mostrar a você o caminho... Gênesis ... Êxodo ... Levítico ... Números ... Deuteronômio ... Jó ... Jesus o filho de Nave ... Juízes ... Rute ... Samuel ... O terceiro e quarto livros de Reis ... Os doze profetas cujos escritos estão comprimidos nos limites de um simples volume: Oseias ... Joel ... Amós ... Obadias ... Jonas ... Miquéias ... Naum ... Habacuque ... Sofonias ... Ageu ... Zacarias ... Malaquias ... Isaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel ... Jeremias também vai quatro vezes através do alfabeto em diferentes metros (Lamentações)... Davi... canta de Cristo em sua lira; e em um saltério com dez cordas (Salmos) ... Salomão, um amante da paz e do Senhor, corrige moral, ensina natureza (Provérbios e Eclesiastes), une Cristo e a igreja, e canda uma doce canção de matrimônio para celebrar aquele santo casamento (Cântico dos Cânticos) ... Ester ... Esdras e Neemias. Eu te suplico, meu caro irmão, a viver entre estes livros, a meditar neles, a saber nada mais, não buscar nada mais (NPNF2, Volume 6, Jerônimo, Carta LIII.6-10)

"Para os católicos, os apócrifos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos, quer do N.T, quer do V.T, o mais das vezes atribuídos a personagens bíblicos, mas não inspirados, como os livros canônicos, e nem escritos por pessoas fidedignas nem de doutrina segura" (Jerônimo, Introdução Geral a Vulgata Latina, p.9)

“Como a Igreja lê os livros de Judite e Tobite e Macabeus, mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também lê Sabedoria e Eclesiástico para a edificação do povo, não como autoridade para a confirmação da doutrina (Jerônimo, Prefácio aos Livros de Salomão) 

“Que [Paula] evite todos os escritos apócrifos, e se ela for levada a lê-los não pela verdade das doutrinas que contêm mas por respeito aos milagres contidos neles, que ela entenda que não são escritos por aqueles a quem são atribuídos, que muitos elementos defeituosos se introduziram neles, e que requer uma perícia infinita achar ouro no meio da sujeira (Jerônimo, Epístola 107:12) 

“Mas entre outras coisas, devemos reconhecer que Porfírio faz-nos esta objeção sobre o Livro de Daniel, que ele é claramente uma fraude que não deve ser considerado como pertencente às Escrituras Hebraicas mas uma invenção composta em grego. Isso ele deduz do fato de que na história de Susana, onde Daniel está a falar com os anciãos, encontramos as expressões: ‘Para dividir da árvore de aroeira’ (apo tou skhinou skhisai) e viu no carvalho sempre verde (kai apo tou prinou prisai), um jogo de palavras apropriadas para o grego, em vez de para o hebraico. Mas tanto Eusébio como Apolinário responderam-lhe após o mesmo teor, que as histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico, mas constituem uma parte da profeciade Habacuque, filho de Jesus, da tribo de Levi. Assim como encontramos no título dessa mesma história de Bel, segundo a Septuaginta: ‘Havia um certo sacerdote chamado Daniel, filho de Abda, um íntimo do reida Babilônia’. E, no entanto, a Sagrada Escriturat estifica que Daniel e os três jovens hebraicos eram da tribo de Judá. Por esta mesma razão, quando eu traduzi Daniel muitos anos atrás, assinalei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que elas não estavam incluídas no hebraico. E a este respeito, estou surpreendido ao ser informado de que certos críticos reclamam que eu por minha própria iniciativa trunquei o livro. Afinal de contas, quer Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros homens da Igreja proeminentes e doutores da Grécia reconhecem que, como eu disse, estas visões não são encontradas entre os hebreus, e que portanto eles não são obrigados a responder a Porfírio por estas partes que não exibem autoridade como Sagrada Escritura (Jerônimo, Prólogo do Comentário sobre Daniel)

“O Santo, porém, prova com ótima e farta argumentação que neste mundo não faltam os perigos de pecar, mas não subsistirão depois desta vida. E aduz como testemunho as palavras do livro da Sabedoria: Foi arrebatado para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar (Sabedoria 4,11). Este argumento aduzido também por mim, nossos irmãos não aceitaram, conforme dissestes, por ter sido tomado de um livro não canônico, como se, à parte deste livro, a doutrina que quisemos ensinar não fosse bastante clara (Agostinho, Da Justificação dos Santos, Cap.14)

“Desde o tempo da restauração do templo entre os judeus já não houve reis, mas príncipes, até Aristóbulo. O cálculo do tempo destes não se encontra nas Santas Escrituras chamadas canônicas, mas em outros escritos, entre os quais estão os livros dos Macabeus (Agostinho, A Cidade de Deus, XVIII, 36) 

Estes são todos os livros do Antigo Testamento nomeados para serem lidos: 1, Genesis do mundo; 2, O Êxodo do Egito, 3, Levítico, 4, Números, 5, Deuteronômio, 6, Josué, filho de Num, 7, Juízes, Rute, 8, Esther, 9, Dos Reis, Primeira e Segunda, 10, dos reis, Terceira e Quarta, 11, Crônicas, Primeiro e Segundo, 12, Esdras, Primeiro e Segundo, 13, O Livro dos Salmos ; 14, Os Provérbios de Salomão, 15, Eclesiastes, 16, O Cântico dos Cânticos, 17, Jó; 18, Os Doze Profetas, 19, Isaías, 20, Jeremias e Baruque, Lamentações, 21, Ezequiel ; 22, Daniel” (Cânon 60 do Concílio de Laodiceia) 

“Em relação a tal particular não estamos a atuar irregularmente, se dos livros, ainda que não canônicos, no entanto outorgados para a edificação da Igreja, extraímos testemunho. Assim, Eleázar na batalha feriu e derribou o elefante, mas caiu debaixo da própria besta que tinha matado [1 Macabeus 6:46]” (Gregório Magno, Library of the Fathers of the Holy Catholic Church, 2:424) 

“Observa-se, ainda, que há vinte e dois livros do Antigo Testamento, um para cada letra do alfabeto hebraico. Há vinte e dois livros, dos quais cinco são duplos, e assim eles passam a ser vinte e sete. Pois as letras Caph, Mem, Nun, Pe e Sade são duplas. E, assim, o número de livros desta forma é vinte e dois, mas são encontrados vinte e sete por causa do duplo caractere de cinco. Pois Rute se une com Juízes, o primeiro e segundo livro de Reis são contados como um livro, assim como o terceiro e quarto livro dos Reis, e também o primeiro e segundo livro das Crônicas e primeiro e segundo de Esdras. Desta forma, os livros são reunidos em quatro Pentateucos e dois outros permanecem sobre eles, para formar, assim, os livros canônicos. Cinco deles são da Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Este é o código da Lei, constituindo o primeiro Pentateuco. Em seguida, vem outro Pentateuco, o chamado Grapheia, ou, como são chamados por alguns, o Hagiographa, que são os seguintes: Josué, Juízes juntamente com Rute, primeira e segunda Reis, que são um livro, terceiro e quarta Reis, que são um livro, e os dois livros das Crônicas que são um só livro. Este é o segundo Pentateuco. O terceiro Pentateuco são os livros em versos: Jó, Salmos, Provérbios de Salomão, Eclesiastes de Salomão e o Cântico dos Cânticos, de Salomão. O quarto Pentateuco são os chamados livros proféticos, a saber os doze profetas constituem um livro. Em seguida temos Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel. Depois, vêm os dois livros de Esdras como um só, e Ester. Há também a Sabedoria de Salomão e a Sabedoria de Josué[=Eclesiástico], que foi publicado em hebraico pelo pai de Siraque, e posteriormente traduzido para o grego por seu neto, Josué, o filho de Siraque. Estes são nobres e virtuosos,mas não são contados e nem foram admitidos no cânon(João Damasceno, An Exposition of the Orthodox Faith, Livro IV, Cap.17)


4 – OS PAIS DA IGREJA NÃO ERAM PRETERISTAS

“Escuta uma historieta, que não é uma historieta, mas uma tradição existente sobre o apóstolo João, transmitida e guardada na memória. Efetivamente, depois que morreu o tirano, João mudou-se da ilha de Patmos a Éfeso. Daqui costumava partir, quando o chamavam, até as regiões pagãs vizinhas, com o fim de, em alguns lugares, estabelecer bispos; em outros, erguer igrejas inteiras, e em outros ainda, ordenar a algum dos que haviam sido designados pelo Espírito” (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro III, 23:6) 

“É tradição que, neste tempo, o apóstolo e evangelista João, que ainda vivia, foi condenado a habitar a ilha de Patmos por ter dado testemunho do Verbo de Deus. Pelo menos Irineu, quando escreve acerca do número do nome aplicado ao anticristo no chamado Apocalipse de João, diz no livro V Contra as heresias, textualmente sobre João o que segue: ‘Mas se fosse necessário atualmente proclamar abertamente seu nome, seria feito por meio daquele que também viu o Apocalipse, já que não faz muito tempo que foi visto, mas quase em nossa geração, ao final do império de Domiciano’ (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro III, 18:1-3) 

“E um pouco mais abaixo segue dizendo sobre o mesmo: "Nós pois, não nos arrisquemos a manifestarmo-nos de maneira segura sobre o nome do anticristo, porque, se houvesse sido necessário na presente ocasião proclamar abertamente seu nome, ter-se-ia feito por meio daquele que também tinha visto o Apocalipse, já que não faz muito tempo que foi visto, mas quase em nossa geração, ao final do império de Domiciano" (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro V, 8:6) 

“Mas Pedro é somente um Apóstolo, enquanto João é um Apóstolo, um Evangelista, e um Profeta. Um Apóstolo, porque escreveu às Igrejas como mestre; um Evangelista, porque compôs um Evangelho, coisa que nenhum outro Apóstolo, exceto Mateus, fez; um profeta, porque viu na ilha de Patmos, onde tinha sido desterrado pelo imperador Domiciano como um mártir do Senhor, um Apocalipse contendo os ilimitados mistérios do futuro (Jerônimo, Contra Joviniano, Livro I) 

“No décimo quarto ano depois de Nero, Domiciano, tendo levantado uma segunda perseguição, baniu João para a ilha de Patmos, onde ele escreveu o Apocalipse, em que Justino Mártir e Irineu depois escreveram comentários. Mas Domiciano tendo sido condenado à morte e seus atos, por conta de sua excessiva crueldade, foram anulados pelo Senado, e João voltou a Éfeso” (Jerônimo, Homens Ilustres, IX) 

"João, o apóstolo e evangelista, foi exilado por Domiciano para a ilha de Patmos, onde teve visões, e onde escreveu o Apocalipse" (Sulpício Severo, Trabalhos, vol. 4, Cap 120) 

“Então, depois de um intervalo, Domiciano, filho de Vespasiano, perseguiu os cristãos. Nesta data, ele baniu João Apóstolo e Evangelista para a ilha de Patmos (Sulpício Severo, História Sagrada, Livro II, Cap.31) 

“João, de novo na Ásia, foi banido por Domiciano para a ilha de Patmos, na qual escreveu a visão apocalíptica, e no tempo de Trajano ele adormeceu em Éfeso, onde seus restos mortais foram procurados, mas não foram jamais encontrados” (Hipólito de Roma, Doze Apóstolos, Cap.3, v.3) 

“Mas como o tempo nos força a considerarmos de imediato a questão proposta, e quanto ao que já foi dito na introdução em relação a glória de Deus, que seja suficiente, é conveniente que tomemos as próprias Escrituras na mão, e por elas achemos o que significa e de que maneira se dará a vinda do anticristo; em que ocasião e em que tempo este ímpio se revelará; de onde e de qual tribo ele sairá; qual o seu nome; o que indica o seu número nas Escrituras; como ele obrará o erro entre os povos, reunindo-os dos confins da terra; como desencadeará a tribulação e a perseguição contra os santos; como vai se auto glorificar como Deus; qual será seu fim; como o repentino aparecimento do Senhor se mostrará no céu; como será a consumação do mundo e o que deve ser o reino glorioso e celeste dos santos, quando reinarem juntos com Cristo, e qual a punição do malvado pelo fogo” (Hipólito de Roma, Tratado sobre Cristo e o Anticristo, Cap.5) 

"Como essas coisas estão no futuro, e como os dez dedos da imagem são equivalentes (e muito) a democracias, e os dez chifres da quarta besta estão distribuídos entre dez reinos, olhemos o tema com mais profundidade, e consideremos estes assuntos à luz clara de uma posição pessoal. A cabeça de ouro da imagem e o leão caracterizam os babilônios; o peito e braços de prata, e o urso, representam os persas e os medos; o ventre e as coxad de bronze, e o leopardo, significa Grécia, que liderou desde os tempos de Alexandre; as pernas de ferro e a besta assombrosa e terrível são uma expressão dos romanos, os quais têm reinado até o presente; os dedos dos pés, que são metade barro e metade ferro, e os dez chifres, são emblemas de reinos que ainda surgirão; o outro pequeno chifre que surge entre eles significa o anticristo no meio deles; a pedra que esmaga a terra e traz julgamento sobre o mundo foi Cristo" (Hipólito de Roma, Tratado sobre Cristo e o anticristo, 27 e 28)  

“João estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho das minas por César Domiciano… ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu, ele pensou que ele deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento. Domiciano foi morto e todas as decisões dele estavam descarregadas. João foi liberto das minas” (Vitorino, Comentário sobre o Apocalipse, XI)

“Tertuliano também mencionou Domiciano nas seguintes palavras: ‘Domiciano também, que possuía uma parcela da crueldade de Nero, tentou uma vez fazer a mesma coisa que este último fez… sequer se lembrou daqueles a quem ele tinha banido… Mas depois que Domiciano reinou 15 anos, e Nerva tinha sucedido ao império, o Senado romano, de acordo com os escritores que registram a história daqueles dias, votaram que os horrores de Domiciano deveriam ser cancelados, e que aqueles que tinham sido injustamente banidos devem retornar para suas casas e ter suas propriedades restauradas a eles. Foi nessa época que o apóstolo João retornou de seu exílio na ilha ao seu domicílio em Éfeso” (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro III, Cap.20) 

Quando da morte do tirano [Domiciano], ele retornou a Éfeso da ilha de Patmos, ele foi embora, sendo convidado aos territórios contíguos das nações, aqui a nomear bispos, lá para pôr em ordem Igrejas para ordenar tais como foram marcados pelo Espírito” (Clemente de Alexandria, Quem é o homem rico que será salvo, XLII) 

“E disse também: Que se opõe e que se lança contra tudo o que leva o nome de Deus ou é adorado. Sobre todo Deus significa dizer que o anticristo odiará os ídolos: até o ponto de sentar-se ele mesmo no templo de Deus (2Ts.2:4). E de que templo se trata? Ele fala do templo judaico que foi destruído? É claro que não... o anticristo reedificará o templo que foi construído por Salomão(Cirilo de Jerusalém, Catequesis 15, 15, p. 342-343)

“Não vamos, no entanto, incorrer no risco de se pronunciar de forma positiva quanto ao nome do Anticristo, pois se fosse necessário que seu nome deve ser claramente revelado neste momento, teria sido anunciado por aquele que viu a visão apocalíptica. Por que foi visto num tempo não muito longo desde então, mas quase em nossos dias, para o fim do reinado de Domiciano (Irineu, Contra Heresias V, 20) 

"Quando o Anticristo devastar todas as coisas neste mundo, ele vai reinar por três anos e seis meses e sentar no Templo em Jerusalém; depois, virá o Senhor do céu nas nuvens, e a glória do Pai, mandando esse homem – e aqueles que o seguem - para o lago de fogo; mas para os justos, ele traz os tempos do reino, isto é, o resto, o abençoado sétimo dia; e restaurará a Abraão a herança prometida, na qual o reino do Senhor declarou que 'muitos vindo do oeste e do leste sentariam com Abraão, e Isaque, e Jacó'" (Irineu, Pais, Vol, 1) 

"É exatamente isto que fará o Anticristo no tempo de seu reinado: transferirá o seu reinado para Jerusalém, assentar-se-á no templo de Deus, enganando os seus adoradores, fazendo com que creiam que é o Cristo" (Irineu, Contra as heresias, Livro V, 25, 4, 587) 

“Então é mais acertado e menos danoso esperar o cumprimento da profecia do que ficar fazendo adivinhações ou predições acerca dos possíveis nomes que este anticristo possa ter, já que se pode encontrar muitos nomes que possam conter o número mencionado; e a mesma interrogação seguirá sem resolução...Porém, agora ele indica o número do nome, para que quando este homem venha possamos precaver-nos, estando alertas a respeito de quem ele é” (Contra as Heresias, Livro V, XXX)
 
“Porém, quando este anticristo tenha devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por 3 anos e 6 meses, e se sentará no templo de Jerusalém; e quando o Senhor vier nas nuvens dos céus, na glória do Pai, enviará este homem e a seus seguidores ao lago de fogo; restaurando os tempos de bem-estar e justiça no reino, que é, o descanso, o sétimo dia sagrado; e restaurando a Abraão a herança prometida, no reino que o Senhor declarou, no qual muitos virão do este e do oeste e se sentarão com Abraão, Isaque e Jacó" (Extraído de Contra as Heresias, Livro V, XXX)

"Terminada a citação, acrescentei: Senhores, sei muito bem que vossos mestres reconhecem que todas as palavras dessa passagem se referem a Cristo. Contudo, sei também, por suas afirmações, que o Cristo ainda não veio e, caso tivesse vindo, ninguém sabe quem ele é. Quando se apresentar de modo claro e glorioso, então se reconhecerá quem ele é, dizem eles. E então, acrescentam, cumprir-se-á o que diz nessa passagem da profecia, como se agora suas palavras não tivessem nenhum cumprimento. Os insensatos não compreendem o que todos os meus raciocínios demonstraram, isto é, que estão anunciadas duas vinda de Cristo: uma, em que se predisse que apareceria passível, sem glória, sem honra, e seria crucificado; outra, em que viria dos céus com glória, quando o homem da apostasia, aquele que profere insolências contra o Altíssimo, se atrever a cometer iniquidades contra nós, cristãos, contra nós que, conhecendo a religião através da lei e da palavra que saiu de Jerusalém pela obra dos apóstolos de Jesus, nos refugiamos no Deus de Jacó e no Deus de Israel” (Justino, Diálogo com Trifão) 

“Dize-lhes que a fera é a prefiguração da grande tribulação que está para chegar. Se vos preparardes e de todo coração fizerdes penitência diante do Senhor, podereis escapar da tribulação” (O Pastor de Hermas I.IV, 23) 

“Vigiai pelo próprio bem de vossas vidas. E que as vossas lâmpadas não estejam descuidadas, nem os vossos lombos descobertos; mas estejais prontos, pois não sabeis a hora na qual o Senhor há de vir... E então, aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal de uma notícia nos céus, então, o sinal do som da trombeta; e o terceiro, a ressurreição dos mortos; mas não de todos, como está escrito: O Senhor virá e todos os seus santos com ele; então o mundo verá a vinda do Senhor sobre as nuvens do céu” (O Ensino dos Doze Apóstolos, Cap. XVI) 

“Nós devemos entender minuciosamente, portanto, meus irmãos, o que é iminente e próximo, para que todos os santos e eleitos do Senhor sejam unidos antes da tribulação que está para vir (Efrém, o Sírio, Sobre os Últimos Tempos – Biblioteca Pós-Nicena) 

"Não deixem que nenhum de vocês, irmãos na fé, sejam aterrorizados pelo medo da futura perseguição, ou pela vinda do anticristo... o anticristo está vindo, mas após ele virá Cristo também..." (Epístola de Cipriano, LV, 7) 


5 – OS PAIS DA IGREJA NÃO ERAM IMORTALISTAS

"Além disso, eu indiquei-lhe que há alguns que se consideram cristãos, mas são ímpios, hereges, ateus, e ensinam doutrinas que são em todos os sentidos blasfemas, ateístas e tolas. Mas, para que saiba que eu não estou sozinho em dizer isso a você, eu elaborarei uma declaração, na medida em que puder, de todos os argumentos que se passaram entre nós, em que eu devo registrá-las, e admitindo as mesmas coisas que eu admito a você. Pois eu opto por não seguir a homens ou a doutrinas humanas, mas a Deus e as doutrinas entregues por Ele. Se vós vos deparais com supostos Cristãos que não façam esta confissão, mas ousem também vituperar o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, e neguem a ressurreição dos mortos, sustentando antes, que no ato de morrer, as suas almas são elevadas ao céu, não os considereis Cristãos. Mas eu e os outros, que somos cristãos de bem em todos os pontos, estamos convictos de que haverá uma ressurreição dos mortos, e mil anos em Jerusalém, que será construída, adornada e alargada, como os profetas Ezequiel e Isaías e outros declaram" (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.80)

“Eu te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, de tomar parte entre os mártires, e do cálice de teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo” (O Martírio de Policarpo, 14:2)

”Uma vez que a Igreja de Antioquia da Síria está em paz, como fui informado, graças à vossa oração, fiquei mais confiante na serenidade de Deus, se com o sofrimento eu o alcançar, para ser encontrado na ressurreição como vosso discípulo (Carta de Inácio a Policarpo, 7:1)

“Não são, pois, as almas imortais? Não, desde que o mundo pareceu-nos ser gerado (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.5)

“Pois as coisas que existem depois de Deus, ou em qualquer momento existem, estas têm a natureza de decadência, e podem ser apagadas e deixarem de existir, pois só Deus é ingênito e imortal, e por isso mesmo Ele é Deus, mas todas as outras coisas criadas por Ele são corruptíveis. Por esta razão todas as almas morrem (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.5)

Sempre que a alma tem de deixar de existir, o homem não existe mais, o espírito da vida é removido, e não há mais alma, mas ele vai voltar para o lugar de onde foi feito” (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.6)

“Pois o que é homem, senão um animal racional composto de corpo e alma? É a alma chamada de homem por si mesma? Não, mas é chamada a alma do homem. Será que o corpo pode ser chamado de homem? Não, mas é chamado o corpo do homem. Se, então, nenhum deles é por si só o homem, mas o que é composto dos dois juntos é chamado de homem, e Deus chamou o homem para a vida e ressurreição, Ele chamou não uma parte, mas o todo, que é a alma e o corpo (Justino, Tratado sobre a Ressurreição, Cap.8)

"Não há motivo, portanto, que nos engane, não há motivo que nos faça conceber esperanças infundadas aquele que se diz por alguns pensadores recentes e fanáticos pela excessiva estima de si mesmos que, as almas são imortais (Arnóbio, op. cit., Liv. II, 14-15; pag. 51)

“Mas se você está realmente certo de que as almas dos homens são imortais e dotadas de conhecimento, quando elas voam para cá, deixe-me questionar a juventude que você vê as coisas pela sua ignorância, estando acostumado aos caminhos dos homens” (Arnóbio, Against the Heathen , Livro II, Cap.24)

“Além disso, o mesmo raciocínio não só mostra que elas [as almas] não são incorpóreas, mas também as privam de toda e qualquer imortalidade, e remete-as para os limites dentro dos quais a vida é normalmente fechada” (Arnóbio, Against the Heathen, Livro II, Cap.26)

“Ó homem, se compreenderes isso, e viveres de maneira pura, piedosa e justa, poderás ver a Deus. Antes de tudo, porém, entrem em teu coração a fé e o temor de Deus, e então compreenderás isso.Quando depuseres a mortalidade e te revestires da incorruptibilidade, verás a Deus de maneira digna. Com efeito, Deus ressuscitará a tua carne, imortal, juntamente com tua alma. Então,tornado imortal, verás o imortal, contanto que agora tenhas fé nele. Então reconhecerás que falaste injustamente contra ele” (Teófilo a Autólico, Livro I, Cap.7)

“Poder-se-á dizer: ‘O homem não foi criado mortal por natureza?’ De jeito nenhum. ‘Então foi criado imortal?’ Também não dizemos isso. ‘Então não foi nada?’ Também não dizemos isso. O que afirmamos é que por natureza não foi feito nem mortal, nem imortal. Porque se, desde o princípio, o tivesse criado imortal, o teria feito deus; por outro lado, se o tivesse criado mortal, pareceria que Deus é a causa da morte. Portanto, não o fez mortal, nem imortal, mas, como dissemos antes, capaz de uma coisa e de outra. Assim, se o homem se inclinasse para a imortalidade, guardando o mandamento de Deus, receberia de Deus o galardão da imortalidade e chegaria a ser deus; mas se se voltasse para as coisas da morte, desobedecendo a Deus, seria a causa da morte para si mesmo, porque Deus fez o homem livre e senhor de seus atos. O que o homem atraiu sobre si mesmo por sua negligência e desobediência, agora Deus o presenteou com isso, através de sua benevolência e misericórdia, contanto que o homem lhe obedeça. Do mesmo modo como o homem, desobedecendo, atraiu sobre si a morte, assim também, obedecendo à vontade de Deus que quer,pode adquirir para si a vida eterna. De fato, Deus nos deu lei e mandamentos santos, e todo aquele que os cumpre pode salvar-se e, tendo alcançado a ressurreição, herdar a imortalidade (Teófilo a Autólico, Livro II, Cap.27)

“Por isso, também cremos que acontecerá a ressurrei­ção dos corpos depois da consumação do universo, não como dogmatizam os estóicos, segundo os quais as mes­mas coisas nascem e perecem depois de determinados períodos cíclicos, sem utilidade nenhuma, mas de uma só vez. Totalmente acabados os tempos que vivemos, dar-se-á a reintegração de todos os homens por razão do julga­mento.Então seremos julgados não por Minos ou Radamante, antes de cuja morte, como dizem os mitos, nenhuma alma era julgada, mas o juiz é o próprio Deus que nos criou. Por mais que nos considereis charlatães e palhaços, nada disso nos importa, depois que cremos nesta doutrina. Com efeito, do mesmo modo como, não existindo antes de nascer, eu ignorava quem eu era e só subsistia na substância da matéria carnal – mas uma vez nascido, eu, que antes não existia, acreditei em meu ser pelo nascimento – assim também eu, que existi e que pela morte deixarei de ser e outra vez desaparecerei da vista de todos, novamente voltarei a ser como não tendo antes existido e portanto nasci. Mesmo que o fogo destrua a minha carne, o universo recebe a matéria evaporada; se me consumo nos rios ou no mar, ou sou despedaçado pelas feras, permaneço depositado nos tesouros de um senhor rico. O pobre ateu desconhece esses depósitos, mas Deus, que é rei, quando quiser, restabelecerá em seu ser primei­ro a minha substância, que é visível apenas para ele” (Taciano, Diálogo com os Gregos, Cap.6)

“Com efeito, nem a alma poderia por si mesma jamais se manifestar sem o corpo, e nem a carne ressuscita sem a alma (Taciano, Diálogo com os Gregos, Cap.15)


6 – OS PAIS DA IGREJA NÃO CRIAM NA JURISDIÇÃO UNIVERSAL DO BISPO ROMANO

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside no amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai” (Inácio aos Romanos, Saudações)

“Ante isto, Victor, que presidia a igreja de Roma, tentou separar em massa da união comum todas as comunidades da Ásia e as igrejas limítrofes, alegando que eram heterodoxas, e publicou uma condenação por meio de cartas proclamando que todos os irmãos daquela região, sem exceção, estavam excomungados. Mas esta medida não agradou a todos os bispos, que por sua parte exorta­vam-no a ter em conta a paz e a união e a caridade para com o próximo. Conservam-se inclusive as palavras destes, que repreendem Victor com bastante energia (Eusébio de Cesareia, HE, Livro V, 24:9)

“E encontrando-se em Roma o bem-aventurado Policarpo nos tempos de Aniceto, surgiram entre os dois pequenas divergências, mas em seguida estavam em paz, sem que sobre este capítulo se querelassem mutuamente, porque nem Aniceto podia convencer Policarpo a não observar o dia - como sempre o havia observado, com João, discípulo de nosso Senhor, e com os demais apóstolos com quem conviveu -, nem tampouco Policarpo convenceu Aniceto a observá-lo, pois este dizia que devia manter o cos­tume dos presbíteros seus antecessores. E apesar de estarem assim as coisas, mutuamente comunicavam entre si, e na igreja Aniceto cedeu a Policarpo a celebração da eucaristia, evidentemente por deferência, e em paz se separaram um do outro; e toda a Igreja tinha paz, tanto os que observavam o dia como os que não o observavam” (Eusébio de Cesareia, HE, Livro V, 24:16-17)

“Pois depois que o Bispo de Roma concordou com as dádivas proféticas de Montano, Priscila e Maximilla, e em consequência à concordância, tendo concedido sua paz às igrejas da Ásia e Frígia, ele, importunadamente urgindo falsas acusações contra os próprios profetas e suas igrejas, e insistindo na autoridade dos predecessores dos bispos na sé, o compeliu a revogar as cartas pacíficas que ele tinha enviado, bem como desistir de seu propósito de concordar com as ditas dádivas. Assim este Práxeas fez um duplo serviço para o diabo em Roma: ele afugentou a profecia, e introduziu a heresia; ela afastou o Espírito e crucificou o Pai” (Tertuliano, Contra Práxeas, 1)

“Pois nenhum de nós coloca-se como um bispo de bispos, nem por terror tirânico alguém força seu colega à obediência obrigatória; visto que cada bispo, de acordo com a permissão de sua liberdade e poder, tem seu próprio direito de julgamento, e não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro. Mas esperemos todos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único que tem o poder de nos designar no governo de Sua Igreja, e de nos julgar em nossa conduta nela” (Sétimo Concílio de Cartago, presidido por Cipriano)

“Igualmente decidimos que os Presbíteros, Diáconos e outros Clérigos inferiores, nas causas que surgirem, se não quiserem se conformar com a sentença dos bispos locais, recorram aos bispos vizinhos, e com eles terminem qualquer questão... E que, se ainda não se julgarem satisfeitos e quiserem apelar, não apelem senão para os Concílios Africanos, ou para os Primazes das próprias Províncias: - e que, se alguém apelar para a Sé Transmarina (de Roma) não seja mais recebido na comunhão (Concílio de Cartago, ano 418)

“Dá gloria a Deus quem [Estêvão, bispo de Roma], sendo amigo de hereges e inimigo dos cristãos, acha que os sacerdotes de Deus que suportam a verdade de Cristo e a unidade da Igreja, devem ser excomungados?” (Cipriano, Epístola 74)

“Jerônimo, para o mais abençoado papa, Teófilo [bispo de Alexandria]. A letra da sua santidade me deu um duplo prazer, em parte porque pelo o que ela trouxe aos seus portadores, os estimáveis homens, bispo Ágato e diácono Atanásio, e em parte porque tem mostrado o seu zelo pela fé contra uma heresia das mais perversas. A voz da sua santidade tem tocado em todo o mundo, e para a alegria de todas as igrejas de Cristo as sugestões venenosos do diabo foram silenciadas (...) Ao mesmo tempo peço que se você tem qualquer influência sobre o assunto dos decretos sinodais, que você encaminhe a mim, para que, fortalecido com a autoridade de um prelado tão grande, eu possa abrir minha boca para Cristo com mais liberdade e confiança. O presbítero Vincent chegou de Roma há dois dias e o saúda humildemente. Ele me diz uma e outra vez que Roma e quase toda a Itália devem a sua libertação, depois de Cristo, às suas cartas. Prova de diligência, portanto, do mais amoroso e mais abençoado papa, e sempre que tiver oportunidade de escrever aos bispos do Ocidente não hesite em suas próprias palavras - para cortar com uma foice afiada os brotos do mal” (Jerônimo, Letter 88, To Theophilus)

“Mas você vai dizer: como, então, que em Roma um presbítero é ordenado apenas na recomendação de um diácono? Ao qual eu respondo como se segue. Por que você apresenta um costume que existe em uma única cidade? Por que você se opõe às leis da Igreja uma exceção insignificante que deu origem à arrogância e orgulho?(Jerônimo, Letter 146, To Evangelus, Cap.2)

“Policarpo, discípulo do apóstolo João e por ele ordenado bispo de Esmirna era chefe de toda a Ásia, onde ele viu e teve como professores alguns dos apóstolos e das pessoas que tinham visto o Senhor” (Jerônimo, De Viris Illustribus, 17)

“Os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e ostensiva frase, que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o alargamento do teu reinado (...) O meu companheiro sacerdote João, pretende ser chamado bispo universal. Estou forçado a gritar e dizer: Oh tempos, oh costumes! (...) Os sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, buscam para si nomes de vanglória, e se gloriam em títulos novos e profanos (...) Quem é este que, contra as ordenanças evangélicas, contra os decretos dos cânones, ousa usurpar para si um novo nome? O teria se realmente por si mesmo fosse, se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros – ele que cobiça ser universal (...) Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai. Mas longe dos corações cristãos esteja esse nome de blasfêmia, no qual é tirada a honra de todos os sacerdotes, no momento em que é loucamente arrogado para si por um só(Epístola XX a Maurício César)

“Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do Anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. E pelo orgulho ele é levado ao erro, pois como perverso deseja aparecer acima de todos os homens. Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes(Gregório Magno, a Maurícius Augustus)

“Que dirás tu João a Cristo que é cabeça da Igreja universal no prestar de contas no dia do juízo final? Tu que te esforças de te antepor a todos os teus irmãos bispos da Igreja universal e que com um título soberbo queres pôr debaixo dos teus pés o seu nome em comparação do teu? Que vais tu fazendo com isso, senão repetir com Satanás: Subirei ao céu e exaltarei o meu trono acima dos astros do céu de Deus? Vossa fraternidade quando despreza (os outros bispos) e faz todos os esforços possíveis para os subjugar, não faz senão repetir quanto já disse o velho inimigo: Me exaltarei acima das nuvens mais excelsas (...) Possa pois tua Santidade reconhecer quanto é grande o teu orgulho pretendendo um título que nenhum outro homem verdadeiramente pio jamais se arrogou(Gregório Magno, Epistolarum V, Ep. 18, PL 77, pag. 739-740)

“Vossa Bem-aventurança também foi cuidadoso em declarar que não faz agora uso de títulos orgulhosos, que brotam de uma raiz de vaidade, ao escrever a certas pessoas, e se dirige a mim dizendo, «Como tu o ordenaste». Esta palavra, ordenar, lhe rogo que a afaste dos meus ouvidos, já que sei quem sou eu e quem sois vós. Pois em posição sois meus irmãos, em caráter meus pais. Eu não ordenei, então, mas estava desejoso de indicar o que me parecia ser benéfico. Contudo, não acho que Vossa Bem-aventurança tenha estado disposto a recordar perfeitamente esta mesmíssima coisa que trago à sua memória. Pois eu disse que nem a mim nem a mais ninguém devia escrever alguma coisa do gênero; e eis que no prefácio da epístola que me dirigiu a mim que me recuso a aceitá-lo, considerou apropriado fazer uso de um apelido orgulhoso, chamando-me Papa Universal. Mas rogo à sua dulcíssima Santidade que não volte a fazer tal coisa, já que o que é concedido a outro para lá do que a razão exige é subtraído de você mesmo. Pois, quanto a mim, não busco ser prosperado por palavras, mas pela minha conduta. Nem considero uma honra aquilo pelo qual sei que meus irmãos perdem a honra deles. Pois a minha honra é a honra da Igreja universal; a minha honra é o sólido vigor dos meus irmãos. Então sou verdadeiramente honrado quando não é negada a eles a honra devida a todos e cada um. Pois se Vossa Santidade me chama a mim Papa Universal, nega que seja você o que me chama a mim universalmente. Mas longe esteja isto de nós. Fora com as palavras que inflam a vaidade e ferem a caridade(Gregório Magno, Epístola 8.30, a Eulógio, bispo de Alexandria)

“O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força” (Concílio de Nicéia, Cânon VI)

“Nós também promulgamos e decretamos as mesmas coisas sobre os privilégios da Santíssima Igreja de Constantinopla, que é a nova Roma. Pois os Padres justamente concederam privilégios ao trono de Roma antiga, porque era a cidade real. E os cento e cinqüenta religiosissímos bispos deram privilégios iguais ao santíssimo trono da Nova Roma, justamente julgando que a cidade é honrada com a Soberania e do Senado e goza de privilégios iguais com a antiga Roma imperial (Cânon 28 de Calcedônia)


7 – OS PAIS DA IGREJA CRIAM NA SOLA FIDE (JUSTIFICAÇÃO SOMENTE PELA FÉ)

“Portanto, todos foram glorificados e engrandecidos, não por eles mesmos, nem por suas obras, nem pela justiça dos atos que praticaram, e sim por vontade dele. Por conseguinte, nós, que por sua vontade fomos chamados em Jesus Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem pela nossa sabedoria, piedade ou inteligência, nem pelas obras que realizamos com pureza de coração, e sim pela fé; é por ela que Deus Todo-poderoso justificou todos os homens desde as origens. A ele seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém” (Clemente aos Coríntios, 32:3)

“Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor, que Cristo para nós foi feito por Deus santificação, sabedoria, justificação, e redenção. Este é o perfeito e puro gloriar-se em Deus, quando alguém não se orgulha devido à sua própria justiça, mas sabe que é realmente indigno da verdadeira justiça e é justificado unicamente pela fé em Cristo” (Basílio de Cesareia, Homilia XX, Homilia De Humilitate, §3, PG 31:529)

“Embora o apóstolo Paulo tenha pregado que somos justificados pela fé sem as obras, aqueles que entendem por isto que não importa se levam uma vida malvada ou fazem coisas perversas e terríveis, desde que creiam em Cristo, porque a salvação é pela fé, cometeram um grande erro. Tiago aqui expõe comoas palavras de Paulo devem ser compreendidas. É por isso que ele usa o exemplo de Abraão, a quem Paulo também usou como um exemplo de fé, para mostrar que o patriarca também realizou boas obras em função da sua fé. Por isso, é errado interpretar Paulo de modo a sugerir que não importava se Abraão colocou a sua fé em prática ou não. O que Paulo queria dizer era que não se obtém o dom da justificação com base em méritos derivados de obras realizadas de antemão, porque o dom da justificação vem somente pela fé (Beda, Super Divi Jacobi Epistolam, Caput II, PL 93:22)


8 – OS PAIS DA IGREJA CRIAM NA SOLA SCRIPTURA

“Mas agora, por meio dos conteúdos das Escrituras estimada santa e profética entre vós, eu tentar provar tudo o que eu tenho apresentado, na esperança de que algum de vocês possa ser encontrado para ser parte do remanescente, que foi deixado pela graça do Senhor dos Exércitos, para a salvação eterna” (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.32)

“Agora, então, tornar-nos a prova de que este homem que você diz que foi crucificado e subiu aos céus é o Cristo de Deus. Para você ter suficientemente provado por meio das Escrituras já citadas por você, que é declarado nas Escrituras que Cristo devia sofrer e entrar novamente na glória, e receber o reino eterno de todas as nações, e que cada reino esteja subordinado a Ele: agora mostram-nos que este homem é ele (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.39)

“Mas você me parece não ter ouvido as Escrituras o que eu disse que tinha apagado. Para tal como foram citadas são mais do que suficiente para provar os pontos em disputa, além daqueles que são mantidas por nós, e ainda serão apresentados” (Justino, Diálogo com Trifão, Cap.73)

"O verdadeiro conhecimento é a doutrina dos Apóstolos, e a antiga constituição da Igreja em todo o mundo, e a manifestação distinta do Corpo de Cristo conforme as sucessões dos bispos, pelas quais eles transmitiram aquela Igreja que existe em todos os lugares, e chegou até nós, sendo guardada e preservada sem nenhuma falsificação nas Escrituras, por um sistema muito completo de doutrina, e sem receber adição nem subtração; e a leitura [da Palavra] sem falsificação, e uma exposição lícita e diligente em harmonia com as Escrituras, sem perigo nem blasfémia, e o preeminente carisma do amor, o qual é mais precioso do que o conhecimento, mais glorioso do que a profecia, e que excede todos os outros dons" (Irineu, Contra as Heresias, Livro IV, 33,8)

"De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, para que sejam o fundamento e pilar de nossa fé" (Irineu, Contra as Heresias, 3.1.1, p. 414)

“É chegado o momento, como já dissemos nos os outros pontos, de irmos para as Escrituras proféticas, pois os oráculos nos apresentam os aparelhos necessários para a realização da piedade, para assim estabelecermos a verdade. As Sagradas Escrituras e instituições de sabedoria formam o caminho curto para a salvação (Clemente de Alexandria, Exortação aos pagãos, 8)

“Tudo o que é imposto para a vida material é vinculativo para a multidão, mas o que é adaptado para viver bem, isto é, as coisas pelas quais a vida eterna é adquirida, deve ser capaz de ser reunida a partir das Escrituras por aqueles que a leem” (Clemente de Alexandria, Cristo, o Educador, 13)

“Mostre-nos a escola de Hermógenes que o que ela ensina está escrito: se não está escrito, trema em vista do anátema fulminado contra aqueles que acrescentam à Escritura, ou tiram alguma coisa dela” (Tertuliano, Contra Hermógenes, cap. 22)

“Certamente não se poderia crer até mesmo nestas coisas mesmo do Filho de Deus, a menos que elas fossem dadas a nós nas Escrituras (Tertuliano, Contra Práxeas, 16)

“Há, porém, irmãos, um só Deus, e o conhecimento que nós ganhamos disso provém das Sagradas Escrituras, e de nenhuma outra fonte (Hipólito de Roma, Contra Noetus, 9) 

“Não observo que seja grandemente confirmado pela autoridade da sagrada Escritura; ao passo que, em relação aos restantes dois, se encontra um considerável número de passagens nas sagradas Escrituras que parecem passíveis de ser-lhes aplicados” (Orígenes, De Principii, 4)

“No entanto, se em todas as coisas desta roupagem, isto é, se em tudo o que se encontra na história da lei, fossem guardadas as conseqüências e conservada a ordem, de tal modo que nela a inteligência pudesse conservar um curso contínuo de entendimento, não acreditaríamos que pudesse haver mais nada inserido mais profundamente nas Sagradas Escrituras do que isto que nos é manifestado na sua superfície (Orígenes, De Principiis, Livro IV, Cap.15)

“Exortados assim brevemente pela própria lógica e coerência do assunto, embora nos tenhamos estendido um pouco, seja suficiente o que dissemos para mostrar que há algumas coisas cuja significação não pode ser explicada por nenhum discurso da língua humana, mas que são declaradas por uma inteligência mais simples do que as propriedades de quaisquer palavras. A esta regra deve ater-se também a inteligência das letras divinas, e considere-se o que se diz não pela vileza da palavra, mas pela divindade do Santo Espírito que inspirou quem as escreveu (Orígenes, De Principiis, Livro IV, Cap.27) 

”Faz muito e bem longo tempo, querido Avircio Marcelo, que tu me ordenaste escrever algum tratado contra a heresia dos chamados "de Milcíades", mas até agora de certa maneira sentia-me indeciso, não por dificuldade em poder refutar a mentira e dar testemunho da verdade, mas por temor de que, apesar de minhas precauções, parecesse a alguns que de certo modo acres­cento ou junto algo novo à doutrina do Novo Testamento, ao qual não pode juntar nem tirar nada quem tenha decidido viver conforme este mesmo Evangelho (Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, Livro V, 16:3) 

“As Sagradas Escrituras são inspiradas e são totalmente suficientes para a proclamação da verdade (Atanásio de Alexandria, Contra os pagãos 1, 3)

“Mas a Sagrada Escritura é em todas as coisas mais do que suficiente para nós. Portanto, recomendo àqueles que desejam conhecer mais sobre esses assuntos, que leiam a palavra divina” (Atanásio de Alexandria, Para os bispos do Egito 1, 4)

“Em vão, então, são executados com o pretexto de que eles exigiram Concílios, pois a divina Escritura é suficiente sobre todas as coisas, mas se um Concílio for necessário neste ponto, há os trabalhos dos Pais, para que os bispos de Niceia não negligenciem esta questão, mas afirmem a doutrina tão exatamente que as pessoas, lendo suas palavras, não possam deixar de se lembrarem da religião em direção a Cristo, anunciada na divina Escritura” (Atanásio de Alexandria, De Synodis 1, 6) 

"Que este selo permaneça sempre em tua mente, o qual foi agora, por meio do sumário, colocado em teu coração e que, se o Senhor o permitir, daqui em diante, será elaborado de acordo com nossas forças por provas da Escritura. Porque, concernente aos divinos e sagrados Mistérios da Fé, é nosso dever não fazer nem a mais insignificante observação sem submetê-la às Sagradas Escrituras, nem sermos desviados por meras probabilidades e artifícios de argumentos. Não acreditem em mim porque eu vos digo estas coisas, a menos que recebam das Sagradas Escrituras a prova do que vos é apresentado: porque esta salvação, a qual temos pela nossa fé, não nos advém de arrazoados engenhosos, mas da prova das Sagradas Escrituras (Cirilo de Jerusalém, "The Catechetical Lectures of S. Cyril" Lecture 4.17)

"Mas enquanto avanças naquilo que estudas e professas, agarra-te e sustentes apenas a esta fé, que pela Igreja é entregue a ti e é estabelecida a partir de toda Escritura. Por nem todos poderem ler a Escritura, sendo uns por ignorância e outros pelos negócios da vida, o conhecimento da mesma está fora do alcance deles; assim, a fim de que suas almas não pereçam por carecerem de instrução, por meio dos Artigos, que são poucos, procuramos abranger toda a doutrina da Fé [...] E para o presente momento, confiamos a Fé à memória, meramente atentando às palavras; esperando, porém, que, no tempo oportuno, possa-se provar cada um destes Artigos de Fé pelas Divinas Escrituras. Pois os artigos de Fé não foram compostos ao bel-prazer dos homens: antes, os mais importantes pontos dela foram selecionados a partir de todas as Escrituras, forjando o único ensino da Fé. E, como a semente de mostarda em seu pequeno grão contém muitos ramos, assim também esta Fé, em umas poucas palavras, tem abrangido em seu seio o pleno conhecimento da piedade contido em ambos, Antigo e Novo Testamentos (Cirilo de Jerusalém, "The Catechetical Lectures of S. Cyril" Lecture 5.12)

"Mas aprendendo a Fé e a professando, tenhais em mente e conservai aquilo somente que vos é agora transmitido pela Igreja e que foi estruturado fortemente nas Escrituras" (Cirilo de Jerusalém, Leituras Catequéticas, 5,12)

“É adequado [ao citar o Credo] esperar a confirmação da Sagrada Escritura acerca e cada parte do conteúdo. Pois os artigos de Fé não foram compostos conforme pareceu bem aos homens, mas sim conforme os pontos mais importantes recolhidos de toda a Escritura, que constituem um ensino completo da fé (Cirilo de Jerusalém, Leituras Catequéticas, 5,12)

“Vamos então falar sobre o Espírito Santo, mas do que está escrito; e tudo o que não está escrito, não vamos nos ocupar com isso. O próprio Espírito Santo falou pelas Escrituras, Ele também falou sobre Ele, tanto quanto quisesse, ou tanto quanto nós poderíamos receber. Vamos, portanto, falar as coisas que ele disse, pois tudo o que Ele não disse, não nos atrevemos a dizer...  pois se tivesse sido escrito, teríamos falado dele, mas o que não está escrito não vamos nos arriscar (Cirilo de Jerusalém, Leituras Catequéticas, 16)

“Nem hoje usamos as sutilezas dos homens, o que seria inútil, mas apenas chamamos a atenção para o que vem das divinas Escrituras, porque este é o caminho mais seguro (Cirilo de Jerusalém, Leituras Catequéticas, 17)

"Como você usufrui das Escrituras, não necessita nem de minha ajuda, nem da de ninguém para ajudá-lo a compreender o seu dever. Você tem o conselho todo-suficiente e orientação do Espírito Santo para levá-lo ao que é certo" (Basílio de Cesareia, Epístola 283) 

“Mas, esta forma de dar glória nos é recusada, por não constar das Escrituras (Basílio de Cesareia, Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 67) 

“Rejeitar alguma coisa que se encontra nas Escrituras, ou receber algumas coisas que não estão escritas, é um sinal evidente de infidelidade, é um ato de orgulho... o fiel deve crer com plenitude de espírito todas as coisas que estão nas Escrituras sem tirar ou acrescentar nada (Basílio, Lib. de Fid. - regul. moral. reg. 80) 

“Nisso eles não estão longe da verdade, pois o faço afirmar. Sua queixa é que o costume deles não aceita isso, e que a Escritura não concorda. Qual é a minha resposta? Eu não considero justo que o costume que eles têm entre eles deva ser considerado como uma lei ao Estado de ortodoxia. Se o costume é para ser tomado como prova do que é certo, então é certamente competente eu apresentar para o meu lado o costume que nós temos aqui. Se eles rejeitarem isto, nós claramente não somos obrigados a segui-los. Portanto, Deus inspirou a Escritura para decidir entre nós, e em qualquer lado ser encontradas doutrinas em harmonia com a Palavra de Deus, para ver em favor de que lado será o voto da verdade (Basílio de Cesareia, Epístolas, 189:3) 

"A generalidade dos homens ainda flutua em suas opiniões acerca disto, as quais são tão errôneas como eles são numerosos. Quanto a nós, se a filosofia gentílica, que trata metodicamente todos estes pontos, fosse realmente adequada para uma demonstração, com certeza seria supérfluo adicionar uma discussão acerca da alma a tais especulações. Mas ainda que tais especulações procedessem, no que se refere ao assunto da alma, avançando tanto quanto satisfizessem ao pensador na direção das conseqüências já antevistas, nós não estamos autorizados para tomar tal licença - refiro-me a sustentar algo meramente por que nos satisfaz; pelo contrário, nós fazemos com que as Sagradas Escrituras sejam a regra e a medida de cada postulado; nós necessariamente fixamos nossos olhos sobre isto, e aprovamos somente aquilo que se harmoniza com o sentido de tais escritos" (Gregório de Nissa, Da Alma e da Ressurreição) 

Quem ousará falar quando a Escritura cala? Nós nada devemos acrescentar à ordem de Deus; se vós acrescentais ou tirais alguma coisa sois réus de prevaricação (Ambrósio de Milão, Lib. II de vocat. Gent. cap. 3 et lib. de parad. cap. 2) 

“Eis o conteúdo da Escritura divina. Deveríamos audaciosamente ultrapassar os limites (postos) pelos apóstolos? Acaso somos mais prudentes do que os apóstolos?” (Ambrósio de Milão, Explicação do Símbolo, Cap.3) 

“Com efeito, tens no livro do Apocalipse de João, livro que está no Cânon e que provê um grande fundamento para a fé, pois relembra aí com clareza que nosso Senhor Jesus Cristo é onipotente, embora também isso se encontre em outros lugares -tens nesse livro: “Se alguém acrescentar ou tirar alguma coisa, sofrerá o julgamento e o castigo” (cfAp. 22,18-19). Se nada pode ser tirado ou acrescentado aos escritos de um só apóstolo, como poderíamos mutilar o símbolo que recebemos como tendo sido composto e transmitido pelos apóstolos? Nada devemos tirar e nada acrescentar!(Ambrósio de Milão, Explicação do Símbolo, Cap.7) 

“Como é que podemos adotar aquelas coisas que não encontramos nas Sagradas Escrituras?” (Ambrósio de Milão, Sobre os deveres do Clero, 23) 

“Se vós quereis clarificar as coisas em dúvida, ide à lei e ao testemunho da Escritura; fora dali estais na noite do erro. Nós admitimos tudo o que está escrito, e rejeitamos tudo o que não está. As coisas que se inventam sob o nome de tradição apostólica sem a autoridade da Escritura são feridas pela espada de Deus (Jerónimo, In Isaiam, VII; In Agg., I) 

“Eu encontrei um véu suspenso nas portas desta mesma igreja, o qual estava colorido e pintado, ele tinha uma imagem, a imagem de Cristo pode ser ou de algum santo; eu não recordo mais quem ela representava. Eu pois tendo visto este sacrilégio; que numa igreja de Cristo, contra a autoridade das Escrituras, a imagem de um homem estava suspensa, lacerei aquele véu (Jerônimo, Lettres, Paris 1951, pag. 171) 

“Eu lhes peco [...] que vivam entre estes livros, que meditem sobre eles, que não conheçam nada alem deles, que não procurem outra coisa. Uma vida assim não lhes parece um prenúncio do céu aqui na terra? Que a simplicidade das Escrituras não os ofenda; pois ela se deve, ou a erros de tradutores, ou tem propósito deliberado: pois desta maneira, elas são mais adequadas à instrução” (Jerônimo, LSJ, 53.10,102) 

“Com respeito aos mistérios divinos e salvadores da fé, nenhuma doutrina, mesmo trivial, pode ser ensinada sem o apoio das Escrituras divinas... pois a nossa fé salvadora deriva a sua força, não de raciocínios caprichosos, mas daquilo que pode ser provado a partir da Bíblia (Cirilo, Das Divinas Escrituras) 

Grande é o lucro das divinas Escrituras, e todo-suficiente é a ajuda que vem delas. E Paulo declarou isso quando ele disse: ‘Tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança’" (João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de acordo João, 37) 

“Chega um pagão e diz: “Eu gostaria de me tornar um cristão, mas eu não sei em quem participar: há muito luta e facção entre vocês, muita confusão; qual a doutrina que eu devo escolher”? Como vamos responder-lhe? “Cada um de vocês” (diz ele) “afirma: ‘Eu falo a verdade’”. Sem dúvida: este é o nosso dever. Porque, se nós lhe disséssemos para ser convencido por argumentos, você pode muito bem estar perplexo; mas, se você acredita nas Escrituras, e estas são simples e verdadeiras, a decisão é fácil para você. Se há qualquer acordo com as Escrituras, ele é um cristão, mas se há qualquer luta contra elas, ele está longe de ser a regra” (João Crisóstomo, Homilia sobre os Atos dos Apóstolos, 33) 

Ainda que um anjo do céu vos anuncie outro evangelho que vá além do você recebeu na Escritura evangélica, seja anátema” (Agostinho, Answer to Petilian the Donatist III, 6) 

Mas ninguém pode deixar de estar ciente de que o cânon sagrado da Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamentoestá confinado dentro dos seus limitese que está tão absolutamente em uma posição superior a todas as cartas posteriores dos bispos (Agostinho, Against the Donatists, II, 4) 

"Persuadiste-me de que não eram de repreender os que se apoiam na autoridade desses livros que Tu deste a tantos povos, mas antes os que neles não crêem... Porque nessa divina origem e nessa autoridade me pareceu que devia eu crer... Por isso, sendo eu fraco e incapaz de encontrar a verdade só com as forças da minha razão, compreendi que devia apoiar-me na autoridade das Escrituras; e que Tu não poderias dar para todos os povos semelhante autoridade se não quisesses que por ela te pudéssemos buscar e encontrar..." (Agostinho, Confissões - VI, 5: 2-3) 

“Aqui, alguém talvez pergunte se nossos autores sacros, cujos escritos, inspirados por Deus, constituem para nós um cânon da mais salutar autoridade, se eles devem ser chamados somente sábios ou ainda eloquentes” (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, Cap.9) 

Ora, a fé cambaleará se a autoridade das Escrituras vacilar. E, cambaleando a fé, a caridade, por sua vez, enfraquer-se-á. Pois diminuir a fé é necessariamente é diminuir também a caridade” (Agostinho, A Doutrina Cristã – Princípios Básicos de Exegese, Cap.41) 

“E o que é mais, o que não aprendeu em nenhuma outra parte, somente encontrará na admirável superioridade profundidade das Escrituras (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro II, Cap.63) 

“Quando as pessoas, que ignoram costumes diferentes dos seus, leem certos fatos, julgam-nos torpeza, a não ser que sejam instruídos pela autoridade das Escrituras (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro III, Cap.22) 

“Em seguida, é preciso tornar-nos mansos pela piedade, para não contradizermos a Escritura divina. Seja quando ela for compreendida e vier a repreender alguns de nossos vícios, seja quando, incompreendida, nós nos imaginarmos capazes de julgar e ensinar melhor do que ela. Devemos, ao contrário, pensar e crer que é muito melhor e mais verdadeiro o que está escrito ali, ainda que oculto, do que possamos saber por nós próprios (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro II, Cap.9) 

“Não faltam obras eclesiásticas – sem contar as Escrituras canônicas, salutarmente colocadas no ápice da autoridade – por cuja leitura um homem bem dotado pode penetrar, além de seu conteúdo, no estilo das mesmas” (Agostinho, A Doutrina Cristã, Livro IV, Cap.4) 

“Quando eles [os apóstolos] escrevem que Ele [Cristo] ensinou e disse, não se pode concluir que Ele não escreveu, uma vez que os membros somente escrevem o que vieram a conhecer com o ditado [dictis] da Cabeça. Portanto, tudo o que Ele desejava que nós lêssemos, a respeito das suas palavras e obras, Ele ordenou que seus discípulos, suas mãos, escrevessem. Consequentemente, não se pode deixar de receber o que se lê nos Evangelhos, ainda que escrito pelos discípulos, como se tivesse sido escrito pela mão do próprio Senhor” (Agostinho, HG, 1.35) 

“Assim, os jejuns, as vigílias, a meditação das Escrituras, o despojamento e a privação de todos os recursos não constituem a perfeição, mas são instrumentos da perfeição, pois se não é neles que está o fim dessa disciplina, é por eles que se chega ao fim (João Cassiano, Primeira Conferência dos Padres do Deserto) 

“Por isso, a Escritura inspirada é abundantemente suficiente, até mesmo para que aqueles que são sábios e possuidores de uma compreensão abundante e instruídos em todas as coisas” (Cirilo de Alexandria, Contra Julianum, VII) 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitos outros textos acerca de muitas outras doutrinas dos Pais da Igreja poderiam ser explanados, mas estes oito pontos capitais já são suficientes para provar que a posição majoritária da Igreja da época era contra a doutrina católica da transubstanciação, da imaculada conceição de Maria, dos livros apócrifos, do preterismo, da imortalidade da alma, da salvação pelas obras, do primado do bispo romano e da tradição como tendo valor igual às Escrituras. Outras doutrinas católicas são tão absurdas que nem temos textos para refutá-las, como é o caso da assunção de Maria, que não era imaginada por ninguém naqueles séculos, razão pela qual ninguém tocava no assunto (tal dogma só foi promulgado em 1950 depois de Cristo!).

Outras ainda são refutadas por dedução lógica a partir destes oito pontos (ex: se os primeiros Pais da Igreja não criam na imortalidade da alma, consequentemente não criam em purgatório, oração pelos mortos, intercessão dos santos, etc), ao passo em que outras atingem pontos nevrálgicos dentro do catolicismo, cuja aceitação depende toda a doutrina (ex: se a Bíblia é a única regra de fé, todas as doutrinas católicas que não se encontram na Bíblia – e são muitas – são automaticamente descartadas).

Assim sendo, mesmo se alguma Igreja institucional tivesse definido um cânon neotestamentário, isso em absolutamente nada remeteria à Igreja Católica Romana, já que a Igreja da época desacreditava em quase tudo daquilo que é hoje o mais fundamental na Igreja papal atual. E ainda os romanistas teriam que quebrar a cabeça para conseguir provar que essa Igreja institucional era a sua e não a de um ortodoxo, já que as igrejas ortodoxas são tão antigas quanto a romana, tem listas de sucessão apostólica que remetem aos apóstolos e mesmo assim descrê em uma porção de doutrinas e dogmas de Roma.

Por fim, vale ressaltar que, embora os judeus no tempo da Antiga Aliança tivessem sido responsáveis pela escrita e preservação da Bíblia, pelo reconhecimento de livros considerados inspirados pela comunidade judaica, pela Lei, pelos Mandamentos e pelo Testemunho, mesmo assim isso não os impediu de se desviarem da Verdade e de inventarem falsas tradições orais que supostamente teriam sido pregadas oralmente por Moisés e teriam sido conservadas pelos fariseus, que criam que não poderiam cair em apostasia. Mas Jesus os reprovou e lhes disse:

Mateus 5:13 - E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?

Mateus 15:6 - Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.

Marcos 7:3 - Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa.

Marcos 7:6,7 - Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

Marcos 7:8 - Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens.

Marcos 7:9 - Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!

Da mesma forma, os católicos querem nos convencer de que eles preservaram as Escrituras, guardaram a Bíblia, definiram um cânon e possuem “tradições orais extra-bíblicas” conservadas desde o tempo de Jesus, e que eles não podem cair em apostasia.

Qualquer semelhança pode não ser mera coincidência.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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Comentários

  1. Muito bom Lucas !!! Sabe que vc poderia escrever um livro sobre isso tb.... um livro sobre a historia da Igreja citando apenas textos patristicos, mostrando como era a Igreja primitiva no inicio, como era feito o batismo, a santa ceia, etc... tudo usando textos patristicos... vc poderia mostrar quando e como as coisas começaram a mudar... qdo começaram a batizar crianças, etc....
    .
    T+++
    Matheus.

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    1. É uma boa ideia, Matheus, mas para fazer um livro mais completo sobre isso eu terei que ler mais e reunir mais citações, mas já é uma ideia que eu tenho em mente de colocar em prática em algum livro algum dia, se Deus permitir. Abraços.

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  2. Estudando e vendo direito seus trechos, vejo que a Patrística é usada para, de tal modo, iludir e profanar o sagrado e o Mistério da Eucaristia. Quem não conhece as obras dos Santos Padres da Igreja pode até se convencer do texto a cima. Minha intensão ao fazer tal argumento, não é em busca de brigas e de mas, de uma conscientização.
    Pax et Bonum!
    Rezarei por você.

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    1. Agradeço as suas orações, mas agradeceria ainda mais se você trouxesse algum argumento.

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  3. Paz do Senhor.

    Eu tenho a impressão que as igrejas sempre tenderam a se desviar da sã doutrina. Mesmo na época apostólica, como vemos nas próprias Cartas de Paulo (Gl 1:6-9) e nos Atos dos Apóstolos. A diferença é na Igreja apostólica a questão era voltada principalmente para os judaizastes, enquanto mais tarde a questão passou a ser o Gnosticismo e o uso quse indiscriminado da filosofia na apologia perante o império Romano e também no ensino teológico.

    Me parece, então, que a igreja pós-apostólica já demostrava desvios graves desde muito cedo, digamos já na segunda metade do Séc.III. Já neste Séc. (senão antes) percebe-se que a Igreja já tinha a doutrina da penitência bem estabelecida. As Igrejas já faziam sínodos que geravam cânones com obrigatoriedade de cumprimento sob pena de excomunhão. Já havia algo como o catecismo (os catecúmenos) que só após um período de preparo poderiam ser batizados. Pelas decisões que vieram dos sínodos de Cartago (251) e posteriores, vemos que a Igreja, infelizmente, já tinha contornos bem "Católicos". A questão do re-batismo dos LAPSI (apostatas) devido a perseguição do imperador Décio mostrava como a Igreja já atuava como mandatária da fé e da comunhão ao decretar os cânones que definiam essa questão. Já haviam decretos específicos pra cada caso de "apostasia". Veja os cânones do sínodo de Elvira, por exemplo (306), onde observa-se essa sistematização da fé. Não havia "salvação" fora da Igreja "católica" já nesta época. A igreja, de fato, já era "quem ligava e desligava" nos céus e na terra.

    A verdade, é que a igreja errou desde muito quando os líderes das igrejas fizeram da responsabilidade de "guardar o bom depósito" da fé e da sã doutrina um meio para dogmatizar tudo que se definia ortodoxo (independente do método), com o fim de se manter a desejada unidade. Mantendo-se a "unidade" da Igreja, perdia-se a unidade do Corpo de Cristo.

    Muitos pais e teólogos especulavam MUITO sobre as questões controversas que surgiam, e eles eram referenciados no momento em que o processo de dogmatizarão ocorria. Não quero dizer que com isso, que Ário, por exemplo, estava correto! Mas sim que a maneira como a Igreja conduziu o processo da ortodoxia extrapolava e muito o que a própria Bíblia ensina. No afã de se defender do que a maioria entendia como heresia, dogmatizavam-se os ensinos especulativos dos pais e teólogos e se engessava a interpretação bíblica. Imagine se hoje, nas questões controversas e secundarias do ensino Bíblico, definirmos credos usando teólogos renomados como referência? Enfim, não foi através do convencimento do Espírito Santo e da liberdade que a ortodoxia era apresentada, mas pela força.

    A própria controvérsia sobre a Trindade, por mais que cheguemos a conclusão que é mais bíblica que as outras Cristologias, vemos que os pais que adentraram cada vez mais nessa questão, foram muito além do que a própria Palavra de Deus pretendia ir. Ou seja, no afã de "defender" o que se entendia como correto, a Igreja usou de uma autoridade que não tem, de fato.

    Resumindo, eu acho que a Igreja, desde muito antes de Nicéia já apontava pra ROMA, parecendo mais com a ICAR do que com a Igreja protestante. Não acho que seja viável, nem necessário defender que a Igreja primitiva era mais “protestante” do que “católica”. De fato, a história da Igreja mostra como nos afastamos facilmente de Deus quando Ele permite.

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  4. A raiz da falsa primazia jaz na ganância e torpeza do prório homem:

    “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (I Pedro 5:1-2).

    Diótrefes, ainda no tempo do apóstolo João, queria dominar a qualquer custo uma igreja local.

    “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe" (III João 9).

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    1. Por que o anonimato? O que impede alguém de se identificar ao expor seus pontos de vista?
      Considero ist6o,no mínimo,pobreza de espírito!

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  5. Concordo com o anônimo dos comentários dos dias 26 e 27 de maio de 2014. Lembrando que o próprio Paulo já advertia no seu discurso em Atos 20:28-31:

    "Portanto, hoje vos proclamo que estou inocente do sangue de todos. Porque jamais deixei de vos ensinar toda a vontade de Deus.Concluindo, tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito. Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho. E ainda mais, dentre vós mesmos surgirão homens que torcerão a verdade, com o propósito de conquistar os discípulos para si. Por isso, vigiai! Lembrai-vos de que, durante três anos, noite e dia, não parei de prevenir a cada um de vós, com lágrimas, quanto a isso. Agora, pois, eu vos dedico aos cuidados especiais de Deus e à Palavra da sua graça, que tem o poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados.

    "DEPOIS DA MINHA PARTIDA", ou seja a apostasia já começaria imediatamente em certa medida. Numa época em que a comunicação à distância (através de cartas) poderia demorar meses, as sementes do mal seriam rápidas. Por isto a defesa da igreja dependeria de "Deus e à Palavra da sua graça", ou seja na observação da Escritura. Deus permitiu a apostasia mas ele não deixou a igreja às cegas, deixou a Escritura e o Espírito Santo para ajudar a discernir se as doutrinas eram ou não vindas Dele, e ainda mais que Paulo advertia aquela Igreja que já havia repassado a eles "toda a vontade de Deus". Mas como todos nós bem sabemos, "um pouco de fermento já leveda a massa toda".

    No caso da ICAR, puseram muito fermente nisto, hein?

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  6. Seus comentários,referentes aos dogmas,doutrinas e tradições "caóticas" romanas são excelentes! Em os lendo,muito aprendi. Que possa usá-los para a GLÓRIA DE DEUS!

    Obrigado,
    Moysés Magno
    moysesmagno@hotmail.com

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  7. Lucas, onde você pega essas frases dos pais da igreja ?

    Abr6o1

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    1. http://arminianismo.com/index.php/categorias/obras/patristica

      http://www.newadvent.org/fathers/

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  8. Lucas,paz e graça primeiramente muito obrigado por seus livros e artigos,isto nos ajuda muito,eu mesmo não mas creio em uma alma imortal...eu tenho uma pergunta desculpa por fugir do tema,certa vez eu um sermão sobre o ladrão da cruz,o pastor então cita nominalmente o ladrão chamando de Dimas,mas está informação está no apócrifo de Nicodemos,os nomes dos personagens que aparecem nos apócrifos e não nos evangelhos como Ana,Joaquim,Longinos,Verônica, Dimas podem ser levados a sério?se não por que alguns cristãos citam personagens cujo os nomes só aparecem nos apócrifos?me desculpa não consegue falar por Email e obrigado por tudo paz e graça!

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    1. Realmente é tudo ESPECULAÇÃO, não se pode saber ao certo. A lenda de que Ana e Joaquim foram os pais de Maria vem de um livro apócrifo do século II conhecido pelo nome de "Proto-evangelho de Tiago", que contém diversas lendas e acréscimos fúteis. Eu particularmente não creio que Ana tenha sido a mãe de Maria, que Joaquim tenha sido seu pai ou que Dimas tenha sido o ladrão da cruz. Pra mim, estes escritores de data tardia quiseram dar mais vivacidade aos relatos dos evangelhos e começaram a encher de detalhes por conta própria, incluindo nomes que tiraram de sua própria cabeça.

      Abs!

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  9. Olá Lucas, achei interessante o seu trabalho, e o que me chamou bastante atenção foi sobre o SOLA FIDE; Realmente os Pais da Igreja, CRIAM, PREGARAM e DEFENDERAM o SOLA FIDE... Martinho Lutero no "Traduzindo em Carta Aberta" [1530] Link:http://www.bible-researcher.com/luther01.html; disse: "Além disso, eu [Martinho Lutero] não sou o único, nem o primeiro, em afirmar que a fé por si só nos torna justo. Houve Ambrósio, Agostinho e muitos outros que disseram antes de mim." O escritor católico romano Joseph A. Fitzmyer, aponta que Lutero não era o único a traduzir Romanos 3:28 com a palavra "Somente".Vejam a Lista de alguns:

    [1] Origenes, Commentarius in Ep. ad Romanos, cap. 3 (PG 14.952);
    [2] Hilario, Commentarius in Matthaeum 8:6 (PL 9.961);
    [3] Basilio, Hom. de humilitate 20.3 (PG 31.529C);
    [4] Ambrosiastro, In Ep. ad Romanos 3.24 (CSEL 81.1.119): "sola fide justificati sunt dono Dei," por meio da fé que tenham sido justificados, por um dom de Deus; 4.5 (CSEL 81.1.130);
    [5] João Crisóstomo, Hom. in Ep. ad Titum 3.3 (PG 62.679 [não no texto Grego]);
    [6] Bernardo, Em Canticum serm. 22.8 (PL 183.881): "solam justificatur per fidem," é justificado pela fé sozinho....

    Fonte: Joseph A. Fitzmyer Romans, A New Translation with introduction and Commentary, The Anchor Bible Series (New York: Doubleday, 1993) 360-361.

    Até mesmo algumas versões católicas do Novo Testamento também traduzido Romanos 3:28 como fez Lutero. A Bíblia Nuremberg (1483), "allein durch den glauben" e as Bíblias italiana de Genebra (1476) e de Veneza (1538) dizem que "per sola fede".
    *** Crisóstomo (349-407): Assistais a isto, vós que vêm para o batismo no fim da vida, para nós, na verdade, orem para que após o batismo tenhais também este comportamento,[...]. Pois, do que tu és justificado: É SÓ DA FÉ. Mas nós oramos para que tu possas ter bem a confiança que vem de boas obras. [NPNF1: Vol. XIII, On the Second Epistle of St. Paul The Apostle to the Corinthians, Homily 2, §8].
    *** Hilário (c 315-67) em Mateus 9: ". Esta foi perdoada por Cristo através da fé, porque a lei não poderia produzir, pois SOMENTE A FÉ justifica". [Texto em latim: Et remissum est ab eo, quod lex laxare non poterat; fides enim sola justificat. Sancti Hilarii In Evangelium Matthaei Commentarius, Caput VIII, §6, PL 9:961].
    *** Jerônimo (347-420) em Romanos 10:3: Deus justifica pela FÉ SOMENTE. [Texto em latim: Deus ex sola fide justificat: In Epistolam Ad Romanos, Caput X, v. 3, PL 30:692D]. Notem que a frase exata "sola fide" é encontrado.
    *** Ambrosiastro (fl. C. 366-384), em Rom. 03:24: Eles são justificados gratuitamente, porque eles não fizeram nada, nem deram nada em troca, mas SOMENTE PELA FÉ que temos sido santificados pela dádiva de Deus. Gerald Bray, ed., Ancient Christian Commentary on Scripture, New Testament VI: Romans (Downers Grove: InterVarsity Press, 1998), p. 101. [Texto em Latim: Justificati gratis per gratiam ipsius. Justificati sunt gratis, quia nihil operantes, neque vicem reddentes, sola fide justificati sunt dono Dei. In Epistolam Ad Romanos, PL 17:79].......... Abraços. (Fábio Jefferson)

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    1. Muito bem colocado, Fábio! Grato pela contribuição!

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  10. Boa noite na paz do senhor Lucas, um católico me mandou alguns textos comprovando que os pais da igreja eram católicos Romanos

    O primeiro cânon com a exatidão de livros foi definido nos concílios regionais de Hipona e de Cartago com total aprovação de Roma. Não há outro registro de um cânon definido universalmente antes desses concílios.

    “Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12"

    (Concílio de Hipona, 08.Out.393).

    "Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja"

    (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

    Lembrando que Sabedoria e Eclesiásticos estavam contidos nos cinco livros de Salomão e a carta de Baruc estava junto com Jeremias e lamentações.



    Com isso ele alega que os pais da igreja eram católicos Romanos!

    Paz lucas



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    1. Primeiro lugar esses concílios eram apenas concílios regionais que valiam apenas para aquelas regiões no norte da África daquela época e NÃO concílios universais como o mentiroso aí diz, e segundo lugar eram concílios tardios, que datam do final do quarto século passando para o quinto, desde quando isso remonta aos apóstolos? Nos artigos abaixo eu mostro que a opinião geral dos Pais de data anterior a estes concílios era de REJEIÇÃO aos apócrifos no que tange ao cânon bíblico, confira:

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      Abs!

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  11. Excelente Artigo Lucas Banzoli! Sem sombra de duvidas!

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