24 de fevereiro de 2016

O que dez historiadores com PhD têm a nos dizer sobre a Inquisição


O vândalo mais conhecido como o saco de pancadas oficial do protestantismo postou no lixão que ele chama de “site” um artigo onde faz questão de dizer que um “PHD” desmentia os “mitos” sobre a Inquisição. Como todos já sabem, se trata apenas de mais um palpiteiro metido a historiador revisionista, que em função de seu fanatismo católico tenta mudar a realidade histórica já consumada em todos os livros de história e em todos os trabalhos acadêmicos. Mas para refutar o fanático católico revisionista eu não vou me rebaixar ao ponto de citar apenas 1 PhD. Isso seria vergonhoso demais para quem está do lado da verdade. Em vez disso, citarei aqui dez historiadores com PhD, para ver o que eles têm a nos dizer sobre essa instituição tão boazinha, tão maravilhosa, tão bonitinha, tão, tão... fiquei sem palavras agora. Confiram comigo.


1º Juan Brom

“Nesta época se estabelece a Inquisição, para investigar e castigar todo desvio de dogmas religiosos (heresia); geralmente esteve confiada aos dominicanos. Não perseguia somente a pessoas pecadoras, mas também tinha em seu encargo o índex, a lista de livros proibidos. Sua ação freava muito o desenvolvimento do pensamento e dava lugar a frequentes abusos e delações. Seu método era a investigação por meio do tormento, igual o que faziam os tribunais civis” (BROM, Juan. Esbozo de historia universal. 21ª ed. México: Grijalbo, 2004, p. 113)

“A inquisição se encarga de castigar todo intento de passar por cima de tão rigorosos limites, e dificulta com ela extraordinariamente o progresso da ciência e das atividades intelectuais” (BROM, Juan. Esbozo de historia universal. 21ª ed. México: Grijalbo, 2004, p. 115)


2º Jacques Heers

“A repressão, conduzida inicialmente pelos tribunais ordinários dos bispos, foi, a partir de 1229, confiada aos tribunais especiais da Inquisição, ofício novo criado por Gregório IX. A Inquisição pune duramente, utilizando todos os procedimentos policiais da época e de todos os tempos – forçando confissões através de torturas, como todas as cortes de justiça de então. A história retém até aqui, principalmente, os abusos e os escândalos dos interrogatórios e das condenações; muitos deles provocaram a intervenção de Roma e também, por vezes, revoltas populares, sobressaltos de indignação espontâneos: dois juízes foram massacrados perto de Tolouse, em 1242” (HEERS, Jacques. História Medieval. 1ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1974, p. 153)


3º Jacques Le Goff

“A inquisição, que faz estragos em quase toda a Cristandade, persegue inocentes e culpados, impõe o terror e, com a ajuda dos poderes públicos submissos ao papado, levanta fogueiras e enche as prisões” (LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 238)


4º Ricardo Vera Tornell

“Torquemada, rígido e fanático, procedeu com extrema dureza ao Santo Ofícia durante o tempo que o dirigiu (até 1491). Tal odiosidade chegou a inspirar que a rainha Isabel teve que dispor que lhe acompanhasse uma guarda de soldados que custodiasse sua pessoa. As origens dos processos demandavam de denúncias confidenciais, e muitas vezes os réus eram queimados vivos depois de infamados, chamando-se a cerimônia de sua execução auto da fé. O Tribunal do Santo Ofício foi um poderoso instrumento em mãos dos soberanos espanhois, porque seu emprego, ainda que com fins religiosos, redundavam em proveito do poder real, tanto para reduzir a nobreza, como pelo enriquecimento que o Tesouro proporcionava às confiscações de bens dos condenados. O temor que inspirava a inquisição era tão grande que aos autos de fé assistiam, como uma festa, desde os reis (quando eram efetuados na Corte) até as últimas personalidades oficiais e da nobreza, incorrendo em suspeita qualquer personagem indicado que não comparecesse ao ato. Perseguiam também as publicações que reputavam heréticas (que eram também queimadas) e a seus autores, fosse qualquer seu estado ou qualidade” (TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo II. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 48)


5º Jean Duché

“Torturar um suspeito para obter sua confissão era lhe fazer um favor. Inocêncio IV autorizou a tortura nos casos extremos, e uma só vez; os inquisidores concluíram disso que uma só vez por cada interrogatório. Com o chicote, o fogo, a permanência prolongada no fundo de uma masmorra, assando os pés do acusado com carvões ardendo, amarrando-o sobre um aparato de tortura e separando-o docilmente os membros do corpo com a ajuda de uma tesoura..., tinha que ser o diabo para não obter uma confissão. Certo que o tribunal, em sua sabedoria, sabia que as confissões assim tiradas não tinham valor; e esta dificuldade se remediava fazendo com que o acusado as confirmasse três horas depois, bem entendido que, se se retratasse, poderia voltar a recomeçar a coisa. Esses entravam em um ciclo perpétuo, e aos que se obstinavam em negar e estavam convencidos, e aos que haviam confessado seu erro mas haviam recaído nele, os relapsos, o tribunal os entregava ao braço secular para sua execução, recordando que a Igreja tinha horror a todo derramamento de sangue. Por isso os queimavam: assim o sangue não corria; na Espanha esta cerimônia se chamava um ato de fé, auto da fé” (DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 527)

“Seus bens eram confiscados, seus herdeiros deserdados – salvos da heresia – os filhos não podiam aspirar nenhuma função nem dignidade, se antes não haviam expiada os pecados de seus pais denunciando a outros heréticos. Os bens confiscados iam por uma parte aos poderes locais, e por outra parte à Igreja. Na Itália, uma terceira parte correspondia ao denunciante, e na França ia tudo para a coroa. Isso era tão interessante, que se chegou a julgar pessoas que já haviam morrido para confiscar os bens dos herdeiros sob o pretexto de que seu avô havia morrido em estado de heresia. Um bispo de Rodez se vangloriava de haver ganhado 100.000 moedas de ouro em uma só campanha contra os hereges de sua diocese” (DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 527)


6º Lina Gorenstein

“Da maneira como estava construída a máquina inquisitorial, o réu era smpre culpado. Devia assumir a culpa, pedir misericórdia e tinha que confessar o que os inquisidores queriam ouvir: que cometera o crime. Assim, milhares de cristãos-novos foram condenados inocentemente” (GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo. 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 200, p. 17)

“Muitos marranos perderam suas vidas não porque eles secretamente continuaram a sua vida religiosa judaica, ou expressavam uma fé sincrética, mas porque eles eram judeus, exatamente como milhares de judeus perderam suas vidas no século XX, não por razões religiosas, mas simplesmente porque eram judeus” (GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo. 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 200, p. 20)


7º Yara Monteiro

“A prisão de um dos membros de uma sociedade, em geral, significava a prisão dos demais, o confisco e, assim, a falência da sociedade. Dessa forma, quando a Inquisição lançava-se contra um membro de um grupo de comerciantes, aquela sociedade já estava condenada ao desaparecimento como empreendimento econômico. Mesmo que algum dos membros do grupo continuasse livre, não teria condições materiais para continuar seu negócio em virtude dos confiscos realizados, posto que delapidavam perigosamente o capital existente. Por outro lado, quando a notícia vinha a público, ninguém mais dava crédito a um grupo que estivesse em risco de desaparecer ou de ter seu capital indisponível” (MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 93-94)

“Um outro elemento a ser considerado é o dos membros dessa sociedade fazerem negócios entre si e, por vezes, associarem seus capitais a um empreendimento maior. Nesses casos, como era de praxe, ao ser realizado a prisão, havia o sequestro dos bens do acusado e, com isso, os compromissos financeiros a pagar e a receber. Os bens que estivessem sob sua guarda se tornariam indisponíveis, passando a gerência do patrimônio a ser de responsabilidade do Santo Ofício. Com isso, ocorria uma espécie de operação ‘em cascata’, na qual diversas outras sociedades comerciais e/ou negócios em comum eram prejudicadas” (MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 94)

“As prisões ocorridas provocaram a quebra do único banco da cidade, pertencente a Juan de La Cova, conforme demonstra a carta redigida pela Audiência em 1636: ‘Estaba la tierra lastimada con la quiebra del banco, de que dimos raços a V. A. el año pasado’. Os confiscos realizados geraram problemas que extrapolaram a praça comercial de Lima, uma vez que os comerciantes portugueses presos mantinham relações de comércio com diferentes regiões da América espanhola e que, com os sequestros e confiscos, muitos dos compromissos pendentes ficavam sem garantia de serem cumpridos” (MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 95)

“A situação adquiriu tal dimensão que as próprias autoridades reconheceram o quanto as prisões e os sequestros de bens realizados pela Inquisição foram danosos para o comércio, visto que se reportam a essa época como: ‘[...] con la ocasión de las haciendas que se han embargado, há quedado tan enflaquecido el comercio que apenas pueden llevar las cargas ordinarias’[1]  (MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 96)

“A prisão de apenas um membro de uma sociedade comercial significava o fim dos negócios, pois na sequencia ocorria a fuga e/ou prisão de todos os demais sócios, além do confisco dos bens. Muitas vezes, os próprios livros comerciais apreendidos serviam como ‘provas’ suficientes para que ocorressem novas prisões” (MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 96-97)


8º Alexandre Herculano

“Prendiam-se alguns indivíduos antes de denunciá-los: depois é que se tratava de lhes achar culpa. Para isto recorria-se não raro aos escravos e criados que, conduzidos ao tribunal, quando de bom grado não queriam acusar seus senhores, eram a isso compelidos pelo terror. Outras vezes chamavam-se inimigos rancorosos dos presos e lisongeiavam-se com a perspectiva de tirarem, pelos seus depoimentos, completa vingança dos próprios agravos. Até as confissões auriculares serviam para inspirar às testemunhas o que deviam dizer, ao passo que se negavam papel e tinta aos encarcerados para comunicarem com as pessoas que se interessavam na sua sorte, e quando se tratava de atos judiciais em que os réus tinham de escrever alguma coisa, dava-se-lhes o papel numerado e rubricado pelo notário da Inquisição, examinando-se atentamente antes de se expedir” (HERCULANO, Alexandre. História da origem e estabelecimento da inquisição – Tomo III. São Paulo: Editora Paulo de Azevedo, 2009, p. 139-140)


9º Luiz Nazario
  
“Os nazistas, porém, não inventaram nesses mecanismos de terror psicológico. Eles antes os adaptaram ao espaço urbano modificado pelos modernos meios de comunicação e transporte do século XX. A humilhação pública possui uma história, e seus métodos foram desenvolvidos com o máximo rigor nos autos da fé promovidos pela Inquisição, desde tempos medievais, e que atingiram a plenitude de sua forma entre os séculos XVI e XVIII, na Península Ibérica, em espetáculos de massa que inauguraram uma estética totalitária” (NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 17-18)

“Em 1491, os inquisidores ainda forjaram um caso de ‘crime ritual’ envolvendo um certo Santo Niño de la Guardia, evento que causou tal comoção que, no dia 31 de março de 1492, os reis católicos decretaram a expulsão de todos os judeus dos reinos de Espanha ‘para que jamais retornassem’, édito seguido, dez anos mais tarde, pelo da expulsão dos muçulmanos” (NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 60)

“Quando, após o édito de expulsão da Espanha, 120 mil judeus refugiados chegaram a Portugal em 1492, foram acolhidos com violência pela população. Instalados em cabanas nas fronteiras, passaram fome e conheceram, em 1493, uma medita inédita em sua crueldade: por ordem de D. João II, o Príncipe Perfeito, cerca de 2 mil crianças de 2 a 10 anos, filhos daqueles refugiados, foram transportadas para as ilhas de São Tomé, para morrer de fome ou trucidadas por animais selvagens” (NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 63)

“Reunidos em três portos para embarcar, os judeus foram arrastados pelos cabelos às Igrejas e batizados entre pancadas. Diante de tal violência, muitos judeus preferiram matar os próprios filhos e suicidar-se” (NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 63)

“O suspeito ‘suficientemente torturado’ era aquele que recebia tormentos de gravidade comparável à gravidade dos indícios, sem confessar. O ‘máximo justo’ era duas séries completas de torturas durante 15 dias, um instrumento diferente por dia. O potro e a polé eram as torturas mais empregadas. O potro era uma mesa de ripas onde o paciente, depois de amarrado nas pernas e braços, tinha as carnes cortadas pela pressão das cordas arrochadas. A polé suspendia a vítima, com pesos nos pés, deixando-a cair bruscamente sem tocar no chão; ela no mínimo acabava com os ossos quebrados” (NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 80)


10º Michael Baigent

“A maioria das formas de tortura – instrumentos preferidos como o ecúleo, o saca-unhas, o strappado e a tortura da água – evitavam o deliberado derramamento de sangue. Aparelhos desse tipo parece terem sido idealizados para causar o máximo de dor e o mínimo de sujeira” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 45)

“A Inquisição logo criou uma metodologia de intimidação e controle de impressionante eficiência – tanto que se pode ver nela uma precursora da polícia secreta de Stalin , da SS e da Gestapo nazistas” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 47)

“Mesmo o mais brando dos castigos, a penitência, às vezes era severo. A mais leve penalidade – imposta àqueles que voluntariamente se apresentavam durante o ‘período de graça’ e confessavam – era a chamada ‘disciplina’. Até onde permitia a decência (e o clima), o herege confesso era obrigado todo domingo a despir se e aparecer na igreja carregando uma vara. Num determinado ponto da missa, o padre o açoitava com entusiasmo perante toda a congregação reunida” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 48)

“O castigo não terminava aí, porém. No primeiro domingo de cada mês, o penitente era obrigado a visitar toda casa em que se encontrara com outros hereges e, em cada uma, era de novo açoitado. Nos dias santos, além disso, exigia-se que o penitente acompanhasse toda procissão solene pela cidade e sofresse mais açoites. Essas provações eram infligidas à vítima pelo resto da vida, a menos que o Inquisidor, que há muito haveria partido, voltasse, se lembrasse dele e o liberasse da sentença” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 48)

“O tradicional escrúpulo eclesiástico sobre derramamento de sangue permaneceu em vigor. Em conseqüência, instrumentos de ponta e de lâmina continuaram a ser evitados em favor do ecúleo, saca-unhas e outros aparelhos que só faziam correr sangue, por assim dizer, incidentalmente. As tenazes e outros brinquedos como estes eram sombrios. Rasgar a carne com tenazes era bastante sangrento. Se estivessem em brasa, porém, o metal aquecido cauterizava imediatamente o ferimento e estancava o fluxo de sangue. Sofismas desse tipo eram aplicados à duração e frequência da tortura” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 52)

“Pela lei civil, os médicos, soldados, cavaleiros e nobres não estavam sujeitos a tortura e gozavam de imunidade. A Inquisição decidiu democratizar a dor e pô-la facilmente à disposição de todos, independente de idade, sexo e posição social” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 51)

“A princípio, o acusado só podia ser torturado uma vez, e por não mais de trinta minutos. Os Inquisidores logo começaram a contornar essa restrição afirmando que só havia de fato uma aplicação de tortura, e que cada um dos trinta minutos posteriores era apenas uma continuação da primeira. Alternativamente, um suspeito podia ser torturado pela resposta a um único ponto específico, e as respostas a um segundo ou terceiro pontos justificavam as sessões de tortura a mais. Há copiosos registros de indivíduos torturados duas vezes por dia durante uma semana ou mais” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 51)

“Na prática, o acusado era torturado até se dispor a confessar o que, mais cedo ou mais tarde, quase inevitavelmente fazia. Nesse ponto, carregavam-no para um aposento adjacente, onde se ouvia e transcrevia a sua confissão. Liam-lhe então a confissão e perguntavam-lhe formalmente se era verdade. Se ele respondesse na afirmativa, registrava-se que sua confissão fora ‘livre e espontânea’, sem influência de ‘força ou medo’. Seguia-se a sentença” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 52-53)

“Os Inquisidores também reconheciam que alguns hereges podiam ser zelosos em seu anseio por um martírio tão rápido quanto possível ‘e não fazia parte do prazer do Inquisidor satisfazê-los’. Nesses casos, empregavam-se tempo e considerável dor para afastar a paixão pelo martírio. As vítimas recalcitrantes eram em conseqüência submetidas a provações mais prolongadas e atenuadas. Recomendava-se oficialmente que fossem mantidos numa masmorra, em confinamento solitário, por pelo menos seis meses, muitas vezes por um ano ou mais” (BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 53)

Lembrem-se: para cada pseudo-historiador revisionista citado pelos apologistas católicos embusteiros, existem pelo menos uns duzentos historiadores sérios que ressaltam a crueldade, desumanidade e intolerância que foi essa instituição assassina a serviço da Igreja Assassina. Não sejam ingênuos ao ponto de se deixar convencer por meia dúzia de lobos revisionistas. Quem está do lado da verdade pode bem mais que isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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[1] Carta da Audiência, 1636.

47 comentários:

  1. Lucas meu querido da uma olhada nisso que Paulo porcão publicou, tu já ouviu falar disso aí? Abraços!

    O QUE É A KU KLUX KLAN ?
    A KKK é um movimento protestante norte-americano que perseguia e matava negros, judeus, Latinos, asiáticos e Católicos. Essa organização apoia a supremacia branca e o protestantismo (é também conhecida como WASP).
    WASP é o acrônimo que em inglês significa (WHITE, ANGLO, SAXON AND PROTESTANT), branco, anglo, saxão e protestante.
    Paulo Leitão De Gregorio


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    1. A Ku Klux Klan é tão "protestante" quanto o padre Pinto é "católico". Simplesmente se dizer algo não te torna isso. Para ser protestante é necessário crer nos credos mais elementares da Reforma, cujos princípios fundamentais abrangem o fato de que todos os homens são iguais perante Deus. A KKK não aceita isso e, portanto, não pode ser protestante, independentemente do que eles dizem ser. O fato de eles queimarem igrejas protestantes de negros também prova que eles não tem nada de protestantes, são apenas radicais racistas espalhando um discurso de ódio e intolerância. Se qualquer um que diz ser algo é mesmo este algo, então Hitler era católico, já que publicamente ele se dizia católico (embora fosse ateu na verdade).

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    2. Excelente argumentação! Obrigado pelo esclarecimento.
      Paz....

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  2. Respostas
    1. Não consegui :'(

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    2. Lucas, o que você acha quando eu posto "first" aqui, você não gosta, você se incomoda, ou você acha engraçado

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    3. Se você não gostar, ou se incomodar, eu paro

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    4. Eu acho engraçado, principalmente quando você posta First sem ser o primeiro =)

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  3. Lucas esse texto de Cipriano é forjado também:´´É verdade que os demais [apóstolos] eram o mesmo que Pedro, mas o primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só igreja e uma só cátedra´´(Unidade da Igreja 4:9).

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    1. O texto é verdadeiro, mas vale lembrar que para Cipriano TODOS os bispos eram sucessores de Pedro, e não apenas o bispo romano:

      http://www.e-cristianismo.com.br/historia-do-cristianismo/pais-apologistas/cipriano-de-cartago-e-a-catedra-de-pedro.html

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  4. Lucas, n sei se vc conhece um aplicativo de celular chamado SimSimi, mas caso vc digite 'lucas banzoli' o app te responde "Sim. Ensinou o astronauta a pensar huehuhe"

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    1. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

      Não conhecia, mas fiquei fã do aplicativo :)

      Ele quase disse a verdade. Infelizmente, o astronauta continua sem a capacidade de pensar :(

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    2. Ele não pode pensar. Ele foi torturado pelo catolicismo romano: lhe furaram os olhos, ele não enxerga mais.

      Além disso, lhe deram de beber do vinho babilônico católico romano. Ele está embriagado, não consegue se manter de pé, não tem lucidez. Só escreve bêbado!



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    3. Bem ressaltado. É um cego guiando outros cegos.

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  5. Mas então Cipriano errou ao dizer isso ? Na cabeça dele Pedro era chefe dos apóstolos e de todos os bispos das demais igrejas ? Ou seja, esses textos servem pro catolico se gabar com cipriano.

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    1. Não, pelo contrário. A tese católica é que Pedro era o primaz e que essa primazia passou por sucessão apostólica apenas e exclusivamente aos bispos romanos, para liderar sobre os demais bispos. Já a tese de Cipriano é o contrário: a primazia de Pedro passa a TODOS os bispos da Igreja, romanos ou não. A Igreja, para Cipriano, está sustentada sobre os bispos (todos eles). Isso é justamente o inverso do apelo dos apologistas católicos.

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  6. A ideia de que haja vida inteligente fora do Planeta Terra é anticristã?

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    1. Não chega a ser "anticristã", mas também não é "cristã". A Bíblia simplesmente se silencia sobre isso.

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    2. Então a bíblia n fala sobre o Messi ? Kkkkkk

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  7. Você crê que os dinossauros existiram?

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    1. Sim, inclusive no artigo abaixo eu mostro provas da coexistência de humanos e dinossauros:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/04/evidencias-da-coexistencia-de-humanos-e.html

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  8. Você já viajou pra outros países?

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  9. Lucas, você pode me dá uma explicação para Felipenses 1.21,23.É que o pastor Rinaldi e sua esposa faleceram e colocam esse versículo. Por favor Obrigado.

    Marcos Monteiro

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    1. Veja aqui:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/partir-e-estar-com-cristo.html

      Abs.

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  10. Lucas, tenho uma ideia de "post", que você poderia fazer de tempos em tempos. Seria você pegar os comentários mais idiotas que te mandam aqui no blog, tirar print, e quando tiver bastantes, fazer um post de zueira, mostrando esses comentários. O que acha?
    :)

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    1. Já existe algo parecido na série sobre os zumbis tridentinos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/08/como-funciona-o-mundo-na-cabeca-de-um.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2016/01/como-funciona-o-mundo-na-cabeca-de-um.html

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  11. Do ponto de vista cristão, é preferível formar uma família numerosa (com 8, 9, ou 10 filhos, por exemplo) a optar por poucos filhos ou um filho único?

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    1. Levando em consideração a superpopulação mundial, é preferível ter poucos filhos (dois ou três no máximo). A quantidade grande de filhos era tida quando o mundo ainda não era tão povoado e precisava ser (na época dos patriarcas, por exemplo).

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  12. É lícito a um evangélico comparecer a um evento realizado em uma Igreja Católica (como um casamento, por exemplo)?

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  13. Você é fluente em quais idiomas?

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    1. Além do português só o espanhol, por conversar diariamente com latinos há mais de cinco anos. Ainda estou aprendendo o inglês, mas não sou fluente neste idioma ainda.

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  14. Mais um trabalho excelente Lucas. Tenho duas perguntas a fazer off-topic: 1) Estou lendo seu livro Deus um delírio, e a qualidade é muito boa, você já pensou em escrever seus livros, por exemplo, no formato p/ kindle na Amazon ou até mesmo via crowdfunding? 2) O que você sabe e acha sobre o arianismo (no sentido original dessa palavra)?

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    1. Olá, a paz.

      1) Eu já estou satisfeito com o Clube dos Autores, não acho que teria mais gente comprando se publicasse na Amazon. Além disso eu não faço a mínima ideia de como se publica um livro na Amazon :)

      2) Arianismo nega a divindade de Cristo e crê que Jesus era um anjo criado por Deus, por isso não tenho como concordar com isso.

      Abs.

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    2. Legal Lucas não sabia que você possuía livros lá no Clube dos Autores, bom saber. E sobre o arianismo foi uma dúvida pois li o termo em um livro que estou lendo, não sabia muito a respeito. Abs

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    3. Todos os meus livros na versão impressa estão lá no Clube dos Autores :)

      http://apologiacrista.com/meus-livros

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  15. O que você acha do pastor Caio Fábio? Vejo muitos reformados dizendo que ele é um herege.

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    1. O Caio Fábio infelizmente se desviou ao ir para o extremismo no qual toda a comunidade evangélica supostamente apostatou (só ele que não, é claro). Essa é uma posição radical que nega que existam ainda comunidades evangélicas que não apostataram e nem aderiram aos movimentos recentes de prosperidade e "vitória". Ele também se tornou algo próximo de um teólogo liberal, embora aparentemente ainda defenda a inspiração da Bíblia e outras coisas fundamentais. É um cara bastante inteligente, tem algumas críticas muito boas, mas não dá pra apoiar não.

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  16. Então tanto Cipriano quando a Igreja católica erraram, pois o que Cipriano disse tb é heresia, não é ?

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