5 de junho de 2013

Justino pregava a Sola Scriptura?


Pessoas que gostam de causar polêmica alegaram que Justino de Roma (100 – 165 d.C) jamais ensinou a Sola Scriptura e que eu falsifiquei textos para defender isso. Além disso afirmaram que Justino cria diferente dos evangélicos em algumas questões doutrinárias e usaram trechos de suas obras em que ele citava autores pagãos como suposta “prova” de que ele não era adepto do princípio bíblico e cristão da Sola Scriptura. Para terminar, soltou a pérola de que Justino não podia crer na Sola Scriptura porque não havia uma lista oficial de livros canônicos da Bíblia. Se essas acusações são verdadeiras ou não, é o que veremos a partir de agora.


JUSTINO CRIA NA SOLA SCRIPTURA?

Antes de mostrarmos se Justino cria ou não na Sola Scriptura, é necessário explicarmos aos católicos o que é a Sola Scriptura, uma vez que incansavelmente vejo deturpações do significado do termo sendo colocado na boca deles. Primeiramente, vamos àquilo que Sola Scriptura não significa:

1º Sola Scriptura não significa que tudo tem que estar na Bíblia.

          Não está na Bíblia que Barack Obama seria presidente dos EUA ou que o São Paulo seria Tricampeão mundial em 2005, e mesmo assim eu creio nisso. O que tem que estar na Bíblia não é “tudo”, como erroneamente alegam alguns católicos, mas sim as doutrinas que eram ensinadas pelos apóstolos e por Jesus Cristo. Não cremos que “tudo está na Bíblia”, mas cremos que nenhum escritor bíblico “escondeu” alguma verdade doutrinária importante que não tenha sido escrita por nenhum deles nos 66 livros da Sagrada Escritura.

2º Sola Scriptura não significa que devemos rejeitar todas as tradições.

          Até mesmo igrejas protestantes têm suas tradições, com suas vestimentas, seus hinários, suas liturgias, seus costumes. As tradições que são rejeitadas pelos evangélicos são aquelas tradições que inventam doutrinas que não se encontram nas Escrituras nem podem ser demonstradas a partir delas, como é o caso de muitos dogmas católicos, que são sustentados puramente por aquilo que não foi escrito.

Agora, vamos mostrar aos católicos aquilo que Sola Scriptura significa:

1º Sola Scriptura significa que temos na Bíblia tudo o que é necessário para a nossa salvação.

2º Sola Scriptura significa que a Bíblia é totalmente suficiente em matéria de fé e prática.

3º Sola Scriptura significa que toda e qualquer tradição doutrinária que não tenha base bíblica deve ser rejeitada.

4º Sola Scriptura significa que todo ensinamento moral ou doutrinário da fé cristã deve ser embasado nas Escrituras.

Agora que já sabemos o que Sola Scriptura significa e aquilo que não significa, os católicos poderão deixar de argumentar no vazio, refutando um espantalho. E, se prestarem um pouquinho mais de atenção às obras do próprio Justino, veremos que ele tinha exatamente a mesma concepção que os evangélicos têm daquilo que realmente entendemos por Sola Scriptura:


1º Justino cria que aquilo que não era dito pelas Escrituras era duvidoso e suspeito.

2º Justino tentava provar pelas Escrituras tudo o que ele apresentava.

-Texto:

“Se, senhores, não fossem ditas pelas Escrituras que já citei, que Sua forma era sem glória, que por Sua morte o rico sofreria a morte, que pelas Suas pisaduras nós devemos ser curados, e que ele foi levado como uma ovelha ao matadouro, e se eu não tivesse explicado que haveria dois adventos daquele que foi ferido por vocês, quando vocês conhecerão Aquele a quem transpassaram e suas tribos se lamentarão, então considere o que eu disse como duvidoso e suspeitoMas foi por meio dos conteúdos das Escrituras, estimada santa e profética entre vós, que eu tento provar tudo o que eu tenho apresentado, na esperança de que algum de vocês possa ser encontrado para ser parte do remanescente, que foi deixado pela graça do Senhor dos Exércitos, para a salvação eterna” (Diálogo com Trifão, Cap.32)

Como vemos na citação acima, Justino costumava dizer que, se aquilo que ele disse não tem base Escriturística, que fosse considerado suspeito, obscuro, duvidoso. Mas que, ao contrário, era pelo conteúdo das Escrituras que ele tentava provar tudo (e não alguma parte) daquilo que ele apresentava! Os católicos infelizmente não podem subscrever as palavras de Justino, pois:

 Eles creem em doutrinas fora da Bíblia como dogmas de fé, e não como coisas “duvidosas e suspeitas”.

 Eles não tentam provar pelas Escrituras tudo o que eles creem, pois admitem que boa parte daquilo que creem não se encontra na Bíblia, mas na chamada “tradição oral”.

Portanto, vemos Justino contradizendo os pilares católicos da tradição oral não-bíblica e reiterando os princípios cristãos da Sola Scriptura.


3º Justino cria que não podemos deixar de nos referir constantemente às Escrituras.

-Texto:

“É uma coisa ridícula... que quem funda o seu discurso nas Escrituras proféticas deva abandoná-las e abster-se de referir constantemente as mesmas Escrituras, por pensar que ele próprio pode prover algo melhor do que a Escritura” (Diálogo com Trifão, Cap.85)

Deixar de se referir constantemente às Escrituras é o mais habitual de um católico que está acostumado a fundamentar suas doutrinas pela tradição, por pensar que “pode prover algo melhor do que a Escritura”.


4º Justino demonstrava aquilo que dizia pelas Escrituras.

-Textos:

“Ele disse que via uma escada, e a Escritura declara que Deus se erguia sobre ela. Mas que este não era o Pai, o demonstramos pelas Escrituras... E que a rocha simbolicamente proclamava Cristo, o demonstramos também por muitas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.86)

Você está familiarizado com eles, Trifão? Elas estão contidas em suas Escrituras, ou melhor, não a sua, mas nossa. Para nós acreditamos nelas, mas, apesar de você lê-las, não captura o espírito que está nelas” (Diálogo com Trifão, Cap.29)

“Porque Cristo é Rei e Sacerdote, é Deus e Senhor, tanto dos anjos como dos homens, é capitão, é a pedra, e nasceu como filho, e pela primeira vez foi sujeito ao sofrimento, e em seguida retornou para o céu e, novamente, vindo com glória,  Ele é anunciado como tendo o reino eterno: assim que eu provo de todas as Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.34)

Revertendo as Escrituras, eu devo me esforçar para convencê-lo que aquele que se diz que apareceu a Abraão e Jacó, e Moisés, e que é chamado de Deus, é diferente daquele que fez todas as coisas, numericamente” (Diálogo com Trifão, Cap.56)

”Eu poderia ter provado a vocês a partir das Escrituras que um desses três é Deus, e é chamado de Anjo” (Diálogo com Trifão, Cap.56

“Esteja bem certo, então, Trifão, que está estabelecido no conhecimento e fé nas Escrituras, das falsificações que aquele que é chamado diabo realizou entre os gregos” (Diálogo com Trifão, Cap.69)

“E por esse motivo que estou, através do medo, muito sincero no desejo de conversar com os homens de acordo com as Escrituras, mas não com os que tem amor ao dinheiro, ou de glória, ou de prazer” (Diálogo com Trifão, Cap.82)

É digno de nota que sempre Justino insistia em dizer que em todos os termos doutrinários era necessário provar nas Escrituras aquilo que ele estava dizendo. Note que ele nunca aduz a “procurar na tradição”, mas somente nas Escrituras (=Sola Scriptura), que desde sempre foram o pilar e o fundamento da nossa fé. Se existissem doutrinas ocultas na Escritura Sagrada, então Justino não iria insistir tanto em dizer que aquilo que ele mesmo dizia deveria ser provado pela Escritura. Afinal, para que tamanha necessidade e obrigação de “provar algo nas Escrituras” se, como os católicos insistem em dizer, há um monte de doutrinas que simplesmente não se encontram na Bíblia? Neste caso, seria inútil tal necessidade de ter que provar todas as doutrinas por “muitas Escrituras”, pois os próprios católicos não fazem isso!


5º Justino cria que era necessário provar as doutrinas pelas Escrituras.

-Textos:

 “Mas que isso não era o Pai, temos de provar nas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.86)

“E que a pedra proclamava simbolicamente Cristo, temos também que provar por muitas Escrituras” (Diálogo com Trifão, Cap.86)

Note o termo: temos que provar”, que remete a uma necessariedade. Para que tal necessidade, se os católicos estão mais do que convictos de que não há tal necessidade, tendo em vista a suposta “insuficiência” das Escrituras e que muitas doutrinas não estão nela? Se o pensamento católico está com a razão, qual seria a verdadeira finalidade em ser absolutamente necessário provar por muitas Escrituras acerca do tema doutrinário que está sendo tratado? Por que Justino simplesmente não fez como os católicos, dizendo que não tem que estar na Bíblia coisa nenhuma e que não existe tal necessidade de alguma doutrina específica estar na Bíblia?

Note que o que está sendo tratado aqui não é se aquele assunto em questão está ou não está na Bíblia, mas sim do por que é necessário “ter que provar” pelas Escrituras, se nem todas as doutrinas precisam mesmo estar nelas. Neste caso, ainda que houvesse uma passagem bíblica sobre isso, Justino poderia fazer como os católicos e simplesmente dizer que:

“E que a pedra proclamava simbolicamente Cristo, vamos mostrar nas Escrituras, embora não haveria necessariedade disso, pois também temos a tradição oral...

Mas, ao contrário, ele diz que tinha que provar por muitas Escrituras! Ou seja: provar uma doutrina pela Escritura era absolutamente necessário!


6º Justino cria na suficiência das Escrituras.

-Textos:

 “Agora, então, tornar-nos a prova de que este homem que você diz que foi crucificado e subiu aos céus é o Cristo de Deus. Para você ter suficientemente provado por meio das Escrituras já citadas por você, que é declarado nas Escrituras que Cristo devia sofrer e entrar novamente na glória, e receber o reino eterno de todas as nações, e que cada reino esteja subordinado a Ele: agora mostram-nos que este homem é ele” (Diálogo com Trifão, Cap.39)

“Mas você me parece não ter ouvido as Escrituras o que eu disse que tinha apagado. Para tal como foram citadas são mais do que suficiente para provar os pontos em disputa, além daqueles que são mantidas por nós, e ainda serão apresentados” (Diálogo com Trifão, Cap.73)

As Escrituras são mais do que o suficientes para provar os pontos em disputa! Se isso não é uma prova da suficiência das Escrituras – que é um princípio da Sola Scriptura – então eu não sei mais o que pode ser!


7º Justino cria na inerrância das Escrituras.

-Texto:

”Eu estou inteiramente convencido de que nenhuma Escritura contradiz outra, e você deve se esforçar para convencer aqueles que imaginam que as Escrituras são contraditórias, em vez de ser da mesma opinião que eu (Diálogo com Trifão, Cap.65)

Curiosamente já vi muitos católicos alegando que a Bíblia não é infalível nem inerrante, alguns dizem até que não é a Palavra de Deus! Justino, porém, era incisivo em dizer que na Bíblia não há contradições, exatamente como fazem os evangélicos.


8º Justino cria no livre exame da Bíblia.

-Texto:

“Eu tenho o propósito de citar para vocês as Escrituras, não porque eu esteja ansioso em fazer apenas uma exposição artística de palavras, pois eu não possuo tal faculdade, mas porque tenho de Deus a graça a mim concedida para a compreensão de suas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.58)

Note que Justino diz a Trifão que cita as Escrituras a ele porque tinha de Deus a graça de compreender as Escrituras, mesmo ele não sendo o papa e nem um bispo romano. De fato, nada na biografia de Justino, que pode ser lida aqui ou aqui, indica que ele chegou a exercer qualquer cargo de liderança eclesiástica na Igreja. Ele não era papa, não era bispo, não era cardeal, não era presbítero, não nasceu em Roma. Não era parte do “Magistério”, segundo a própria concepção católica. E, mesmo assim, dizia que Deus lhe havia concedido a graça de não apenas examinar e citar as Escrituras, mas de compreendê-las!


9º Justino cria que a segurança doutrinária provém do apego às Escrituras.

-Texto:

“Eu comentei com o senhor, que está muito ansioso para ser seguro em todos os aspectos, uma vez que você se apega as Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.80)

Nós não somos inseguros se tivermos apenas a Escritura para nos guiar, porque se apegar às Escrituras significa estar seguro em todos os aspectos. Se é em todos os aspectos, então evidentemente que o aspecto doutrinário não está excluso deste quadro. Ao lermos Justino temos bem em mente a noção de que podemos ser seguros em todos os aspectos ao nos apegarmos às Escrituras, e não apenas em “alguns” aspectos, como se o aspecto doutrinário fosse deixado de lado e estivesse carente do apoio de uma tradição oral extra-bíblica.


10º Justino rejeita as doutrinas humanas e pede para crer somente se as Escrituras forem citadas com frequência.

-Texto:

“Se eu me comprometo a provar isso por doutrinas ou argumentos humanos, você não deve concordar comigo, mas sim se eu citar com frequência as Escrituras e pedir-lhe para compreendê-las (Diálogo com Trifão, Cap.68)

Fica claro que a aceitação da doutrina, na visão de Justino, estava condicionada à fundamentação desta à luz das Escrituras, e não a qualquer outro argumento humano que possa ser oferecido. A vista de tudo isso, só podemos concluir que Justino cria tão ou mais fortemente na Sola Scriptura quanto qualquer Reformador do século XVI.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vista de tudo isso, é incontestável que Justino cria na Sola Scriptura da mesma forma que foi proposta pelos Reformadores e era crida pelos primeiros cristãos. Se tais declarações estivessem na boca de um Lutero ou Calvino, seriam imediatamente repreendidas por um católico romano, mas como veio de um homem do século II, venerado pela própria Igreja Católica, a conversa muda, e eles tentam de todas as formas omitir e distorcer informações, apelar a ataques pessoais, acusações e verdadeiros malabarismos mentais para negar tudo aquilo que Justino disse de forma tão clara e explícita.

 Mas e os autores pagãos que Justino citou? Isso significa que ele não cria na Sola Scriptura?

É lógico que não. Na própria Bíblia há muitas citações de autores fora da Bíblia, como é o caso do apócrifo de Enoque que é citado em Judas 14, do livro da Assunção de Moisés que é citado em Judas 9, da comédia grega Thais (escrita pelo poeta grego Meandro) que é citada por Paulo em 1ª Coríntios 15:33, da obra Cretica, de Epimênides (600 a.C), que é citada por Paulo em Atos 17:28, da obra Fenômenos, escrita pelo poeta grego Arato (315 – 240 a.C), ou de Cleanto (331 – 233 a.C) em seu Hino a Zeus, que tem citações de suas obras mencionadas pelo mesmo apóstolo em Atos 17:28.

Isso obviamente não significa que Paulo, Judas ou os demais escritores bíblicos criam na inspiração ou como fonte doutrinária tais escritos, significa apenas que aquela citação específica de onde foi tirado constitui uma verdade. Eu mesmo, que creio na Sola Scriptura, frequentemente cito outros autores fora da Bíblia na corroboração de um determinado ponto de vista ou interpretação de um texto bíblico, e isso de modo algum significa que eu deixei de crer na Sola Scriptura por conta disso. Os próprios Reformadores, como Lutero e Calvino, citavam outros autores, e isso não os impediu de crer na Sola Scriptura. Por que apenas com Justino teria que ser diferente?

 Mas Justino tinha divergências com algumas crenças cridas pelos evangélicos. E agora?

Isso não infere em absolutamente nada na crença ou descrença dele na Sola Scriptura. Evangélicos também divergem de outros evangélicos em alguns aspectos e mesmo assim ambos creem na Sola Scriptura, e católicos divergem de católicos em alguns aspectos e ambos negam a Sola Scriptura. Portanto, o fato de Justino crer ou não crer exatamente conforme os evangélicos ensinam com respeito a cada ponto da fé cristã em nada influencia na sua crença ou descrença na Sola Scriptura.

E, por sinal, muitas dessas “doutrinas divergentes” são pura invenções deles, e não doutrinas realmente contrárias ao pensamento majoritário entre os evangélicos. A questão da eucaristia que foi citada é um claro exemplo disso. Os Pais costumavam frequentemente dizer que o pão era o corpo de Cristo e o vinho o Seu sangue, sem de modo algum deixarem de crer que isso estava sendo dito de maneira figurada e simbólica. Isso pode ser observado facilmente nos escritos de vários Pais da Igreja, que o leitor pode acompanhar clicando aqui e aqui.

 Mas como Justino podia crer na Sola Scriptura se na época dele não existia uma lista oficial de livros considerados canônicos pela Igreja?

Este argumento é risível. Também não existia uma “lista oficial de tradições não-escritas e fora da Bíblia que constituem doutrina” correndo à solta em pleno século II d.C, e mesmo assim os católicos creem que os Pais da Igreja do século I e II observavam as mesmas tradições aceitas hoje pelos católicos! Na época de Eusébio, por exemplo, a Igreja de Roma dizia uma coisa, e as demais diziam outra (HE, Livro III, 3:5). Eles não se acertavam nem mesmo em saber quem foi o escritor da carta aos Hebreus, e mesmo assim creem que todas as tradições da Igreja Romana foram preservadas inalteráveis através dos séculos! Em pleno século II d.C havia discordâncias entre a tradição recebida por Policarpo e as do bispo de Roma, Anacleto, que eram divergentes (HE, Livro V, Cap.24). Discussão semelhante ocorreu entre o bispo e Roma, Vítor, e Irineu de Lyon.

Se a Bíblia não podia ser a única regra de fé por não existir uma lista oficial de livros canônicos, a tradição muito menos, pois desde cedo já causava divergências causadas por tradições diferentes entre si. É por isso que até hoje a Igreja Ortodoxa e a Igreja Romana mantém várias doutrinas contrárias entre si, mesmo que ambas afirmem “guardar a tradição”. Além disso, ainda que não existisse uma lista oficial, as Escrituras em si já existiam. Josefo listou o cânon do AT que era aceito entre os judeus (Contra Apião, 1:41), que por sua vez também foi adotado pelos cristãos (veja aqui aqui).

Policarpo, ainda no século I, faz menção às epístolas de Paulo e as chama de Escritura (aos Filipenses, 12:1), o mesmo que faz também Clemente de Roma e Inácio de Antioquia por esta mesma época. O próprio Pedro citou as epístolas de Paulo como sendo Escritura (2Pe.3:16), e Paulo fez o mesmo com o evangelho de Lucas (1Tm.5:18, citando Lc.10:7). Todas as epístolas do NT já eram lidas por toda a Igreja no século II, de modo que, ainda que um ou outro livro do NT fosse considerado de inspiração duvidosa, isso não muda em absolutamente nada o fato de que a Sagrada Escritura já existia na época em sua integridade de livros conhecidos e já era considerada a regra de fé dos primeiros cristãos. Tanto é que Irineu de Lyon, que viveu na mesma época do próprio Justino, pôde dizer que a Escritura é o pilar e o fundamento da fé cristã:

"De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, para que sejam o fundamento e pilar de nossa fé" (Contra as Heresias, Livro III, 1:1)

Para esse católico, porém, Irineu deveria ter dito isso:

“De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, que só serão o pilar e o fundamento da nossa fé depois que alguém fizer uma lista oficial completa de livros aceitos no cânon

Este é o nível da apologética católica...

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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17 comentários:

  1. Obrigado, Lucas.

    Deus o abençoe.

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  2. Fala amigão!

    Beleza ai?

    Bacana o artigo, entretanto, estou apenas comentando naquela plena paz e alegria do Senhor. :)

    Estou com o livro em mãos (Contra as Heresias - Irineu) e procurei essa citação na página 414 e não a encontrei. Alias, o ponto da página é o capítulo 17.1 Por ventura, não seria outra colocação na obra?

    Enfim, Irineu dizendo isso, manifestou a verdade. As escrituras foram e é o pilar da Igreja. E sim, para muitos ali ela já era uma aplicação de regra de fé, porém, para muitos outros, não. Levando em consideração que a Igreja estava em grandiosa crescente e já estava localizada em muitos territórios, por mais que alguns já citassem algumas cartas, muitas outras comunidades ainda não gozavam desta particularidade e isso levou um tempo para se concretizar.

    De qualquer forma, é interessante citar alguns pontos a respeito das escrituras no livro "conta as heresias". Irineu cita algumas coisas curiosas como o fato de que existiam hereges "que não concordavam nem com as escrituras e tão pouco com a tradição":

    Livro III, pg 248, 2.2 - "E quando, por nossa vez, OS LEVAMOS A TRADIÇÃO que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõem à tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade (...). Ora, está é a maneira mais desavergonhada de blasfemar contra o seu Criador! Acontece com isso que já não concordam nem com as Escrituras nem com a tradição".

    Assim como ele manifesta a crença da Igreja e confirma que existiam povos que não usavam "papel ou tinta", isto é, não possuíam as escrituras como regra de fé:

    Livro III, pg 253 e 253, 4.1-2 - "Sendo as nossas provas tão fortes, não é necessário procurar noutras pessoas aquela verdade que facilmente podemos encontrar na Igreja, porque os apóstolos trouxeram, como um rico celeiro, tudo o que pertence à verdade, a fim de que cada um que o deseje, encontre ai a bebida da vida. (...) Por outro lado, deve-se amar com zelo extremo o que vem da Igreja e guardar a tradição da verdade. Ora, se surgisse alguma controvérsia sobre questões de mínima importância, não se deveria recorrer a Igrejas mais antigas, onde viveram os apóstolos, para saber delas, sobre a questão em causa, o que é líquido e certo? E se os apóstolos não nos tivessem deixado as Escrituras, não se deveria seguir a ordem da tradição que transmitiram aqueles aos quais confiavam as Igrejas? Muitos povos bárbaros que creem em Cristo, se atêm a esta maneira de proceder; SEM PAPEM NEM TINTA. Levam a salvação escrita em seus corações pelo Espírito, guardam escrupulosamente a antiga tradição" (...).

    As "escrituras" já eram formalizadas no cenário cristão, porém, o que eu penso e aqui eu parto de um conceito particular, é que esse acesso muito provavelmente seria de pessoas mais cultas e mestres da interpretação. Talvez por isso, quando deparamos com algum santo citando com tanta propriedade as "escrituras", temos a ideia errônea que todas as igrejas já possuíssem o conhecimento pleno delas.

    Fique paz amigão!

    Em Jesus Cristo, sempre!

    Érick Gomes.

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    Respostas
    1. Oi, Érick, como vai?

      A referência ali realmente está confusa, ela se encontra no Livro III, no capítulo 1 e no verso 1 (portanto seria "3.1.1" e não "3.3.3", vou corrigir no artigo), se você quiser ler a citação pode conferir neste site católico que tem toda a obra de Irineu:

      http://www.newadvent.org/fathers/0103301.htm

      A citação está logo ali no começo do primeiro verso no link acima.

      É verdade que Irineu fala da tradição da Igreja. Como eu já escrevi várias vezes, não nego que exista a tradição, ela existe, ela é útil e ela aparece tanto na Bíblia como no ensino dos Pais. A questão aqui que deve ser ressaltada é: de qual tradição estamos falando? Ou, como disse Cipriano: "DE ONDE É AQUELA TRADIÇÃO?" (Ep.74). E ele complementa dizendo que, se essa tradição tem apoio nas Escrituras pode ser aceita, mas se não é fundamentada por ela deve ser rejeitada. Esse é exatamente o meu pensamento, e creio também ser o de Irineu. Afinal, ele não iria dizer que a Escritura era "O" pilar (e não "um dos" pilares) da fé cristã se existissem doutrinas e revelações doutrinárias extra-bíblicas que nenhum apóstolo deixou legado na Escritura. Nestes artigos eu discorri um pouco mais ampliadamente sobre este tema da tradição:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/search/label/Tradi%C3%A7%C3%A3o%20Apost%C3%B3lica

      Sobre existirem povos que não usavam papel nem tinta, isso eu concordo com você, embora não vejo como que isso afeta a doutrina da Sola Scriptura, pois a Sola Scriptura não ensina que todo mundo tem que ser alfabetizado e saber ler e escrever perfeitamente, mas sim que as doutrinas do Cristianismo podem ser encontradas na Escrituras ou deduzidas através delas. Desta forma, se um gentio que não tinha pena ou tinta, ou um analfabeto, cego ou surdo do século XXI não poder ler as Escrituras, ele pode ter acesso ao conhecimento bíblico através da pregação oral que está BASEADA nessas Escrituras. Ou seja, alguém que crê na Bíblia como a única regra de fé e prática ensina oralmente tais pessoas sobre o verdadeiro evangelho, e essa pessoa crê. Portanto, em nada vejo como que isso poderia oferecer uma ameaça à doutrina da Sola Scriptura, ou que a tradição pudesse criar, inventar ou adicionar doutrinas não-bíblicas.

      Note também no texto de Irineu que ele diz: "SE os apóstolos não nos tivessem deixado as Escrituras". Este "SE" é uma condição. SE os apóstolos não tivessem escrito nada, deveríamos crer naquilo que foi pregado oralmente, MAS como eles escreveram de fato, e nós possuímos as Escrituras, elas são "o pilar e o fundamento da nossa fé".

      Concordo que as Escrituras provavelmente naquela época não era de fácil acesso ao povo, mas, como eu disse, a responsabilidade era dos líderes da Igreja (que possuíam as Escrituras) de pregarem o conteúdo da Bíblia a essas pessoas, de modo a não irem "além daquilo que está escrito" (1Co.4:6), mesmo sem terem uma Bíblia na mão cada um deles.

      Quando tiver mais tempo eu respondo as suas outras mensagens, mas não me esqueci delas, fica tranquilo.

      Um grande abraço e que Deus lhe abençoe!

      Excluir
  3. Fala Lucas! Eu vou bem ... graças a Deus!

    É claro, que se começarmos a falar sobre “tradição”, vamos divergir. O meu conceito é diferente do seu, principalmente quando falamos de pontos que vocês julgam não encontrar respaldo bíblico.

    De qualquer forma, no seu artigo você diz que já viu “católico alegar que a bíblia tem erros”, bom, eu nunca vi alguém dizendo isso e se qualquer católico tenha dito isso, errou gravemente. A escritura é inspiradíssima, escrita por homens que foram iluminados pelo espírito santo, é um dos pilares da Igreja e no que tange a salvação, transforma-se em nossa regra de fé. Quando falamos de “prática”, não penso ser somente ela (escrituras) que pode nos reger e é ai que cremos na tradição oral, por exemplo, embora não exista qualquer fonte escriturística, vocês acreditam com base na Tradição que Pedro tenha sido crucificado em Roma de cabeça para baixo, assim como não existe fontes bíblicas que relatam a morte de Maria, mas sim, a Tradição que manifesta sua dormição / assunção e nesta, vocês não acreditam.

    Para não me alongar e não iniciar outro “debate”, já que essa nem é a minha intenção, só quero deixar manifestado que os antigos padres, procuravam provar as doutrinas cristãs com base no que temos como escritura, é até óbvio pensar que Paulo ao escrever a carta aos Coríntios, Romanos ou algumas epistolas católicas já delineava uma fonte primária da palavra de Deus e se automaticamente a comunidade já possuía algo a se ler, é certo que os ensinos já eram propagados, entretanto parece tão óbvio hoje em dia distinguir o que é canônico ou não, mas naquela época meu amigo, era muito difícil. Nem sempre o conceito de “escritura” utilizado por alguns era de fato o real. É por isso que não cremos na sola e sempre afirmamos que uma lista correta ainda não existia, embora seja certo dizer que já se possuía as cartas, os evangelhos e muitos outros escritos não oficiais que só tomaram esse status muitos séculos depois. Exemplo disso é o “protoevangelho de Tiago” que foi escrito nos primeiros séculos da Igreja e possuí uma verdade peculiar, mas, posteriormente foi considerado apócrifo. Os líderes da Igreja trilharam um grande caminho para estabelecer esse cânon, se lermos os próprios registros de Irineu em sua obra “Contra as Heresias”, vemos que ele denunciava Marcião porque “mutilava o Evangelho de Lucas” já que ele tirava o relato da infância de Jesus, questionava Áquila e Teodocião porque ambos usavam “apenas o evangelho de Mateus” ou quando criticava os valentinianos por terem preferências somente pelo “evangelho de João”.

    A proximidade de relatos na antiguidade entre o real e o falso era de tamanha grandeza que qualquer pessoa da época chegaria de forma espontânea a duvidar ou afirmar a autenticidade de todos.

    É difícil.

    Bom, fique com Deus e uma ótima semana.

    Ps: Sobre aquela nossa outra conversa, fique tranquilo quanto a resposta. Como já havia escrito, continuarmos a conversar sobre aquele tema renderia mais páginas, porém, tenho certeza que manteríamos nossos mesmos pontos de vista, por isso, encerrei meus comentários naquela última postagem! =)

    Abração!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Érick, a paz de Cristo. Fiquei uns tempos sem escrever nada mas voltei agora.

      Sobre católico alegar que a Bíblia possui erros, isso eu já vi sim, principalmente quando tentam refutar as argumentações evangélicas de que os apócrifos possuem erros históricos, geográficos e cronológicos, então eles passam a dizer que o resto da Bíblia (a Bíblia canônica) também possui erros e não é inerrante, é apenas "inspirada em termos doutrinários". Alguns chegam a dizer que a Bíblia não é a Palavra de Deus porque a Palavra de Deus é Jesus! Coisas assim e semelhantes a estas já ouvi e muito nestes anos de debates, mas de qualquer forma fico contente por ver que você, mesmo sendo católico, não compartilha dessa opinião de parte dos católicos.

      Sobre tradição, não tenho nada contra crer que Pedro foi crucificado em Roma de cabeça para baixo, mas leia os meus artigos sobre tradição e você verá que as tradições que eu (e os demais evangélicos) rejeito dizem respeito a DOUTRINAS que supostamente não se encontram na Bíblia em lugar nenhum ou mesmo entram em contradição com ela. Pedro ser crucificado em Roma não é doutrina de fé ou moral, são REGISTROS HISTÓRICOS, o que é bem diferente. Maria ter sido assunta ou não também é questão de debate histórico, visto que nem todos os Pais da Igreja criam nisso ou mantinham a mesma visão quanto a isso. Portanto, formular um dogma de fé como os romanos fazem em cima de fontes históricas questionáveis e dúbias é no mínimo chutar no escuro.

      É verdade que não existia uma lista oficial de livros canônicos aceita universalmente nos primeiros séculos, mas não vejo como que isso afeta a doutrina da Sola Scriptura. Sola Scriptura não é o princípio de que todos os livros da Bíblia tinham que ser considerados inspirados por todos nos primeiros séculos, mas sim que todas as doutrinas cristãs são encontradas nas Escrituras. Se um muçulmano crê numa Bíblia "mutilada" ela não deixa de ser a verdadeira e única regra de fé por causa disso. Os primeiros cristãos tiveram dificuldade em reconhecer pelo Espírito Santo quais livros eram inspirados e quais não eram, mas por fim chegaram a uma conclusão. E é com base nesses livros canônicos e inspirados que formulamos nossa doutrina e fé, e não com base naquilo que não foi dito ou em alguma outra fonte paralela de confiabilidade questionável.

      Um grande abraço!

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  4. Ótimo blog, favoritado!

    Agora, Lucas, e quanto a igreja ortodoxa? De todas é a única que tenho uma certa simpatia mas infelizmente eles não respondem minhas dúvidas e gostaria de saber qual foi a participação da mesma, se é que houve, na " Santa" Inquisição e nas Cruzadas, sei que nesta última eles foram, por assim dizer, vítimas na Quarta Cruzada, segundo eles é claro.

    Flw!

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    1. Olá, a paz. Até onde eu tenho conhecimento as igrejas ortodoxas não tomaram parte na inquisição católica; sobre as cruzadas, o Império Bizantino e o Reino Armênio da Cilícia, ambos ortodoxos, chegaram a participar, mas só nas duas primeiras cruzadas oficiais. Nas seguintes chegaram mesmo a lutar contra os cruzados. Em minha visão, a Igreja Ortodoxa possui muitos erros doutrinários que em certa parte estão ligados aos mesmos erros da Igreja Católica Romana, mas não são tantos e nem tão graves quanto os da Romana. Eles creem em algumas coisas que são ferrenhamente contrárias às Escrituras, como a transubstanciação, alguns dogmas marianos, a intercessão de santos falecidos, o batismo infantil e outras doutrinas, mas rejeitam outras doutrinas católicas, como é o caso do purgatório, da imaculada conceição de Maria, do batismo por aspersão e de alguns outros ensinos.

      Em resumo, creio que as igrejas ortodoxas estão mais próximas de Roma do que da Verdade. Embora não errem tanto quanto os romanos, mantém algumas de suas heresias que devem ser rejeitadas por todo e qualquer verdadeiro cristão.

      Um forte abraço.

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  5. Olá, Lucas.

    Passei essa madrugada lendo seus artigos sobre Sola Scritpura, sobretudo aquela parte 3(grandiosa em matéria de tamanho e qualidade). É de se espantar a sua capacidade argumentativa. Por acaso alguém já ousou refutar aquele artigo? hehe No Facebook em muitos grupos parece que os protestantes apologistas se escondem, já que os católicos "argumentam" por lá sem grandes dificuldades. É uma pena que você tenha deixado um pouco as redes sociais, afinal a sua presença seria de enorme valor. Assim como na Internet em geral onde às vezes parece que existe um blog católico para cada católico, no Facebook as páginas católicas "brincam de pira" hehe (como dizem por onde eu moro). No mais, você disse em algum lugar que está escrevendo um terceiro livro, ele é sobre o quê? Você já terminou o seu livro sobre o primado de Pedro? Lá no "Apologia Cristã" há uns trechos dessa obra. Por falar em livro, e não é que o Rafael Rodrigues escreveu um. Olha aí:

    http://www.bibliacatolica.com.br/blog/biblia/lancamento-manual-de-defesa-dos-livros-deuterocanonicos/#.UjmERMakp_8

    Não duvido você refutar todas essas páginas :P

    Abraços e fique na Paz do Senhor!

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    1. Olá, Matheus, a paz. É triste mas realmente é verdade, a maioria dos evangélicos só quer saber de "paz e amor" e nada de doutrina (embora eu não tenha nada contra paz e amor...rs), então não tem qualquer disposição em debater sobre a fé que defendem ou de criarem sites para este mesmo fim, já os católicos é o inverso, embora a grande maioria deles nem sequer vão a missa para buscarem a Deus, eles mesmos assim são profundamente religiosos (alguns até fanáticos), e defendem a igreja institucional deles até o ponto de dizer que são adoradores de igreja (de fato, já vi um debatedor católico afirmar isso), e por isso amam entrar em debates, criar sites apologéticos que defendem o lado deles e tudo mais, ai eles acabam tendo muito mais debatedores por aí e muito mais sites deles em relação aos evangélicos.

      De minha parte eu creio que o correto seria um ponto de equilíbrio, onde se busca a Deus em primeiro lugar mas não se abandona a doutrina. Na época em que eu debatia em redes sociais eu dizia para vários evangélicos que eram bons debatedores ali para que criassem sites, mas todos se recusavam, só eu e o Alon que criamos sites (enquanto todos os católicos tinham pelo menos um), e no fim das contas o Orkut morreu e do que valeu todo aquele tempo que os outros passaram argumentando? Nada, pois tudo se perdeu. É por isso que hoje eu prefiro passar meu tempo de escrita em sites ou blogs do que em comunidades de debates, mas eu ficaria feliz se cada evangélico pudesse ter a mentalidade mais voltada à doutrina do que possuem hoje, e pudessem abrir mais sites para defender a fé também, o número realmente é desproporcional.

      Eu não li o livro do Rafael Rodrigues mas conheço todos os argumentos dele (já vi vários debates e vários artigos), são facilmente refutáveis, mas não pretendo criar algum livro sobre o cânon bíblico tão cedo, por enquanto há três artigos no outro site e alguns outros neste blog que tratam deste assunto:

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086893398

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086905743

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086918088

      O livro sobre Pedro eu parei de escrever no ano passado, pretendo retomar em breve.

      Sobre o meu terceiro livro, é um onde eu trato de heresias no meio evangélico (mais especialmente nos círculos neopentecostais) em forma de historinha, é um estilo bem diferente de livro, onde é você que escolhe que caminho seguir no livro, não sei se você já viu antes, acho interessante você dar uma olhada no livro (eu já terminei) já que eu pretendo publicá-lo em impresso em duas semanas. Vou enviá-lo por anexo no seu e-mail aí você vê se ficou bom ou não, se tem que acrescentar ou destacar algo (o livro não é muito grande, tem pouco mais de 100 páginas em Word, dá pra ler em uma semana tranquilo, e é de fácil leitura, bem descontraída).

      Um abraço!

      P.S: respondo as suas outras mensagens mais tarde porque agora tenho que sair para a faculdade :(

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    2. Com certeza vou ler, cara. Pode me enviar sim. Vou até divulgar no Facebook depois de dá uma lida. Realmente é importante combater essas heresias propagadas no nosso próprio meio (sobretudo a teologia da prosperidade, que por sinal você já escreveu um artigo recheado de argumentos contra ela). Sobre as outras mensagens responda quando quiser e puder, inclusive deixei uma pergunta lá no seu blog "Desvendando a Lenda", tão bom quanto este.

      Abraços!

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    3. Já respondi as outras mensagens, a dos vídeos do Pe. paulo Ricardo vai demorar um pouco mais porque eu tenho que ver os vídeos primeiro. Também já enviei o e-mail com o conteúdo do livro, quando você terminar de ler me envie um e-mail falando sobre o que achou e como poderia melhorar, aí eu posso mudar algumas coisas no livro. Um abraço!

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  6. Lucas, eu estava lendo um relato de um ex-protestante que se converteu ao catolicismo. Veja:

    http://fabiosalgado.blogspot.com.br/2013/07/minha-segunda-conversao-como-um-ex.html

    Seria interessante você dá uma olhada.

    Um trecho:

    "Outro ponto com relação à "Sola Scriptura" é que foi a Igreja quem compilou as Escrituras. Por que os protestantes aceitam a Bíblia como ela está? Que arbitrariedade é essa? Simplesmente, não tem lógica crer que Deus inspirou quem escreveu, mas não inspirou quem ouviria a mensagem e identificá-la-ia como inspirada, como costuma dizer o padre Paulo Ricardo. Por que os protestantes aceitam a autoridade da Igreja Católica para escolher o Novo Testamento, mas não aceitam a autoridade da Igreja para escolher o cânone do Antigo Testamento? Se você quer jogar fora a autoridade da Igreja, jogue fora junto as Escrituras que a própria Igreja escolheu. Tenhamos em mente, agora, a seguinte situação: suponha que alguém me deu uma série de jornais antigos e que eu estou fazendo uma seleção apenas dos noticiários sobre assassinatos, jogando fora todo o resto. Digamos que eu tenha compilado um livro com esse material. Você não encontraria nele, pelo menos em princípio, nada que falasse de eventos que nada tivessem a ver com um assassinato. Da mesma maneira, a Igreja Católica compilou as Escrituras de acordo com a Tradição, com aquilo que ela tinha na oralidade — os métodos foram muitos, mas nos detenhamos apenas nesse quesito a título de argumentação. Vocês acreditam mesmo que haveria algo nas Escrituras que seria contraditório à Tradição e à Doutrina Católica? É muita ingenuidade pensar isso. Alguém pode questionar-me, dizendo que a Igreja Católica perverteu-se com o tempo; no entanto, sinto informá-lo de que o reconhecimento de dogmas no decorrer da história da Igreja, como a Imaculada Conceição ou a Assunção, já mencionadas neste texto, foram apenas reconhecimentos de algo que já estava presente na Igreja. Os diversos textos dos padres apostólicos, por exemplo, comprovam todas as doutrinas católicas. Depois que me convenci de que a "Sola Scriptura" estava, realmente, equivocada, fui procurar os argumentos católicos para as suas doutrinas e fui vendo que todas têm base bíblica. Um outro apologeta ex-protestante que posso recomendar é o filósofo Peter Kreeft. Que princípio é esse que não existiu durante mais de duzentos anos enquanto os cristãos não tinham uma Bíblia compilada e que seria impossível de ser aplicado na Idade Média quando não havia imprensa, as Bíblias eram copiadas à mão e a maior parte das pessoas nem sabia ler? Teria Cristo abandonado a sua Igreja, em vez de estar com ela "todos os dias" como prometeu em Mateus 28.20, resolvendo reaparecer apenas com Lutero e os reformadores depois no século XVI?"

    Na sua opinião, a que se deve esse grande número de protestantes se convertendo ao catolicismo? Conheço muitos!

    No texto, o Fábio expõe vários livros que o Padre Paulo Ricardo indicou a ele. Você já pensou em dedicar tempo lendo obras de autores católicos renomados? E assim poder escrever um livro sintetizando todos os argumentos católicos e os refutando em seguida? Com certeza sairia uma obra extensa e de extrema qualidade, dada toda a sua erudição.

    Abraços e fique com Deus!

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    1. Olá, Matheus.

      Há de fato evangélicos que se tornam católicos, mas o número de padres católicos que se tornam evangélicos é MUITO MAIOR. E em todos os casos que eu já acompanhei de "conversão" (o que eu prefiro chamar de regresso ou apostasia) de um evangélico para o catolicismo NUNCA foi por causa da Bíblia. Eu desafio qualquer um a me mostrar UM ÚNICO testemunho de ex-evangélico dizendo o seguinte:

      "Eu era evangélico, li a Bíblia e me tornei católico"

      Isso NUNCA vi acontecer, porque a Palavra liberta, e não aprisiona ao erro. Os "tristemunhos" de regressão de evangélicos para o catolicismo são quase sempre de pessoas que JÁ ERAM CATÓLICAS antes, e que apenas passaram algum tempo congregando em igrejas evangélicas e tiveram uma recaída. Quase nunca é de um genuíno evangélico que se torna católico.

      Além disso, outra coisa que eu percebo é que em 99,9999999% das vezes que um católico se torna evangélico é através de uma leitura bem superficial dos escritos dos Pais da Igreja, tão pobre ao ponto de ler a palavra "católico" e já achar que está falando da Igreja de Roma. A verdade é que a apologética evangélica realmente está devendo muito, são poucos os evangélicos que leem os escritos dos Pais, e desta forma muitos católicos são doutrinados pelos sites "apologéticos" deles e passam a achar que tudo o que os Pais da Igreja disseram é o que os sites deles mostram, quando a verdade é outra totalmente diferente.

      Esse mesmo Fábio aí argumenta baseado em uma série de FALÁCIAS básicas, daquelas que são facilmente refutadas, como por exemplo a confusão que ele faz com a palavra "tradição", que NUNCA significou alguma coisa extra-bíblica para complementar as Escrituras, mas um método interpretativo DAS PRÓPRIAS Escrituras e SUJEITOS À ELA, como você pode conferir nestes artigos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/search/label/Tradi%C3%A7%C3%A3o%20Apost%C3%B3lica

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/06/justino-pregava-sola-scriptura.html

      (o primeiro artigo é dividido em três partes)

      Eu tenho inclusive um livro de um doutor da Igreja Ortodoxa que prova exatamente esse mesmo conceito de tradição nos escritos dos Pais, e diz que a única regra de fé são as Escrituras e que os cristãos são sim o "povo do livro". E olha que ele nem evangélico é, e é adepto de uma religião que também remete aos apóstolos com linhas de sucessão apostólica e tem dois mil anos desde sua fundação.

      Sobre os outros argumentos dele, como eu já escrevi várias vezes em muitos lugares, eles falham em diversos aspectos, como na adoção do conceito de que a Igreja seja uma instituição religiosa, como se a Igreja de Roma fosse a única que existisse na era apostólica, como se a Igreja tivesse definido um cânon e não apenas reconhecido um, como se a Sola Scriptura implicasse na existência da imprensa (argumento ridículo para dizer pouco), como se os Pais da Igreja que reconheceram o cânon pensassem e cressem como católicos romanos e como se Deus não pudesse usar algo sem necessariamente implicar que esse algo seja infalível, pois Deus confiou aos judeus o AT e os judeus falharam e foram "cortados", Paulo diz que o mesmo aconteceria com a Igreja de Roma (Rm.11:21).

      Deus usou até uma jumenta para falar com o profeta Balaão, por que não poderia usar Pais da Igreja para reconhecerem algo em relação ao cânon? O que ele tem que entender é que Deus é soberano e Ele pode usar quem ele quer, quando ele quer e da forma que ele quiser, e que isso não implica de forma nenhuma que essa pessoa que ele usa seja infalível. Deus usou até mesmo nações ÍMPIAS para exercerem juízo sobre a casa de Israel quando essa pecava, e não significa que Deus aprovasse a conduta moral ou religiosa destes povos que ele usava. O assunto vai longe, mas estes argumentos católicos não passam de falácias pobres e superficiais.

      Um abraço!

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    2. Qual o nome desse livro sobre a Tradição, Lucas?

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    3. O livro se chama "Sobre Igreja e Tradição" e foi escrito pelo Arcipreste da Igreja Ortodoxa George Florovsky (1893-1979), você pode conferir aqui:

      http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/church_tradition_florovsky_p.htm

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  7. Respostas
    1. Justino não cita Maria nominalmente nenhuma vez em sua 1ª Apologia, nenhuma vez em sua 2ª Apologia, nenhuma vez em seu Oratório aos Gregos, nenhuma vez em sua obra sobre o Governo de Deus, nenhuma vez em sua obra sobre a Ressurreição, nenhuma vez em seus fragmentos, nenhuma vez em seu Discurso aos Gregos, e nove vezes em seu Diálogo com Trifão, em contextos onde contava a Trifão a história do nascimento de Jesus ou onde dizia que Jesus nasceu de uma virgem, sem citar absolutamente nenhum dogma mariano papista.

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