25 de abril de 2016

A escravidão muçulmana justifica as Cruzadas?


Outro argumento utilizado pelos revisionistas para fundamentar moralmente as Cruzadas é a prática de escravidão perpetrada pelos muçulmanos. Ora, este é o argumento mais hipócrita e desonesto, antes de tudo porque os próprios cristãos também praticavam a escravidão e não viam problema nenhum nisso. Mais uma vez, será desnecessário lembrar que em momento algum do discurso do papa Urbano II ou de qualquer outro papa que pregou as Cruzadas houve qualquer tipo de referência à escravidão muçulmana, como se o exército cristão estivesse disposto a lutar para libertar escravos das garras de um inimigo feroz. Muito pelo contrário, os próprios cruzados tinham (ou eram) escravos.

Em primeiro lugar, devemos destacar que a posição majoritária de todo o povo camponês por volta da época das Cruzadas era de semiescravidão, ou, se preferir, eram “semilivres”[1]. Isso significa que não eram totalmente escravos (no sentido antigo do termo, de ser mera posse de outra pessoa que detém todos os direitos legais sobre si), mas também estavam muito longe de ser livres. A estes homens nem livres e nem totalmente escravos dava-se o nome de “servos”. Franco escreve sobre isso nas seguintes palavras:

O tipo de mão-de-obra empregada na agricultura feudal não era mais escrava como na Antiguidade, nem assalariada como na Modernidade, pois ambas pressupõem uma economia mercantil, em que o trabalhador (escravo) ou a força de trabalho (assalariada) são mercadorias. Recorreu-se então a um tipo intermediário, a servidão, na qual o trabalhador presta serviços compulsórios como na escravidão, mas não é considerado um objeto (na Antiguidade, o escravo era “uma ferramenta que fala”).[2]

Pirenne diz que “quem possui a terra, possui por sua vez liberdade e poder; por isso, o proprietário é ao mesmo tempo senhor; quem está privado dela, fica reduzido à servidão”[3], e que, “como regra geral, a servidão é a condição normal da população agrícola, ou seja, de todo o povo”[4]. Uma vez que todo o povo cristão estava em condição de servidão e não era “livre”, seria ridículo e risível se os cruzados fossem lutar contra os muçulmanos para acabar com a escravidão dos muçulmanos. Se fosse por isso, deveriam começar fazendo uma cruzada contra si mesmos, e só depois de resolver seus próprios problemas tentar se meter no problema dos outros. Não é a toa que este motivo não foi evocado por pessoa alguma na própria época das Cruzadas.

Mas Pirenne vai além, e diz ainda que “essa servidão na qual se encontram é uma condição muito parecida com a do escravo antigo”[5]. Isso porque o servo conservava muitos dos padrões dos escravos antigos, como, por exemplo, o fato de não poder fugir[6], aponta Régine Pernoud. Nestes casos, “o senhor podia mandar perseguir o servo fugitivo”[7] e “obrigar o fugitivo a regressar à força”[8]. Segundo Marc Bloch, “os servos permaneciam, de direito, a coisa de um senhor, que dispunha soberanamente do seu corpo, do seu trabalho e dos seus bens”[9]. O servo, além disso, também:

• Não é convocado para o exército real[10].
• Não participa das assembleias judiciais[11].
• Não pode apresentar diretamente perante estas as suas queixas[12].
• Só é objeto de demanda, no caso em que, tendo cometido para com terceiros uma falta grave, é entregue à vindicta pública pelo seu senhor[13].
• Não pode entrar para a vida religiosa[14].
• Está excluído dos tribunais públicos[15].
• Não pode nem testemunhar nem prestar juramento[16].
• Está submetido à autoridade arbitrária do seu senhor[17].

Por isso, ele era basicamente um “escravo da terra onde nasceu”[18][19]. Alguém poderia pensar que tudo isso era perpetuado pelos muçulmanos malvados, mas não: era vigente no sistema da própria Cristandade romana. Diz ainda Bloch:

Numa palavra, cada vez mais o seu lugar na sociedade se define pela sua sujeição para com outro homem: sujeição tão estreita, na verdade, que se considera natural a limitação do seu estatuto familiar que lhe interdita o casamento fora do senhorio; que a sua união com uma mulher completamente livre é tida como “casamento desigual”; que o direito canônico tenda a recusar-lhe a entrada nas ordens sagradas, tal como o direito secular tenda a infringir-lhe castigos corporais, outrora reservado aos escravos; que, finalmente, quando o seu senhor o dispensa das obrigações, este fato facilmente é qualificado como libertação.[20]

O colono era designado mancipia, que em latim clássico era sinônimo de escravo, e na língua vulgar significava “homem do senhor”[21]. Brooke afirma que a população de camponeses não-livres era de longe “a maior parte da população da Europa... e seu número ia aumentando rapidamente”[22]. Os camponeses, continuamente, “perdiam degraus na escala social, uma vez que tinham que sacrificar-se cada vez mais para encontrar terra para alimentar-se”[23]. Guy Fourquin chega ao ponto de dizer que “a verdadeira sorte do colono aproximou-se da do escravo fixado à terra”[24]. O colono era, desde o século IX, tratado de fato como um não-livre[25].

O colono não-livre era muitas vezes tratado da mesma forma que o escravo – e isso inclui a esmagadora maioria da população europeia da época. Carlos, o Calvo, por meio do Édito de Pitres (864 d.C), definiu que os colonos que infringissem o bannum real seriam punidos não mais com a multa, mas com sessenta chicotadas – a mesma punição dos escravos[26]. Fourquin observa o quanto a liberdade tinha retrocedido, e diz ainda que “os colonos já não passavam de semilivres, cuja sorte tinha piorado”[27].

Lins escreve sobre o valor do servo católico na Idade Média:

É fácil avaliar o que fosse em fins do século XI, pelo que, a respeito, estatuía o código elaborado por determinação de Godofredo de Bouillon, logo após a tomada de Jerusalém pelos cruzados, e conhecido pelo nome de Assises de Jerusalém. Estabelecia esse código poderem os servos perdidos ser reclamados, tal qual os cães ou os falcões, tendo o mesmo valor um escravo e um falcão, enquanto eram necessários dois servos, ou dois bois para perfazerem o preço de um cavalo.[28]

A própria palavra servus (servo) significava “escravo”[29], também comumente chamado de homem de corpo, inteiramente propriedade do seu senhor, o dominius da vila[30]. Ainda mais espantoso do que isso é saber que “a mesma palavra servus servia muitas vezes para designar a ambos”[31], escravos e servos. A diferença prática era quase nula. Não é sem razão que Fourquin diz que “a liberdade do século XII não passa do atenuar da exploração senhorial”[32].

Sobre a situação dos servos, que representavam a maioria da população na Cristandade ocidental, Tornell complementa:

A situação daqueles miseráveis era lamentável. Não era propriamente escravos porque não estavam juridicamente renegados à condição de coisas, mas sofriam permanentemente uma diminuição de sua personalidade ao não se lhes permitir iniciativas e ao estarem vinculados à terra que cultivavam, com a qual podiam ser vendidos e ainda ser tomados por qualquer senhor em guerra quando aqueles se apoderasse das terras do inimigo.[33]

Mais grave ainda do que isso é saber que a escravidão clássica ainda continuava existindo entre os povos católicos. Ou seja, pessoas que podiam ser compradas, vendidas e enviadas a mercados distantes[34]. Fourquin sustenta que “os países mediterrânicos continuavam a conhecer a escravatura à antiga”[35], e Brooke alega que “o comércio de escravos parece que foi o mais importante a longa distância na Europa septentrional, a princípios da Idade Média”[36]. Brooke escreve ainda:

É evidente que o comércio de escravos não estava reduzido a pagãos. Era tradicional, durante séculos, em alguma parte da Europa, que os pais vendessem os filhos quando eram numerosos, e era ainda mais comum escravizar aos prisioneiros de guerra que não eram resgatados. A mesma ideia mental e enraizada de que um prisioneiro de guerra era propriedade de seu captor. A Igreja pedia caridade e misericórdia, mas não pôde cortas totalmente a raiz da escravidão; essa tarefa sobrou para que os evangélicos a realizassem.[37]

O autor assinala também que “na Inglaterra e nos países mediterrâneos a escravidão era uma instituição reconhecida e os escravos eram numerosos em finais do século XI; nos países mediterrâneos isso continuou assim durante a Idade Média”[38]. Na antiga vila conviviam juntos os semiescravos e os escravos, sem terra e nem liberdade[39]. A escravidão no mundo mediterrâneo se manteve ao longo de toda a Idade Média, e havia escravos negros em Portugal e na Espanha muito antes que fossem exportados à América[40].

Possuir escravos de guerra também não era prática exclusiva dos povos muçulmanos, mas era constante e natural entre os católicos. Quando os cruzados derrotaram os turcos, na Primeira Cruzada, “eles mataram, saquearam e escravizaram muitos prisioneiros”[41]. Pirenne afirma que “o mesmo que os muçulmanos no passado praticavam concernente aos escravos cristãos, os escravos mouros capturados na Espanha lhe proporcionavam um dos objetos de seu tráfico”[42].

Outro fator importantíssimo que os revisionistas desonestos se esquecem de lembrar é que boa parte dos escravos que os muçulmanos possuíam vinham dos próprios cristãos, que negociavam e comercializavam escravos com eles. Brooke diz que eram “particularmente ativas as rotas que conduziam desde os países dos eslavos, que deram lugar em quase todos os idiomas europeus à palavra ‘escravos’, à Espanha muçulmana e ao mundo mediterrâneo em geral”[43].

Os venezianos também exportavam escravos e escravas aos muçulmanos, como nos conta Pirenne:

Os venezianos exportavam em torno dos haréns da Síria e do Egito jovens escravas que iam sequestrar ou comprar na costa dálmata, e esse comércio de ‘escravas’ contribuiu provavelmente a sua incipiente prosperidade, da mesma forma que o tráfico negreiro do século XVII contribuiu a numerosos mercadores da França e da Inglaterra.[44]

E Tornell sublinha:

[Os senhores feudais] em muitos casos eram verdadeiros latrocínios, ou descaradamente saíam de seus castelos para assaltar os ricos, ou participavam da ganância dos salteadores de caminhos, a quem protegiam em seus crimes. Os viajantes eram sequestrados e vendidos como escravos, ou eram retidos para seu resgate, e os venezianos compravam os luxos da Ásia provendo de escravos os mercados dos sarracenos.[45]

Qual era a posição da Igreja em relação a isso? Brooke escreve:

A Igreja proibia a escravidão de cristãos e pregava que sua alforria era uma boa obra. Isso não obrigava aos possuidores de escravos a dar-lhes a liberdade, e ainda menos impedia que um cristão vendesse um pagão a outro pagão.[46]

Embora ela considerasse louvável a libertação de um escravo cristão, ela “não se elevou contra a servidão em si mesma”[47]. Era comum os padres possuírem escravos em seus mosteiros, e a escravidão corria à solta debaixo do nariz do papa, que nunca empregou esforços efetivos para acabar com isso, como fez para conter as “heresias” através do Santo Ofício da Inquisição. Um abade de Vézelay dizia acerca de um de seus servos: “Ele me pertence, desde a planta dos pés ao cimo da cabeça”[48].

Alguns famosos senhores de escravos viraram até santos, como é o caso de São Domingos de Silos, considerado o “temido dos mouros”, porque em seu monastério possuía escravos muçulmanos que em certo momento escaparam, mas ele os perseguiu até recuperá-los[49]. Como que uma sociedade dessas encontraria moral para perseguir os muçulmanos por causa da escravidão árabe? Seria um paradoxo e tanto. Ademais, entre os povos muçulmanos os escravos possuíam mais dignidade do que entre os cristãos, chegando até mesmo a se tornarem chefes de exército, enquanto os servos e escravos cristãos não podiam nem se inscrever no exército:

Esse homem providencial é um antigo escravo, o que, para os emires turcos, não representa nada de degradante. Os príncipes seldjúcidas têm com efeito o hábito de designar seus escravos mais fiéis e mais dotados para postos de responsabilidade. Os chefes do exército são frequentemente escravos. mamelucos, e sua autoridade é tal que nem precisam ser oficialmente alforriados. Antes que esteja concluída a ocupação franca, todo o Oriente muçulmano será dirigido por sultões mamelucos. Já em 1098, os homens mais influentes de Damasco, do Cairo e de várias outras metrópoles são escravos ou filhos de escravos.[50]

Em suma, a alegação de que as Cruzadas foram necessárias por causa da escravidão muçulmana é coisa de revisionista picareta e sem vergonha. A esmagadora maioria do povo cristão no Ocidente era constituída por servos e escravos, os próprios cristãos comercializavam escravos com os muçulmanos e possuíam também seus escravos mouros prisioneiros de guerra. Se o ocidente queria acabar com a escravidão, deveria ter começado consigo mesmo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

- Extraído do meu livro: "Cruzadas - O Terrorismo Católico".

Por Cristo e por Seu Reino,


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[1] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 167.
[2] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 11-12.
[3] PIRENNE, Henri. Historia económica y social de la Edad Media. 1ª ed. México: Fondo de Cultura Económica, 1939, p. 16.
[4] ibid.
[5] ibid.
[6] PERNOUD, Régine. O mito da Idade Média. Portugal: Publicações Europa-América, 1977, p. 79.
[7] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 43-44.
[8] ibid, p. 168.
[9] BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. 2ª ed. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 268.
[10] ibid.
[11] ibid.
[12] ibid.
[13] ibid.
[14] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 44.
[15] ibid.
[16] ibid.
[17] ibid.
[18] BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. 2ª ed. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 270.
[19] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 39.
[20] BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. 2ª ed. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 271.
[21] ibid.
[22] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 110.
[23] ibid.
[24] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 39.
[25] ibid, p. 41.
[26] ibid.
[27] ibid.
[28] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 265-266.
[29] ibid, p. 83.
[30] ibid, p. 43.
[31] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 112.
[32] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 169.
[33] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 656.
[34] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 84.
[35] FOURQUIN, Guy. Senhorio e Feudalidade na Idade Média. São Paulo: Edições 70, 1970, p. 171.
[36] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 83.
[37] ibid, p. 84.
[38] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 84.
[39] ibid, p. 111.
[40] ibid, p. 111.
[41] MAALOUF, Amin. As Cruzadas Vistas Pelos Árabes. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001, p. 29.
[42] PIRENNE, Henri. Historia económica y social de la Edad Media. 1ª ed. México: Fondo de Cultura Económica, 1939, p. 29.
[43] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 83.
[44] PIRENNE, Henri. Historia económica y social de la Edad Media. 1ª ed. México: Fondo de Cultura Económica, 1939, p. 20.
[45] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 630.
[46] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 84.
[47] BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. 2ª ed. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 272.
[48] Apud BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. 2ª ed. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 278.
[49] FRANCO, Hilário. Peregrinos, Monges e Guerreiros – Feudo-Clericalismo e Religiosidade em Castela Medieval. São Paulo: Editora Hucitec, 1990, p. 73.
[50] MAALOUF, Amin. As Cruzadas Vistas Pelos Árabes. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001, p. 37-38.

13 comentários:

  1. É verdade que os padres aprendem que Genesis nao é literal e que existem coisas nos evangelhos que sao falsas?
    Agradeço desde já sua resposta :3

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    1. Depende da onde que eles estudaram, assim como no meio evangélico no meio católico também há seminários liberais e ortodoxos, muitos dos mais conhecidos teólogos liberais são católicos e de fato não creem que o Gênesis é literal e veem falhas nos evangelhos e tudo mais.

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  2. Lucas , Agostinho cria na sola fide ? Em seus escritos ele parece se contradizer primeiro ele defende que o batismo é NECESSÁRIO para a salvação mais depois me parece que ele defende a doutrina da imputação e fala sobre a fé de uma forma espetacular. Qual é era a real postura de AGOSTINHO pode me esclarecer e citar os escritos dele para comprovar ? Paz e Graça

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    1. O Bruno Lima vai fazer em breve um artigo sobre os Pais da Igreja e a Sola Fide e postar no blog dele (http://respostascristas.blogspot.com.br), quando ficar pronto eu aviso.

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    2. Nosso amigo anônimo basicamente respondeu a própria pergunta. Agostinho foi de fato inconsistente a respeito. Em alguns momentos, ele parece defender um conceito de salvação somente pela graça mediante somente a fé, mas em outros escritos ele defenda a necessidade do batismo e de boas obras para salvação.

      Isso fica ainda mais confuso pelo fato de ele ter passado a defender a eleição incondicional. Quanto à justificação, ela a via como um processo e não como uma declaração legal. Alistar Macgrath tratou disso no seu livro Iustitia Dei. Agostinho interpretou errado o termo grego "dikaioô" como significando "tornar justo".

      Para mais detalhes sobre Agostinho e a justificação - recomendo esse artigo em inglês:

      http://beggarsallreformation.blogspot.com.br/2006/08/alister-mcgrath-on-augustine-and.html

      A minha série sobre a Sola Fide nos pais da igreja pode ser vista nos links abaixo:

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/justificacao-somente-pela-fe-sola-fide.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/justificacao-somente-pela-fe-sola-fide_29.html

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  3. Lucas vc considera essa frase uma heresia? "“...A Geometria existiu e existe desde antes da Criação. É co-eterna com a mente de Deus... A Geometria forneceu a Deus um modelo para a Criação... A Geometria é o próprio Deus...” -Kepler

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    1. Claro que sim. E é necessário averiguar se Kepler disse isso mesmo, a internet está cheia de citações soltas bem pouco confiáveis.

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    2. Vou pesquisar, vi essa no kd frases.

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    3. Bem, n encontrei em nenhum material acadêmico, mas parece que a frase realmente foi dita por ele. Deus tenha piedade da alma dele.

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  4. Lucas, vc afirma: "a escravidão corria à solta debaixo do nariz do papa, que nunca empregou esforços efetivos para acabar com isso". Na antiguidade havia escravidão, e a Bíblia é mais enfática contra as heresias que contra a escravidão. Como vc critica a postura da Igreja na Idade Média quanto a isso, explique o que acontecia na escravidão da antiguidade, e o que as Escrituras do Novo Testamento testemunham quanto ao problema escravidão e heresia. A Igreja não possuía na antiguidade o mesmo poder temporal que possuiu no período que tinha acima. Mas, no que se refere à pregação contra a escravidão, qual a diferença?

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    1. Escrevi sobre a escravidão no AT e no NT aqui:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/07/a-biblia-e-escravidao.html

      Os cristãos no tempo do NT não tinham como acabar com a escravidão, porque isso estava acima da capacidade deles. Por isso eles minavam a escravidão sob o princípio de que todos os homens tem valor igual diante de Deus e por isso merecem respeito e dignidade. Foi com base nesses princípios cristãos que homens como John Wesley, William Wilberforce e Abraham Lincoln acabaram com a escravidão no século XIX.

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  5. Só mais uma coisa: "A Igreja proibia a escravidão de cristãos e pregava que sua alforria era uma boa obra". Isso não é também minar a escravidão sob um princípio? Sabe-se que a Igreja não consegue mudar a sociedade como bem entende.

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    1. Proibia a escravidão DE CRISTÃOS, mas não via nada de errado com a escravidão de não-cristãos. Isso não é minar a escravidão em si, apenas uma forma de escravidão (a cristã). E a Igreja no ápice do seu poder poderia sim ter acabado com a escravidão caso quisesse, ela tinha todo o poder necessário para isso. Por séculos o papa tinha mais poderes que os reis e os imperadores, e a Igreja era riquíssima e tinha dinheiro o suficiente para bancar qualquer "cruzada" contra a escravidão, mas preferia combater "hereges", "bruxas", protestantes, judeus e muçulmanos em vez de unir forças para acabar com alguma coisa realmente ruim.

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