16 de agosto de 2012

Mateus 16:18 e o fundamento da Igreja


O texto mais clamado pela Igreja Católica e propagado pelos papistas como sendo o carro-forte da Igreja de Roma se encontra em Mateus 16:18, texto no qual os católicos misteriosamente cortam o contexto que o antecede e deixam de mencionar os versos que tornam claro qual era a “pedra” a que Cristo se referia:

Mateus 16
13
E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
14 E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
15 Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
[a declaração de fé de Pedro]
17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque isto [a declaração de fé de Pedro] não foi lhe foi revelado pela carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra [a declaração de fé de Pedro] edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Quando deixamos os recortes católicos de lado e revelamos todo o contexto, desde o início vemos que a Pedro era a declaração de fé de Pedro em Cristo Jesus. O que estava em jogo era quem era o Filho do homem, e não quem era Pedro. Pedro, então, é o primeiro a se adiantar e responder aquilo que seria a pedra fundamental da Igreja – tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Cristo, então, começa a trabalhar através desta mesma confissão de Pedro. Ele afirma que “isso” (referindo-se ainda ao fato de Cristo ser o Filho de Deus) havia sido revelado por Deus a ele (Pedro), e que sobre “essa pedra” (i.e, essa mesma confissão) a Igreja estaria edificada.

O “esta pedra” não é, diante dos versos que antecedem, uma referência distinta do “isso” que Jesus falava no verso anterior (v.17) e diante de todo o contexto. O foco não saiu de Cristo e se voltou para Pedro; ao contrário, continuou com Cristo: sobre aquilo que Pedro confessou sobre Cristo, e que seria a pedra fundamental da Igreja!

Que Jesus é a pedra fundamental da Igreja, isso fica evidente a partir daquilo que Paulo diz:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11)

Por que Paulo não diz que era Pedro a pedra sobre a qual a Igreja estaria fundamentada, mas diz que é Cristo? Será que ele não conhecia Mateus 16:18? Ao que parece, os católicos esqueceram-se de avisar Paulo que a pedra fundamental não era Jesus, mas Pedro! A verdade é que Paulo conhecia suficientemente bem o evangelho para compreender Mateus 16:18 e saber que Cristo, o Filho do Deus vivo – que foi a confissão de Pedro – é a pedra fundamental da Igreja.

Se a pedra fundamental não era Pedro, mas Jesus, então perguntamos: onde estava Pedro? Se Pedro não era a pedra fundamental, ele era o que? Isso o mesmo apóstolo Paulo responde em outra epístola:

“Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedroe João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos” (Gálatas 2:9)

Pedro era considerado uma coluna da Igreja, e não a pedra fundamental! A única pedra de fundamento da Igreja era Cristo, pois Paulo declarou que ninguém mais pode colocar outro fundamento além dEle (1Co.3:11).

Portanto, os católicos que apelam a dizer que existia mais de um fundamento na Igreja e que Pedro era a pedra fundamental mesmo com Paulo dizendo que Cristo era esse fundamento, estão simplesmente mutilando o texto bíblico, que de forma clara afirma que ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Cristo Jesus. Então, não temos “duas pedras” de fundamento da Igreja: temos apenas uma, que é Cristo!

Pedro, como Paulo dizia, era uma “coluna” da Igreja (Gl.2:9), que sabemos que é algo muito diferente de pedra de fundamento. A pedra fundamental era a base na qual um edifício estava edificado, e não existia mais de uma. As colunas, no entanto, são muitas vezes várias, e não uma só. Foi por isso que Paulo disse que Cristo é o únicofundamento, mas mostrou várias colunas. O quadro abaixo ilustra isso muito bem:


Note, também, que Pedro não era a única coluna da Igreja, mas dividia este espaço (no mínimo) com Tiago e João. Não havia, portanto, uma posição especial ou privilegiada para Pedro. Paulo, inclusive, citou Tiago em primeiro lugar na lista das colunas da Igreja, colocando Pedro em segundo (Gl.2:9). E Cristo era, por sua vez, superior a estes três, pois era o único fundamento que sustentava todos os demais.

Desta forma, vemos que a Igreja está bem construída da seguinte fora: Cristo é o único fundamento no qual a Igreja está edificada (1Co.3:11), e os apóstolos eram, em igualdade, colunas que estavam edificadas sobre o único e superior fundamento (Gl.2:9). Ou seja: existe um único superior e fundamento da Igreja, que é Cristo, e vários outros que estão em posição de igualdade como colunas, sem uma se sobressair às demais ou sustentá-las como fundamento.

Sendo assim, Deus estava mostrando a superioridade e primazia única e singular de Cristo na Igreja, e mostrando igualdade entre as colunas. Não apenas vemos que Pedro não era o fundamento da Igreja, como também vemos que não existia primazia entre as colunas (apóstolos).

Uma última tentativa desesperada que os católicos tentaram a fim de “refutarem” o quadro acima foi uma pérola sem precedentes, onde um católico montou um quadro da Igreja onde:

1. Pedro aparece como pedra de fundamento da Igreja.

2. Jesus aparece em cima de Pedro como outra pedra fundamental.

3. Pedro aparece de novo em cima de Jesus como coluna da Igreja.

4. Jesus aparece de novo em cima de Pedro como pedra angular.

5. E por aí vai...

Enfim, eles montaram um quadro da Igreja tão bizarro que existiam múltiplos “Jesus” e “Pedros”, primeiro onde Pedro aparece como a pedra fundamental, mas Jesus também é, então Pedro é jogado para cima como coluna e Cristo aparece no canto como pedra angular, depois Pedro volta como alicerce, enfim... é melhor pararmos por aqui.

Como eu já disse outras vezes, desde quando inventaram que Paulo saudou os asiáticos e não os romanos na carta aos romanos, eu não duvido de mais nada que venha da parte deles, nem mesmo os maiores malabarismos, como já vimos que eles são capazes de fazer. O fato é que existe apenas um Jesus e um Pedro, e Paulo disse que existe apenas uma pedra de fundamento e que não poderia haver nenhuma outra além dela, e ele próprio aponta que tal pedra de fundamento é Cristo Jesus, e não Simão Pedro (1Co.3:11).

Portanto, Jesus é a pedra sobre a qual a Igreja está edificada e ponto final. Quem quiser chorar, chore, mas não corrompa a Bíblia e nem venha com malabarismos e teses mirabolantes onde multiplicam o número de Pedros e de Jesus, para poder encaixar todos eles dentro da teologia católica. Alguns católicos precisam aprender algumas coisas:

1. Coluna é coluna e não fundamento.

2. Fundamento existe só um e este é Cristo.

3. Existe apenas um Pedro e um Jesus, e não milhares deles para cada um ocupar uma função e um papel diferente na Igreja.

4. Pedro é uma das colunas, junto com Tiago e João, e não uma coluna única ou principal.

5. Em uma edificação, não se colocam dois fundamentos. Na Bíblia, Paulo diz que ninguém pode por outro que não seja Cristo (1Co.3:11).

6. O contexto de Mateus 16:18, texto tão usado pelos católicos, aponta para “Cristo, o Filho do Deus vivo”, em todo o contexto, no verso 16, no 17 e complementando no 18 como sendo a pedra sobre a qual a Igreja está edificada.

7. O próprio Pedro declarou que a pedra em questão era Jesus (1Pe.2:4), e que ele (como os demais cristãos) eram “pedras vivas” edificadas sobre a pedra principal (1Pe.2:4-6).

8. O papa, se fosse realmente sucessor de Pedro (o que não é), se guardasse realmente a doutrina apostólica (o que não guarda) e se Mateus 16:18 implicasse de alguma forma em uma “sucessão” de bispos (o que não implica), seria no máximo mais uma das várias colunas que sustentam a Igreja, como Pedro era. Portanto, não está nas condições que outorga para si mesmo nos dias de hoje, mas está muito longe disso – querendo ou não, gostando ou não.

Para muitas mais explicações sobre o tema, incluindo sobre o original grego, recomendo que leiam o meu artigo: Mateus 16:18 e o Original Grego, no site Apologia Cristã. Um abraço a todos vocês que estão em Cristo, o nosso único fundamento, sobre o qual estamos edificados como Igreja de Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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5 comentários:

  1. Como pedro declarou a deus que ele era o filho de deus vivo, jesus percebeu que pedro seria capaz de levar o seu nome a muitas geracoes, por isso jesus, disse, tu es pedro e sobre esta pedra (que seria a crenca de pedro que jesus era filho de deus vivo, capaz de levar todo o seu entendimento aqueles que nao acreditavam) erguerei a minha igreja , sentido que pedro seria a pessoa ideal para fazer crescer a sua igreja, que claro, jesus cristo, filho de deus vivo, como fundamento principal. Pedro seria a pedra no sentido de poder testeminhar a sua crenca em deus.

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  2. Jesus o terreno da Igreja e pedro a pedra , se fizermos uma reflexão definitiva pois Cristo é o terreno e pedra vem depois . primeiro para construir vem se o terreno e depois as pedras ,ou a quem dúvidas ... Igreja se fundamenta não no templo mas como apostolo desde O cristo foi movido aos céus após o derramamento espirito santo, não estamos falando de construções e sim de pessoas vivas.

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    1. Jesus é o "terreno" da Igreja? De onde você tirou isso?

      Você sabe o que é uma PEDRA ANGULAR?

      "Este Jesus é a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular" (Atos 4:11)

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    2. "A pedra angular era a pedra fundamental utilizada nas antigas construções, caracterizada por ser a primeira a ser assentada na esquina do edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes"

      (http://www.significados.com.br/pedra-angular/)

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