9 de agosto de 2012

Católicos também adotam a Sola Scriptura



Durante séculos, desde a Reforma, o principal ponto de discórdia entre católicos e evangélicos tem sido que estes últimos defendem o evangelho bíblico e contestam os acréscimos doutrinários advindos da Igreja Romana sem estarem em conformidade com as Escrituras, enquanto os romanos se defendem dizendo que seus acréscimos não precisam estar na Bíblia, pois esta não é a única regra de fé e prática, mas existe uma tradição oral apostólica que supostamente traz consigo doutrinas não-bíblicas para dentro da Igreja, e que devem ser acatadas.


Quanto ao método que os católicos usam para contestar a Sola Scriptura, basicamente se resume a um só: “Me mostre um versículo da Bíblia que diga que a Escritura é a única regra de fé”! E, assim, eles acham que estão justificados de suas práticas não-bíblicas e/ou antibíblicas. Será mesmo?


Ora, um dos métodos evangélicos mais aplicados a favor da Sola Scriptura é o de que a tradição oral “apostólica” se corrompeu, e, por isso, o único meio que temos de descobrir os ensinamentos apostólicos é através daquilo que nos foi legado por escrito, conservado a nós na Sagrada Escritura. Sendo assim, podemos resumir este argumento em três pontos principais:


1. Existem dois meios de chegarmos aos ensinamentos apostólicos: um é o que foi escrito, o outro é o que foi transmitido oralmente.


2. O que foi transmitido oralmente foi sendo distorcido com o tempo e sujeito a acréscimos, adições, modificações e alterações ao longo dos séculos, mas o que foi transmitido por escrito se mantém conservado através das Escrituras Sagradas.


3. Portanto, podemos recorrer a esta última – a Sagrada Escritura – como sendo o único meio autêntico, conservado e inalterado que mantém e guarda a doutrina apostólica com segurança. Temos, assim, o conceito de Sola Scriptura – somente as Escrituras como regra de fé e prática.


Em outras palavras, nós não rejeitamos todas as tradições, mas sim aquelas que não têm qualquer fundamento histórico ou bíblico, sem nenhum vestígio de que tenha sido mesmo pregada por algum apóstolo, mas que são usadas puramente como mero pretexto para os apologistas católicos fundamentarem as suas doutrinas não-bíblicas sem qualquer peso na consciência por conta disso.


E, infelizmente, as adições católicas são inteiramente repletas dessas tradições fantasmagóricas, onde ninguém escreveu, viu ou ouviu algo, mas, ainda assim, tal suposta “tradição” é usada como pretexto a adicionar cada vez mais e mais doutrinas e dogmas que corrompem o verdadeiro evangelho de Cristo.


Mas será que os próprios católicos não são complacentes aos três pontos levantados acima a favor da Sola Scriptura? Embora externamente digam que não, interiormente eles se utilizam desta mesma logística para serem Sola Scripturistas com relação ao Antigo Testamento. Ora, este também tinha supostas “tradições orais” que teriam sido conservadas pelos mestres e doutores da lei, mas Jesus vigorosamente repudiou tal tradição, por estar corrompida com o tempo (Mt.5:13; 15:6; Mc.7:3; 7:8; 7:9).


Da mesma forma, não existe absolutamente nenhuma passagem nas Escrituras do Antigo Testamento que diga explicitamente que “só as Escrituras [ou só o AT] é a única regra de fé”, mas, mesmo assim, os católicos rejeitam as tradições orais e acréscimos ao Antigo Testamento pela tradição judaica e aceitam somente as Escrituras (=Sola Scriptura) como regra de fé e prática ao Antigo Testamento.


Se perguntarmos: “por que vocês são Sola Scripturistas com relação ao Antigo Testamento, se também não há qualquer passagem do Antigo Testamento que diga que só as Escrituras eram regra de fé e prática da época”? Eles vão responder exatamente com o quadro que eu expus acima em favor da Sola Scriptura.


Dirão que a tradição oral dos hebreus foi corrompida, como o próprio Jesus disse, e que, por conta disso, só adotam aquilo que foi escrito com relação ao Antigo Testamento, rejeitando as tradições orais que teriam sido “conservadas” pelos líderes dos judeus.


O interessante é que esta é a mesma lógica aceita pelos evangélicos com relação também ao Novo Testamento – ou seja, com relação à Bíblia toda. Como existem vários indícios incontestáveis de que a tradição oral do Novo Testamento foi corrompida, nós adotamos a Sola Scriptura com relação ao Novo Testamento também.


E, sendo assim, o único “argumento” católico de que “a Sola Scriptura é antibíblica porque não existem versículos que dizem que somente a Bíblia é a regra de fé”cai por terra, tendo em vista que eles mesmos aplicam o princípio protestante ao Antigo Testamento e dão legitimidade a ele; portanto, nada impede que o mesmo princípio se aplique também ao Novo Testamento, ainda mais tendo em vista que existem muito mais provas de que a “tradição” do NT foi corrompida do que a própria tradição do AT!


Vale a pena ressaltar: não estou dizendo que não existem passagens bíblicas neotestamentárias que rejeitem as tradições não-bíblicas e/ou antibíblicas ou que digam para não ultrapassarmos o que está escrito. Elas existem aos montões. O que eu estou afirmando é que o princípio básico exposto acima, que os católicos aceitam e adotam para o Antigo Testamento, vale da mesma forma para o Novo, e, assim, a Escritura é a única regra de fé para ambos, porque ambas as tradições foram corrompidas.


Desta forma, os católicos, sem qualquer fundamento, adotam a Sola Scriptura ao Antigo Testamento e adicionam a tradição oral ao Novo, mesmo que esta suposta tradição esteja em conflito com a tradição oral dos ortodoxos que deveria ser a mesma, e não tenha nunca resolvido qualquer conflito doutrinário entre os Pais da Igreja.


E os evangélicos, como são mais coerentes, adotam a Sola Scriptura com relação a ambos os Testamentos, por verem provas claras de que a tradição oral do Novo Testamento foi tão corrompida quanto a tradição oral do Antigo Testamento.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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10 comentários:

  1. Nesse video do Orlando Fedeli, ele parece um protestante criticando um católico

    https://m.youtube.com/watch?v=fcpmHsYe9cc

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  2. O CÂNON BÍBLICO

    Há algum tempo, em algumas discussões teológicas, tenho visto aqui uma grande superficialidade quando se trata do cânon bíblico, sempre numa rixa “católicos x protestantes”. O católico fala que Lutero foi um herege que tirou livros sagrados da bíblia de bom grado, e os protestantes ficam falando que Lutero retirou livros apócrifos, que não são inspirados por Deus. Então, para esclarecer um pouco o tema, mais numa perspectiva histórica, sem a intenção de causar um conflito de protestantes e católicos, redigi um texto com alguns pontos em relação ao cânon que aprendi num curso, onde meu amigo, Victor Santos, lecionou, disponibilizando um material muito bom e com informações muito difíceis de encontrar.

    O Antigo testamento

    No primeiro século havia uma subdivisão dos livros sagrados do VT em três partes: o Pentateuco, Profetas e Escritos (ou Salmos). Vemos isso nas palavras de Jesus em Lucas 24.27,44. Temos 3 blocos bem definidos citados por Jesus, mas não se sabia de forma clara quais livros pertenciam ao último bloco, os Escritos. Por exemplo, o livro de Enoque, um livro hoje reconhecido como apócrifo: referências ao livro de Enoque são encontradas em Judas e muitos pais da igreja foram influenciados e citam ele, como Antenágoras (133 – 190 d.C), Clemente de Alexandria (150 – 215 d.C) e Tertuliano (160 – 220). Tratarei desse assunto mais especificamente na conclusão, por enquanto vou falar somente da diferenciação da bíblia católica e protestante. A diferenciação dos dois se dá basicamente em 7 livros, que são os livros deuterocanônicos (Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico [Sirácida ou Sirac], I Macabeus e II Macabeus), e essa diferenciação se dá pelo seguinte:

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  3. a Igreja Católica se pautou para definir o cânon basicamente pela referência da patrística à esses livros e porque havia referência à eles no NT, além de que esses livros já estavam contidos na Septuaginta. Lutero, na reforma, não chegou a “tirar totalmente” esses livros do cânon, ele agrupou esses livros no fim do VT e na frente deles deixou uma mensagem dizendo que não eram livros inspirados por Deus, mas era importante a leitura. No ano de 135 d.C., Jerusalém acabara de ser destruída, o povo judeu estava fugindo e disperso, então os líderes religiosos judeus fizeram um concílio na tentativa de salvar a tradição e a cultura judaica. Esse foi o Concílio de Jamnia, onde foi definido o cânon sagrado judeu (a Tanak). Lutero então aderiu a Tanak. Os livros deuterocanônicos saíram de vez da bíblia protestante somente quando a Sociedade Bíblica Britânica, com influência dos puritanos, eliminou todos os livros deuterocanônicos de vez do cânon, para haver uma desvinculação completa da igreja católica.

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  4. Novo testamento

    Para compreendermos o novo testamento, precisamos compreender a Igreja Primitiva. Jesus acabara de subir aos céus falando que do mesmo jeito que subiu iria voltar para buscar a sua igreja. O que os discípulos pensaram na hora? “Vamos pregar o evangelho! Ele vai voltar logo!”. Eles não tinham a preocupação de qual livro usar para pregar, ou para evangelizar. Eles simplesmente seguiram e perseveravam na DOUTRINA DOS APÓSTOLOS: “41. De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas; 42. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Atos 2.41-42. Até porque não havia um cânon sagrado, fechado, naquela época. Não se fazia a distinção de livros inspirados por Deus e não inspirados, pois não tinha essa necessidade ainda. Havia muita literatura sendo produzida nesses primeiros séculos e, sem esse cânon sagrado, como a igreja primitiva não se corrompeu com livros heréticos? A igreja não se corrompeu porque o filtro para validar se um livro era ou não sagrado, era a Doutrina dos Apóstolos.

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  5. Era muito comum a troca de cartas entre as igrejas primitivas, e quando uma igreja recebia alguma carta que contradizia a Doutrina dos Apóstolos, ela respondia advertindo e refutando-a. E um exemplo disso é Marcião.
    Marcião tinha uma influência gnóstica, e com isso reescreveu alguns evangelhos a partir de sua perspectiva, tirando ou diminuindo os sofrimentos carnais que Jesus teve assim como também as reações emocionais. Com isso ofereceu esse novo cânon à igreja, enviando às vizinhas na primavera de 144. No outono de 144 (era tradição escrever cartas na primavera e responder no outono) as igrejas de Roma, Ásia Menor e Egito responderam a carta de Marcião e, independentes uma da outra, refutaram e advertiram-no, declarando que aquilo não era respaldado pela Doutrina dos Apóstolos.

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  6. Então, podemos notar que havia um núcleo de fé que era transmitido de geração a geração através da tradição oral e das cartas dos apóstolos que independia da comunicação entre as igrejas até então.
    O fechamento do cânon não foi algo espontâneo, como eu já disse. Foi-se necessário isso com o passar dos anos para combater heresias, mas é importante ressaltar novamente que os autores das cartas e evangelhos não estavam conscientemente dedicados a produzir Escrituras Sagradas (apesar de serem intimamente inspiradas pelo Espírito Santo), eles simplesmente escreviam, como vemos no evangelho de Lucas, que foi uma carta direcionada para um homem, Teófilo (Lucas 1.3).

    Vou dar um exemplo sobre o que estou tentando dizer: "E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele." (Jd 1:14-15). Se procurarmos na bíblia inteira não encontraremos Enoque profetizando isso, e existem só alguns poucos versículos na bíblia que citam ele, então de onde ele tirou essa informação? Era comum aquela época autores desconhecidos produzirem obras e as atribuírem a personagens famosos/conhecidos para que a obra seja conhecida e valorizada. E provavelmente foi isso que aconteceu. Existe um livro chamado Enoque (que já citei quando falei do VT) que, comprovadamente, é falso, não é de autoria de Enoque; mas só sabemos disso hoje em dia com os recursos que temos pra estudar a linguagem e o estilo literário de cada época, e eles não tinham isso. Judas citou uma passagem de Enoque onde Judas 1.6 é encontrado em 1 Enoque 1.9, e os versos 14 e 15 demonstram a influência do livro apócrifo que não encontramos em lugar algum do VT. Mas também existe a possibilidade de Deus tê-lo revelado ou simplesmente fazia parte da tradição oral judaica (apesar de ser bem menos provável).

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  7. Essa é um crítica ao Sola Escriptura, onde vemos muitos protestantes reformados utilizando a Bíblia como um fim infalível em si, não necessitando de outros componentes, seja qualquer que seja. Mas deixarei esse assunto para a conclusão.
    Enfim, foi só no Concílio de Laodiceia (360 d.C) que a igreja definiu um cânon sagrado. Mas esse Concílio teve mais como objetivo alertar os cristãos a tomar cuidado com livros gnósticos, que eram muito influentes aquela época e estavam entrando na igreja. Então devido a isso a igreja acabou tendo que definir um cânon. Mas só na contrarreforma (1545 a 1563) no Concílio de Trento que a Igreja Católica fechou definitivamente o Cânon.

    Para um livro fazer parte do Cânon Cristão, existem alguns critérios, que são:
    - Apostolicidade (proximidade temporal / histórica com os apóstolos)
    - Leitura Litúrgica Pública (Quais livros eram lidos nas comunidades)
    - Leitura Litúrgica Pública Universal (Comparação das cartas lidas nas comunidades)


    - Regula Fidei ou Ortodoxia (o que a patrística falava em relação a esses livros).

    Conclusão

    Como pudemos ver, o cânon bíblico não foi algo dado por Deus diretamente, como algo inerrante em todos os aspectos. Eu, como protestante, vejo muitos reformados, em sua maioria, e até católicos afirmando que a igreja primitiva, os pais da igreja, se submeteu aos livros bíblicos como autoridade final, crendo na escritura como infalível e, portanto, incapaz de qualquer erro, sendo que a igreja não tinha um cânon fechado. A utilização das Escrituras pelos pais da igreja não eram para afirmar a inerrância das escrituras, mas para confirmar a Doutrina dos Apóstolos. Podemos afirmar com certeza que a Bíblia é inerrante quanto à sua mensagem, quanto à confirmação da verdade. Por isso devemos ter cuidado com o Sola Escriptura, pois ela tenta justificar a autoridade suprema das escrituras sem se respaldar à origem dela, que é a Doutrina dos Apóstolos. “A Bíblia Sagrada dá testemunho da tradição apostólica. O primeiro texto de teologia bíblica que temos relato na história é de Irineu de Lyon (130-202 d.C.), e seu livro não se chamava tratado de teologia Bíblica, mas “Demonstração da pregação apostólica”. Os livros que temos na Bíblia Sagrada são compostos da maneira que conhecemos hoje porque confirmam a mensagem pregada pelos apóstolos, as testemunhas de Jesus Cristo” – Victor Santos.

    “Estudar a Bíblia é necessariamente estudar a história – e uma história específica” – A Bíblia como literatura – John B. Gabel; Charles B. Wheeler.

    Enfim, o assunto é muito mais complexo e profundo do que foi tratado aqui (houveram muitos mais concílios e acontecimentos que influenciaram), mas já dá para nos livrarmos de alguns espantalhos que vemos muito no dia-a-dia.


    Esse comentário procede

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    Respostas
    1. Não sei quem é o autor desse texto, mas seja lá quem for, é um texto completamente falso e totalmente tendencioso, basicamente quem alega que "estudou" o assunto só deve ter pesquisado em fontes católicas e nada mais, quase tudo o que ele diz é comprovadamente falso, e o pouco que não é falso é bastante duvidoso. Os erros grotescos começam logo no primeiro parágrafo, quando diz que “os protestantes alegam que Lutero retirou livros apócrifos, que não são inspirados por Deus”. Da onde foi que ele tirou isso? Nenhum protestante afirma isso, esse cara nem sabe do que está falando, Lutero não “retirou” livro nenhum, foi a Igreja Romana que ACRESCENTOU. Inclusive o Bruno Lima postou recentemente no blog dele uma série de artigos onde prova que os teólogos e clérigos católicos de antes de Lutero até a sua época também não aceitavam a canonicidade dos apócrifos:

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2017/03/o-canon-do-antigo-testamento-de.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2017/03/o-canon-do-antigo-testamento-de_20.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2017/03/o-canon-do-antigo-testamento-de_8.html

      A alegação de que os apócrifos católicos estavam na Septuaginta não é totalmente verdade, e depende muito de qual códice da Septuaginta que se toma como referência, mas nenhum deles tem todos os apócrifos, e em alguns ainda faltam livros. Sobre isso eu já tratei neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/a-lenda-do-canon-alexandrino.html

      A outra mentira é de que os judeus só tiveram um cânon a partir do Concílio de Jâmnia. Isso é comprovadamente FALSO, em Jâmnia os judeus apenas confirmaram um cânon já existente, não inventaram um do nada. Em seguida ele mente de novo, quando diz que Lutero e os protestantes primitivos aceitavam os apócrifos como canônicos porque constavam em suas Bíblias; ora, por esse mesmo argumento então devemos presumir também que eles aceitavam a canonicidade dos hinos, já que os hinos também constavam (ou ainda constam) nas Bíblias!

      As Bíblias modernas também vem com mapas, notas de rodapé, dados e informações, etc, sem que com isso esteja implícito que sejam canônicos. Lutero não tirou os apócrifos da Bíblia mas rejeitou claramente a sua canonicidade, os deixou ali apenas como fonte de informação e edificação e não por considerar inspirado. Isso é o mesmo que Jerônimo fez na Vulgata do século V, deixou os apócrifos mas escreveu na introdução dos mesmos deixando bem claro que não eram inspirados e nem serviam para fundamentar doutrina. Dizer que só com a chegada da Sociedade Bíblica Britânica é que os protestantes rejeitaram a canonicidade dos apócrifos é de uma ignorância sem limites.

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    2. A análise dele do NT é também muito ruim, é claro que os apóstolos tinham em mente quais livros eram inspirados e quais não eram, senão iríamos ver uma série de citações da Escritura remetendo a livros que não são canônicos, o que nunca acontece. Os apóstolos às vezes citavam filósofos pagãos e obras apócrifas, mas NUNCA COMO SENDO ESCRITURA. Sempre quando eles diziam “está escrito” ou “a Escritura diz”, era para citar um trecho do Antigo Testamento canônico, sem nenhum apócrifo.

      Ele diz que o Concílio de Laodiceia foi o primeiro a definir o cânon (o que não é verdade, outros fizeram isso antes dele), e esse concílio rejeita seis dos sete apócrifos (aceitando apenas Baruque como parte de Jeremias). As afirmações finais dele sobre a Sola Scriptura são completamente descabidas, mostra claramente que ele nunca leu sobre o tema, tanto é que escreve “Sola Escriptura” em vez de “Sola Scriptura”, ou seja, o cara não conhece nem a palavra, que dirá o conceito da mesma. Essa história de que precisa ter um cânon fechado para se aceitar a Sola Scriptura é conversa pra boi dormir, desde os primórdios a Igreja aceitou a Escritura e somente a Escritura como autoridade final, mesmo antes do cânon ser considerado “fechado”. Isso eu provei em mais de 400 citações patrísticas no meu livro, uma parte pode ser conferida nestes artigos do meu outro site:

      http://apologiacrista.com/os-pais-da-igreja-e-a-sola-scriptura

      http://apologiacrista.com/tradicao-apostolica

      Sempre quando eu ouço esse argumento católico eu me lembro de uma analogia que fiz há tempos atrás. Eu moro na minha casa há uns 15 anos, mas nos primeiros sete anos ela não estava totalmente construída, a parte de cima ainda estava inacabada e em construção. Mesmo assim, seria insano se alguém dissesse que por causa disso eu não morava apenas na minha casa. Eu morava apenas na minha casa, mesmo antes dela se “completar”, por assim dizer. Da mesma forma, os apóstolos tinham apenas a Escritura como autoridade final, mesmo antes dela se “completar”, mesmo antes de ter um cânon fechado, e continuou tendo depois disso. A argumentação católica é simplesmente uma falácia antilógica, que infelizmente está contaminando a mente das pessoas que, sem estudar os dois lados da moeda ou estudando apenas superficialmente, acaba comprando as mentiras do romanismo sobre o cânon.

      Abs!

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    3. Cara, mas que insistência em achar que nós seguimos a Bíblia que Lutero definiu. Nenhum protestante segue cegamente o que Lutero definiu. O cânon não depende de Lutero, embora ele tenha sido importante. Quem definiu o que é canonico ou não foi o próprio Deus, e cabe a nós, seus seguidores, buscarmos quais livros são ou não canonicos. E essa busca nos leva, invariavelmente, por todos os dados históricos, pela confirmação de diversos teólogos que também são pessoas comprometidas com Deus, pela própria coerência interna, à Bíblia usada pelos protestantes. Disso não se discute. Até porque a inserção dos livros pelos católicos foi feita por quem não tinha autoridade a isso, pois o cânon do antigo testamento foi redigido em um período em que o relacionamento de Deus era somente com o seu povo, no caso os hebreus. Logo, Deus entregou ao povo judeu os livros canônicos. Isso é a coisa mais clara e óbvia do mundo. O resto é só conversinha mole para justificar um erro herético cometido pela ICAR. Lutero não definiu o Cânon, parem de nos encher o saco com isso.

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