A origem das doutrinas da Reforma


Você já ouviu alguém falar que as doutrinas reformadas só surgiram no 16º século, a partir de Martinho Lutero, monge alemão?

Apesar de toda falta de base histórica para se afirmar algo desse tipo, eu já vi e ouvi alguns levantarem essa bandeira. Sei que o leitor ficou perplexo ao saber dessa novidade, mas, como algumas vozes têm se levantado para afirmar isso, venho aqui contribuir para desmistificar mais essa ilusão.

Se é mesmo verdade que as doutrinas reformadas só surgiram no 16º século com Lutero, então me responda o caro leitor que Igreja era essa que existia antes de Lutero e que tinha exatamente as mesmas doutrinas reformadas?

Por exemplo:

Que Igreja era essa que rejeitava a transubstanciação? Agostinho, por exemplo, disse:

“‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós’ (Jo 6,54). Aqui, parece ser ordenada uma ignomínia ou delito. Mas aí se encontra expressão simbólica que nos prescreve comungar da paixão do Senhor e guardar, no mais profundo de nós próprios, doce e salutar lembrança de sua carne crucificada e coberta de chagas por nós”[1]

“Então, a cada um serão vida o corpo e sangue de Cristo, se o que se recebe visivelmente no sacramento se come na própria realidade espiritualmente, se bebe espiritualmente. Pois temos ouvido o próprio Senhor, dizendo: ‘O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida’ [Jo.6.63]”[2]

Entenda espiritualmente o que eu disse; não é para você comer esse corpo que você vê; nem beber aquele sangue que será derramado por aqueles que irão me crucificar. Recomendei-lhes um certo mistério; espiritualmente compreendido, vivificará. Embora seja necessário que isso seja visivelmente celebrado, contudo precisa ser espiritualmente compreendido”[3]

"O Senhor não hesitou em dizer: ‘Isto é o meu corpo’, quando Ele quis dar um sinal do Seu corpo"[4]

"Ele [Cristo] confiou e entregou aos seus discípulos a figurado Seu Corpo e Sangue"[5]

"[Os sacramentos] trazem os nomes das realidades que eles assemelham. Assim, portanto, de uma certa maneira o sacramento do corpo de Cristo é o corpo de Cristo, e o sacramento do sangue de Cristo é o sangue de Cristo”[6]

“Tomar sinais como sendo as coisas que são significadas por eles, é uma marca de fraqueza e servidão"[7]


Que Igreja era essa que negava o primado do bispo romano? Cipriano, por exemplo, disse:

“Pois nenhum de nós coloca-se como um bispo de bispos, nem por terror tirânico alguém força seu colega à obediência obrigatória; visto que cada bispo, de acordo com a permissão de sua liberdade e poder, tem seu próprio direito de julgamento, e não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro. Mas esperemos todos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único que tem o poder de nos designar no governo de Sua Igreja, e de nos julgar em nossa conduta nela”[8]

O Concílio de Niceia também nega que Roma exercesse uma jurisdição universal, ao invés de local:

“O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força”[9]


Que Igreja era essa que já rejeitava termos blasfemos como “papa universal” e “bispo dos bispos”? Gregório Magno, por exemplo, disse:

“Os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e ostensiva frase, que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o alargamento do teu reinado (...) O meu companheiro sacerdote João, pretende ser chamado bispo universal. Estou forçado a gritar e dizer: Oh tempos, oh costumes! (...) Os sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, buscam para si nomes de vanglória, e se gloriam em títulos novos e profanos (...) Quem é este que, contra as ordenanças evangélicas, contra os decretos dos cânones, ousa usurpar para si um novo nome? O teria se realmente por si mesmo fosse, se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros – ele que cobiça ser universal (...) Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai. Mas longe dos corações cristãos esteja esse nome de blasfêmia, no qual é tirada a honra de todos os sacerdotes, no momento em que é loucamente arrogado para si por um só[10]

“Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do Anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. E pelo orgulho ele é levado ao erro, pois como perverso deseja aparecer acima de todos os homens. Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes[11]

“Que dirás tu João a Cristo que é cabeça da Igreja universal no prestar de contas no dia do juízo final? Tu que te esforças de te antepor a todos os teus irmãos bispos da Igreja universal e que com um título soberbo queres pôr debaixo dos teus pés o seu nome em comparação do teu? Que vais tu fazendo com isso, senão repetir com Satanás: Subirei ao céu e exaltarei o meu trono acima dos astros do céu de Deus? Vossa fraternidade quando despreza (os outros bispos) e faz todos os esforços possíveis para os subjugar, não faz senão repetir quanto já disse o velho inimigo: Me exaltarei acima das nuvens mais excelsas (...) Possa pois tua Santidade reconhecer quanto é grande o teu orgulho pretendendo um título que nenhum outro homem verdadeiramente pio jamais se arrogou[12]

“Vossa Bem-aventurança também foi cuidadoso em declarar que não faz agora uso de títulos orgulhosos, que brotam de uma raiz de vaidade, ao escrever a certas pessoas, e se dirige a mim dizendo, «Como tu o ordenaste». Esta palavra, ordenar, lhe rogo que a afaste dos meus ouvidos, já que sei quem sou eu e quem sois vós. Pois em posição sois meus irmãos, em caráter meus pais. Eu não ordenei, então, mas estava desejoso de indicar o que me parecia ser benéfico. Contudo, não acho que Vossa Bem-aventurança tenha estado disposto a recordar perfeitamente esta mesmíssima coisa que trago à sua memória. Pois eu disse que nem a mim nem a mais ninguém devia escrever alguma coisa do gênero; e eis que no prefácio da epístola que me dirigiu a mim que me recuso a aceitá-lo, considerou apropriado fazer uso de um apelido orgulhoso, chamando-me Papa Universal. Mas rogo à sua dulcíssima Santidade que não volte a fazer tal coisa, já que o que é concedido a outro para lá do que a razão exige é subtraído de você mesmo. Pois, quanto a mim, não busco ser prosperado por palavras, mas pela minha conduta. Nem considero uma honra aquilo pelo qual sei que meus irmãos perdem a honra deles. Pois a minha honra é a honra da Igreja universal; a minha honra é o sólido vigor dos meus irmãos. Então sou verdadeiramente honrado quando não é negada a eles a honra devida a todos e cada um. Pois se Vossa Santidade me chama a mim Papa Universal, nega que seja você o que me chama a mim universalmente. Mas longe esteja isto de nós. Fora com as palavras que inflam a vaidade e ferem a caridade[13]


Que Igreja era essa que já batizava por imersão? Cirilo de Jerusalém, por exemplo, disse:

“Depois disto fostes conduzidos pela mão à santa piscina do divino batismo, como Cristo da cruz ao sepulcro que está à vossa frente. E cada qual foi perguntado se cria no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E fizestes a profissão salutar, e fostes imersos três vezes na água e em seguida emergistes, significando também com isto, simbolicamente, o sepultamento de três dias de Cristo. E assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra , do mesmo modo vós, com a primeira imersão, imitastes o primeiro dia de Cristo na terra, e com a imersão, a noite. Como aquele que está na noite nada enxerga e ao contrário o que está no dia tudo enxerga na luz, assim vós na imersão, como na noite, nada enxergastes; mas na emersão, de novo vos encontrastes no dia”[14]


Que Igreja era essa que já rejeitava a imortalidade da alma? Justino de Roma, por exemplo, disse:

"Além disso, eu indiquei-lhe que há alguns que se consideram cristãos, mas são ímpios, hereges, ateus, e ensinam doutrinas que são em todos os sentidos blasfemas, ateístas e tolas. Mas, para que saiba que eu não estou sozinho em dizer isso a você, eu elaborarei uma declaração, na medida em que puder, de todos os argumentos que se passaram entre nós, em que eu devo registrá-las, e admitindo as mesmas coisas que eu admito a você. Pois eu opto por não seguir a homens ou a doutrinas humanas, mas a Deus e as doutrinas entregues por Ele. Se vós vos deparais com supostos Cristãos que não façam esta confissão, mas ousem também vituperar o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, e neguem a ressurreição dos mortos, sustentando antes, que no ato de morrer, as suas almas são elevadas ao céu, não os considereis Cristãos. Mas eu e os outros, que somos cristãos de bem em todos os pontos, estamos convictos de que haverá uma ressurreição dos mortos, e mil anos em Jerusalém, que será construída, adornada e alargada, como os profetas Ezequiel e Isaías e outros declaram"[15]


Que Igreja era essa que já rejeitava a interpretação de que a “mulher” de Apocalipse 12 era Maria? Hipólito de Roma, por exemplo, disse que era a Igreja:

“Sobre a tribulação da perseguição que deve cair sobre a Igreja por parte do adversário, João também assim fala: ‘E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. (...) Pela ‘mulher vestida de sol’ ele tinha em vista a Igreja, vestida com a palavra do Pai, cujo brilho está acima do sol. E pela ‘lua debaixo de seus pés’, referiu-se ao fato dela está adornada como a lua, com a glória celeste. As palavras ‘uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça’ referem-se aos doze apóstolos por quem a Igreja foi fundada. E quanto as palavras ‘estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz’ , significam que a Igreja não cessará de dar a luz de seu coração ao Verbo que é perseguido pelos descrentes do mundo. ‘E deu à luz, ele diz, um filho, um varão que há de reger todas as nações’, o que significa que a Igreja sempre dá a luz a Cristo, o perfeito varão de Deus, que é declarado ser Deus e homem, que se torna o instrutor de todas as nações (...) ‘E quando, ele continua, o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o varão. E foram dadas a mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente’. Isto se refere aos mil trezentos e sessenta dias (a metade da semana) durante a qual o tirano deve reinar e perseguir a Igreja que escapa de cidade em cidade e busca esconderijo nos desertos entre os montes, possuindo nenhuma outra defesa senão as duas asas de uma grande águia, que significa, a fé em Cristo Jesus, que estendendo suas mãos sobre esta árvore sagrada, abrindo as duas asas, a esquerda e a direita, chama todos os que nele acreditaram, cobrindo-os como uma galinha e seus pintinhos. Pois pela boca de Malaquias ele diz: ‘Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas’”[16]


Que Igreja era essa que já aceitava o princípio da Sola Scriptura? Cirilo de Jerusalém, por exemplo, disse:

“Com respeito aos mistérios divinos e salvadores da fé, nenhuma doutrina, mesmo trivial, pode ser ensinada sem o apoio das Escrituras divinas... pois a nossa fé salvadora deriva a sua força, não de raciocínios caprichosos, mas daquilo que pode ser provado a partir da Bíblia[17]

"Que este selo permaneça sempre em tua mente, o qual foi agora, por meio do sumário, colocado em teu coração e que, se o Senhor o permitir, daqui em diante, será elaborado de acordo com nossas forças por provas da Escritura. Porque, concernente aos divinos e sagrados Mistérios da Fé, é nosso dever não fazer nem a mais insignificante observação sem submetê-la às Sagradas Escrituras, nem sermos desviados por meras probabilidades e artifícios de argumentos. Não acreditem em mim porque eu vos digo estas coisas, a menos que recebam das Sagradas Escrituras a prova do que vos é apresentado: porque esta salvação, a qual temos pela nossa fé, não nos advém de arrazoados engenhosos, mas da prova das Sagradas Escrituras[18]

"Mas enquanto avanças naquilo que estudas e professas, agarra-te e sustentes apenas a esta fé, que pela Igreja é entregue a ti e é estabelecida a partir de toda Escritura. Por nem todos poderem ler a Escritura, sendo uns por ignorância e outros pelos negócios da vida, o conhecimento da mesma está fora do alcance deles; assim, a fim de que suas almas não pereçam por carecerem de instrução, por meio dos Artigos, que são poucos, procuramos abranger toda a doutrina da Fé [...] E para o presente momento, confiamos a Fé à memória, meramente atentando às palavras; esperando, porém, que, no tempo oportuno, possa-se provar cada um destes Artigos de Fé pelas Divinas Escrituras. Pois os artigos de Fé não foram compostos ao bel-prazer dos homens: antes, os mais importantes pontos dela foram selecionados a partir de todas as Escrituras, forjando o único ensino da Fé. E, como a semente de mostarda em seu pequeno grão contém muitos ramos, assim também esta Fé, em umas poucas palavras, tem abrangido em seu seio o pleno conhecimento da piedade contido em ambos, Antigo e Novo Testamentos[19]

"Mas aprendendo a Fé e a professando, tenhais em mente e conservai aquilo somente que vos é agora transmitido pela Igreja e que foi estruturado fortemente nas Escrituras"[20]

“É adequado [ao citar o Credo] esperar a confirmação da Sagrada Escritura acerca e cada parte do conteúdo. Pois os artigos de Fé não foram compostos conforme pareceu bem aos homens, mas sim conforme os pontos mais importantes recolhidos de toda a Escritura, que constituem um ensino completo da fé[21]

“Vamos então falar sobre o Espírito Santo, mas do que está escrito; e tudo o que não está escrito, não vamos nos ocupar com isso. O próprio Espírito Santo falou pelas Escrituras, Ele também falou sobre Ele, tanto quanto quisesse, ou tanto quanto nós poderíamos receber. Vamos, portanto, falar as coisas que ele disse, pois tudo o que Ele não disse, não nos atrevemos a dizer...  pois se tivesse sido escrito, teríamos falado dele, mas o que não está escrito não vamos nos arriscar[22]


“Nem hoje usamos as sutilezas dos homens, o que seria inútil, mas apenas chamamos a atenção para o que vem das divinas Escrituras, porque este é o caminho mais seguro[23]


Que Igreja era essa que já cria que o homem é justificado somente pela fé e não por obras? Beda, por exemplo, disse:

“Embora o apóstolo Paulo tenha pregado que somos justificados pela fé sem as obras, aqueles que entendem por isto que não importa se levam uma vida malvada ou fazem coisas perversas e terríveis, desde que creiam em Cristo, porque a salvação é pela fé, cometeram um grande erro. Tiago aqui expõe comoas palavras de Paulo devem ser compreendidas. É por isso que ele usa o exemplo de Abraão, a quem Paulo também usou como um exemplo de fé, para mostrar que o patriarca também realizou boas obras em função da sua fé. Por isso, é errado interpretar Paulo de modo a sugerir que não importava se Abraão colocou a sua fé em prática ou não. O que Paulo queria dizer era que não se obtém o dom da justificação com base em méritos derivados de obras realizadas de antemão, porque o dom da justificação vem somente pela fé[24]


Que Igreja era essa que já rejeitava o culto às imagens? Lactâncio, por exemplo, disse:

É indubitável que onde quer que há uma imagem não há religião. Porque se a religião consiste de coisas divinas, e não há nada divino a não ser nas coisas celestiais, segue-se que as imagens se acham fora da esfera da religião, porque não pode haver nada de celestial no que se faz da terra (...) não há religião nas imagens, mas uma simples imitação de religião[25]

Epifânio chegou até mesmo a lacerar um véu com uma imagem de um santo:

“Eu encontrei um véu suspenso nas portas desta mesma igreja, o qual estava colorido e pintado, ele tinha uma imagem, a imagem de Cristo pode ser ou de algum santo; eu não recordo mais quem ela representava. Eu pois tendo visto este sacrilégio; que numa igreja de Cristo, contra a autoridade das Escrituras, a imagem de um homem estava suspensa, lacerei aquele véu[26]

E Irineu declarou:

“Denominam-se gnósticos e têm algumas imagens pintadas, outras também fabricadas com outro material, dizendo que são a imagem de Cristo feita por Pilatos no tempo em que Jesus estava com os homens. E as coroam e as expõem com as imagens dos filósofos do mundo, a saber, com a imagem de Pitágoras, de Platão, de Aristóteles e dos outros, e reservam a elas todas as outras honras, precisamente como os pagãos[27]


10º Que Igreja era essa que já cria que os irmãos de Jesus não eram primos? Eusébio, por exemplo, escreveu:

“Naquele tempo também Tiago, o chamado irmão do Senhor- porque também ele era chamado filho de José; pois bem, o pai de Cristo era José, já que estava casado com a Virgem quando, antes que convivessem des­cobriu-se que havia concebido do Espírito Santo, como ensina a Sagrada Escritura dos evangelhos -; este mesmo Tiago pois, a quem os antigos puseram o sobrenome de Justo, pelo superior mérito de sua virtude, refere-se que foi o primeiro a quem se confiou o trono episcopal da Igreja de Jerusalém[28]


11º Que Igreja era essa que já descria no preterismo e era escatologicamente futurista? Hipólito, por exemplo, afirmou:

“Mas como o tempo nos força a considerarmos de imediato a questão proposta, e quanto ao que já foi dito na introdução em relação a glória de Deus, que seja suficiente, é conveniente que tomemos as próprias Escrituras na mão, e por elas achemos o que significa e de que maneira se dará a vinda do anticristo; em que ocasião e em que tempo este ímpio se revelará; de onde e de qual tribo ele sairá; qual o seu nome; o que indica o seu número nas Escrituras; como ele obrará o erro entre os povos, reunindo-os dos confins da terra; como desencadeará a tribulação e a perseguição contra os santos; como vai se auto glorificar como Deus; qual será seu fim; como o repentino aparecimento do Senhor se mostrará no céu; como será a consumação do mundo e o que deve ser o reino glorioso e celeste dos santos, quando reinarem juntos com Cristo, e qual a punição do malvado pelo fogo”[29]

"Como essas coisas estão no futuro, e como os dez dedos da imagem são equivalentes (e muito) a democracias, e os dez chifres da quarta besta estão distribuídos entre dez reinos, olhemos o tema com mais profundidade, e consideremos estes assuntos à luz clara de uma posição pessoal. A cabeça de ouro da imagem e o leão caracterizam os babilônios; o peito e braços de prata, e o urso, representam os persas e os medos; o ventre e as coxad de bronze, e o leopardo, significa Grécia, que liderou desde os tempos de Alexandre; as pernas de ferro e a besta assombrosa e terrível são uma expressão dos romanos, os quais têm reinado até o presente; os dedos dos pés, que são metade barro e metade ferro, e os dez chifres, são emblemas de reinos que ainda surgirão; o outro pequeno chifre que surge entre eles significa o anticristo no meio deles; a pedra que esmaga a terra e traz julgamento sobre o mundo foi Cristo”[30]


12º Que Igreja era essa que rejeitava a interpretação de que a pedra de Mt.16:18 era Pedro? Agostinho, por exemplo, disse:

“Mas eu sei que em seguida expus, muito frequentemente, as palavras de Nosso Senhor: ‘Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja’, da forma seguinte: que a Igreja seria edificada sobre Aquele que Pedro confessou, dizendo: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo’. Assim Pedro (Petrus) que teria tomado o seu nome desta pedra (Petra), simbolizaria a Igreja que é construída sobre esta pedra e que recebeu as chaves do Reino dos Céus. Com efeito, não lhe foi dito: Tu és a pedra (Petra), mas: Tu és Pedro (Petrus), pois a Pedra (Petra) era o próprio Filho de Deus, Cristo. Simão Pedro, ao confessar Cristo como a Igreja inteira O confessa, foi chamado Petrus (Pedro)”[31]

“E eu te digo…’Tu és Pedro, Rochoso, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus. O que ligares na terra será ligado também nos céus; o que desligares na terra será desligado nos céus' (Mateus 16:15-19). Em Pedro, Rochoso, nós vemos nossa atenção atraída para a pedra. Agora, o apóstolo Paulo diz sobre o povo, ‘Eles bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo' (1 Coríntios 10:4). Assim, este discípulo é chamado Rochoso à partir da pedra, como cristão à partir de Cristo. Por que eu quis fazer esta pequena introdução? Para te sugerir que em Pedro a Igreja é para ser reconhecida. Cristo, você vê, construiu sua Igreja não sobre um homem, mas sobre a confissão de Pedro. Qual é a confissão de Pedro? ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo'. Lá está a pedra para você, lá está a fundação, lá está onde a Igreja tem sido construída, sobre a qual as portas do inferno não podem prevalecer[32]

“Mas quem dizeis eles que sou? Pedro respondeu, ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'. Um de muitos deu a resposta, Unidade em muitos. Então disse-lhe o Senhor, ‘Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus'. Então Ele adicionou, ‘e eu te digo'. Como se Ele tivesse dito, ‘Porque tu tens dito sobre Mim, “Tu és o Cristo o Filho do Deus vivo”; ‘Eu também te digo, “Tu és Pedro”. ‘Porque antes ele era chamado Simão. Agora este nome de Pedro foi lhe dado pelo Senhor, e em uma figura, que ele significaria a Igreja. Porque, visto que Cristo é a pedra (Petra), Pedro é o povo cristão. Porque a pedra (Petra) é o nome original. Então Pedro é assim chamado de pedra; não a pedra de Pedro, como Cristo não é chamado Cristo à partir dos cristãos, mas os Cristãos à partir de Cristo. Então', ele diz, ‘Tu és Pedro, e sobre esta Pedra', que tu tens confessado, sobre esta pedra que tu tens reconhecido, dizendo, ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, ‘eu edificarei Minha Igreja'; isto é, sobre Mim mesmo, o Filho do Deus vivo, ‘eu edificarei Minha Igreja'. Eu a edificarei sobre Mim mesmo, não Eu sobre ela[33]

“Porque a Pedra (Petra) era Cristo; e sobre este fundamento foi o próprio Pedro edificado. Porque outro fundamento não pode ser lançado além do qual já está posto, que é Cristo Jesus (1Co.3:11)”[34]

“Porque, ‘Tu és Pedro (Petrus)' e não ‘Tu és a pedra (Petra)' foi dito a ele. Mas ‘a pedra (Petra) era Cristo', em quem confessando, como também toda a Igreja confessa, Simão foi chamado Pedro”[35]

“Porque os homens que desejavam edificar sobre homens, diziam, ‘Eu sou de Paulo; e eu de Apolos; e eu de Cefas', que era Pedro. Mas outros que não desejavam edificar sobre Pedro, mas sobre a Pedra, diziam, ‘Mas eu sou de Cristo'. E quando o Apóstolo Paulo averiguou que ele foi escolhido, e Cristo desprezado, ele disse, ‘Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?' E, como não no nome de Paulo, assim nem também no nome de Pedro; mas no nome de Cristo: que Pedro deveria ser edificado sobre a Pedra, não a Pedra sobre Pedro[36]


13º Que Igreja era essa que cria que todas as tradições que envolviam doutrinas tinham que estar baseadas na Sagrada Escritura? Atanásio, por exemplo, disse:

"De acordo com a tradição passada a nós pelos Pais, eu passei essa tradição sem inventar nada estranho a ela. O que eu aprendi, eu escrevi, em conformidade com as Escrituras"[37]

E Cipriano afirmou:

De onde é aquela tradição? Ela vem da autoridade do Senhor e do Evangelho, ou ela vem dos comandos e das epístolas dos apóstolos? Pois que aquelas coisas que estão escritas devem ser feitas, Deus testemunha e admoesta, dizendo a Josué o filho de Num: “O livro desta lei não deve se afastar de tua boca; mas tu deves meditar nele dia e noite, para que tu possas observar para fazer de acordo com tudo que está escrito ali”. Também o Senhor, enviando Seus apóstolos, os ordena para que as nações sejam batizadas, e ensinadas a observar todas as coisas que Ele comandou. Se, então, é ou prescrito no Evangelho, ou contido nas epístolas ou Atos dos Apóstolos, para que aqueles que vêm de alguma heresia não devam ser batizados, mas somente as mãos sejam impostas a eles em arrependimento, que esta divina e santa tradição seja observada. Mas se em todo lugar os hereges são chamados nada mais do que adversários e anticristos, se deles se pronuncia que são pessoas a ser evitadas, e serem pervertidas e condenadas por si mesmos, porque é que não deveríamos pensar que eles sejam dignos de ser condenados, já que é evidente do testemunho apostólico que eles são de si mesmos condenados?”[38]


14º Que Igreja era essa que acreditava que Maria pecou? João Crisóstomo, por exemplo, disse:

"Nas bodas de Caná, Maria foi molesta e ambiciosa"[39] 

"Porque embora Ele tivesse cuidado em honrar a sua mãe, muito mais Ele se preocupava com a salvação da alma dela[40] 

Orígenes também disse:

"Maria pertence ao número daqueles de quem Cristo profetizou que haviam de se escandalizar nEle, como os apóstolos, ela também ficou perturbada com a catástrofe da cruz; e era necessário que pecasse assim em certa medida, para que também ela fosse remida por Cristo[41] 

Até Tomás de Aquino já sabia que “a bem aventurada virgem contraiu o pecado original"[42] .


15º Que Igreja era essa que já rejeitava os livros apócrifos? Jerônimo, por exemplo, afirmou:

"E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja"[43]

"Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de forma que nós podemos garantir que o que não é encontrado em nossa lista deve ser colocado entre os escritos Apócrifos. Portanto, asabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque [Eclesiástico], e Judite e Tobias e o Pastor [supõe-se que seja o Pastor de Hermas], não fazem parte do cânon. O primeiro livro dos Macabeus eu não encontrei em hebraico, o segundo é grego, como pode ser provado de seu próprio estilo"[44] 

“E assim há também vinte e dois livros do Antigo Testamento; isto é, cinco de Moisés, oito dos profetas, nove dos hagiógrafos, embora alguns incluam Ruth e Kinoth (Lamentações) entre os hagiógrafos, e pensam que estes livros devem contar-se por separado; teríamos assim vinte e quatro livros da Antiga Lei”[45] 

“Estas instâncias têm sido tocadas por mim (os limites de uma carta proíbem um tratamento mais discursivo deles) para convencer você de que nas Escrituras Sagradas você não pode fazer progresso a menos que você tenha um guia para mostrar a você o caminho... Gênesis ... Êxodo ... Levítico ... Números ... Deuteronômio ... Jó ... Jesus o filho de Nave ... Juízes ... Rute ... Samuel ... O terceiro e quarto livros de Reis ... Os doze profetas cujos escritos estão comprimidos nos limites de um simples volume: Oseias ... Joel ... Amós ... Obadias ... Jonas ... Miquéias ... Naum ... Habacuque ... Sofonias ... Ageu ... Zacarias ... Malaquias ... Isaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel ... Jeremias também vai quatro vezes através do alfabeto em diferentes metros (Lamentações)... Davi... canta de Cristo em sua lira; e em um saltério com dez cordas (Salmos) ... Salomão, um amante da paz e do Senhor, corrige moral, ensina natureza (Provérbios e Eclesiastes), une Cristo e a igreja, e canda uma doce canção de matrimônio para celebrar aquele santo casamento (Cântico dos Cânticos) ... Ester ... Esdras e Neemias. Eu te suplico, meu caro irmão, a viver entre estes livros, a meditar neles, a saber nada mais, não buscar nada mais[46]

"Para os católicos, os apócrifos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos, quer do N.T, quer do V.T, o mais das vezes atribuídos a personagens bíblicos, mas não inspirados, como os livros canônicos, e nem escritos por pessoas fidedignas nem de doutrina segura"[47]

“Como a Igreja lê os livros de Judite e Tobite e Macabeus, mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também lê Sabedoria e Eclesiástico para a edificação do povo, não como autoridade para a confirmação da doutrina[48]

“Que [Paula] evite todos os escritos apócrifos, e se ela for levada a lê-los não pela verdade das doutrinas que contêm mas por respeito aos milagres contidos neles, que ela entenda que não são escritos por aqueles a quem são atribuídos, que muitos elementos defeituosos se introduziram neles, e que requer uma perícia infinita achar ouro no meio da sujeira[49] 

“Mas entre outras coisas, devemos reconhecer que Porfírio faz-nos esta objeção sobre o Livro de Daniel, que ele é claramente uma fraude que não deve ser considerado como pertencente às Escrituras Hebraicas mas uma invenção composta em grego. Isso ele deduz do fato de que na história de Susana, onde Daniel está a falar com os anciãos, encontramos as expressões: ‘Para dividir da árvore de aroeira’ (apo tou skhinou skhisai) e viu no carvalho sempre verde (kai apo tou prinou prisai), um jogo de palavras apropriadas para o grego, em vez de para o hebraico. Mas tanto Eusébio como Apolinário responderam-lhe após o mesmo teor, que as histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico, mas constituem uma parte da profeciade Habacuque, filho de Jesus, da tribo de Levi. Assim como encontramos no título dessa mesma história de Bel, segundo a Septuaginta: ‘Havia um certo sacerdote chamado Daniel, filho de Abda, um íntimo do reida Babilônia’. E, no entanto, a Sagrada Escriturat estifica que Daniel e os três jovens hebraicos eram da tribo de Judá. Por esta mesma razão, quando eu traduzi Daniel muitos anos atrás, assinalei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que elas não estavam incluídas no hebraico. E a este respeito, estou surpreendido ao ser informado de que certos críticos reclamam que eu por minha própria iniciativa trunquei o livro.Afinal de contas, quer Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros homens da Igreja proeminentes e doutores da Grécia reconhecem que, como eu disse, estas visões não são encontradas entre os hebreus, e que portanto eles não são obrigados a responder a Porfírio por estas partes que não exibem autoridade como Sagrada Escritura[50]


16º Que Igreja era essa que acreditava em um tormento temporário e não eterno no inferno? Hermas, por exemplo, disse:

“Eu lhe disse: ‘Senhor, explica-me ainda esse ponto’. Ele perguntou: ‘O que procuras ainda?’ Eu continuei: ‘Senhor, os voluptuosos e transviados são atormentados por tanto tempo quanto aquele em que foram voluptuosos e transviados?’ Ele respondeu: ‘São atormentados durante tempo igual” Observei: ‘Senhor, são atormentados por pouquíssimo tempo. Com efeito, seria preciso que as pessoas que vivem assim na volúpia e se esquecem de Deus, fossem torturadas por tempo sete vezes maior’ Ele me disse: ‘Insensato! Não conheces a força do tormento’. Eu respondi: ‘Senhor, se eu conhecesse, não pediria explicação’ Ele continuou: ‘Escuta qual é a força de uma e outra coisa. O tempo da volúpia e do engano é de uma hora; mas uma hora de tormento tem a força de trinta dias. Passando um dia na volúpia e no engano, e um dia nos tormentos, esse dia de tormento vale por um ano inteiro. A pessoa é atormentada por tantos anos quantos dias passou na volúpia. Vês, portanto, que o tempo da volúpia e do engano é mínimo, mas o do castigo e do tormento é longo’[51]


17º Que Igreja era essa que rejeitava incenso, sacrifícios e libações a homens? Eusébio, por exemplo, escreveu:

“Recebemos pois por tradição que Simão foi o primeiro autor de toda heresia. Dele até hoje aqueles que, participando de sua heresia fingem a filosofia dos cristãos, sóbria e celebrada universalmente por sua pureza de vida, chegam de novo à superstição idólatra da qual pareciam estar livres, pois se prosternam diante de escritos e de imagens do próprio Simão e de sua companheira, a já citada Elena, e se esforçam em render-lhes culto com incenso, sacrifícios e libações[52]


18º Que Igreja era essa que cria que Lino, e não Pedro, foi o primeiro bispo de Roma? Eusébio, por exemplo, disse:

“Depois do martírio de Paulo e de Pedro, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta”[53]

“Paulo também atesta que Clemente instituído terceiro bispo da Igreja de Roma foi seu colaborador e companheiro de luta”[54]

Fazendo as contas:

1- Lino
2- Anacleto
3- Clemente


19º Que Igreja era essa que cria que Pedro só chegou a Roma no final da sua vida? Eusébio também diz:

“Pedro, segundo parece, pregou no Ponto, na Galácia e na Bitínia, na Capadócia e na Ásia, aos judeus da diáspora; por fimchegou a Roma e foi crucificado com a cabeça para baixo, como ele mesmo pediu para sofrer”[55]


20º Que Igreja era essa que acreditava em um milênio literal no futuro? Jerônimo, por exemplo, afirmou:

“Ele [Papias] divulgou uma segunda vinda de Nosso Senhor ou Milênio. Irineu, Apolinário e outros dizem que após a ressurreição do Senhor, ele iráreinar em carne com os santos. Também Tertuliano, em sua obra ‘Sobre a Esperança dos Fieis’, Vitorino de Petau e Lactâncio seguem este ponto de vista”[56]


21º Que Igreja era essa que só venerava a Deus? Tertuliano, por exemplo, disse:

“Consideremos, pois, irmãos abençoados, a celeste sabedoria de Cristo, que se manifesta, em primeiro lugar, pelo preceito de orar em segredo(cf. Mt 6,6). Por aí Cristo induzia o homem a acreditar que o Deus Onipotente nos vê e nos escuta em toda parte, mesmo em casa e nos lugares mais escondidos. Ao mesmo tempo, ele queria que a nossa fé fosse discreta, de modo que, confiante na presença e no olhar de Deus em toda parte, reservasse o homem só a Deus a sua veneração[57]


22º Que Igreja era essa que rejeitava o título de “Rainha do Céu” a Maria? Epifânio, por exemplo, disse:

“Não se deve honrar os Santos além do seu mérito, que Deus é Aquele a quem devemos servir. A Virgem não foi proposta à nossa adoração, porque ela própria adorou Aquele que segundo a carne nasceu dela. Ninguém pois adore Maria. Só a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, pertence este mistério, e não a qualquer homem ou mulher. Por conseguinte, cessem certas mulheres néscias de perturbar a Igreja, deixem de dizer: ‘Nós honramos a Rainha do céu', é por isso que com estes discursos e com o oferecer-lhe os seus bolos, cumprem o que foi dantes anunciado: 'Alguns apostatarão da fé, dando-se a espíritos sedutores e às doutrinas dos demónios'. Não, este erro do povo antigo não prevalecerá sobre nós, para nos fazer afastar do Deus vivo e adorar as criaturas”[58]


23º Que Igreja era essa que só orava a Deus? João Crisóstomo, por exemplo, declarou:

“Não fazes oração aos homens, mas a Deus”[59]


24º Que Igreja era essa que desconhecia a confissão auricular? Crisóstomo, por exemplo, também afirmou:

"Contra ti, somente contra ti que pequei" (Sal. 51:4), disse: 'Só a Deus pois manifesta o teu pecado e ele te será perdoado'”[60]


25º Que Igreja era essa que acreditava que João 6 era simbólico? Clemente de Alexandria, por exemplo, disse:

“Pois a mesma Palavra é fluida e suave como leite, ou sólida e compacta como carne. E detendo-nos neste ponto de vista, podemos considerar a proclamação do Evangelho, que está universalmente difundido, como leite; e como carne a fé, pela qual a instrução é compactada num fundamento, que, sendo mais substancial que o ouvir, é semelhante à carne, e a própria alma assimila nutrição deste tipo. Noutro lado o Senhor, no Evangelho segundo João, menciona isto mediante símbolos, quando disse: "Comei a minha carne e bebei o meu sangue" [João 6:34]; descrevendo claramente por metáfora as propriedades bebíveis da fé e da promessa, por meio da qual a Igreja, como um ser humano composto de muitos membros, é refrescada e cresce, é ligada e compactada por ambas – pela fé, que é o corpo, e pela esperança que é a alma; como também o Senhor de carne e sangue. Pois na realidade o sangue da fé é a esperança, na qual a fé é sustentada como por um princípio vital (...) Mas não estais inclinados a entendê-lo deste modo, mas talvez mais geralmente. Ouvi-o também da seguinte maneira. A carne figurativamente representa para nós o Espírito Santo; pois a carne foi criada por Ele. O sangue nos aponta a Palavra, pois como rico sangue a Palavra foi infundida na vida (...) Assim, de muitas maneiras o Verbo é figurativamente descrito, como alimento, e carne, e comida, e pão, e sangue, e leite[61]

Será tudo isso mera coincidência? Com que Igreja hoje a Igreja antes de Lutero, como foi demonstrado acima, se parece? Poderia você honestamente nos responder?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1] A Doutrina Cristã, 3,24.
[2] Sermão 131:1.
[3] Exposição sobre o Salmo 99:8.
[4] Agostinho, contra Adimante.
[5]Agostinho, sobre os Salmos 3.
[6]Agostinho, Carta 98, para Bonifácio.
[7] A Doutrina Cristã 3,9.
[8] Sétimo Concílio de Cartago, presidido por Cipriano.
[9] Concílio de Nicéia, Cânon VI.
[10] Epístola XX a Maurício César (NPNF 2 12:170-171).
[11] Gregório Magno, a Maurícius Augustus.
[12] Gregório Magno, Epistolarum V, Ep. 18, PL 77, pag. 739-740.
[13] Gregório Magno, Epístola 8.30, a Eulógio, bispo de Alexandria.
[14]Segunda Catequese Mistagógica, Cap.4.
[15] Diálogo com Trifão, Cap.80.
[16] Hipólito de Roma, Tratado sobre Cristo e o Anticristo, Capítulo 60 e 61.
[17] Das Divinas Escrituras.
[18] The Catechetical Lectures of S. Cyril, Lecture 4.17.
[19] The Catechetical Lectures of S. Cyril, Lecture 5.12.
[20] Leituras Catequéticas, 5,12.
[21] Leituras Catequéticas, 5,12.
[22] Leituras Catequéticas, 16.
[23] Leituras Catequéticas, 17.
[24] Super Divi Jacobi Epistolam, Caput II, PL 93:22.
[25] Instituições Divinas, 2:19.
[26] Jerome, Lettres, Paris 1951, pag. 171.
[27] Contra as heresias, Livro I, Cap. 25,6.
[28] História Eclesiástica, Livro II, 1:2.
[29] Tratado sobre Cristo e o Anticristo, Cap.5.
[30] Tratado sobre Cristo e o anticristo, 27 e 28.
[31] Retractações, Cap. 21.
[32] The Works of Saint Augustine Sermons, Vol. 6, Sermon 229P.1, p. 327.
[33] Sermão XXVI.
[34] Volume VII, St. Augustin, Tractate 124.5.
[35] The Retractations, Capítulo 20.1.
[36] Sermão XXVI.1-4, pp. 340-341.
[37]Contra Serapião,. Cap.33.
[38] Epístola 74.
[39] Homília sobre Mt 12:48.
[40] Homília Sobre João 2:4.
[41] Homília 17, sobre Lucas.
[42] Suma Teológica, Parte III, Questão XXVII, Artigo II.
[43] Prefácio dos Livros de Salomão.
[44] Prologus Galeatus.
[45] Prefácio aos Livros de Samuel e Reis.
[46] NPNF2, Volume 6, Jerônimo, Carta LIII.6-10.
[47] Introdução Geral a Vulgata Latina, p.9.
[48] Prefácio aos Livros de Salomão.
[49] Epístola 107:12.
[50] Prólogo do Comentário sobre Daniel.
[51] Pastor de Hermas, 64:1-4.
[52] História Eclesiástica, Livro II, 13:6.
[53] História Eclesiástica, Livro III, 2:1.
[54] História Eclesiástica, Livro III, 4:9.
[55] História Eclesiástica, Livro III, 1:2.
[56] De Viris Illustribus, 18.
[57] Tratado sobre Oração, 1:4.
[58] Epiph. liv. III, Coment. II, tom. 2, Haeres 79: citado por Teofilo Gay in op. cit., pag. 136.
[59] Homilias sobre São Mateus, 19:3.
[60] Homilia da penitência, comentando as palavras de Davi.
[61] O Pedagogo, 1:6.

Comentários

  1. Lucas, faz uma pagina no Facebook... assim nós podemos compartilhar as idéias na rede

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    1. Obrigado pela sugestão, infelizmente eu acho inviável fazer uma página agora porque eu quase nem uso o facebook, exceto para responder uma ou outra mensagem, mas quem sabe lá pra frente. Existem ótimas páginas evangélicas que às vezes divulgam meus artigos, uma delas é a do "Cai a Farsa do Cai a Farsa", do Elisson Freire, você vai gostar, eles fazem um trabalho muito bem feito nesta área. Abraços!

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    2. Certo irmão, fica com Deus... Demorei pra responder pois estava no Facebook (risadas)
      Abraço

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  2. Lucas, mais uma vez parabéns!

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  3. Lucas, eu estava lendo um artigo no www.ofielcatolico.com.br sobre os mandamentos de Deus,os da Igreja e a profecia de Daniel. Uma sugestão: você poderia fazer alguma observação sobre o que foi escrito nesse blog em relação ao tema mandamentos de Deus?
    Um abraço!

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    1. Olá, Sandro. Eu dei uma lida no blog católico que você mencionou e é realmente de se impressionar o nível de distorção e deturpação bíblica que o autor fazia, ele chegou até mesmo a dizer que os fariseus criam na Sola Scriptura e que foram condenados por Jesus por causa disso. Neste momento eu não sabia se ria ou se chorava, pois o que ocorreu foi justamente o contrário. Os fariseus observavam uma tradição oral, que eles criam que remetia até Moisés, e Jesus CONDENOU a tradição deles porque ela ANULAVA a Palavra de Deus (=Escrituras), mostrando claramente que é a Bíblia e não uma tradição extra-bíblica que deve ser a regra de fé:

      Mateus 5:13 - E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?

      Mateus 15:6 - Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.

      Marcos 7:3 - Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa.

      Marcos 7:6,7 - Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

      Marcos 7:8 - Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens.

      Marcos 7:9 - Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!

      Depois eu ainda tive que ler o cara dizendo, na maior cara dura, que o versículo que diz que "a letra mata mas o espírito vivifica" significa que a BÍBLIA MATA mas a TRADIÇÃO ORAL VIVIFICA. Neste momento eu já não sabia se era apenas uma distorção ou se já era doença. Isso sem falar nos textos tendenciosos, na manipulação do termo "Igreja" no sentido institucional e romano, usando arbitrariamente textos bíblicos onde aparece a palavra "Igreja" e interpretando a priori que se trata da Igreja de Roma - algo cômico e ridículo. Aquele site não merece o menor crédito.

      Sobre os mandamentos, é fato que a Igreja Romana dividiu o décimo mandamento em duas partes porque suprimiu o segundo, exatamente o que fala das imagens. O problema dele é que ele parte do princípio de que a Igreja Romana pode fazer tudo o que ela quiser, até mudar os mandamentos, porque é ela que manda na Bíblia, ela é a "dona". Partindo desta premissa falsa, qualquer coisa que for dita vai parecer ter algum sentido. Até mesmo se a Igreja Romana mandar todo mundo jogar a Bíblia no lixo ela teria esse direito, pois é ela a autoridade sobre as Escrituras, e não o contrário. Eles invertem o esquema e distorcem o significado de Igreja, para darem legitimidade aos seus truques e artimanhas. Fazia tempo que eu não lia tanta baboseira em um só lugar, deve ser porque eu não visito o site do Macabeus há tempos.

      Um grande abraço.

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  4. E o pior é que o cara já foi protestante. Lucas obrigado pelos esclarecimentos!

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  5. Lucas, é incrível como os fundamentos racionais do romanismo se constituem de um maranhado falácias, engodos, deturpações, anacronismos, sendo na prática sustentado por sua beleza, história, organização eclesiástica e tamanho. Não há até hoje nenhuma ala "restauracionista" nesse aspecto na cúria romana?

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    1. Há vários movimentos, como a "Renovação Carismática Católica" (RCC) e a "Igreja Católica Carismática" (esta última considerada uma "seita" pelo papa). Há também os católicos sedevacantistas, os católicos ortodoxos, os católicos da "Velha Igreja Católica" (criada após um cisma mais moderno), dentre outras. Mas nenhum destes movimentos foi tão profundo ou chegou perto de se separar dos erros e da apostasia da Igreja Romana quanto a Reforma Protestante, no século XVI. Abraços.

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  6. Lucas, seria um bom tema para um artigo as marcas da verdadeira igreja.

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  7. Lucas, tenho uma sugestão de tema que acho ser interessante para depois você escrever. Que é: "Legalismo versus Liberdade Cristã". Visto que a ICAR medieval era tão legalista religioso e cega que começava a difundir ideias estranhas como por exemplo: Um casal (mesmo que os indivíduos fossem casados) só poderia ter relação sexual se fosse com o objetivo de procriar. Caso contrário, seria "pecado".

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    1. Muito boa a sugestão. Eu já tinha pensado em escrever exatamente sobre isso há um tempo atrás, mas depois eu vi que teria tanta coisa pra escrever, que ficaria um artigo tão grande que ninguém leria. Por isso decidi escrever em formato de livro (até o fim do ano, se Deus permitir).

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